Louvores ao Deus Altíssimo

Oração

[1] Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas (Sl 76, 15).
[2] Tu és forte,
tu és grande (Sl 85, 10),
tu és altíssimo,
tu és rei omnipotente,
tu, Pai santo, rei do céu e da terra!
[3] Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.
Tu és bom, todo o bem, o soberano bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro (cf. 1Ts 1, 9)!
[4] Tu és caridade, amor!
Tu és sabedoria!
Tu és humildade!
Tu és paciência (Sl 70, 5)!
Tu és formosura!
Tu és mansidão!
Tu és segurança!
Tu és descanso!
Tu és gozo e alegria!
Tu és a nossa esperança!
Tu és justiça e temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade!
[5] Tu és beleza!
Tu és mansidão!
Tu és o protetor (Sl 30, 5)!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza (cf. Sl 42, 2)!
Tu és consolação!
[6] Tu és a nossa esperança!
Tu és a nossa fé!
Tu és a nossa caridade!
Tu és a nossa grande doçura.
Tu és a nossa vida eterna,

o Senhor grande e admirável,
o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!

 

Introdução

Este hino sublime de louvores ao Altíssimo surge noutro momento excecional da vida de Francisco: a estigmatização. Fr. Leão, no verso do pergaminho, conta assim a sua origem:

«Dois anos antes da sua morte, o bem-aventurado Francisco fez no Monte Alverne uma quaresma em honra da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, e do bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, desde a festa da Assunção da Santa Virgem Maria até à de setembro de S. Miguel Arcanjo. E o Senhor pousou a sua mão sobre ele. Depois da visão e das palavras do Serafim, e da impressão no seu corpo das chagas de Cristo, compôs estes louvores que estão no outro lado desta folha, os quais escreveu de sua própria mão, dando graças a Deus pelo benefício que lhe tinha feito».

Celano acrescenta algo mais. Um dos companheiros de S. Francisco – sem dúvida o mesmo Fr. Leão – «estando o Santo no Monte Alverne retirado em sua cela, muito desejava ter um escrito com palavras do Senhor, brevemente anotado por S. Francisco. Persuadira-se de que a grande tentação de espírito em que andava, com isso se dissiparia, ou, ao menos, seria mais fácil de suportar; mas, não obstante assim pensar, não se atrevia a abrir-se com o Santo. Ora, um dia, S. Francisco chamou-o para lhe dizer. «Traz-me pergaminho e pena, que quero escrever as palavras do Senhor e Seus louvores, que em meu coração meditei». Satisfeito o pedido, escreveu o Santo, de sua mão, os louvores de Deus e, ao fim, a bênção para o irmão, a quem disse:

«Pega neste escrito e guarda-o com cuidado até ao dia da tua morte». E logo, naquele instante, sentiu o irmão que se lhe dissipou a tentação» [1].

Este gesto de humana delicadeza juntamente com a densidade religiosa do momento ajuda a sondar a riqueza de cada palavra deste «Te Deum Laudamus». É uma girândola de louvores, parecendo ao mesmo tempo denunciar, precisamente pela insistência repetitiva dos louvores, que a palavra era incapaz de exprimir a exuberância do coração. Francisco está todo voltado para Deus. Não faz senão louvá-l’O. Não há um movimento sequer em que o Santo volte sobre si mesmo, como seria, por exemplo, uma palavra de petição ou de propiciação. O TU divino é só fascinação. Prendeu-o por completo. Francisco está encandeado pelo seu Senhor; «Senhor, Tu és Santo. Tu és todo o bem»[2]!

- - -

[1] 2C 49

[2] «Um Te Deum, como outro jamais tinha sido cantado». G. SCHNURER, Franz von Assisi, Munique 1967, p. 113.

 

 

Tradução: Editorial Franciscana

Louvores ao Deus Altíssimo

Louvores ao Deus Altíssimo

Oração

[1] Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas (Sl 76, 15).
[2] Tu és forte,
tu és grande (Sl 85, 10),
tu és altíssimo,
tu és rei omnipotente,
tu, Pai santo, rei do céu e da terra!
[3] Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.
Tu és bom, todo o bem, o soberano bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro (cf. 1Ts 1, 9)!
[4] Tu és caridade, amor!
Tu és sabedoria!
Tu és humildade!
Tu és paciência (Sl 70, 5)!
Tu és formosura!
Tu és mansidão!
Tu és segurança!
Tu és descanso!
Tu és gozo e alegria!
Tu és a nossa esperança!
Tu és justiça e temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade!
[5] Tu és beleza!
Tu és mansidão!
Tu és o protetor (Sl 30, 5)!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza (cf. Sl 42, 2)!
Tu és consolação!
[6] Tu és a nossa esperança!
Tu és a nossa fé!
Tu és a nossa caridade!
Tu és a nossa grande doçura.
Tu és a nossa vida eterna,

o Senhor grande e admirável,
o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!

 

Introdução

Este hino sublime de louvores ao Altíssimo surge noutro momento excecional da vida de Francisco: a estigmatização. Fr. Leão, no verso do pergaminho, conta assim a sua origem:

«Dois anos antes da sua morte, o bem-aventurado Francisco fez no Monte Alverne uma quaresma em honra da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, e do bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, desde a festa da Assunção da Santa Virgem Maria até à de setembro de S. Miguel Arcanjo. E o Senhor pousou a sua mão sobre ele. Depois da visão e das palavras do Serafim, e da impressão no seu corpo das chagas de Cristo, compôs estes louvores que estão no outro lado desta folha, os quais escreveu de sua própria mão, dando graças a Deus pelo benefício que lhe tinha feito».

Celano acrescenta algo mais. Um dos companheiros de S. Francisco – sem dúvida o mesmo Fr. Leão – «estando o Santo no Monte Alverne retirado em sua cela, muito desejava ter um escrito com palavras do Senhor, brevemente anotado por S. Francisco. Persuadira-se de que a grande tentação de espírito em que andava, com isso se dissiparia, ou, ao menos, seria mais fácil de suportar; mas, não obstante assim pensar, não se atrevia a abrir-se com o Santo. Ora, um dia, S. Francisco chamou-o para lhe dizer. «Traz-me pergaminho e pena, que quero escrever as palavras do Senhor e Seus louvores, que em meu coração meditei». Satisfeito o pedido, escreveu o Santo, de sua mão, os louvores de Deus e, ao fim, a bênção para o irmão, a quem disse:

«Pega neste escrito e guarda-o com cuidado até ao dia da tua morte». E logo, naquele instante, sentiu o irmão que se lhe dissipou a tentação» [1].

Este gesto de humana delicadeza juntamente com a densidade religiosa do momento ajuda a sondar a riqueza de cada palavra deste «Te Deum Laudamus». É uma girândola de louvores, parecendo ao mesmo tempo denunciar, precisamente pela insistência repetitiva dos louvores, que a palavra era incapaz de exprimir a exuberância do coração. Francisco está todo voltado para Deus. Não faz senão louvá-l’O. Não há um movimento sequer em que o Santo volte sobre si mesmo, como seria, por exemplo, uma palavra de petição ou de propiciação. O TU divino é só fascinação. Prendeu-o por completo. Francisco está encandeado pelo seu Senhor; «Senhor, Tu és Santo. Tu és todo o bem»[2]!

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[1] 2C 49

[2] «Um Te Deum, como outro jamais tinha sido cantado». G. SCHNURER, Franz von Assisi, Munique 1967, p. 113.

 

 

Tradução: Editorial Franciscana