Hoje celebramos o primeiro domingo do Advento, que marca o início de um tempo litúrgico que prepara a festa do nascimento do Verbo de Deus feito homem e nos recorda que devemos viver a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos.

Portanto, para os cristãos, este é um tempo para ser vivido com fé e não um tempo de preços baixos que vai da Black Friday até ao Natal.

Deus vem como promessa de paz e reconciliação, não para mudar à força o curso da história ao estilo dos acordos sempre frágeis entre nações, mas os corações que se deixam tocar e moldar como barro nas mãos do Oleiro (Cf. Is 64,7).

A pandemia provocada pela Covid-19 apenas tornou mais evidente a fragilidade do progresso científico e tecnológico na defesa da vida e na construção da paz e das sociedades modernas. Não nos iludamos, a violência e a morte trespassam nações inteiras, organizações, famílias e até o mundo digital, onde se acentuam extremos ideológicos.

Portanto, celebramos o Advento de Deus na existência dos homens que, podendo matar ou ferir, escolhem a vida. É urgente desconstruir essa falsa existência assente no consumo de coisas inúteis e em viagens instagramáveis, em guerras pelo poder e pela fama efémeras, e fazer um caminho de humilde vigilância (Cf. Mc 13,37) e de conversão pessoal ao Deus da vida, que se traduza em opções concretas de caridade, cuidado do outro e da criação.

Neste tempo de Advento, o único presente que eu quero é Deus! A única luz que me ilumina é Deus! A única esperança é Deus! E quem vier ter comigo, venha por Deus!

 

Leituras:

1ª: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7. Salmo 80/79, 2ac e 3b.15-16.18-19. R/ Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos. 2ª: 1 Cor 1,3-9. Evº: Mc 13,33-37. I Semana do Saltério.

 

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