Em 2020, a Festa da Apresentação do Senhor, que se celebra sempre no dia 2 de fevereiro, coincide com o IV Domingo do Tempo Comum. Na mesma data, celebra-se o Dia Mundial da Vida Consagrada.

A Festa da Candelária, nome por que também é conhecida a Festa da Apresentação de Jesus, é inspirada no relato bíblico do Evangelista Lucas: «Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor”» (Lc 2,22-23).

Este episódio foi sempre lido pelos Religiosos/as sob o ponto de vista da Consagração. Por isso, foi com alguma naturalidade que esta data começou a reunir, quase espontaneamente, numerosos membros de Ordens Religiosas e de Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica ao redor do Papa e dos Bispos Diocesanos, para manifestar a comunhão com todo o povo de Deus, agradecer o dom da vocação e celebrar a variedade de carismas que o Espírito Santo suscitou na Igreja. Em 1997, São João Paulo II, instituiu oficialmente o Dia Mundial da Vida Consagrada.

A Vida Consagrada é formada por todos os batizados que se consagram a Deus através do rito de profissão dos conselhos evangélicos: pobreza, castidade e obediência. Ao longo do seu pontificado, o Papa Francisco, da Companhia de Jesus, tem feito várias intervenções com o intuito de estimular a fidelidade dos Consagrados ao seu carisma.

Em novembro de 2014, enviou uma carta apostólica a todos os Consagrados para assinalar os principais objetivos do Ano da Vida Consagrada, que começou a 30 de novembro de 2014 e terminou a 2 de fevereiro de 2016. O primeiro, sempre atual, é «olhar com gratidão para o passado», não para «fazer arqueologia ou cultivar nostalgias inúteis», mas para «manter viva a própria identidade, sem fechar os olhos às incoerências, e talvez mesmo qualquer esquecimento de alguns aspetos essenciais do carisma». O segundo é «viver com paixão o presente», assim como «o Evangelho em plenitude e com espírito de comunhão». Por último, o terceiro é «abraçar com esperança o futuro, sem desanimar por tantas dificuldades que se encontram na Vida Consagrada a partir da crise vocacional».

Quase dois anos mais tarde, em setembro de 2016, o Santo Padre dirigiu-se aos Sacerdotes e Consagrados da Colômbia, dizendo: «Onde há vida, fervor e paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas; é a vida fraterna e fervorosa da comunidade que desperta o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização».

Hoje, diante do «deserto vocacional» que muitos países atravessam, mais do que arranjar bodes expiatórios ou sacrificar rolas ou pombas, impõe-se uma reflexão permanente sobre a nossa identidade e a abertura às surpresas inéditas do mesmo Espírito que inspirou os nossos fundadores pois «a Vida Consagrada não é sobrevivência, é vida nova, é encontro vivo com o Senhor no seu povo».

A oração de São Francisco de Assis, no Monte Alverne, pode ajudar a centrar a reflexão no essencial: «Quem sois Vós, Senhor, e quem sou eu!?»

 

In Revista BÍBLICA nº 386 (janeiro-fevereiro 2020), pág. 1.