Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1896 em Vinalesa (Valência); era o terceiro dos sete filhos que teve o casal Vicente Ample e Manuela Alcaide. Foi baptizado no dia seguinte (4 de Fevereiro) na paróquia de Santo Honorato Bispo e foi crismado no dia 21 de Abril de 1899.

Fez os primeiros estudos no Seminário Seráfico de Massamagrel (Valência). Vestiu o hábito capuchinho no convento de Santa Maria Madalena no dia 7 de Agosto de 1912. Emitiu a profissão temporária no dia 10 de Agosto de 1913 e a perpétua, no convento do Santo Nome de Jesus de Orihuela, no dia 18 de Dezembro de 1917. A seguir, foi enviado a Roma para aperfeiçoar os estudos, sendo ordenado sacerdote na Cidade Eterna pelo arcebispo de Filipos, Dom José Palica, no dia 26 de Março de 1921.

Retornando à Espanha, foi nomeado Diretor do Instituto de Filosofia e Teologia dos Frades Capuchinhos, em Orihuela (Alicante), cargo que exerceu até à sua morte, com prudência e satisfação geral de todos.

"Gozava entre os fiéis - disse sobre ele o sacerdote Operário Diocesano Pascoal Ortells - da fama de santo e a esta fama unia também a de sábio. Era fiel observante de toda a Regra de São Francisco, trabalhando com todo o empenho para que seus alunos capuchinhos fossem perfeitos religiosos".

Durante a revolução de 1936, todos os capuchinhos do convento de Orihuela se dispersaram no dia 18 de Julho. Fr. Aurélio buscou refúgio na casa paterna, em Vinalesa, onde, no dia 28 de Agosto foi capturado pelos milicianos e conduzido ao lugar da morte. Antes de ser assassinado exortou todos os seus companheiros para morrerem bem, dando-lhes a absolvição sacramental e acrescentou: "Gritem forte: Viva Cristo Rei!"

Foi assassinado no dia 28 de Agosto de 1936. O seu corpo foi sepultado no cemitério de Foyos (Valência), próximo de onde fora morto. Terminada a guerra civil, foram exumados os seus restos e transladados para o cemitério de Vinalesa, no dia 17 de Setembro de 1937. Hoje, descansam na capela dos mártires capuchinhos do convento da Madalena de Massamagrel.

Fr Aurélio conservou a disponibilidade interior, desde o momento em que foi capturado até à sua morte, mantendo-se em todo o momento fiel a Cristo. "Conservou a serenidade até ao último momento - disse sobre ele Rafael Rodrigo, testemunho do seu martírio - animando-nos a todos os que íamos morrer. Quando tudo já estava preparado para a execução, exortou-nos para que pronunciássemos a fórmula do ato de contrição. Assim o fizemos e quando o Servo de Deus estava recitando a fórmula da absolvição, um miliciano deu-lhe duas bofetadas. Alguém do grupo dos milicianos disse ao companheiro para não esbofetear mais o frade pois pelo tempo de vida que nos restava não valia a pena. O Servo de Deus permaneceu inalterável ante esta injúria, continuando até terminar a absolvição. Quando o Servo de Deus terminou de cumprir seu sagrado dever, ouviu-se um disparo e caímos todos repetindo com ele o grito "Viva Cristo Rei!"

 

Oração

Senhor nosso Deus, que concedestes ao Beato Aurélio e seus companheiros dar o maior testemunho de caridade com o derramamento do seu sangue: concedei-nos que, permanecendo sempre fiéis a Cristo, nunca nos separemos do vosso amor. Por Nosso Senhor.

 

Hino ao Beato Aurélio de Vinalesa

09 26 aurelio vinalesa e companheiros hino

Tudo passa exceto o amor de Deus

Carta do beato Aurélio de Vinalesa, presbítero e mártir, a seu sobrinho Vicente Ample Ríos, religioso
(25 de agosto de 1936: Seminário de Burgos, Arch. Post., n. 709, p. 96)

Estimado sobrinho: Paz e Bem.

Ignoro o que Deus queira dispôr para mim, porém se quiser eleger-me como vítima, quero dirigir-te umas letras de afeto e exortação, nascidas do mais fundo da minha alma.

No momento em que te escrevo vivem-se tempos difíceis: irmãos que perseguem os irmãos, e em toda a parte ruinas e morte. A Igreja de Deus é também cruelmente perseguida.

Que havemos de fazer ou que hão de fazer os que viverem depois desta terrível tragédia? Pelo que se refere aos ministros de Deus, ser santos como Deus é santo. E como é que tu traduzirás na prática esta fórmula?

Serás um sacerdote que vive do espírito de fé, que, faças o que fizeres, o fazes sempre com a mais pura intenção de agradar a Deus, buscando em todas as tuas obras o amor de Deus. De que serve ganhar todas as coisas do mundo, se se perde a alma? E nós os sacerdotes corremos o risco de irmos atrás dos bens do mundo, procurando dignidades, honras e riquezas, e estas estorvarão mais na hora da morte que aos simples seculares.

Pelo contrário, o amor de Deus nos tornará tudo mais doce, fará que tudo nos seja superável e fácil, porque é mais forte que a morte; e sobrevindo esta, seguir-se-á para ti a eternidade bem-aventurada. Porque se as coisas deste mundo passam, o amor não passa, segundo a formosa frase do santo doutor Boaventura: «Tudo passa exceto amar a Deus». Busca com suavidade, constância e força a Deus; porta-te em tudo como um humilde servo de Deus, de Jesus Cristo e de nossa dulcíssima Mãe, e alcançarás os desígnios da providência divina a teu respeito, e darás constantemente consolo a teu tio, que espera que dês a Deus muita glória e te recordes dele nas tuas orações e sacrifícios.

Dá muitas saudações aos teus superiores, os operários da vinha do Senhor. E recebe a bênção do teu tio, que te abraça no Senhor.

 

Companheiros Mártires do Beato Aurélio de Vinalesa

 

Beato Ambrósio de Benaguacil

Nasceu no dia 3 de Maio de 1870 em Benaguacil (Valência) e foi batizado no dia seguinte (4 de Maio), na paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Benaguacil e foi crismado na paróquia de Liria (Valência). Era filho de Valentim Vaus e Mariana Matamales. Ingressou na Ordem Capuchinha em 1890, vestindo o hábito a 28 de Maio. Emitiu a profissão temporária a 28 de Maio de 1891 e a perpétua a 30 de Maio de 1894. Foi ordenado sacerdote a 22 de Setembro de 1894, no convento capuchinho de Sanlúcar de Barrameda (Cádiz), celebrando ali a sua primeira missa.

"Era um religioso muito modesto -disse sobre ele a Irmã Maria Amparo Orteus - com o olhar sempre recolhido. Era muito humilde. Tudo lhe parecia demasiado e notava-se nele um grande espírito de oração. Era muito devoto da Santíssima Virgem". "Entre os seus confrades era considerado bom religioso, fiel, observante da Regra franciscana e muito devoto do nosso Pai São Francisco. Trabalhou apostolicamente na pregação, no ministério da confissão e da direção espiritual. "Preferentemente trabalhou como confessor e como diretor da Ordem Terceira de São Francisco . " O seu campo de apostolado foi principalmente a pregação". Foi considerado como um dos melhores pregadores da Província capuchinha de Valência. A sua límpida devoção à Virgem ficou plasmada num pequeno opúsculo dedicado à Virgem de Montiel, entitulado História, Novenas, Favores y Montielerias de Nuestra Señora de Montiel, venerada en su ermita de Benaguacil, que em 1934 alcançava a terceira edição.

Residia no convento de Massamagrel (Valência) quando se desencadeou a perseguição religiosa de 1936 na Espanha. Refugiou-se na casa da senhora Maria Orts Loris, em Vinalesa. No seu esconderijo, desejava morrer por Cristo dentro da Igreja Católica. "Não teve reação contrária ao martírio - manifesta a senhora Maria Orts - ao contrário, tinha grande desejo de morrer por Cristo. Diante do perigo que corria, a sua reação era de grande serenidade e de valente ânimo. 'Eles matar-me-ão', dizia, 'mas a vocês nada acontecerá', e assim, efetivamente sucedeu".

Foi preso em Vinalesa, na noite de 24 de Agosto de 1936. Levado num automóvel até Valência, foi assassinado naquela mesma noite. Neste momento - narra a senhora Maria - "despedindo-se, o Servo de Deus pediu-nos que rezássemos por ele para que não retrocedesse em seu caminho. Os milicianos estavam armados com fuzis e metralhadoras. Fr. Ambrósio, da nossa casa, foi levado ao Comité de Vinalesa para o interrogatório. Uma hora depois, levaram-no ao lugar do martírio. Consta-me que no caminho o insultaram e o maltrataram, imputando-lhe o delito de haver pregado em Benaguacil um sermão contra o comunismo. O Servo de Deus respondeu-lhes: "Eu somente tenho pregado a doutrina de Deus e o Evangelho".

 

Beato Pedro de Benisa

Nasceu em Benisa (Alicante) a 11 de Dezembro de 1876, sendo o último dos quatro filhos do casal Francisco Mas e Vicenta Ginestar. Foi batizado no dia seguinte (a 12 de Dezembro) na paróquia "Puríssima xiqueta" de Benisa. Ingressou na Ordem Capuchinha, vestindo o hábito no dia l de Agosto de 1893, no convento de Santa Maria Madalena de Massamagrel. Emitiu a profissão temporária a 3 de Agosto de 1894 e a perpétua a 8 de Agosto de 1897, no convento de Orihuela (Alicante).

Concluídos os estudos eclesiásticos, foi ordenado sacerdote em Olleráa (Valência) a 22 de Dezembro de 1900, desenvolvendo desde então o seu ministério apostólico em diversas casas da província, dedicando-se principalmente ao apostolado da juventude e da catequese.

Distinguiu-se sempre pela sua fidelidade à Regra franciscana. "Era fiel observante da regra franciscana – disse sobre ele o senhor Francisco Barres, habitante de Masamagrell – e das Constituições capuchinhas, a ponto de deixar os jovens alguns momentos antes de tocar a campainha para qualquer ato comunitário para poder chegar a tempo". Todos sabiam que era "Homem de caráter, porém, sabia dominar-se e mostrava-se muito bondoso". "Foi um bom religioso - afirma dona Josefa Moreno - e, devido à sua bondade, em mais de uma ocasião, interveio junto dos seus, para resolver situações difíceis na família, conciliando os ânimos e procedendo sempre com requintada prudência". "Enquanto esteve escondido - afirmou a jovem Mercedes Loris - demonstrou sempre grande serenidade. Rezava muitíssimo e o Santo Rosário recitávamo-lo todos em família, a seu convite".

Também ele se viu obrigado a abandonar o convento depois do dia 18 de Julho de 1936, refugiando-se primeiro na casa de uns amigos, e depois, na casa de uma irmã, em Vergel (Alicante). "Durante este tempo - recorda o senhor Barres Ferrer - era visto sereno, sem se queixar de que Deus permitia tais coisas. Mostrou paciência e rezava o Ofício Divino". "Dava-se perfeitamente conta - manifesta a senhora Maria Jansarás - do grande perigo que corriam ele e todos, e dizia isso muitas vezes ao meu pai. Exortava-nos para que rezássemos muito e que estivéssemos sempre preparados, entregando-nos nas mãos de Deus. Enquanto estava escondido, em todos os momentos que o visitávamos, mostrava-se resignado e repetia-nos muitas vezes: 'que não chorássemos, pois se Deus o permitia era porque nos convinha'. Rezava constantemente".

Foi detido pelos milicianos a 26 de Agosto de 1936 e, posteriormente, assassinado na assim chamada Alberca de Denia, sendo sepultado no cemitério de Denia. No dia 31 de Julho de 1939 foram exumados os seus restos mortais. O seu crânio estava totalmente destroçado. Havia recebido mais de quatorze tiros. Os seus restos mortais descansam na capela dos mártires capuchinhos do convento Madalena, em Massamagrel.

Os sentimentos de fr. Pedro perante a morte ficaram condensados em algumas frases suas, que repetia para a sua irmã: "Se vêm buscar-me, já estou pronto".

 

Beato Joaquim de Albocácer

Nasceu em Albocácer, diocese de Tortosa e província de Castellón de la Plana, a 29 deAbril de 1879, sendo batizado no mesmo dia. Era o único filho do casal José Ferrer e Antonia Adell.

Realizados os primeiros estudos no Seminário Seráfico Capuchinho, vestiu o hábito em Massamagrel a 1 de Janeiro de 1896, professando a 3 de Janeiro do ano seguinte. Emitiu a profissão perpétua a 6 de Janeiro de 1900 no convento de Santa Maria Madalena. Fez a Filosofia em Totana (Múrcia) e a Teologia em Orihuela (Alicante). Recebeu a ordenação sacerdotal a 19 de Dezembro de 1903 das mãos do bispo de Segorbe.

Em 1913 partiu como missionário para a Colômbia e em 1925 foi nomeado Superior regular da Custódia de Bogotá. Terminado o seu mandato, retomou à Espanha e foi nomeado Diretor do Seminário Seráfico de Masamagrel. Como Diretor, procurou infundir nos seminaristas o amor à vida religiosa e o espirito missionário. "Fr. Joaquim - disse o senhor José Piquer - dedicava-se no convento de Masamagrel ao ensino dos seminaristas como Diretor do referido Seminário. Era incansável no trabalho do ensino aos alunos, tratando-os como um bom pai", declara sobre ele o senhor António Sales. Era lembrado como um místico: "Era uma pessoa mística, suave no trato para com todos", disse sobre ele o senhor António Sales. Era verdadeiramente consagrado à salvação de todos. Foi uma alma eucarística: a revista Vida eucarística fundada por ele, a adoração perpétua diurna, as Horas Santas, as Quintas-feiras Eucarísticas foram obras às quais se entregou com total generosidade.

Desencadeada a perseguição religiosa, primeiro, colocou a salvo os seus seminaristas e depois rumou para Rafel-buñol (Valência) e refugiou-se na casa Piquer, preocupando-se, dali mesmo, com seus estudantes e ocupando o tempo na oração, com plena confiança na Divina Providência. Ali foi capturado pelos milicianos a 30 de Agosto e conduzido a Albocácer, com os seus familiares. Depois, foi transladado pelo Presidente do Comité de Rafel-buñol às 10 horas da manhã e às quatro da tarde do mesmo dia, conduzido no mesmo automóvel, ao km 4 da estrada de Puebla Tornesa a Villafamés, onde foi assassinado e sepultado no cemitério de Villafamés. Os seus restos mortais não puderam ser identificados.

Fr. Joaquim, nas suas poucas horas de cárcere, tratou de animar e ajudar os seus companheiros. Alguns testemunhos dizem: "Quando foi preso, a sua atitude foi de máxima humildade e entrega" e, ao despedir-se de seus familiares disse-lhes: "Se não nos virmos na terra, até breve na glória".

 

Beato Modesto de Albocácer

Nasceu em Albocácer, diocese de Tortosa e província de Castellón de la Plana, a 18 de Janeiro de 1880, sendo batizado no dia seguinte (19 de Janeiro), na paróquia de Nossa Senhora da Assunção, em Albocácer. Era o terceiro dos sete filhos do casal Francisco Garcia e Joaquina Martíde, formando assim uma família muito cristã.

Ainda criança, ingressou no Seminário Seráfico dos Capuchinhos da Província de Valência, em Massamagrel, vestindo o hábito capuchinho, no mesmo convento, a 1 de Janeiro de 1896. Emitiu a profissão temporária a 3 de Janeiro de 1897 e a perpétua, a 6 de Janeiro de 1900, em Massamagrel. Estudou a Filosofia em Orihuela e a Teologia em Massamagrel, sendo ordenado sacerdote a 19 de Dezembro de 1903.

Exerceu a maior parte do seu ministério apostólico como missionário na Colômbia, Custódia de Bogotá. Regressando a Valência, foi nomeado guardião durante vários anos.

Os que o conheceram falam dele como um sacerdote apostolicamente comprometido na pregação, nos exercícios espirituais, na direção espiritual, que foram entre outras, as suas tarefas preferidas. Assim manifestam aqueles que viveram com ele: " O seu campo de apostolado preferido - disse a jovem Pilar Beltrán - foi a pregação, os exercícios espirituais e a direção das almas. Nunca ouvi críticas de sua atuação". Gozava de fama de santidade tanto no convento como entre os fiéis. "Era de temperamento pacífico. A sua qualidade mais destacada - manifesta o senhor Daniel García - era a amabilidade.

Gozava de boa fama entre os seus confrades e os fiéis. Era fiel observante da Regra e Constituições franciscanas.

Quando surgiu a Revolução Nacional, era guardião de Olllería (Valência), onde "a fraternidade foi violentamente dissolvida, o convento e a igreja incendiados pelas chamas, o pinheiral do mesmo convento cortado, os seus muros destruídos, ficando tudo reduzido a nada". (Art. 84-8). Restabelecidas as comunicações, fr. Modesto dirigiu-se à sua cidade, refugiando-se na casa de sua irmã Teresa, junto do seu irmão sacerdote Mosén Miguel, pároco de Torrembesora. Para maior segurança, foram à casa "la Masá", mas lá foi capturado por uns milicianos armados. Fr. Modesto "entregou-se mansa e humildemente - manifesta o senhor Artur Adell - e sem algum protesto". "A sua atitude durante este período - disse a jovem Pilar Beltrán - foi de total entrega ao Senhor e de uma vida exemplar".

 

Frei Germano de Carcagente

Nasceu em Carcagente (Valência), de uma família cristã, a 12 de Fevereiro de 1895. Foi batizado no mesmo dia, na paróquia de Nossa Senhora da Assunção, de Carcagente e crismado a 22 de Julho de 1912, por Dom fr. Atanásio Soler Royo, devidamente autorizado pelo arcebispo da diocese. O casal João Baptista Garrigues e Maria Ana Hernández teve oito filhos, três dos quais se tornaram capuchinhos.

Fez os seus primeiros estudos no Seminário Seráfico Capuchinho em Monforte del Cid. Vestiu o hábito capuchinho a 13 de Agosto de 1911. Emitiu os votos temporários a 15 de Agosto de 1912 e os perpétuos a 18 de Dezembro de 1917. Dom Ramón Plaza ordenou-o sacerdote em Orihuela, a 9 de Fevereiro de 1919. Os Superiores encaminharam-no para a formação e ensino e, ao mesmo tempo, trabalhou no apostolado. Disse fr. Domingos Garrigues, capuchinho: "Desempenhou os cargos de Vice-mestre de Noviços e professor de uma escola primária em Alcira. Empenhou-se preferentemente no apostolado do confessionário, dos enfermos e também com a catequese das crianças da escola".

Muitos que o conheceram, falam dele como um religioso fiel à sua vocação, fervoroso na oração e muito caritativo: "Entre os fiéis - afirmou a sua irmã Mercedes Garrigues - e ainda entre os confrades, gozava de boa fama pelo seu caráter jovial, caridade e candor. Costumavam dizer: 'É um anjo'. Dos mesmos religiosos ouvi dizer que era um religioso muito observante da Regra e das Constituições franciscano-capuchinhas". " As suas qualidades mais salientes - afirma seu irmão, Francisco Pascoal Garrigues - eram a sua profunda piedade e a atração que exercia sobre os jovens, sem que se lhe reconhecesse defeito algum". Henrique Albelda, habitante de Carcagente, recorda: "O seu temperamento era bonachão e alegre. Também se ressalta as suas qualidades como caritativo e esmoler. Era homem virtuoso, sobressaindo pela sua paciência ilimitada. Era sereno, humilde, recatado e modesto".

Quando desencadeou a perseguição religiosa na Espanha, viu-se forçado, como seus irmãos, a refugiar-se na casa paterna, levando ali uma vida dedicada à oração. Foi detido pelos milicianos a 9 de Agosto de 1936 e conduzido ao Centro do Partido Comunista e, dali, conduzido, à meia noite, à ponte dos caminhos-de-ferro sobre o rio Júcar, lugar em que foi assassinado. "Se Deus me quer mártir - disse quando refugiado - dar-me-á forças para sofrer o martírio" Quando chegou ao lugar do martírio - afirma o senhor Clemente Albelda - "fr. Germano, depois de beijar as mãos dos carnificinas e perdoá-los, ajoelhou-se".

O cadáver de fr. Germano foi enterrado no cemitério de Carcagente e, a 15 de Dezembro de 1940 os seus restos mortais foram reconhecidos e transladados ao novo cemitério da mesma cidade. Atualmente, os seus restos mortais repousam na capela dos Mártires Capuchinhos do convento de Madalena, em Masamagrel.

 

Beato Boaventura de Puzol

Nasceu em Puzol (Valência), a 9 de Outubro de 1897 e foi batizado no dia seguinte (10 de Outubro) na paróquia dos santos Juanes de Puzol. Era um dos nove filhos do casal Vicente Esteve e Josefa Flors.

Júlio fez os seus estudos no Seminário Seráfico, vestindo o hábito capuchinho no convento dos Santos Adbón e Sené, de Ollería, a 15 de Setembro de 1913, mudando o nome para Boaventura. Emitiu a profissão temporária a 17 de Setembro de 1914 e a perpétua, a 18 de Setembro de 1918, em Orihuela.

Enviado a Roma para aperfeiçoar os estudos, doutorou-se em Filosofia na Universidade Gregoriana. Nesta mesma cidade foi ordenado sacerdote pelo arcebispo de Filipos, Dom José Palica, a 26 de Março de 1921. Regressando à Província, foi nomeado professor de Filosofia e Direito Canónico no Instituto de Teologia de Orihuela. Destacou-se também como pregador, conferencista, diretor espiritual, porém, sobretudo como homem de Deus. Tudo isto nos confirma o senhor João F. Escrirá: "Dedicou-se ao estudo e à pregação. O seu temperamento era pacífico. Além disso, era uma pessoa muito viva e inteligente, como também muito educado e correto. Entre os fiéis era muito edificante. Era um autêntico homem de Deus". Dados que confirmam também o senhor Vicente Aguilar, habitante de Puzol: "Trabalhou especialmente no campo apostólico da pregação da palavra de Deus. As suas qualidades mais salientes eram uma grande bondade, além de inteligente. Era muito humilde e mortificado".

Com a perseguição religiosa, viu-se obrigado a abandonar o convento, levando uma vida de oração: "Enquanto esteve escondido - afirma o senhor Vicente Aguilar - não se queixava que Deus permitisse tais coisas, apesar de pressentir que era um tempo de martírio e perseguição para a Igreja, como o manifestou àqueles com quem conversava ou o tratavam. Apesar disso, mostrava-se sereno na sua vida de constante oração". Refugiou-se na casa paterna de Carcagente, de onde foi detido pelo Comité de Puzol, a 24 de Setembro de 1936, para prestar declarações. Na noite de 26 de Setembro foi conduzido, junto com outros detidos, ao cemitério de Gilet (Valência), onde foi assassinado às duas da madrugada. Antes de morrer, fr. Boaventura havia declarado: "Vou receber a palma do martírio". E, antes de ser executado, disse a seus carnificinas: "Com a mesma medida com que medis agora, depois sereis medidos". Terminada a guerra, estas mesmas palavras foram lembradas pelos seus verdugos, quando caíram nas mãos da justiça. "Agora sucede-nos o que nos disse o frade".

A senhora Vicenta Esteve Flors, irmã de fr. Boaventura, recorda. "ele comportou-se nos últimos instantes com a mesma serenidade de sempre e antes de ser fuzilado, deu a absolvição a uns treze detidos que foram conduzidos num camião e, entre estes, o pai e um irmão do Servo de Deus".

Foi sepultado no cemitério de Gilet, numa fossa comum. Os seus restos mortais, ao finalizar a guerra civil, foram exumados e reconhecidos por sua irmã Vicenta e transladados ao Panteão dos Mártires do cemitério de Puzol. Atualmente repousam na capela dos mártires capuchinhos do convento de Madalena de Masamagrel.

 

Beato Santiago de Rafelbuñol

Nasceu em Rafelbuñol (Valência), a 10 de Abril de 1909 e foi batizado dois dias depois (12 de Abril) na paróquia Santo António Abade. Era o sétimo dos nove filhos do casal Onofre Mestre e Mercedes Iborra. Todos morreram juntos, vítimas da mesma perseguição religiosa.

Desde criança, Santiago destacou-se pela sua vida de piedade. Os seus vizinhos dizem que ele era um rapaz modelo e exemplar em tudo. Ingressou na Ordem Capuchinha aos 12 anos, vestindo o hábito a 6 de Junho de 1924, em Ollería (Valência). Emitiu a profissão temporária a 7 de Junho de 1925 e a perpétua, em Roma, a 21 de Abril de 1930, nas mãos de fr. Melchior de Benisa, Ministro geral da Ordem. Ordenou-se sacerdote também em Roma, a 26 de Março de 1932.

Regressando à Espanha, depois de conseguir o doutoramento em Teologia na Universidade Gregoriana, foi nomeado vice-director do Seminário Seráfico de Massamagrel. Na sua curta vida religiosa distinguiu-se pela sua devoção à Virgem, pela sua simplicidade e obediência, pela sua humildade e como homem de profunda vida interior "Era de um caráter bondoso e temperamento vivaz (...). Era considerado pelos fiéis como um religioso exemplar. Apesar de suas qualidades de ciência e de sua virtude, mostrava-se sempre humilde e simples (...). Ocupou-se sempre com trabalhos apostólicos próprios da sua condição de religioso sacerdote", dizem sobre eles os seus confrades.

Quando desencadeou o Movimento Nacional, fr. Santiago apressou-se em pôr a salvo os seminaristas que estavam sob os seus cuidados e depois refugiou-se na sua cidade Rafelbuñol. Ali, o comité local fê-lo trabalhar como operário das obras que se realizavam então na casa Abadia, recolhendo os escombros da igreja paroquial, levando uma vida normal. Um dia teve notícias de que os seus irmãos tinham sido detidos pelo comité e as suas vidas corriam perigo. Disse a si mesmo: "Vou ao comité ver se, deixando-me prender, libertam meus irmãos".

Ao apresentar-se ao comité foi detido junto dos seus irmãos e fez-se prisioneiro a 26 de Setembro de 1935. Na prisão, confessou todos os presos. Na noite de 28 para 29 de Setembro, os presos foram conduzidos ao cemitério de Massamagrel e, ao passar diante da igreja da padroeira, a Virgem do Milagre, aclamaram-na e, chegados ao cemitério, foram fuzilados gritando: "Viva Cristo Rei!".

Fr Santiago foi assassinado com seus irmãos e sepultado numa fossa comum no cemitério de Massamagrel. Exumados os seus restos e identificados depois, foram transladados para o Panteão de Tombados de Rafelbuñol. Hoje, descansam na capela dos Mártires Capuchinhos do convento da Madalena, em Massamagrel.

 

Beato Henrique de Almazora

Nasceu em Almazora, diocese de Tortosa e província de Castellón de la Plana a 16 de Março de 1913, sendo batizado no mesmo dia na igreja paroquial. Era filho de Vicente Garcia e Conceição Beltrán.

Henrique viveu a sua infância num ambiente profundamente religioso. Disse Vicente Beltrán, seu tio que "em sua infância era o que se diz, um anjo. O menino não saía da igreja; empregava o tempo entre a igreja, a escola e a casa paterna". Aos 14 anos ingressou no Seminário Seráfico de Massamagrel. Recebeu o hábito capuchinho a 13 de Agosto de 1928, em Ollería, das mãos de fr. Eloy de Orihuela, guardião, definidor e mestre de noviços do convento de Massamagrel. Emitiu a profissão temporária no dia 1 de Setembro de 1929, em Ollería, nas mãos de fr Pio de Valência, guardião, e a perpétua, a 17 de Setembro de 1935, em Orihuela.

A Revolução surpreendeu-o quando era ainda diácono e se preparava para receber o sacerdócio. "Era de temperamento jovial e dócil". Entre seus companheiros religiosos "gozava de fama de piedade. Era homem de vida interior e tinha uma grande devoção a São José. Era amante da liturgia. Dedicou-se ao estudo da música sacra para dar esplendor ao Culto Divino. Distinguia-se no coro poela sua devoção no canto das horas canónicas. Era moderado e mortificado nas refeições; também era muito humilde, destacando-se pela sua conduta e submissão..." Recorda-se, além disso, como fiel observante da Regra e das Constituições, tanto nos atos diurnos como nos noturnos".

Quando desencadeou a Revolução, refugiou-se na casa paterna, preparando-se para o martírio com a oração e o estudo, com grande serenidade e ânimo. Um dia do mês de Agosto de 1936 apresentou-se em sua casa uma dupla de milicianos, capturaram-no e o levaram-no para o quartel da Guarda Civil, que servia de cárcere. Miguel Pesudo, companheiro de prisão de fr. Henrique disse que "viveu com fr. Henrique como companheiro de prisão e observou que ele conservava sempre um caráter jovial e alegre. E estava conformado com a vontade de Deus". Dali foi retirado a l6 de Agosto de 1936 e conduzido, com um grupo de seculares, ao lugar denominado "A Pedreira", na estrada de Castellón de la Plana em Benicasim, onde foi assassinado, gritando: "Viva Cristo Rei!".

 

Beato Fiél de Puzol

Nasceu em Puzol, diocese e província de Valência, a 8 de Janeiro de 1856. Cresceu no seio de uma família piedosa. Era filho de Mariano Climent e Mariana Sanchís. Bem cedo ficou órfão de pai e mãe. Sua tia materna, Josefa Sanchís, adotou-o e deu-lhe educação cristã.

Prestou serviço militar, chegando a participar na guerra carlista. Terminada esta, ingressou na Ordem Capuchinha como frade "leigo", vestindo o hábito a 13 de Junho de 1880, em Massamagrel. Emitiu a profissão temporária a 14 de Junho de 1881 e a perpétua, a 17 de Junho de 1884.

A figura franciscana de fr. Fidel recorda a dos santos frades 'leigos" capuchinhos: entrado no convento com idade madura, a sua vocação não foi, portanto, fruto das loucuras próprias de uma idade jovem; eram trabalhadores incansáveis: empenharam-se durante anos como porteiros, esmoleres, hortelãos, sacristãos, cozinheiros..., trabalhos estes que requerem uma constituição física robusta. Além disso, eram homens de vida de fé, oração profunda, devotos da Virgem, obedientes e submissos em tudo, silenciosos, penitentes, austeros... Fr. Fidel, ao longo da sua vida religiosa, passou pelos conventos de Barcelona, Totana, Orihuela, Massamagrel e Valência, trabalhando como porteiro, cozinheiro, assistente do Seminário seráfico, companheiro do Ministro provincial.

Eis um pequeno retrato de como o recordam os religiosos: "Era de temperamento quieto e aprazível. Não se perturbava por nada e seu aspeto era sempre sorridente. Consideravam-no com grande apreço e boa fama, tanto os religiosos como todos os fiéis. Cumpria muito bem suas obrigações e a Regra da Ordem. Era um homem todo de Deus. Rezava continuamente. Tinha sempre o rosário nas mãos e era muito devoto da Virgem. Havia fama de santo".

Quando foi fechado o convento de Valência, fr. Fidel buscou refúgio em Puzol, na casa de uns familiares, onde, devido à sua idade avançada (82 anos), não saía de casa, pois via mal. Ali permaneceu sereno, ocupando-se da oração, quando foi detido ao entardecer do dia 27 de Setembro, por membros do comité local, com o pretexto de levá-lo ao asilo das "Hermanitas de los Pobres" de Sagunto, levando-o pela estrada principal de Barcelona até ao distrito municipal de Sagunto, onde, na entrada da casa "Laval de Jesus" foi assassinado. Foi a caseira desta casa que advertiu sobre a presença de um cadáver na entrada, que há dois dias estava ali, aguardando sepultura. Era o corpo de fr. Fidel.

Foi sepultado no cemitério de Sagunto, junto a outros corpos; no entanto, os seus restos mortais não puderam ser identificados.

 

Beato Berardo de Lugar Nuevo de Fenollet

Nasceu em Lugar Nuevo de Fenollet (Valência) a 23 de Julho de 1867 e foi batizado na paróquia de São Diego de Alcalá de Lugar Nuevo, a 28 de Julho do mesmo ano, pelo pároco Don António Donat, com o nome de José. Era o primeiro dos três filhos do casal José Bleda Flores e Rosária Antónia Grau Más.

Na sua cidade recordam que "foi um menino muito piedoso desde a sua infância. Em sua casa - dizem - conserva-se uma pedra, na qual, segundo o dizer de todos, se ajoelhava para a oração. Pertencia a uma família muito cristã. Embora sentisse desde a sua infância o desejo de abraçar a vocação religiosa, como um irmão prestava serviço militar em Cuba, José teve que ajudar os pais e assim atrasou a entrada na Ordem capuchinha até ao retorno deste irmão". Ingressou entre os Capuchinhos em 1900, como frade "leigo". Estava com 32 anos quando recebeu o hábito, dia 2 de fevereiro de 1900, das mãos do Ministro Provincial, fr. Luiz de Massamagrel. Emitiu a profissão temporária a 2 de Fevereiro de 1901 em Massamagrel e a perpétua, a 14 de Fevereiro de 1904, em Orihuela.

Os religiosos dizem sobre ele "que era filho da obediência. O seu temperamento era extraordinariamente pacífico e a qualidade mas destacável era a sua entrega à vontade de Deus (...). Era fiel observante da Regra e Constituições capuchinhas. Fr Berardo era um santo homem. Não ousava levantar o olhar a nenhuma parte (...), era um religioso muito exemplar. Cumpriu perfeitamente os cargos que os seus superiores lhe confiaram. Era amado por todos os que o conheciam".

Depois de professar, foi destinado ao convento de Orihuela (Alicante), onde passou toda sua vida como esmoler e alfaiate da fraternidade. Edificou a gente da cidade com uma vida exemplar quando "esmolava" e a sua fraternidade com a sua bondade, humildade e santidade de vida.

Fechado o convento por causa da perseguição de 1936, fr. Berardo refugiou-se na sua cidade com os seus familiares, dedicando-se à oração e às obras de caridade, mostrando em todo o momento grande paciência e resignação. Estava quase completamente cego. Na noite de 30 de Agosto de 1936 foi detido pelos membros do comité local, com o pretexto que deveria fazer algumas declarações. Puseram-no num carro e conduziram-no pela estrada de Beniganim, distrito de Genovés (Valência), onde foi assassinado. No Registro Civil a sua morte é datada a 4 de Setembro de 1936.

O senhor Francisco Cháfer, habitante da cidade, recorda como descobriu o cadáver de fr. Berardo: "No final de Agosto, num dia muito quente, ia com meu pai até à vizinha cidade de Beniganim e vi na sarjeta da estrada o cadáver de um ancião. Meu pai disse-me para prosseguir adiante e eu, menino de treze anos, vencido pela curiosidade, aproximei-me e vi que tinha recebido um tiro no olho que sangrava abundantemente". Assim se soube da sua morte.O seu corpo foi sepultado numa fossa comum, no cemitério de Genovés. Os seus restos mortais não puderam ser identificados.

 

Beato Pacífico de Valência

Nasceu em Castellar (Valência) a 24 de Fevereiro de 1874 e foi batizado no dia seguinte (25 de Fevereiro) na sua terra natal. Era o segundo dos cinco filhos do casal Matías Salcedo e Elena Puchades. O ambiente familiar era pobre, mas profundamente cristão e piedoso e influiu muito na sua infância e juventude. Antes de ingressar no convento, frequentava todos os domingos o convento dos capuchinhos de Massamagrel.

Na sua cidade recordam-no como "um menino bom, de família honrada e piedosa" "Era muito pacífico - disse uma conhecida – e as suas qualidades mais salientes era a piedade, até ao extremo que, ao recitar o rosário em casa, não queria que fizessem trabalhos que pudessem impedir a atenção". E dizem sobre ele que "ingressou nos capuchinhos movido pelr seu grande amor à penitência".

Recebeu o hábito capuchinho em Massamagrel, a 21 de Julho de 1899 das mãos de fr. Francisco Maria de Orihuela. Emitiu a profissão simples, com 26 anos, nas mãos de fr. Luís de Massamagrel, a 21 de Junho de 1900 e a perpétua, a 21 de Fevereiro de 1903.

Destinado ao convento de Massamagrel, durante 37 anos serviu como esmoler. Os religiosos não economizam elogios quando se referiam a ele: "O seu temperamento era simples e tranquilo. Gozava de boa fama entre os companheiros e fiéis e era um religioso muito observante(...). Era um homem muito virtuoso, sobretudo muito humilde e muito cumpridor dos votos religioso(s..). O seu temperamento era bonachão. Era devotíssimo da Santíssima Virgem. Praticou a austeridade e a pobreza em grau eminente. Era muito humilde e abnegado e a sua cama estava cheia de pedras e cacos para maior mortificação". Era muito estimado por todos, tanto dentro como fora do convento.

Fechado o convento de Massamagrel em Julho de 1936 devido à perseguição religiosa, fr. Pacífico refugiou-se na casa de seu irmão, onde esteve quatro meses, dedicado à oração. Ali, na noite de 12 de Outubro, enquanto ele recitava o rosário, foi aprisionado pelos milicianos, que o levaram aos empurrões e coronhadas de fuzil, em direção de Monte-olivete até Azud, junto ao rio, onde foi assassinado.

No dia seguinte, uns sobrinhos, indo ao mercado de Valência, descobriram o cadáver, estreitando fortemente com a mão esquerda o crucifixo sobre o peito. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Valência, porém não pôde ser identificado.

 

Beata Maria Jesus Masiá Ferragut

Nasceu em Algemesí (Valência) a 12 de Janeiro de 1882, sendo batizada no mesmo dia pelo Pe. Joaquim Cabanes, pároco. Recebeu a Confirmação na paróquia de São Tiago Apóstolo de Algemesí, das mãos de Dom Sebastião Herrero e Espinosa de los Monteros, arcebispo de Valência, dia 19 de Maio de 1899. Vestiu o hábito no mosteiro das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência) a 13 de Dezembro de 1900 e professou no dia 16 de Janeiro de 1902. Morreu em Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz coberta", a 25 de Outubro de 1936.

 

Beata Maria Verónica Masiá Ferragut

Nasceu em Algemesí (Valência) a 15 de Junho de 1884 e foi batizada no dia seguinte (16 de Junho), por D. José Sanchís Beneficiado. Recebeu a Confirmação a 19 de Maio de 1899. Ingressou no mosteiro das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência), vestindo o hábito a 18 de Janeiro de 1903. Emitiu a profissão temporária a 26 de Janeiro de 1904 e a perpétua, a 10 de Abril de 1907. Morreu em Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz coberta" a 25 de Outubro de 1936.

 

Beata Maria Felicidade Masiá Ferragut

Nasceu em Algemesí (Valência) a 28 de Agosto de 1890. Vestiu o hábito no mosteiro das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência) a 17 de Abril de 1909. Emitiu os votos temporários a 20 de Abril de1910 e os perpétuos a 26 de Abril de1913. Morreu em Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz coberta" a 25 de Outubro de 1936. As três irmãs nasceram na mesma cidade. Eram seus pais Vicente Masiá e Teresa Ferragut. O casal teve sete filhos, dos quais cinco filhas tornaram-se religiosas capuchinhas de clausura e o único filho homem foi capuchinho.

Purificação, irmã delas, disse que desde jovens "frequentavam os sacramentos, comungando diariamente. Jamais foram vistos em lugares públicos ou frequentados. A minha mãe soube educar as minhas irmãs, inculcando-lhes o santo temor de Deus".

A vida religiosa das três capuchinhas prosseguiu paralela. "Durante a vida no convento - disse Purificação, irmã delas - tinham uma conduta que causava a admiração das outras religiosas pelo exemplo e o modo de comportar-se, próprios da sua profissão. Apesar de serem irmãs, não existia entre elas distinção alguma entre si e com respeito às outras As três irmãs eram muito estimadas pela comunidade. A piedade de todas elas era sólida e vigorosa, inculcada pela nossa querida mãe. Eram amantes do sacrifício e muito observantes do silêncio, da Regra e das Constituições".

Irmã Benvinda Amorós, religiosa do mesmo mosteiro, descreve assim a vida religiosa delas: "Jamais ouvi crítica alguma sobre a atuação destas religiosas. Eram de uma piedade sólida. Dedicavam-se especialmente à oração e a presença de Deus refletia-se nelas. Eram muito humildes e estavam sempre dispostas a sacrificarem-se pelas outras irmãs. Eram devotíssimas da Eucaristia e da Santíssima Virgem e, extraordinariamente, da Paixão do Senhor".

Com a chegada da República, em 1931, saíram do convento, permanecendo na casa paterna uns dois meses até retornarem ao convento sem haver recebido vexames. Ao iniciar a revolução de 1936, voltaram novamente para casa em Algemesí, onde permaneceram até 16 de Outubro do mesmo ano, ocupando-se dos serviços da casa, fazendo vida de comunidade, completamente entregues à oração.

Dia 19 de Outubro de 1936, às quatro da tarde, foram detidas por milicianos: elas e uma religiosa agostiniana do convento de Beniganim. Teresa, a mãe das religiosas, não quis abandoná-las e partiu com elas. Encarceraram as cinco religiosas no convento de Fons Salutis, que servia como prisão. Ali permaneceram oito dias, serenas e resignadas. Finalmente, padeceram a mesma sorte.

Na noite de 28 de Outubro, que era domingo e festividade de Cristo Rei, os milicianos conduziram-nas à morte. Quiseram deixar a mãe, porém ela opôs-se e pediu para acompanhar as suas filhas e ser fuzilada em último lugar. Vendo-as tombar uma por uma, animava-as dizendo: "Filhas minhas, sejam fiéis ao esposo celeste e não queiram, nem consintam aos afagos destes homens". Levadas num camião ao lugar denominado "Cruz aberta", na direção de Alcira, ali foram martirizadas. Os corpos das cinco mártires foram enterrados em Alcira. Atualmente descansam na paróquia de Algemesí.

 

Beata Isabel Calduch Rovira

Nasceu em Alcará de Chivert, diocese de Tortosa e província de Castellón de la Plana, a 9 de Maio de 1882. Seus pais Francisco Calduch Roures e Amparo Rovira Martí tiveram cinco filhos e Isabel era a última.

Seus vizinhos dizem sobre ela que "durante a sua infância viveu num ambiente muito cristão. Exerceu a caridade com os necessitados. Ela mesma ia com outra amiga levar comida a uma anciã e também lhe prestava ajuda na limpeza pessoal e da casa". Durante a sua juventude namorou um jovem da sua localidade, muito cristão, porém terminou este relacionamento para abraçar um estado de vida mais perfeito, com o consentimento de seus pais.

Ingressou no mosteiro das capuchinhas de Castellón de la Plana, vestindo o hábito em 1900. Disse seu irmão José que "o motivo que induziu sua irmã a entrar na vida religiosa foi puramente por vocação". Emitiu a profissão simples a 28 de Abril de 1901 e a perpétua, a 30 de Maio de 1904. Dizem as religiosas que ela "era de temperamento pacífico e amável, sempre alegre. Era uma religiosa exemplar. Sempre estava contente. Era muito observante da Regra e das Constituições. Era muito modesta no olhar prudente no falar e muito mortificada. Era mortificada ao comer sendo sempre muito estimada pela Comunidade. Cultivava uma intensa vida interior sendo muito devota do Santíssimo, da Virgem e de São João Baptista".

No mosteiro desempenhou o cargo de Mestra de noviças, "fazendo-o com muito zelo para que fossem religiosas observantes, tratando as noviças sem distinções", disse sobre ela Irmã Micaela. Foi reeleita para outro triénio, que não chegou a desempenhar devido à chegada da revolução.

Chegada a revolução, a Irmã Isabel foi para Alcalá de Chivert (Castellón) onde tinha um irmão sacerdote, Mosén Manuel, que depois foi assassinado. Enquanto permaneceu na sua cidade, dedicou-se ao retiro e à oração. Ali foi detida a 13 de Abril de 1937 por um grupo de milicianos, com fr. Manuel Geli, sacerdote franciscano. Conduzidos ambos ao comité local de Alcalá de Chivert, foram injuriados e ridicularizados. Foi assassinada no distrito de Cuevas de Vinromá (Castellón) e sepultada no cemitério daquela mesma cidade.

 

Beata Milagros Ortells Gimeno

Nasceu em Valência a 29 de Novembro de 1882, na rua Zaragoza e foi batizada no dia seguinte (30 de Novembro), na igreja paroquial de São João Baptista. Foi a terceira e última filha do casal Henrique Ortelís e Dolores Gimeno.

Durante a sua infância era muito devota e o ambiente familiar no qual se criou era eminentemente cristão. Os seus vizinhos recordam que " a sua piedade era extraordinária; o seu amor à penitência singular; ao extremo de um dia a sua mãe a surpreender aspirando "catingas", não havendo outro modo para mortificar-se (...). Na igreja, ao invés de se sentar na cadeira, sentava-se no soalho (...)

A Irmã Virtudes, capuchinha, recorda-se que Irmã Milagros "entrou na Ordem Capuchinha levada pelo seu desejo de maior perfeição. Sua mãe havia-lhe proposto ser religiosa reparadora, mas não quis aceitar; buscando a maior estreiteza da Regra Capuchinha". Ingressou no mosteiro das capuchinhas de Valência a 9 de Outubro de 1902. Ali recordam que "quando ingressou o fez com muito entusiasmo". Neste convento exerceu os cargos de enfermeira, refeitoreira, porteira, sacristã e mestra de noviças, todos ofícios que desempenhou com fidelidade.

As suas irmãs religiosas descrevem a sua autêntica personalidade com estes traços: "Era muito caridosa, oferecendo-se sempre a prestar qualquer serviço às suas irmãs religiosas. Era vista sempre recolhida. Após o matinal da meia-noite permanecia ainda por mais um pouco de tempo, com a intenção de praticar maior penitência". "Gozava de fama de santidade entre as suas religiosas ao ponto de exclamarem sempre: é uma santinha". A sua piedade era sólida e a característica mais saliente era o seu amor à Eucaristia e à Imaculada. A .sua penitência era extraordinária, usando disciplinas, cilícios. Era muito estimada por todas as religiosas e observava muito bem toda a Regra. A oração e a presença de Deus eram evidentes nela. A sua humildade aparecia claramente ao sentir-se indigna de aceitar cargos e até de receber a eucaristia".

Com a chegada da revolução, teve que refugiar-se na casa de sua irmã Maria, em Valência, levando ali uma vida de oração e recolhimento. Depois refugiou-se numa casa da Rua Maestro Chapí, em Valência, onde viviam também outras religiosas da Doutrina Cristã. Ali foi detida por um grupo de milicianos a 20 de Novembro de 1936 e assassinada junto com 17 religiosas da Doutrina Cristã, num lugar conhecido como "Picadero de Paterna". Foi sepultada no cemitério de Valência. A 30 de Abril de 1940 foram exumados os seus restos mortais e transladados para o mosteiro das capuchinhas de Valência, onde actualmente repousam.

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