03 de outubro
XXVII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Gn 2,18-24. Salmo 128/127,1-2.3.4-5.6. R/ O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida. 2ª: Heb 2,9-11 Evº: Mc 10,2-16. III Semana do Saltério.

“ACOLHER O REINO DE DEUS COMO UMA CRIANÇA”

O início do décimo capítulo do evangelho segundo Marcos, proposto para o Vigésimo Sétimo Domingo deste Ano B, pode ser apresentado em duas partes.

A primeira começa numa disputa com os fariseus, em que Jesus Cristo sugere ir além das indicações de Moisés a propósito do «certificado de divórcio». No mundo judaico, as crianças (filhos) eram uma bênção divina; mas, tal como as mulheres, tinham uma reduzida ou nula importância social.

Na segunda parte, Jesus Cristo reitera a dignidade das crianças colocando-as no centro da mensagem: «Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele.»

Na opinião de Xavier Pikaza, é possível uma dupla interpretação das palavras e gestos de Jesus Cristo: acolher o Reino como uma criança acolhe o dom da vida; ou acolher o Reino como se acolhe uma criança.

Os discípulos missionários de Jesus Cristo precisam de acolher o reino de Deus «como os mais pequenos (crianças) recebem o dom da vida, tornando-se crianças, em atitude de pequenez e acolhimento. […] Diante da busca de poder/atividade, que definiria os bons crentes (conquistar o Reino por ascese, por ciência ou violência), Jesus destaca uma experiência mais ligada à recetividade».

De acordo com a segunda proposta daquele teólogo espanhol, trata-se de ver nas crianças o «sinal e presença (conteúdo)» do reino de Deus: «acolher o Reino como se recebe/acolhe as crianças necessitadas, seguindo o exemplo de Jesus, que manteve uma atitude aberta e recetiva face às crianças».

Rezar o Salmo 127 (128) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

10 de outubro
XXVIII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sb 7,7-11. Salmo 90/89,12-13.14-15.16-17. R/ Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade, e exultaremos de alegria. 2ª: Heb 4,12-13 Evº: Mc 10,17-30. IV Semana do Saltério.

“VEM E SEGUE-ME”

O fragmento do evangelho sugerido para este Vigésimo Oitavo Domingo do Ano B pode ser dividido em três partes:

o encontro com o homem rico (vers. 17 a 22);
o ensinamento aos discípulos (vers. 23 a 27);
a surpreendente recompensa (vers. 28 a 30).

Aquele homem rico trazia uma inquietação profunda: «Que hei de fazer para alcançar a vida eterna?» A resposta começa por apontar para uma existência iluminada pelos ensinamentos divinos. Depois, é-lhe proposto um outro passo: não fiques dependente das próprias seguranças; não te fixes no desejo da riqueza, como se fosse o mais importante para ti. Confia em Deus, partilha os bens, e «terás um tesouro no Céu». Jesus Cristo, que olhava para ele com simpatia, acrescenta: «Vem e segue-Me.»

Não basta ter uma vida honesta, saber os «mandamentos» e cumpri-los. A exortação não se reduz à honestidade, a uma vontade teórica em viver o amor. É preciso libertar-se de tudo o que seja um obstáculo para seguir em pleno pelo caminho proposto pelo Mestre.

Ser discípulo missionário requer o desprendimento. «Aquilo com que Jesus sonha não é tanto um homem despojado de tudo, uma árvore seca, mas um homem livre e cheio de relações. […] São João da Cruz fala do nosso apego às coisas — pouco importa se são pequenas ou grandes, uma moradia de luxo ou o último modelo de telemóvel — com esta imagem: “Não importa se o pássaro está ligado à terra com leves fios de sede ou com uma corda grossa; em qualquer dos casos, não é livre nem consegue voar”» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 89 (90) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

17 de outubro
XXIX DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 53,10-11. Salmo 33/32,4-5.18-19.20.21. R/ Desça sobre nós a vossa misericórdia, porque em Vós esperamos, Senhor. 2ª: Heb 4,14-16 Evº: Mc 10,35-45. I Semana do Saltério.

“SERÁ O VOSSO SERVO”

No evangelho deste Domingo, os filhos de Zebedeu, Tiago e João sonham com um messianismo poderoso; mas o Mestre apresenta-lhes um messianismo de doação da vida, de serviço. É o sentido da verdadeira autoridade cristã. Aliás, ainda hoje se chama ao Papa «o servo dos servos de Deus». E assim há de ser para todos os que exercem qualquer tipo de responsabilidade na Igreja.

Ser servo não é só fazer coisas. Até porque se pode agir por obrigação, como algo que é imposto, qualquer que seja o motivo. Esse não é o serviço cristão.
Ser servo é olhar a pessoa com amor, é ter os olhos bem abertos para discernir como ajudar, como dar a mão, como transmitir alegria, como ser esperança. Ser servo é acolher os outros, com delicadeza e afeto, é saber sorrir no escritório, na oficina, na escola, no trabalho…
«Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo». Jesus Cristo «promete uma grandeza, não quer a seu lado homens humilhados, mas dignos, livres, com espírito de reis, que se tornem grandes tomando a seu cargo o crescimento dos outros. […] Já imaginaste uma humanidade em que cada um se lança aos pés do outro? E se inclina, não diante dos poderosos, mas diante do último. […]

O serviço de que fala Jesus é ajudar os outros a abrir-se às suas melhores potencialidades, como faz a mãe. O que há de mais belo é ouvir alguém dizer: estou bem contigo, porque despertas a parte melhor que há em mim, fazes-me florescer» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 44 (45) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

24 de outubro
XXX DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jr 31,7-9. Salmo 126/125,1-2ab.2cd-3.4-5.6. R/ Grandes maravilhas fez por nós o Senhor, por isso exultamos de alegria. 2ª: Heb 5,1-6 Evº: Mc 10, 46-52. II Semana do Saltério.

“CORAGEM! LEVANTA-TE”

Há muitas cegueiras para curar! Por isso, no caminho para Jerusalém, já perto da meta, faz-se uma pausa forçada e intencional: é preciso fazer uma paragem para aprender a lógica de Deus.

A cura do cego Bartimeu é mais um dos sinais realizados com esse propósito de abrir os olhos da fé.

O episódio torna-se modelar para o discipulado: começa na escuta, passa pela invocação e a oração, e desemboca no seguimento do Mestre.

Por isso, permite, ainda, apreciar a importância da comunidade representada pelos «discípulos e uma grande multidão». Aquela gente não assiste de uma forma passiva: também é interpelada e chamada a abrir os olhos da fé, ao mesmo tempo que é mediadora entre Jesus Cristo e o cego que se dirigia a Ele aos gritos. A multidão muda de atitude: deixa de repreender o cego e passa a encorajá-lo: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te.»

Revemo-nos nas palavras da Mensagem do Papa Francisco, neste Dia Mundial das Missões: «Com Jesus, vimos, ouvimos e constatamos que as coisas podem mudar. Ele inaugurou – já para os dias de hoje – os [...] tempos novos, que suscitam uma fé capaz de estimular iniciativas e plasmar comunidades a partir de homens e mulheres que aprendem a ocupar-se da fragilidade própria e dos outros, promovendo a fraternidade.»

Que tipo de comunidade somos: a que repreende, ou a que encoraja? Há «gritos» que precisam de ser escutados e encorajados, mesmo que obriguem a fazer uma pausa no caminho!

Rezar o Salmo 125 (126) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

31 de outubro
XXXI DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Dt 6,2-6. Salmo 18/17,2-3.4.47.50-51ab. R/ Eu Vos amo, Senhor: Vós sois a minha força. 2ª: Heb 7,23-28. Evº: Mc 12,28b-34. III Sem. do Saltério.

“AMARÁS...”

Jesus Cristo volta a recordar o mandamento do amor como caminho seguro para a santidade. Este mandamento tem uma dupla direção: «Amarás o Senhor teu Deus… Amarás o teu próximo.»

A prática deste mandamento desenvolve-se numa profunda relação com Deus, que é Amor e nos move a amar.

Deus é a fonte de todo o amor. Então, mais do que um mandamento, o Amor é um dom de Deus, é uma semente que tem em si a potencialidade do fruto. Deixemo-lo germinar!

Quando o amor, dádiva divina, ecoa dentro do coração humano e nele ganha sólidas raízes, tornamo-nos capazes de amar a todos, sem reservas, até os inimigos. Não só com os sentimentos e afetos imediatos, mas através da contemplação autêntica do outro, que vai para além das aparências, desce à profundidade do coração.

O amor a Deus e o amor ao próximo são como o braço vertical e horizontal da cruz: ambos são inseparáveis, como os dois braços da cruz, disse o Papa Bento XVI. O amor a Deus é o braço vertical e o amor ao próximo é o braço horizontal; e ambos se relacionam mutuamente.

«Jesus não inventou nem um nem outro, mas revelou que eles são, no fundo, um único mandamento, e fê-lo não só com palavras, mas sobretudo com o seu testemunho: a própria Pessoa de Jesus e todo o seu mistério encarnam a unidade do amor de Deus e do próximo, como os dois braços da Cruz, vertical e horizontal» (palavras do papa Bento XVI, antes de oração do Angelus, na Praça de São Pedro, 4 de novembro de 2012).

Rezar o Salmo 17 (18) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

1 de novembro
SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

LEITURAS: 1ª: Ap 7,2-4.9-14. Salmo 24/23,1-2.3ab.5-6. R/ Esta é a geração dos que procuram o Senhor. 2ª: 1 Jo 3,1-3. Evangelho: Mt 5,1,12a.

Dia de todos os Santos

Hoje é dia de todos os santos: dos que têm
auréola e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram,
serenos e brandos sem darem nas vistas
e no fim dos tempos, hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os santos: santos barbeiros
e santos cozinheiros, jogadores de football e
porque não? comerciantes, mercadores,
caldeireiros e arrumadores (porque não
arrumadoras? Se até é mais frequente que
sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à claridade do dia foram tuas testemunhas;
disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras, poucas, em rodeios, divagações. […]

Cortejo inumerável de homens e de mulheres que Te seguiram e contigo conviveram,
de modo admirável: Com os que tinham fome partilharam o seu pão
Olharam compadecidos as dores do mundo e sofreram perseguição por causa da justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te a amaram o mundo
cantaram os teus louvores e a beleza da Criação
e choraram as dores dos que desesperam
tiveram gestos de indignação e palavras
proféticas que rasgavam horizontes límpidos
Estes os que seguem o Cordeiro
porque Te conheceram e reconheceram
e de ti receberam o dom
de anunciar ao mundo a justiça e a salvação.

MARIA DE LOURDES BELCHIOR
Gramática do Mundo, 1985, pp.74-75.

 

7 de novembro
XXXII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: 1 Rs 17,10-16. Salmo 146/145,7.8-9a.9bc-10. R/ Ó minha alma, louva o Senhor. 2ª: Heb 9,24-28. Evº: Mc 12,38-44. IV Semana do Saltério.

“TUDO O QUE TINHA”

O relato evangélico decorre no templo de Jerusalém, lugar da celebração do culto público e solene, destino central das peregrinações judaicas.

Jesus Cristo convida os discípulos a contemplar o gesto de uma viúva, para recordar o que tantas vezes lhes disse sobre a simplicidade e a gratuidade. Notemos um pormenor do texto: o Mestre observa o «como» e não o «quanto» deitavam na arca do tesouro do templo. A pessoa mais generosa foi a viúva pobre, que “apenas” ofereceu duas pequenas moedas, e não qualquer um dos ricos; porque, «na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha».

Esta viúva é uma imagem de todas as pessoas frágeis, que só têm Deus como único defensor. É um modelo de gratuidade e generosidade. Jesus Cristo exalta-a, porque deu mais do que todos os outros: deu «tudo o que possuía para viver», enquanto os ricos deram «quantias avultadas» do que lhes sobejava.

A pequena oferenda converte-se em grande dom aos olhos de Deus. Muitas vezes esquecemos que a medida de Deus é diferente da humana. Aprendamos a valorizar o “como” e não o “quanto” é dado por cada um.

«Como são diferentes das nossas as balanças de Deus! Para Jesus não conta a quantidade de dinheiro. Conta, pelo contrário, quanto peso de vida, quanto coração encerrado, quantas esperanças e lágrimas há dentro daquelas duas moedinhas, um nada cheio de coração. […] A totalidade do dom. E aponta aquela viúva como seu ícone: também Ele dará tudo, toda a sua vida» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 145 (146) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

14 de novembro
XXXIII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Dn 12,1-3. Salmo 16/15,5.8.9-10.11. R/ Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio. 2ª: Heb 10,11-14.18 Evº: Mc 13,24-32. I Semana do Saltério.

“ESTÁ MESMO À PORTA”

A algumas pessoas custa-lhes entender e sintonizar com a linguagem dos escritos bíblicos que se referem ao final dos tempos, à escatologia. Não pode ser tomada à letra, mas dentro do género literário da apocalíptica, próprio daquela época e cultura. Em todo o caso, temos de recordar sempre que o Evangelho não é mensagem de medo, mas a Boa Notícia da salvação de Jesus Cristo.

Quando o Mestre usa imagens apocalípticas não se está a comportar como um daqueles “videntes” que adivinham tudo o que vai acontecer em breve ou no porvir; pelo contrário, quer evitar a curiosidade que temos em querer saber as previsões e ensina-nos o caminho a seguir para mergulhar na vida eterna.

«O Filho do homem está perto, está mesmo à porta», diz. O Filho do homem é o próprio Jesus; nele se cumprem as promessas do passado e começa a realizar-se o futuro. Ele é a chave da história e o centro da salvação oferecida por Deus. Não precisamos de esperar pelo futuro para o encontrar, pois Ele já connosco, está no meio de nós.

O cristianismo não é uma religião de medo nem de evasão para o mundo que há de vir. A vida eterna inicia-se já no presente: começou com a graça batismal e precisa de ser alimentada cada dia.

A nossa responsabilidade consiste em acolher as palavras divinas que «não passarão» e segundo as quais seremos julgados.

Agora mesmo estamos a construir o futuro. O que nos espera não é dramático, mas esperança luminosa. A semente da ressurreição já germina em cada um de nós.

Rezar o Salmo 15 (16) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

21 de novembro
XXXIV DOMINGO COMUM
SOLENIDADE DE N. S. JESUS CRISTO REI

LEITURAS: 1ª: Dn 7,13-14. Salmo 93/92,1ab.1c-2.5. R/ O Senhor é rei num trono de luz. 2ª: Ap 1,5-8. Evº: Jo 18,33b-37. II Semana do Saltério.

“ESCUTA A MINHA VOZ”

No evangelho segundo João, Jesus Cristo confessa a Pilatos em que consiste a sua realeza: «Sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.» Antes de mais, é testemunha da verdade de Deus: o rosto verdadeiro de Deus é um amor crucificado, um amor desarmado. E depois, testemunha da verdade do ser humano: o rosto verdadeiro do ser humano está feito de liberdade e fraternidade, um rosto chamado a parecer-se ao de Jesus Cristo, plenitude do humano.

«Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.» Este é o critério para acolher a realeza de Jesus Cristo: «é a ‘escuta’ da sua voz e o acolhimento da sua palavra que permitem ao crente fazer reinar sobre si o Senhor» (Luciano Manicardi).

Diz Bento XVI, sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade (nº 1): «a caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira […]. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta.» Estes são, portanto, os dois polos da realeza de Jesus Cristo: caridade e verdade.

A realeza de Jesus Cristo, que há de ser imitada pela Igreja, não é de poder e de esplendor, mas de serviço e de caridade. O Reino de Deus, manifestado em Jesus Cristo e oferecido a toda a gente, também nos chama a exercer um serviço de caridade aos mais frágeis e na defesa da verdade em favor dos mais pobres.

Rezar o Salmo 92 (93) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

28 de novembro
I DOMINGO do advento

LEITURAS: 1ª: Jr 33,14-16. Salmo: 25/24,4bc-5ab.8-9.10.14. R/ Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. 2ª: 1 Ts 3,12–4,2. Evº: Lc 21,25-28.34-36. I Sem. do Saltério.

“VIGIAI E ORAI EM TODO O TEMPO”

O primeiro dia do ano cristão, Primeiro Domingo de Advento (Ano C), exorta: «Vigiai e orai em todo o tempo». Alguns dos grandes mestres espirituais do Oriente empenharam-se em descobrir o seu sentido mais profundo. Lembremos, por exemplo, a inquietação do célebre ‘peregrino russo’: «como podemos orar sem cessar, se precisamos de ter outras ocupações para assegurarmos a nossa sobrevivência?».
A vigilância é a atitude que nos faz viver abertos ao mundo, aos outros, a Deus. A sonolência, pelo contrário, é a expressão do desinteresse pelo que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta. Vigiar é assumir que não se quer viver em piloto automático, aquele sistema que dispensa a necessidade de um pensamento consciente sobre as nossas ações.
Vigiar é tornar profundo cada momento. «Significa não cair na desorientação, não se extraviar, ou seja, não perder o norte […]. A vigilância é luta contra a habituação e o seu efeito anestésico. […] Esperar o Senhor velando e orando significa fazê-lo reinar sobre o nosso hoje e conhecer, portanto, a sua vinda, já, aqui e agora» (Luciano Manicardi).
O Advento não se circunscreve à evocação do passado. São Carlos Borromeu lembrou que «se não oferecermos resistência», Jesus Cristo está disposto «a vir de novo, em qualquer hora e momento, para habitar espiritualmente em nossas almas com abundantes graças». Os melhores bens que podemos pedir neste Advento são, portanto, a vigilância do coração e a conexão com Deus «em todo o tempo».

Rezar o Salmo 24 (25) conforme a proposta litúrgica deste domingo.