de 01 de setembro a 04 de outubro

“TEMPO DA CRIAÇÃO”

A iniciativa, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pretende exercitar-nos no cuidado da Casa Comum durante um mês de oração e ação ecuménica, de 01 de setembro a 04 de outubro. Para isso, propomos um momento diário de paragem e reflexão com um texto da Laudato si’ e uma oração nela inspirada. O ideal é que, além de ler o texto e rezar a oração, o nosso olhar sobre as criaturas seja mais atento e respeitador.

Organização de frei Lopes Morgado

 

Na celebração em família, o momento oportuno para este tempo diário com a criação, em família, será quando a maioria das pessoas esteja presente (ver a sugestão do Papa no texto do dia 30, nº 227).

  1. Leitor: Texto do papa Francisco, na encíclica Laudato si’, número…;
  2. Orientador diz: Oremos.
  3. Cantor entoa o início do refrão: Laudato si’…


Na celebração individual,

  1. Leitura do Texto.
  2. Pausa de silêncio, para poder reler o texto ou evocar a sua mensagem.
  3. Oração.

A numeração no fim de cada texto é a da própria Encíclica. A maioria das orações é feita a partir das duas finais da Encíclica. O sinal […] indica um corte no texto do Papa.

 

20210711 laudato si musica

 

20210711 flor

 

MÊS DE SETEMBRO

DIA 1. «LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras». (n. 1)

Deus Omnipotente, que estás em todo o Universo e no Diverso
desde a mais pequenina das tuas criaturas,
envolvendo com a tua ternura tudo o que existe,
derrama em nós a força do teu amor
para cuidarmos da vida e da beleza. Ámen.

 

DIA 2. A nossa irmã terra clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos.

Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra. O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos. (n. 2)

Deus dos pobres, ajuda-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Cura a nossa vida, para protegermos o mundo e não o depredarmos,
para semearmos beleza e não poluição nem destruição.

 

DIA 3. A contínua aceleração das mudanças na humanidade e no planeta junta-se, hoje, à intensificação dos ritmos de vida e de trabalho. Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que hoje lhe impõem as ações humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica.

A isto vem juntar-se o problema de que os objetivos desta mudança rápida e constante não estão necessariamente orientados para o bem comum e para um desenvolvimento humano sustentável e integral. A mudança é algo desejável, mas torna-se preocupante quando se transforma em deterioração do mundo e da qualidade de vida de grande parte da humanidade. (n. 18)

Senhor, nosso Pai, toca os corações
daqueles que buscam apenas benefícios à custa dos pobres e da terra.
Obrigado por estares connosco todos os dias.
Sustenta-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz.

 

DIA 4. O conjunto do universo, com as suas múltiplas relações, mostra melhor a riqueza inesgotável de Deus. […] pois a sua bondade «não pode ser convenientemente representada por uma só criatura». […]

«A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espetáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras» (CIC, n. 340). (n. 86)

Nós Te louvamos, Senhor, nosso Deus e Pai,
com todas as tuas criaturas, que saíram da tua mão poderosa.
São tuas e estão cheias da tua presença e da tua ternura.
Louvado sejas!

 

DIA 5. Quando nos damos conta do reflexo de Deus em tudo o que existe, o coração experimenta o desejo de adorar o Senhor por todas as suas criaturas e juntamente com elas, como se vê neste gracioso cântico de São Francisco de Assis:

“Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.” (n. 87)

 

DIA 6. Às vezes nota-se a obsessão de negar qualquer preeminência à pessoa humana, conduzindo-se uma luta em prol das outras espécies que não se vê na hora de defender igual dignidade entre os seres humanos. Devemos, certamente, ter a preocupação de que os outros seres vivos não sejam tratados de forma irresponsável, mas deveriam indignar-nos sobretudo as enormes desigualdades que existem entre nós, porque continuamos a tolerar que alguns se considerem mais dignos do que outros. […] Na prática, continuamos a admitir que alguns se sintam mais humanos que outros, como se tivessem nascido com maiores direitos. (n. 90)

Senhor, os pobres e a terra estão bradando:
toma-nos sob o teu poder e a tua luz,
para protegermos cada vida, para preparar um futuro melhor,
a fim de que venha o vosso Reino de justiça, de paz, de amor e beleza.
Louvado sejas!

 

DIA 7. Para nada serviria descrever os sintomas, se não reconhecêssemos a raiz humana da crise ecológica. Há um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano, que contradiz a realidade até ao ponto de a arruinar. Não poderemos deter-nos a pensar nisto mesmo? Proponho, pois, que nos concentremos no paradigma tecnocrático dominante e no lugar que ocupa nele o ser humano e a sua ação no mundo. (n. 101)

Espírito Santo, com a tua luz,
guias este mundo para o amor do Pai
e acompanhas o gemido da criação.
Ajuda-nos a parar e refletir
sobre o lugar que o ser humano ocupa
no paradigma tecnológico hoje dominante.

 

DIA 8. «O homem moderno não foi educado para o reto uso do poder», porque o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência. […]

Neste sentido, ele está nu e exposto frente ao seu próprio poder que continua a crescer, sem ter os instrumentos para o controlar. Talvez disponha de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que carece de uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro dum lúcido domínio de si. (n. 105)

Jesus, Filho de Deus,
Tu foste formado no seio materno de Maria;
assim Te fizeste parte desta terra
e contemplaste o mundo com olhos humanos.
Hoje estás vivo em cada criatura com a tua glória de ressuscitado.
Dá-nos consciência dos nossos limites,
ética e responsabilidade face à tecnologia.

 

DIA 9. A cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo à volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático. […] Buscar apenas um remédio técnico para cada problema ambiental que aparece, é isolar coisas que, na realidade, estão interligadas e esconder os problemas verdadeiros e mais profundos do sistema mundial. (n. 111)

Deus de amor, mostra-nos a nossa missão
como instrumentos do teu carinho
por todos os seres desta terra,
porque nem um deles sequer é esquecido por Ti.

 

DIA 10. Torna-se difícil parar para recuperarmos a profundidade da vida. Se a arquitetura reflete o espírito duma época, as megaestruturas e as casas em série expressam o espírito da técnica globalizada, onde a permanente novidade dos produtos se une a um tédio enfadonho.

Não nos resignemos a isto nem renunciemos a perguntar-nos pelos fins e o sentido de tudo. Caso contrário, apenas legitimaremos o estado de facto e precisaremos de mais sucedâneos para suportar o vazio. (n. 113)

Senhor Deus, Uno e Trino,
comunidade admirável de amor infinito,
ensina-nos a contemplar-Te na beleza do Universo,
onde tudo nos fala de Ti.

 

DIA 11. O que está a acontecer põe-nos perante a urgência de avançar numa corajosa revolução cultural. A ciência e a tecnologia não são neutrais, mas podem, desde o início até ao fim dum processo, envolver diferentes intenções e possibilidades que se podem configurar de várias maneiras.

Ninguém quer o regresso à Idade da Pedra, mas é indispensável abrandar a marcha para olhar a realidade doutra forma, recolher os avanços positivos e sustentáveis e ao mesmo tempo recuperar os valores e os grandes objetivos arrasados por um desenfreamento megalómano. (n. 114)

Senhor Deus, Uno e Trino,
desperta o nosso louvor e a nossa gratidão por cada ser que criaste.
Dá-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, salvando os seus objetivos e valores.

 

DIA 12. A falta de preocupação por medir os danos à natureza e o impacto ambiental das decisões é apenas o reflexo evidente do desinteresse em reconhecer a mensagem que a natureza traz inscrita nas suas próprias estruturas. Quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos –, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza. Tudo está interligado.

Se o ser humano se declara autónomo da realidade e se constitui dominador absoluto, desmorona-se a própria base da sua existência, porque «em vez de realizar o seu papel de colaborador de Deus na obra da criação, o homem substitui-se a Deus, e deste modo acaba por provocar a revolta da natureza». (n. 117)

Deus de amor,
ilumina os donos do poder e do dinheiro para
que não caiam no pecado da indiferença,
amem o bem comum, promovam os fracos
e cuidem deste mundo que habitamos.
Que todos escutemos os gritos da natureza!

 

DIA 13. Não haverá uma nova relação com a natureza, sem um ser humano novo. Não há ecologia sem uma adequada antropologia. Quando a pessoa humana é considerada apenas mais um ser entre outros, que provém de jogos do acaso ou de um determinismo físico, «corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade». […]

Não se pode exigir do ser humano um compromisso para com o mundo, se ao mesmo tempo não se reconhecem e valorizam as suas peculiares capacidades de conhecimento, vontade, liberdade e responsabilidade. (n. 118)

Deus omnipotente, inunda-nos de paz e amor,
para vivermos como irmãos e irmãs,
valorizando, sobretudo, a pessoa humana,
sem prejudicar ninguém.

 

DIA 14. A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isto exige sentar-se a pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência de uma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo.

Nunca é demais insistir que tudo está interligado. […] Por isso, os conhecimentos fragmentários e isolados podem tornar-se uma forma de ignorância, quando resistem a integrar-se numa visão mais ampla da realidade. (n. 138)

Senhor Deus, Uno e Trino,
dá-nos a graça de nos sentirmos
intimamente unidos a tudo o que existe,
atendendo às reais condições de vida
perante os modelos atuais de desenvolvimento.

 

DIA 15. O domingo, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. […] Assim, a ação humana é preservada não só do ativismo vazio, mas também da ganância desenfreada e da consciência que se isola buscando apenas o benefício pessoal. […] O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres. (237)

Ó Deus dos pobres, cura a nossa vida:
que o tempo de repouso amplie o nosso olhar
para protegermos o mundo,
para semearmos beleza e não poluição,
e cuidarmos da natureza e dos pobres.

 

DIA 16. A previsão do impacto ambiental dos empreendimentos e projetos requer processos políticos transparentes e sujeitos a diálogo, enquanto a corrupção, que esconde o verdadeiro impacto ambiental dum projeto em troca de favores, frequentemente leva a acordos ambíguos que fogem ao dever de informar e a um debate profundo. (n. 182)

Deus de amor,
ilumina os donos do poder e do dinheiro
para que vivam em transparência e diálogo,
evitando a corrupção e a troca de favores
em projetos negativos para o meio ambiente.

 

DIA 17. Em qualquer discussão sobre um empreendimento, dever-se-ia pôr uma série de perguntas, para poder discernir se o mesmo levará a um desenvolvimento verdadeiramente integral: Para que fim? Por qual motivo? Onde? Quando? De que maneira? A quem ajuda? Quais são os riscos? A que preço? Quem paga as despesas e como o fará?

Neste exame, há questões que devem ter prioridade. Por exemplo, sabemos que a água é um recurso escasso e indispensável, sendo um direito fundamental que condiciona o exercício doutros direitos humanos. Isto está, sem dúvida, acima de toda a análise de impacto ambiental de uma região. (n. 185)

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã Água:
que saibamos utilizá-la
e defender o direito de todos a usufruí-la.

 

DIA 18. Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência de uma origem comum, de uma recíproca pertença e de um futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração. (n. 202)

Com São Paulo de Tarso, proclamamos:
«Há um só Deus e Pai de todos,
que reina sobre todos, age por todos
e permanece em todos» (Ef 4,6).
Respeitemos a origem e pertença comum
para haver um futuro partilhado por todos.

 

DIA 19. Uma mudança nos estilos de vida poderia chegar a exercer uma pressão salutar sobre quantos detêm o poder político, económico e social. […]

Verifica-se isto quando os movimentos de consumidores conseguem que se deixe de adquirir determinados produtos e assim se tornam eficazes na mudança do comportamento das empresas, forçando-as a reconsiderar o impacto ambiental e os modelos de produção. […] «Comprar é sempre um ato moral, para além de económico.» Por isso, hoje, «o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós». (n. 206)

Deus nosso Pai, Criador e Senhor do Universo,
ensina-nos a viver de modo austero, como S. Francisco de Assis,
para “não fazermos da realidade
em mero objeto de uso e domínio” (nº 11).

 

DIA 20. Sempre é possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro. Sem tal capacidade, não se reconhece às outras criaturas o seu valor, não se sente interesse em cuidar de algo para os outros, não se consegue impor limites para evitar o sofrimento ou a degradação do que nos rodeia. […] Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade. (n. 208)

Deus de amor,
mostra-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do teu carinho
por todos os seres da terra,
sobretudo os que sofrem maior degradação.

 

DIA 21. A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos. Muitos estão cientes de que não basta o progresso atual e a mera acumulação de objetos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano, mas não se sentem capazes de renunciar àquilo que o mercado lhes oferece. Nos países que deveriam realizar as maiores mudanças nos hábitos de consumo, os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação de outros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo. (n. 209)

Deus omnipotente, fonte da nossa alegria,
obrigado porque estás connosco todos os dias.
Nós Te pedimos: sustenta-nos na nossa luta
pela justiça, pela moderação no consumo
e a defesa do meio ambiente.

 

DIA 22. Se «os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornaram tão amplos», a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente.

Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa. (n. 217)

Deus dos pobres, dá-nos conversão ecológica
através da conversão interior
e a mudança de hábitos na nossa vida,
para sabermos guardar bem a tua obra.

 

DIA 23. Para se resolver uma situação tão complexa como a que o mundo atual enfrenta, não basta que cada um seja melhor. Os indivíduos isolados podem perder a capacidade e a liberdade de vencer a lógica da razão instrumental e acabam por sucumbir a um consumismo sem ética nem sentido social e ambiental. Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias […]. A conversão ecológica, que se requer para criar um dinamismo de mudança duradoura, é também uma conversão comunitária. (n. 219)

Ó Deus dos pobres, ajuda-nos a reconhecer
que estamos profundamente unidos:
dá-nos maior conversão comunitária
para criarmos dinamismos de mudança;
e livra-nos do consumismo sem ética.

 

DIA 24. A espiritualidade cristã propõe uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo. […] Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». […]

A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem nos entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres. (n. 222)

Senhor, nosso Deus,
que estás em todo o Universo
e na mais pequenina das tuas criaturas:
a tua ternura envolve tudo o que existe.
Ensina-nos a contemplar-Te na Criação,
sem querer tudo possuir e consumir,
sendo felizes com o meramente necessário.

 

DIA 25. A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Não se trata de menos vida, nem vida de baixa intensidade; é precisamente o contrário. Com efeito, as pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de debicar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar-se com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas.

Deste modo conseguem reduzir o número das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansaço e a ansiedade. É possível necessitar de pouco e viver muito, sobretudo quando se é capaz de dar espaço a outros prazeres, encontrando satisfação nos encontros fraternos, no serviço, na frutificação dos próprios carismas, na música e na arte, no contacto com a natureza, na oração. A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as múltiplas possibilidades que a vida oferece. (n. 223)

Senhor Deus, Uno e Trino,
comunidade admirável de amor infinito,
ensina-nos a contemplar-Te na beleza do Universo,
onde tudo nos fala de Ti,
tendo apreço por cada pessoa e por cada coisa.

 

DIA 26. A sobriedade e a humildade não gozaram de consideração positiva no século passado. Mas, quando se debilita de forma generalizada o exercício de alguma virtude na vida pessoal e social, isso acaba por provocar variados desequilíbrios, mesmo ambientais. Por isso, não basta falar apenas da integridade dos ecossistemas; é preciso ter a coragem de falar da integridade da vida humana, da necessidade de incentivar e conjugar todos os grandes valores. […] Não é fácil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos autónomos, se excluímos Deus da nossa vida fazendo o nosso eu ocupar o seu lugar, se pensamos ser a nossa subjetividade que determina o que é bem e o que é mal. (n. 224)

Espírito Santo, que com a tua luz
guias este mundo para o amor do Pai
e acompanhas o gemido de toda a Criação:
Ensina-nos a cuidar da integridade
da vida humana e do meio ambiente,
sendo felizes sem excluir Deus da nossa vida.

 

DIA 27. Ninguém pode amadurecer numa sobriedade feliz, se não estiver em paz consigo mesmo. E parte de uma adequada compreensão da espiritualidade consiste em alargar a nossa compreensão da paz, que é muito mais do que a ausência de guerra. A paz interior das pessoas tem muito a ver com o cuidado da ecologia e com o bem comum, porque, autenticamente vivida, reflete-se num equilibrado estilo de vida aliado com a capacidade de admiração que leva à profundidade da vida. A natureza está cheia de palavras de amor; mas, como poderemos ouvi-las no meio do ruído constante, da distração permanente e ansiosa, ou do culto da notoriedade? (n. 225-a)

Deus Omnipotente, inunda-nos de paz interior
com as palavras de amor da natureza,
face aos ruídos constantes,
à distração permanente e ansiosa
e ao culto da notoriedade.

 

DIA 28. Muitas pessoas experimentam um desequilíbrio profundo, que as impele a fazer as coisas a toda a velocidade para se sentirem ocupadas, numa pressa constante que, por sua vez, as leva a atropelar tudo o que têm ao seu redor. Isto tem incidência no modo como se trata o ambiente.

Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo a recuperar a harmonia serena com a criação, a refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, a contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença «não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada». (n. 225-b)

Ó Deus dos pobres, ensina-nos
a descobrir o valor de cada coisa,
a recuperar a harmonia com a Criação,
a refletir sobre o nosso estilo de vida
e a contemplar-Te em nós e no nosso meio.

 

DIA 29. Falamos aqui de uma atitude do coração, que vive tudo com serena atenção, que sabe manter-se plenamente presente diante de uma pessoa sem estar a pensar no que virá depois, que se entrega a cada momento como um dom divino que se deve viver em plenitude. Jesus ensinou-nos esta atitude, quando nos convidava a olhar os lírios do campo e as aves do céu, ou quando, na presença de um homem inquieto, «fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele» (Mc 10,21). De certeza que Ele estava plenamente presente diante de cada ser humano e de cada criatura, mostrando-nos assim um caminho para superar a ansiedade doentia que nos torna superficiais, agressivos e consumistas desenfreados. (n. 226)

Jesus Cristo, Filho de Deus,
por Ti foram criadas todas as coisas.
Foste formado no seio virginal de Maria,
e assim Te fizeste parte desta terra
e contemplaste este mundo com olhos humanos.
Que saibamos contemplar também
cada ser humano e cada criatura, como Tu,
com atenção e sem pressa.

 

DIA 30. Proponho aos crentes que retomem e vivam profundamente o hábito importante de parar para agradecer a Deus antes e depois das refeições. Este momento da bênção da mesa, embora muito breve, recorda-nos que a nossa vida depende de Deus, fortalece o nosso sentido de gratidão pelos dons da criação, dá graças por aqueles que com o seu trabalho fornecem estes bens, e reforça a solidariedade com os mais necessitados. (n. 227)

Nós Te louvamos, Pai,
com todas as tuas criaturas,
que saíram da tua mão poderosa.
São tuas e estão repletas da tua presença
e da tua ternura.
Louvado sejas!

 

20210711 sao francisco violino

 

MÊS DE OUTUBRO

DIA 01 (Festa de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a pôr em prática o pequeno caminho do amor, a não perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral também é feita de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo. Pelo contrário, o mundo do consumo exacerbado é, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas. (n. 230)

Deus Omnipotente,
que estás em todo o Universo
e na mais pequenina das tuas criaturas:
Tu, que envolves com a tua ternura tudo o que existe,
derrama em nós a força do teu amor
para cuidarmos da vida e da beleza do mundo.

 

DIA 02. São Francisco, fiel à Sagrada Escritura, propõe-nos reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade. […] Por isso, pedia que, no convento, se deixasse sempre uma parte do horto por cultivar para aí crescerem as ervas silvestres, a fim de que, quem as admirasse, pudesse elevar o seu pensamento a Deus, autor de tanta beleza. O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor. (n. 12)

Altíssimo, omnipotente e bom Senhor,
a Ti toda a honra e toda a glória,
a Ti o louvor!

 

DIA 03. Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra, a reação de Francisco de Assis, sempre que olhava o sol, a lua ou os minúsculos animais, era cantar, envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas. Entrava em comunicação com todas as criaturas, chegando mesmo a pregar às flores convidando-as a louvar o Senhor, como se gozassem do dom da razão.

A sua reação ultrapassava de longe a mera avaliação intelectual ou um cálculo económico, porque, para ele, qualquer criatura era uma irmã, unida a ele por laços de carinho. Por isso, sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe. […] A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio. (n. 11)

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvai e bendizei o meu Senhor.
Dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.

 

DIA 04. (Festa de S. Francisco de Assis, Fundador. Patrono dos Ecologistas)
Francisco de Assis é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. […] Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. […] Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior. (n. 10)

Omnipotente e bom Senhor:
com Francisco de Assis,
ensina-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar, com encanto, cada pessoa
e a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas da terra.

 

20210711 flor

 

P/ Deus amoroso, Criador do Céu, da Terra
e de tudo aquilo que contêm.
Criaste-nos à tua imagem
e tornaste-nos guardiães de toda a tua criação.
Abençoaste-nos com o sol, a água e a terra,
tão generosos, para podermos ser nutridos.

C1/ Abre as nossas mentes
e toca os nossos corações,
para podermos ser parte da criação, teu dom.

C2/ Ajuda-nos a sermos conscientes de que
a nossa casa comum não pertence só a nós,
mas a todas as criaturas e às gerações futuras,
e que é nossa responsabilidade preservá-la.

C1/ Faz que consigamos escutar e responder
ao grito da Terra e ao grito dos pobres.

C2/ Que os sofrimentos atuais
possam ser as dores de parto
de um mundo mais fraterno e sustentável.

P/ Sob o olhar amoroso de Maria Auxiliadora,
a ti oramos por Cristo, Nosso Senhor.

T/ Ámen.