A chef da Essência do Sabor apresenta-nos aqui receitas que usam pelo menos um produto ou ingrediente presente na Bíblia Sagrada. Não se trata de "arqueologia gastronómica" mas antes de usar produtos conhecidos e usados no "tempo bíblico" na confeção de pratos modernos, com a assinatura de uma chef. As introduções são de frei Hermano Filipe e as fotos de Rui Ferreira. Venha connosco à descoberta dos Sabores da Bíblia.

 

Introdução

Na Bíblia, a palavra "figueira" aparece 40 vezes e a palavra "figo" em 25 ocasiões. Há centenas de espécies de figueiras no mundo. Os figos comestíveis são conhecidos e apreciados há muitos milhares de anos. Na Cisjordânia são cultivados pelo menos desde o neolítico. O figo seco era facilmente conservado e armazenado para consumo em épocas de escassez alimentar, no inverno, ou como farnel em longas viagens.

Além de se comer figos secos, faziam-se bolos com eles. Abigaíl, mulher de Nabal, confecionou duzentos bolos de figos secos para levar de presente a David e aos seus homens por eles não terem atacado o seu marido (Cf. 1 Sm 25,18).

É provável que se consumisse também sob a forma de pasta. David ofereceu a um escravo egípcio pão para comer, água para beber e ainda um pedaço de pasta de figos secos (Cf. 1 Sm 30,12).

Crê-se também que, no "mundo bíblico", já seriam conhecidas as propriedades terapêuticas do figo. O profeta Isaías aplicou pasta de figos sobre uma úlcera e Ezequias melhorou (Cf. 2 Rs 20,7).

Na Bíblia, a figueira tem ainda um uso metafórico. Por exemplo, o Evangelista Lucas compara o homem à figueira: «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore se conhece pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos» (Cf. Lc 6,43-44).

 

Receita

Ingredientes:

Massa:
- 350g de farinha sem fermento
- 75g de açúcar
- 1 pitada de sal fino
- 150g de manteiga sem sal (bem fria e cortada em cubos)
- 5 colheres de água fria
- 1 ovo batido para pincelar
- Açúcar em pó q.b.

 Recheio:
- Figos bem suculentos (os suficientes para encher)
- 150g de açúcar mascavado
- 1 colher de sobremesa de açúcar baunilhado
- 1 colher de café de canela em pó
- Amêndoa pelada q.b. (triturada de forma grosseira)

 

Preparação:

Massa:
Coloca-se a farinha, o açúcar, o sal e a manteiga num processador de cozinha e "pulsa-se" até ficar com o aspeto de uma areia "grossa". Adiciona-se a água, pouco a pouco.

Enfarinha-se a bancada e amassa-se um pouco a massa. Faz-se uma bola com a mesma, envolve-se em película aderente e reserva-se no frigorífico aproximadamente meia hora. Decorrido o tempo, divide-se a massa em dois. Estende-se uma das partes com a ajuda de um rolo de cozinha e forra-se uma tarteira de fundo amovível. Pica-se a massa com um garfo e cobre-se com o recheio. Estende-se a outra parte da massa e cortam-se várias tiras que se dispõem de forma entrelaçada por cima do recheio.

Pincela-se com um ovo previamente batido e leva-se ao forno, previamente aquecido a 180ºC, entre 45 a 60 minutos, ou até a tarte ficar bem douradinha.

Servir a tarte polvilhada com açúcar em pó.

Recheio:
Corta-se os figos ao meio e dispõem-se numa taça juntamente com o açúcar mascavado, o açúcar baunilhado e a canela em pó. Envolve-se delicadamente os ingredientes e dispõem-se por cima da massa da base da tarte. Dispor a amêndoa.

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