Nasceu na freguesia do Soito, concelho do Sabugal, distrito da Guarda, em 22 de Maio de 1941. Ingressou no Seminário de Vila Nova de Poiares em 5 de Outubro de 1953. Vestiu o hábito capuchinho no Convento de Santo António de Barcelos em 14 de Agosto de 1958. Aí emitiu a profissão temporária em 16 de Agosto do ano seguinte e a profissão perpétua no Convento do Porto em 4 de Agosto de 1963. Recebeu a ordenação sacerdotal no Seminário da Luz, em Lisboa, a 24 de Julho de 1966.

Fez o Curso de Filosofia no Convento dos Capuchinhos de Santa Marta, em Salamanca (Espanha), de 1959 a 1962 e, nesse mesmo ano, iniciou o Curso de Teologia no nosso Convento do Porto que viria a concluir na Província de Toulouse (França) em 1966.

Terminados os estudos curriculares, transitou para a Fraterni­dade de Gondomar como professor e Prefeito de Estudos. Em 1968 foi nomeado Director do Externato Paulo VI, cargo que exerceu ininterruptamente até 1982. O Senhor dotara-o do singular carisma de saber conviver com os jovens e de os amar. Nos doze anos que dirigiu o Externato, com a sua alma e sensibilidade de artista, foram muitas as gerações de jovens que encontraram nele o amigo, o mestre, o conselheiro, o pedagogo, a bússola a apontar sempre horizontes mais humanos e cristãos juntamente com razões de viver e de lutar.

Em 1978 o Capítulo Provincial elegeu-o para 4º Definidor e nesse mesmo ano foi-lhe confiado o múnus de Superior da Frater­nidade de Gondomar. Entre outras actividades que ali desenvol­veu, é de realçar o contributo dado à Comissão de Arte Sacra na Câmara de Gondomar, não só como expressão dos seus sólidos conhecimentos nesta área cultural mas também pelo seu apurado gosto artístico patenteado na enorme paixão com que se dedicava à fotografia e à pintura.

Em 1982, depois de ter renunciado à direcção do Externato Paulo VI, pediu para ir fazer a sua primeira experiência missioná­ria. Partiu para Angola em 10 de Fevereiro do referido ano, indo trabalhar para o território missionário da diocese do Uíje. Durante o tempo que dedicou às missões “Ad Gentes”, exerceu o ofício de pároco do Uíje, Director do Secretariado Diocesano de Pastoral (Uíje, 1983), Superior da Fraternidade de São Francisco (Uíje, 1988) e Arcipreste da Zona Centro (Uíje, 1989). Dado o seu carácter franco, afável e acolhedor, era muito estimado pelas populações a quem assistia pastoralmente e se dedicava com excepcional esmero, competência e zelo apostó1ico. Ao ser criada em 1988 a Vice-Província dos Capuchinhos angolanos, o Frei Mário optou pela sua integração jurídica na família dos Capuchi­nhos de Angola.

Em 1990, com o recrudescimento da guerra civil nesse país africano – que se saldou em milhares de vítimas inocentes e pro­vocou entre as populações situações de indescritível e desumano sofrimento – deixou temporariamente o seu campo de missão e rumou à nossa Província. No âmbito do seu “ano sabático”, viajou depois para Itália onde fez um Curso de Formação Permanente em Frascati, estudou teologia pastoral na Universidade Salesiana de Roma e trabalhou durante algum tempo com os emigrantes portu­gueses na zona de Friburgo, na Suíça. De novo em Portugal, acompanhou a visita que os Bispos de Angola fizeram ao nosso país por ocasião da comemoração dos “500 Anos de Evangeliza­ção e Encontro de Culturas”.

Em 1991, decidiu retomar a sua experiência missionária. Já em solo angolano, ficou integrado na Fraternidade de Santo António da Cuca, dedicando-se ao apostolado dos jovens, dos doentes, da “Legião de Maria” e a outras tarefas pastorais. Entretanto, por motivo de saúde, no ano seguinte foi forçado a retornar à Provín­cia, passando a fazer parte da Fraternidade de Gondomar. Foi então nomeado Presidente do Secretariado de Animação Missioná­ria, procurando sensibilizar os fiéis para esta causa. Em 1993, lan­çou o boletim “Animação Missionária Franciscano-Capuchinha” e algumas campanhas a favor das Missões de Angola. Em 1996, o boletim passou a chamar-se “África Viva” e serviu de apoio à dinamização da Semana das Missões Capuchinhas. Nesse mesmo ano integrou também a Comissão de Animação Missionária da Conferência Ibérica dos Capuchinhos.

Com o refluxo do “sangue” missionário a remexer-lhe nas veias, manteve sempre vivos os laços afectivos com a Vice-Pro­víncia de Angola, à qual continuou juridicamente vinculado. Assim, em 1997, deslocou-se a Luanda a fim de participar no Capítulo daquela Vice-Província. Mas em 24 de Fevereiro do ano 2000 partiu decididamente para Angola com o intuito de ali conti­nuar a sua vocação missionária. Publicou a obra “Guia do Cate­quista”, de grande utilidade pastoral para as comunidades cristãs. Porém, e mais uma vez, traído pela saúde, no seguinte 5 de Dezembro regressou a Portugal e ficou agregado à Fraternidade de Lisboa. Cada vez mais consciente de que a falta de saúde não lhe permitia reassumir em Angola a sua actividade missionária, aca­bou por solicitar a sua desvinculação jurídica daquela Vice-Pro­víncia, que lhe foi concedida através do respectivo rescrito assi­nado em Roma em 15 de Abril de 2003 pelo então Ministro Geral Frei John Corriveau. Mas nem assim a sua aventura missionária deixou de ser para ele uma autêntica escola de evangelização e de santidade.

Entretanto, algum tempo após o seu regresso de Angola, com o beneplácito dos seus Superiores, em 2001 quis fazer uma expe­riência de pastoral paroquial na sua diocese da Guarda, concreta­mente no Arciprestado de Trancoso. Ali descobriu um novo campo de missão, entregando-se generosamente ao serviço das comuni­dades cristãs de Torres, Freches e Carnicães onde criou laços de grande simpatia, quer entre o clero quer entre o povo que pasto­reava. Nesse período de tempo ficou fraternalmente ligado à Fra­ternidade de Cabanas de Viriato. Com o agravamento do seu pre­cário estado de saúde, em 2004 pôs-se à disposição da Província e foi destinado à Fraternidade de Barcelos. Aí entrou logo em sinto­nia com o Secretariado das Missões promovendo generosas inicia­tivas de angariação de fundos, particularmente em benefício da recém-criada Fraternidade Missionária de Laleia, em Timor Leste. Aliás, o Frei Mário era duma generosidade sem fronteiras. No seu jeito de ser irmão menor, a todos cativava com os seus gestos de fraternidade. Cultor da verdadeira amizade, em todas as Fraterni­dades por onde passava imprimia o seu cunho de irmão, de amigo, de conselheiro, de optimismo, de disponibilidade fraterna e de simplicidade franciscana.

Não chegou a integrar a Fraternidade da Baixa da Banheira para onde tinha sido transferido no início do triénio 2005-2008.

Acometido de doença súbita na tarde de 6 de Agosto de 2005, foi internado de urgência no Hospital de Santa Maria Maior de Barcelos e, poucas horas depois, aí viria a falecer vitimado por uma hemorragia cerebral em consequência de acidente vascular cerebral. Contava 64 anos de idade, 46 de vida religiosa e 39 de sacerdócio. Ficou sepultado no Cemitério Municipal de Barcelos em talhão privativo dos Capuchinhos.