Nasceu na freguesia de Vilar do Monte, concelho de Barcelos, em 26 de Junho de 1936. Aos 16 anos entrou no Seminário Se­ráfico de Vila Nova de Poiares em 15 de Outubro de 1952. Cinco anos depois, já com 21 anos, vestiu o hábito capuchinho na nossa Casa de Barcelos em 8 de Agosto de 1957, com o nome de Frei André de Vilar do Monte. Aí fez a profissão temporária em 15 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua em 15 de Agosto de 1961 e recebeu a or­denação sacerdotal, aos 29 anos, em 8 de Agosto de 1965.

Fez os estudos de filosofia no Convento dos Capuchinhos de Santa Marta, em Sala­manca, de 1958 a 1961 e o primeiro ano de Teologia na nossa Fraternidade do Porto. Dada a sua invulgar ca­pacidade intelectual, foi então destinado a especializar-se em Ci­ências Teoló­gicas, primeiro na Universidade Pontifícia de Sala­manca e, depois, em Friburgo, na Suíça, onde obteve a licencia­tura em Teologia com a mais elevada classificação.

Em 1966 matriculou-se no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e, dois anos depois, quando se preparava para fazer os exames fi­nais de licenciatura em Sagrada Escritura, teve de deixar o nosso Colégio Internacional e regressar à Província já com visíveis sinais de grande debilidade física. Começou então a revelar-se a grave sintomatologia duma doença congénita – a parami­loidose ou o “mal dos pezinhos”, também conhecida por “doença de Corino” – que o obrigou a interromper intempestivamente os estudos. Ficou agregado à Fraternidade do Porto. Apesar das limitações provoca­das pela doença, que ele sabia incurável e progressiva, nunca es­moreceu no seu aturado trabalho de professor, conferencista, in­vestigador e escritor, deixando bem marcada a sua passagem lite­rária pela revista PAZ E BEM e por vários jornais e revistas da Igreja e da Ordem. Mas o que o tornou verdadeiramente conhecido e apreciado por muita gente foram os mais de 90 artigos que publi­cou na revista BÍBLICA, onde deixou bem patente a sua invulgar capacidade de traduzir, em linguagem inteligível para os homens do seu tempo, as grandes ver­dades da Bíblia.

Deu também a sua colaboração a um livro de Homilias editado pela “Editorial Perpé­tuo So­corro” em 1972. Já em 1970 a Difusora Bíblica tinha publicado, da sua autoria, os “Tó­picos para as homi­lias dominicais e festivas” do Ano B e do Ano C, que ficaram in­completas. Deixou pronto o livro “GÉNESIS – das lendas e mitos da Criação à fé num Deus Criador”, editado pela Difusora Bíblica em 1986.

Era um Religioso de uma esperança a toda a prova. Ele mesmo confessava: “Apesar de tudo, tenho uma enorme vontade de viver. Acho este mundo belo e, mesmo assim, pude realizar muita coisa.” De facto, enquanto viveu, foi incansável na defesa dos mais altos valo­res da Igreja, da Ordem Capuchinha e do país, assumindo, por opção, um compromisso lúcido e sério com os problemas dos po­bres, dos fracos e dos socialmente excluídos e marginaliza­dos.

Nem sempre compreendido e algumas vezes contestado, nunca abdicou das suas con­vicções alicerçadas numa profunda vida de piedade e numa grande fé. Sentindo-se, pela doen­ça, “muito pró­ximo de Deus, via, como Ele, o futuro mais próximo do presente e lançava para a cidade dos homens intuições que poucos eram ca­pazes de antecipar, ao mesmo tempo que inconsciente­mente se movia como se esse futuro estivesse já presente. Daí considera­rem-no, por vezes, ino­portuno e demasiado avançado”.

Foi também um homem festivo, que apreciava e celebrava os momentos gratuitos e lúdicos da vida. Minado pela progressivida­de do mal que lhe ia consumindo as forças físicas e lhe pro­vocava naturais dificuldades de locomoção, isso não o impedia de marcar presença nas festas dos seus irmãos e de participar em todos os acontecimentos festivos da Província, sendo por isso mesmo um grande exemplo de tenacidade, de esperança e de vida fraterna.

Sabendo-se em definitivo “escolhido” pela “irmã morte corpo­ral”, pôs-se voluntaria­mente à disposição duma Equipa Médica do Hospital de São João do Porto, para que, através de várias expe­ri­ências nele realizadas com a administração de novos fármacos, fosse encon­trada solução de alívio e de cura para outras vítimas da mesma doença. Foi no decorrer duma experiência desse género que veio a falecer. Na perspectiva evangélica, o Frei Alcindo foi ca­paz de “perder para ganhar” à semelhança do Senhor Jesus que foi capaz de dar a própria vida, para que n’Ele todos “tivessem vida e vida em abundância”.

A sua morte ocorreu no dia 15 de Agosto de 1976, festa da As­sunção de Nossa Senho­ra, a quem estavam ligadas muitas datas importantes da sua vida. Foi o primeiro biblista da nossa Província e o seu primeiro Religioso a partir para a Casa do Pai. Tinha 40 anos de idade, 19 de vida religiosa e 11 de sacerdócio.

Ficou sepultado no cemitério de Paranhos, em talhão privativo dos Capuchinhos.