04 de outubro

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 5,1-7. Salmo 80/79,9.12.13-14.15- -16.19-20. R/ A vinha do Senhor é a casa de Israel. 2ª: Fl 4,6-9. Evº: Mt 21,33-43. III Semana do Saltério.

“O SEU PRÓPRIO FILHO”

A parábola propõe uma reflexão a partir do quotidiano dos ouvintes: a imagem da vinha, para denunciar a infidelidade do povo. A situação é conhecida: o dono da vinha arrenda-a a uns vinhateiros; no tempo das vindimas, envia servos para receber a parte correspondente dos frutos.

A novidade está na recusa dos vinhateiros em acolher os servos. Depois de enviar os primeiros e ter como resposta maus tratos e mortes, a reação do dono não é exercer represálias, mas voltar a enviar outros servos. Surpreende a paciência do dono da vinha!

Um lógico desenlace seria um castigo contundente. Mas eis que surge um elemento inesperado, que sugere um salto qualitativo: «Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho.»

Os vinhateiros simbolizam Israel, incrédulo e pecador. A história mostra que ele não escutou os vários enviados com a missão de o preparar para a vinda do Messias, nem Este foi acolhido quando se apresentou como Filho de Deus.

Com a parábola, Jesus apresenta a sua própria experiência: os vinhateiros representam o povo de Israel e o dono da vinha é Deus; os servos enviados são os profetas e o Filho enviado é Jesus Cristo.

Os novos vinhateiros refletem-se na Igreja, comunidade cristã. Este é o desejo do Mestre: que os cristãos escutem a voz dos profetas e aceitem o Filho enviado, a «pedra angular». Cada um dos membros da comunidade cristã recebe a missão de ser vinhateiro: deve cuidar e cultivar a vinha, para que ela dê bons frutos de salvação.

Rezar o Salmo 79 (80) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

• Imagem, poema e oração da parábola: Quem ouvir que entenda, de Lopes Morgado, pp.76-79; 189-190.

 

11 de outubro
XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 25,6-10a. Salmo 23/22,1-3a.3b-4.5.6. R/ Habitarei para sempre na casa do Senhor. 2ª: Fl 4,12-14.19-20. Evº: Mt 22,1-14. IV Sem. do Saltério.

“CONVIDAI... TODOS”

A parábola da preparação de uma boda destaca a gratuidade e universalidade do Reino dos Céus. Centra-se nos primeiros, que recusaram o convite, e nos «maus e bons» chamados para os substituírem, pois aqueles, afinal, não eram dignos.

Apesar da insistência do rei (o convite é feito duas vezes), os convidados continuam indisponíveis; por isso, os servos são enviados uma terceira vez, com nova indicação: «Convidai para as bodas todos os que encontrardes.»

Com gratuidade, o rei não desiste nem fecha as portas, antes mantém a determinação de se alegrar e festejar com todos, «maus e bons». É curioso: primeiro os «maus», depois os «bons»! Ninguém fica excluído, muito menos os que estão à margem, nas periferias da sociedade. E a sala enche-se com os novos comensais.

O convite a entrar no Reino dos Céus é universal, não conhece qualquer limite. E Deus não se cansa de convocar para o banquete do seu amor. Quando é rejeitado, não amua, não se fecha sobre si, antes alarga ainda mais os horizontes e passa de muitos a todos: «Convidai para as bodas, todos os que encontrardes.»

A atitude do rei lembra o permanente desafio a uma Igreja «em saída», que o papa Francisco também não se cansa de propor como forma de «alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20).

Com surpresa, a parte final da parábola refere a presença de um convidado que se apresentou indevidamente vestido para participar nesse banquete nupcial. É que não serve qualquer traje!

Rezar o Salmo 22 (23) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

• Ver: Quem ouvir que entenda, pp.80-83; 191-192.

 

18 de outubro
XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 45,1.4-6. Salmo 96/95,1.3.4-5.7-8.9- -10a.c. R/ Aclamai a glória e o poder do Senhor. 2ª: 1 Ts 1,1-5b. Evº: Mt 22,15-21. I Semana do Saltério.

“DAI... A DEUS O QUE É DE DEUS”

O território judaico estava sob o domínio romano e havia diferentes posturas quanto ao pagamento dos tributos: uns defendiam a colaboração com a potência ocupante e pagavam os impostos, procurando obter o máximo de benefícios; outros, negavam-se a pagar impostos aos romanos, porque entendiam que, ao fazê-lo, estariam a reconhecer o poder e a soberania do imperador em detrimento de Deus.

As palavras laudatórias dirigidas a Jesus escondem uma «armadilha»: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus… Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?»

Conhecendo bem a hipocrisia dos oponentes, o Mestre pede uma moeda com a imagem e a inscrição do imperador; e declara: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»

A resposta não contempla um claro sim ou não, mas propõe distinguir entre Deus e César, ao reconhecer a respetiva autonomia: a César convém dar a moeda que lhe pertence; a Deus, a glória e o culto que lhe é devido. Se a moeda tem a imagem e a inscrição de César, pertence-lhe; contudo, o ser humano pertence a Deus, pois tem em si a inscrição e a imagem de Deus.

O Mestre recorda que, em todas as dimensões da vida, materiais ou espirituais, Deus há de ser sempre o único e verdadeiro Senhor, a garantia única da verdadeira esperança. Em qualquer ambiente da vida – seja político, religioso, social, económico, cultural ou familiar – o objetivo é sempre abrir-se à vontade de Deus.

Rezar o Salmo 95 (96) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

25 de outubro
XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ex 22,20-26. Salmo 18/17,2-3.7.47.51ab. R/ Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força. 2ª: 1 Ts 1,5c-10. Evº: Mt 22,34-40. II Semana do Saltério.

“AMARÁS…”

O evangelista põe na boca de Jesus o resumo de «toda a Lei e os Profetas». A proposta incluiu dois mandamentos: «Amarás o Senhor teu Deus..., Amarás o teu próximo como a ti mesmo».

Amar a Deus «com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito» não é um amor platónico, mas um estado de vida, uma orientação global de toda a existência para Deus. O que eu sou é de Deus!

Amar o próximo é consequência dessa existência orientada a partir de Deus: uma vida na qual se plasma a vontade divina que consiste em entregar-se ao outro, «como a ti mesmo». O que eu sou é para o outro!

Duas faces da mesma moeda: «eu amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus […]. Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser ‘piedoso’ e cumprir os meus ‘deveres religiosos’, então definha também a relação com Deus. […] Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor preveniente com que Deus nos amou primeiro» (Bento XVI, Deus Caritas est, 18).

Talvez seja necessário refazer o «maior» e «primeiro mandamento»: em vez de «Amarás o Senhor teu Deus», dizer «Deixar-te-ás amar pelo Senhor teu Deus»; e logo brotará o «segundo», como norma de vida.

Rezar o Salmo 17 (18) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

01 de novembro
TODOS OS SANTOS

LEITURAS: 1ª: Ap 7,2-4.9-14. Salmo 24/23,1-2.3-4ab.5-6. R/ Esta é a geração dos que procuram o Senhor. 2ª: 1 Jo 3,1-3. Evº: Mt 5,1-12a. III Sem. do Saltério.

“BEM-AVENTURADOS SEREIS”

O Sermão da Montanha (Mateus 5-7) é o primeiro dos cinco grandes discursos do evangelho segundo Mateus. Este ‘discurso’ começa com a proclamação das bem-aventuranças: as primeiras oito, formuladas na terceira pessoal do plural, possuem um sentido sapiencial e universal; a última (nona!), na segunda pessoa do plural, é proposta de modo prático aos ouvintes: «Bem-aventurados sereis, quando...».

O insulto, a perseguição, a mentira são realidades vividas pelos membros da comunidade à qual se dirige, em primeiro lugar, o evangelho segundo Mateus, em especial durante o reinado do imperador Domiciano.

As bem-aventuranças não são um código de leis ou obrigações, cujo cumprimento escrupuloso garante a salvação. Tampouco são uma lista de deveres que os cristãos têm de cumprir para apresentar a Deus, esperando receber dele o prémio da salvação. Isso seria mais uma atitude farisaica, em diversas ocasiões denunciada e condenada pelo Mestre.

Jesus Cristo propõe uma atitude para toda a vida, uma disposição interior de entrega, sem condições nem reservas, aos valores do Evangelho. O desafio é crescer todos os dias no amor.

Por isso, as bem-aventuranças não são um texto apenas para ler ou aprender de cor. São um projeto que só ganha sentido quando se experimenta na prática. É o (único) estilo de vida que Jesus Cristo nos propõe: dar o nosso contributo para que o amor de Deus incarne nas realidades pessoais e sociais; colocar o amor de Deus no coração do mundo.

Rezar o Salmo 23 (24) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

08 de novembro
XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sb 6,12-16. Salmo 63/62,2.3-4.5-6.7-8. R/ A minha alma tem sede de Vós, meu Deus. 2ª: 1 Ts 4,13-18. Evº: Mt 25,1-13. IV Semana do Saltério.

“NÃO SABEIS O DIA NEM A HORA”

Um dos momentos da celebração do casamento judaico consistia na ida do noivo com os amigos para a casa da noiva, que o aguardava com as amigas. Na parábola de hoje, Jesus Cristo diz que cinco das amigas da noiva foram «insensatas» porque não pensaram na possibilidade de o noivo chegar atrasado.

A diferença entre as «insensatas» e as «prudentes» não consiste em estarem acordadas ou a dormir, mas em terem ou não azeite para manter as lâmpadas acesas. É provável que o primeiro objetivo seja animar a comunidade a continuar na prática das boas obras, apesar do aparente atraso do regresso de Jesus Cristo.

O texto também pode ser lido a partir do aqui e agora da nossa existência, uma vez que Jesus Cristo, antes da vinda definitiva, já vem ao nosso encontro, pelo que precisamos de estar preparados e despertos. Daí o alerta manter sentido em cada tempo: «Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora.»

Jesus Cristo vem a nós através dos Sacramentos, da Escritura, do bom exemplo dos outros, das salutares inspirações interiores que sentimos, da presença na assembleia dominical da comunidade… Estamos preparados? Somos prudentes? Temos «azeite» suficiente nas nossas «lâmpadas», que nos permita viver em tranquilidade o tempo da espera? A prudência caracteriza-se pela sabedoria da vigilância. Não basta pertencer ao grupo dos que esperam o noivo. O decisivo está na fidelidade da espera. As lâmpadas com azeite suficiente representam a nossa fidelidade e perseverança de discípulos.

Rezar o Salmo 62 (63) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

• Ver: Quem ouvir que entenda, pp.90-92; 197-198.

 

15 de novembro
XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Pr 31,10-13.19-20.30-31. Salmo 127, 1-2.3.4-5 R/ Ditoso o que segue o caminho do Senhor. 2ª: 1 Ts 5,1-6. Evº: Mt 25,14-30. I Semana do Saltério.

“TOMAR PARTE NA ALEGRIA”

Aproxima-se o final do itinerário espiritual proposto pelo evangelista Mateus. A parábola deste domingo destaca a atitude dos servos a quem foi confiada uma quantia em dinheiro: dois, diligentes e responsáveis, fazem-na duplicar; outro, ao contrário, dominado pelo medo, decide esconder o que tinha recebido.

Os «talentos» não são apenas as qualidades humanas de cada um, nem os bens que possuímos, embora possam também ser incluídos nesta categoria. Segundo Mateus representam, sobretudo, a graça derramada sobre os discípulos, a revelação dos mistérios do reino dos Céus e a missão de viver e anunciar essa boa nova.

Não é, portanto, a quantidade que importa, pois todos recebemos o necessário para transformar o mundo segundo a vontade divina: trabalhar pelo reino dos Céus, comprometidos com a causa dos pobres e a felicidade de toda a família humana, sem exceções nem fronteiras.

O que se pede é que a graça não seja escondida mas se torne em estilo de vida. Quem o assume, ira escutar: «Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor.»

Há cristãos que continuam a comportar-se como o terceiro servo: evitam apenas o mal, sem repararem no que perdem por não duplicar os talentos; deixam-se levar pelo medo, preferem não correr riscos e enterram a responsabilidade pelo bem em favor dos outros. Estes ainda não compreenderam a parábola, nem entendem que estão a renunciar a qualquer futuro e esperança.

Rezar o Salmo 127 conforme a proposta litúrgica deste domingo.

• Ver: Quem ouvir que entenda, pp.93-95; 199-200.

 

22 de novembro
XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ez 34,11-12.15-17. Salmo 23/22,1-2a.2b-3.5.6 R/ O Senhor é meu pastor: nada me faltará. 2ª:1 Cor 15,20-26.28. Evº: Mt 25,31-46. II S. do Saltério

“COMO HERANÇA O REINO”

Segundo o evangelista Mateus, o «discurso escatológico» termina com uma cena solene e majestosa: o juízo final de todos os habitantes da terra. Longe de criar angústia, pretende fazer incidir um feixe de luz sobre a existência humana e o seu pleno sentido.

O critério fundamental que valida ou reprova o exame final da vida é a nossa identificação com os «irmãos mais pequeninos»: os últimos, os marginalizados, os descartados, os que habitam toda a espécie de periferias… pois é neles que Jesus Cristo está. Por isso, as obras de misericórdia quotidianas, como dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento, acolher o peregrino, vestir o nu, assistir o doente, visitar o preso, são tidas como feitas ao próprio Jesus Cristo.

Esta identidade é, antes de mais, um princípio ativo que há de reger a nossa vivência diária. Ao intervir positivamente na vida das pessoas estamos a despertar esperança, a gerar um mundo mais humano e fraterno, sinal da proximidade do Reino de Deus. Então, será possível escutarmos a promessa: «Recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.»

Não basta repetir doutrinas. Descuidar o amor é recusar a nossa própria entrada no banquete do reino dos Céus. Não esqueçamos as palavras de São João da Cruz: «Ao entardecer desta vida, seremos examinados no amor.»

A prática da misericórdia é o sinal mais belo da nossa experiência cristã. É através das nossas ações em favor dos irmãos, que Deus realiza a nossa esperança e põe em marcha a transformação do mundo.

Rezar o Salmo 22 (23) conforme a proposta litúrgica deste domingo.