V DOMINGO DA PÁSCOA

SENHOR, MOSTRA-NOS O PAI

João 14,8b

 

Senhor, mostra-nos o Pai
– a quem nenhuma criatura jamais viu,
a não ser Tu, o Primogénito que estavas nele,
eras um com Ele e no-lo deste a conhecer:
no teu sorriso, no teu silêncio, na tua paz,
na tua misericórdia, na oração, no jejum, nas palavras,
nos gestos milagrosos ternos e acolhedores.
          O Pai – em nome de quem também pegaste
no chicote para devolver dignidade à sua casa.

 

Senhor, mostra-nos o Pai
– de quem vieste para fazer a sua vontade,
como decidiste ainda no seio materno.
          O Pai – em cuja casa viveste desde os doze anos;
não a casa do lugar/templo, mas a do coração,
a do projecto salvador que Ele tinha para todos,
e que Tu aceitaste concretizar no que foste e fizeste,
quando te fizeste homem e vieste habitar connosco.

 

Senhor, mostra-nos o Pai
– a quem louvaste, em êxtase,
movido pelo Espírito da Alegria e da Verdade,
quando viste os simples e os pobres
rodearem-te para te ouvirem,
enquanto os sábios e soberbos te expiavam
para não terem que aceitar-te.
          O Pai – a quem te deste nas tentações do deserto
e a quem te entregaste no suspiro derradeiro.

 

Senhor, mostra-nos o Pai
– para quem voltaste, depois de teres vindo de junto dele,
cumprindo a Páscoa da tua vida.
          O Pai – a quem confiaste os discípulos,
na oração sacerdotal da última Ceia,
e a quem rezaste no Jardim das Oliveiras e no Calvário:
– Pai, se é possível, afasta de mim este cálice.
– Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
– Pai, nas tuas mãos entrego a minha vida.

 

Senhor, mostra-nos o Pai
– e dá-nos o Espírito que, de junto do Pai, nos enviaste.
Ele fortaleça o nosso coração de filhos,
para rezarmos como ensinaste aos discípulos:
          Pai Nosso...

 

LOPES MORGADO

in em minha memória (Difusora Bíblica 2004), 42-43