O dia 24 de fevereiro de 2021 amanheceu como tantos outros, mas não para a família dos Franciscanos Capuchinhos, que viu partir para a “Casa do Pai” mais um dos seus irmãos, o Frei César Pedrosa, da Fraternidade de Gondomar. Este irmão tinha sido internado no Hospital de Santo António no passado dia 3 de fevereiro, em virtude de um exame à «covid-19» que deu teste positivo e, desde esse dia, o seu estado de saúde foi-se deteriorando, apesar dos bons cuidados médicos recebidos. Mas, nos últimos tempos, também fruto da sua idade, o Frei César já tinha deixado transparecer alguns indícios de um estado de saúde mais fragilizado. Entretanto, os irmãos Capuchinhos, particularmente o Ministro Provincial e a Fraternidade de Gondomar foram incansáveis, dispensando-lhe os melhores cuidados, quer materiais quer espirituais, e proporcionando-lhe um fim de vida sereno. Foi neste ambiente de proximidade, acompanhamento e comunhão fraterna que o Frei César regressou à “Casa do Pai”.

Agora, no coração da família dos Franciscanos Capuchinhos, familiares, amigos, benfeitores, e de quantos tiveram o privilégio de o conhecer, fica a memória duma longa vida, marcada pela simplicidade e humildade, dedicação e entusiasmo, serviço e fidelidade à consagração a Deus e aos irmãos.

O Frei César Pedrosa Pereira Pinto é natural da freguesia de Mata Mourisca, concelho de Pombal, diocese de Coimbra e distrito de Leiria, onde nasceu em 27 de maio de 1940. Foi batizado no dia 16 de junho de 1940 na freguesia de Mata Mourisca, e crismado no dia 13 de março de 1954 também na freguesia de Mata Mourisca, por D. Manuel de Jesus Pereira, Bispo Auxiliar de Coimbra. Neste ano, a 6 de outubro, ingressou no Seminário Seráfico de Vila Nova de Poiares. Tomou o hábito capuchinho no convento de Santo António em Barcelos, com o nome de Frei Arlindo da Mata Mourisca, a 14 de agosto de 1959, emitiu a profissão temporária em 6 de setembro de 1960 e, no convento do Amial (Porto), emitiu os votos perpétuos a 16 de agosto de 1964. Fez o curso de Filosofia, de 1960 a 1963, no Convento de Santa Marta, em Salamanca, e o de Teologia, de 1963 a 1967, na Província de Valência (Orihuela) e na nossa Casa do Porto. Em 1966, no dia 17 de dezembro, recebeu a Ordem do Diaconado das mãos do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, na Sé Catedral e, no dia 15 de agosto de 1967, recebeu a Ordem de Presbítero no Santuário de Fátima, das mãos do Card. D. Manuel Gonçalves Cerejeira, integrado na celebração do Cinquentenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima.

Pouco tempo depois de concluir os estudos foi nomeado Capelão do Bairro da Boavista, em Lisboa, missão que exerceu até 1976, ficando ao mesmo tempo agregado à fraternidade da capital e dá início, em 1969, ao Curso de Direito Civil na Universidade Clássica de Lisboa, onde obteve, em 1976, a licenciatura em Direito Civil. Em 1970 foi-lhe confiado o cargo de Guardião da Fraternidade de Lisboa, função que exerceu até 1975. Em 1968 colabora na Difusora Bíblica e desempenha o ofício de Coadjutor na paróquia da Sagrada Família do Calhariz de Benfica. Entre 1971 e 1975 é capelão das Irmãs FMNS de Camarate.

Em 1976 foi transferido para Coimbra como Guardião da Fraternidade, cargo que exerceu durante dois anos. Até 1987, desempenha novas funções: Professor no Liceu Dom Duarte (1976-1986), Reitor de Coselhas (1978-1984), Coadjutor adjunto da freguesia de Santa Cruz (1984-1987), ajudando no centro de pastoral de Monte Formoso, Ingote e Capelão das FMM (1984-1987). Durante os anos de 1980 a 1982 faz o estágio de Advocacia no Tribunal Civil de Coimbra, tendo como patrono, o Dr. Teles Marques. Entretanto, em 1981 é nomeado pelo bispo de Coimbra, D. João Alves, Juiz do Tribunal Eclesiástico daquela diocese (até 1988). Durante o tempo que esteve em Coimbra, sempre dedicou particular atenção ao apostolado da juventude.

Em 1987 foi transferido para Gondomar exercendo, até 1994, o cargo de Director Pedagógico do Externato Paulo VI, acumulando também o ofício de Professor daquela instituição de ensino. A partir de 1994, a pedido do Governo da Província, deu a sua colaboração ao processo de venda do Externato Paulo VI, até ao trespasse final, que se realizou na Secretaria Notarial de Matosinhos com a escritura, entre a nossa Província e a “Gondensino-Estabelecimento de Ensino Particular, Lda”, no dia 21 de outubro de 1997. Durante o tempo que viveu em Gondomar, o Fr. César continuou a dar especial atenção ao mundo juvenil através de iniciativas pastorais, como a realização da «Noite Jovem», uma espécie de festival musical e cultural, aberto às paróquias vizinhas.

Entretanto, em 1996 o Fr. César é transferido para a Fraternidade de Lisboa, como coadjutor da Paróquia da Sagrada Família, dedicando-se particularmente ao sector da catequese e pastoral juvenil. Neste campo, em fevereiro de 1997 lança, com os jovens da paróquia e o pároco, Fr. Benjamim Aspra, o jornal «Calhariz Jovem» e, em março de 1998, leva o grupo de jovens ao “I Festival Jovem” da IVª Vigararia de Lisboa, alcançando o 1º lugar. Em fevereiro de 1998, é nomeado presidente da Comissão de Justiça, Paz e Ecologia da Província de Portugal.

Em outubro de 2001, inicia o seu “ano sabático”, partindo para Paris, onde fica até o seguinte mês de dezembro, em Boissonade. Em janeiro de 2002 parte para Londres, a fim de prosseguir o seu “tempo sabático”, ficando a residir na fraternidade dos Capuchinhos em Erith, condado de Kent. Regressa a Portugal no final do seguinte mês de abril. Ainda em 2002, finalizado o seu “tempo sabático”, passa a integrar o Conselho Provincial da Formação e a Comissão Provincial de Animação Fraterna, residindo na Fraternidade de Lisboa, onde ocupa o ofício de Vigário Paroquial.

Em 2005, a seguir ao XIV Capítulo Provincial, é transferido para a cidade de Coimbra, com os ofícios de Guardião e Ecónomo da Fraternidade, Assistente do movimento «Jobifran» e continuando a fazer parte da Comissão de Animação Fraterna e Franciscana. Em 2008, com o encerramento da nossa presença em Coimbra, o Fr. César Pedrosa fica na história como o último Guardião da Fraternidade da “cidade dos doutores”. É transferido nesse ano para a Fraternidade de Gondomar, sendo o Reitor da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Presta assistência espiritual ao movimento juvenil da Jobifran.

Em 2011 parte para a Fraternidade do Porto sendo nomeado, pelo Bispo daquela diocese, pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima do Amial (Igreja da Imaculada Conceição). Em 2014 é transferido para Lisboa, com a responsabilidade de ecónomo daquela fraternidade e vigário paroquial da Paróquia da Sagrada Família de Calhariz de Benfica, onde deu uma prestimosa colaboração ao sector da Catequese. Dali parte, em 2015, para a Fraternidade de Pínzio, diocese da Guarda onde, integrado na “Fraternidade Itinerante de Presença e Apostolado” (FIPA), presta ajuda pastoral em várias comunidades cristãs, sendo também nomeado pelo Bispo da Guarda como cooperador pastoral no arciprestado de Almeida. Regressa a Lisboa em 2017, como Vigário paroquial de Calhariz de Benfica e vigário e ecónomo da fraternidade local. Após o Capítulo Provincial realizado em outubro de 2020, passa a viver na fraternidade de Gondomar, trabalhando no acompanhamento dos jovens candidatos que desejam ingressar na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos.

O Frei César desenvolveu, entretanto, outras atividades: assessoramento jurídico dentro da Província dos Capuchinhos; apoio à fundação da Santa Casa da Misericórdia de Gondomar; assistência das fraternidades da OFS (Ordem Franciscana Secular).

Que descanse em paz, na eterna comunhão de vida e de amor, no coração do Pai da infinita misericórdia.

«Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã, a morte corporal.
Bem-aventurados aqueles que cumpriram
Tua santíssima vontade»

(São Francisco de Assis, “Cântico das Criaturas”)