Nasceu aos 24 de março de 1935 em Donim, fre­gue­sia do concelho de Guimarães, berço da naci­onali­dade. A 12 de Janeiro de 1947 entrou para o Seminá­rio dos Franciscanos Capuchinhos do Amial, Porto. Iniciou o seu noviciado no dia 1 de agosto de 1951, no convento de Santo An­tónio, em Barcelos, onde emitiu os seus votos tem­porários a 6 de agosto de 1952, perante o Frei Mateus do Souto, então Superior Maior dos Capuchinhos em Portugal. Cursou Filosofia no Porto e em Salamanca de 1952 a 1955 e Teologia em Salamanca e León, de 1955 a 1959. A profissão perpétua teve lugar em Salamanca, no convento de Santa Marta, a 25 de março de 1956; e a ordenação sacerdotal foi rece­bida em León (Espanha), a 14 de março de 1959.

Desde o verão de 1959 até 1962 foi professor no Seminário Menor de Gondomar. Em 1962 foi enviado para a cidade de Beja, primeiro como coadjutor da Paróquia do Salvador e, depois, com o ofício de Guardião daquela fraternidade alentejana. Em 1964 é transferido para a fraternidade de Fátima com o ofício de Guardião. Em 1966 passa para a fraternidade de Barcelos com o encargo de vigário do convento e, no ano seguinte, é nomeado Guardião do mesmo. Em 1968 é colocado na fraternidade do Porto, dedicando-se intensamente ao apostolado típico dos capuchinhos, a pregação popular. Em 1971 vai para Madrid onde, durante um ano, fica matriculado no Instituto Pio XII (da Universidade Pontifícia de Salamanca), a estudar Pastoral. Regressado ao Porto, dedica-se à pregação e à assistência da Ordem Franciscana Secular. Ainda no Porto, de 1974 a 1977, lecionou em diversas escolas públicas, entre as quais a Escola Comercial de Ermesinde, a Escola Comercial e Industrial Fontes Pereira de Melo e o Liceu Alexandre Herculano. Participou em muitas iniciativas do Movimento «Marienthal», tanto em Portugal como no estrangeiro, exercendo “ad tempus” o cargo de Animador.

A partir de 1977 foi para Fátima, inte­grando a Equipa de Dinamização Bíblica, de cujo Secretariado Nacional foi também responsável, dedi­cando-se com grande entusiasmo à difusão da Palavra de Deus através dos Cursos Bíblicos, per­correndo o nosso país de lés-a-lés, bem como a França, a Suíça, os Estados Unidos e o Canadá.

Em 1985 foi para Israel onde, durante meio ano, procurou aprofundar os seus conhecimentos de História e Arqueologia Bíblicas. Frequentou, em anos consecutivos, os Cursos de Verão de Atualização Bíblica, organizados pela Faculdade de Teologia da Universidade Pontifícia de Granada, Espanha.

Depois de ter sido chamado a orientar a Econo­mia da Província Portuguesa dos Capuchinhos, en­tre os anos de 1993 a 1996, ficando a residir, en­tão, em Lisboa. Desde setembro até ao mês de novembro de 1996, a convite da CEAST, parte na companhia do frei Herculano Alves, para Angola, com a missão de lançar as primeiras raízes do Movimento Bíblico, orien­tando Cursos em várias dioceses daquele país, particularmente em Luanda, Benguela, Uíje e Lubango.

Em 1999 foi trans­fe­rido para a fraternidade de Fátima, com o encargo de Administrador da Di­fusora Bíblica e da Revista Bíblica, encargo que desempenhou até 2008. Em 2002, além destes ofícios, acumula também, durante um triénio, o serviço de Guardião e Ecónomo daquela fraternidade da Cova da Iria. Em 2005, nos cinquenta anos da fundação da Difusora e da Revista Bíblica participou, juntamente com a Sociedade Bíblica, no Congresso Internacional de Lisboa, “A Bíblia em Festa”, que decorreu na Praça da Figueira e, em 2006, integrou um grupo de irmãos capuchinhos, que foram em peregrinação à terra onde nasceu o fundador da Difusora e revista Bíblica, Fr. Inácio de Vegas, Vegas Del Condado na Província de Léon. Em 2008 foi transferido para a fraternidade do Porto. Nessa fraternidade, o Fr. José Machado, além das várias atividades locais, integrou a Comissão de Economia e Obras da Província e foi nomeado para Assistente Nacional da Fraternidade Franciscana Secular (OFS), ofício que assumiu até 2014. Em 2011, passa para a fraternidade de Barcelos, integrando a Comissão de Animação Fraterna e Franciscana e, em 2014, é transferido para a fraternidade de Gondomar.

Publicou várias obras, como o «Atlas Bíblico – Geográfico-Histórico» (1981), com o Suplemento “O Povo de Deus na História”, obra com várias edições, e que foi con­side­rada a obra do ano em Portugal; «Os Salmos — Vida e Oração» (1985), que ra­pida­mente se esgotou. Também colaborou as­siduamente na revista «BÍBLICA», durante a fase dos comentários às Leituras Dominicais, ano A, B e C, juntamente com outros articulistas (colectâ­nea que viria a ser publicada em livro posterior­mente, com o título “À Mesa da Palavra”) e no boletim «Bíblia e Vida». Além das publicações referidas editou, em colaboração, “O Mês de Maria pela Bíblia” e o “Caderno do Animador” (para os Grupos Bíblicos). Em 2009 publicou ainda “Os Capuchinhos no Porto – 50 Anos da Igreja da Imaculada” e “Donim, sua História e suas Gentes” e, em 2010, “Os Capuchinhos há 75 anos em Santo António, Barcelos”.

Em 2002, o Fr. José Machado ao celebrar as suas bodas de ouro da sua Consagração Religiosa partilhava, durante o Encontro de Mira, estas palavras:

“Pedro e João encontraram um paralítico e, em nome do Senhor Ressuscitado, ficou curado. Muitas vezes, quando andamos por aí fora, encontramos também muita gente que se considera paralítica e que nos estende as mãos e pedem. E, na maior parte dos casos, pedem mais algo interior do que exterior. Na Palavra de Deus, no Evangelho, ouvimos dizer que o Senhor está no meio de nós. Mesmo que não nos demos conta, Ele está no meio de nós.”

Dotado de grande inteligência, forte carácter, espírito apostólico, especial amor à Eucaristia, uma particular devoção à Virgem Maria, e um profundo sentido de fraternidade, o Fr. José Machado sempre revelou uma singular paixão em pertencer à família dos Franciscanos Capuchinhos. Sentia-se feliz e cheio de entusiasmo ao participar nos momentos festivos da vida dos Irmãos e acontecimentos da Província. Como Irmão Capuchinho e Ministro do Senhor Jesus Cristo, ele soube colocar todos os seus dons ao serviço do Povo de Deus, primeiro através da pregação popular, percorrendo vastas comunidades cristãs e, depois, no anúncio da Palavra de Deus, através de cursos, encontro regionais e semanas bíblicas, e ainda, na animação das fraternidades franciscanas seculares, espaços e lugares onde partilhou a sua fé e a sua vida, feita de simplicidade e generosidade.

Depois de alguns dias de internamento no Hospital de Santo António, no Porto, a “Irmã Morte”, como lhe chamava São Francisco de Assis, veio chamá-lo na manhã do dia 19 de fevereiro de 2020. Tinha 84 anos de vida, 68 de Consagração Religiosa e 61 de Vida Sacerdotal.