Frei Hermínio Araújo, religioso franciscano, sublinhou em entrevista à Agência ECCLESIA a necessidade de ler a vida de São Francisco de Assis (1182-1226), na sua totalidade, incluindo o “muitíssimo sofrimento” físico e espiritual pelo qual passou.

“Quando compõe o Cântico das Criaturas, de louvor a Deus com todas as que ele chama de irmãs – todos os seres criados -, esse poema foi composto no contexto de uma das experiências mais dolorosas da vida dele, quer fisicamente, quer com os problemas que existiam na Ordem Franciscana”, disse o convidado das ‘Conversas do Silêncio’, que decorrem ao longo de novembro, com atenção às temáticas do luto e do sofrimento.

O religioso realça que São Francisco inclui neste cântico a dimensão do sofrimento e a “irmã morte corporal”. “É um homem com grandeza de alma e profundidade espiritual”, sustenta.

Além do seu próprio sofrimento, Francisco de Assis foi ao encontro do sofrimento alheio, com o momento que o santo considerava o “mais marcante de todos”, no contacto com os leprosos, “os doentes mais excluídos daquela época”

“Saiu do mundo do egoísmo, da indiferença, que é um dos grandes problemas dos nossos dias. Aqui podemos ligar muito Francisco de Assis com as preocupações do Papa Francisco, relativamente a um mundo fechado”, aponta frei Hermínio Araújo.

O frade franciscano refere que há um processo interior, de “reconciliação” com o próprio sofrimento, que é necessário para “poder estar aberto aos outros”.