«Um Menino nasceu para nós» (Is 9,5)

«O Verbo fez-se carne e veio habitar connosco» (Jo 1,14)

O nosso Deus, que é o Princípio e o Fim, cabe num Verbo, para que o possamos conjugar na nossa vida. Um Verbo que diz mais do que todas as palavras do profeta Isaías e de todos os profetas. Com o nascimento de Jesus, Deus revela-se e fala-nos pelo seu próprio Filho.

Nós sabemos como qualquer criança que nasça é motivo de enorme alegria para a família e os amigos dessa família. Mas o nascimento do Menino Jesus, além de motivo de alegria para Maria e José, é-o também para toda a humanidade, que espera o Messias, o Salvador, pois Ele é Deus connosco, uma realidade divina que se vai desvelando na nossa humanidade.

Neste Menino, causarão admiração as palavras reconfortantes e cheias de autoridade e os milagres que fará, mas é muito mais do que isso... Com o seu nascimento, céu e terra abraçam-se!

E «aos que nele acreditam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Imagine-se, nós… filhos de Deus; que nesta pandemia nos reconhecemos mais frágeis do que nunca, tantas vezes necessitados de reconciliação com a nossa história pessoal, com Deus, com os outros e com o meio-ambiente, mas filhos, filhos muito amados por Deus.

Deus não encarna na nossa história para ‘fazer sala’ ou para fazer número, mas para transformar as nossas misérias em novas oportunidades. Ele perdoa as nossas manias, sara as nossas feridas e renova as nossas esperanças! D’Ele «recebemos graça sobre graça» (Jo 1,16).

Quando pegamos num bebé ao colo esquecemo-nos de nós próprios, estamos debruçados sobre ele e as suas necessidades. Ele torna-se a coisa mais importante e urgente na nossa vida.

Pode acontecer que às vezes, ao fazermos o nosso presépio, coloquemos a imagem do Menino sem termos pegado verdadeiramente n’Ele ao colo, não o fazendo nosso, parte de nós. As imagens do presépio não são ‘legos’ para montar mas imagens de pessoas que queremos que entrem nas nossas vidas e nas nossas casas para nunca mais saírem.

A prudência pedida pelo Governo diz-nos para celebrar este Natal só “com os da casa”. Não sei quantos somos, mas Jesus, Maria e José seguramente deviam contar!

 

Leituras:

1ª: Is 52,7-10. Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c). R/ Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus. 2ª: Heb 1,1-6. Evº: Jo 1,1-18.

 

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