06 de junho
X DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Gn 3,9-15. Salmo 130/129,1-2.3-4ab. 4c-6.7-8. R/: No Senhor está a misericórdia e abundante redenção. 2ª: 2 Cor 4,13–5,1. Evº: Mc 3,20-35. II Semana do Saltério.

“A VONTADE DE DEUS”

Voltamos à leitura contínua do evangelho segundo São Marcos, o evangelista deste ano litúrgico (Ano B). A cena proposta para o décimo domingo descreve a resposta de Jesus a duas situações: adverte alguns sobre a gravidade das suas palavras, pois não se pode blasfemar contra o Espírito Santo; relativiza a importância da família carnal, para destacar o valor supremo da vontade divina.

O discípulo é chamado a partilhar a luta contra o mal, movido pelo Espírito Santo, e a colocar a obediência à palavra de Deus em primeiro lugar, (mesmo) antes da família.

A resposta de Jesus, quando a família o procura e quer estar com Ele, pode parecer dura e despropositada. Contudo, muito mais do que recusar os parentes, o Mestre quer ensinar que os laços de sangue não estão acima da relação com Deus: «Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe.»

«Os laços que unem os familiares de Jesus não se confundem somente com consanguinidade nem com parentesco de carne, mas revelam-se no coração, quando tudo é feito em sintonia com Deus. Mãe e irmãos não se constituem por uma mera empresa de geração carnal, mas são o resultado de uma vontade ou opção espiritual que constrói o mundo» (José da Silva Lima).

A família de Jesus Cristo não se revela numa herança genética, mas em assumir um estilo que penetra todo o ser e preenche a vida.

Então, qual é a vontade de Deus? Que encontremos nele a resposta aos nossos anseios de felicidade, de bem, de perdão, de consolação, de bondade e de esperança.

Rezar o Salmo 130 (129) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

13 de junho
XI DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ez 17,22-24. Salmo 92/91,2-3.13-14.15-16. R/: É bom louvar-Vos, Senhor. 2ª: 2 Cor 5,6-10. Evº: Mc 4,26-34. III Semana do Saltério.

“EXPLICAVA AOS SEUS DISCÍPULOS”

Jesus falava em parábolas, transmitia a sua mensagem com exemplos da vida quotidiana daquele tempo e cultura. Os evangelhos estão repletos dessas referências, para mostrar o milagre da presença de Deus na nossa vida, o reino de Deus.

Neste domingo surgem dois exemplos: a parábola da semente (original e exclusiva do evangelho de Marcos) e a parábola do grão de mostarda (paralela à de Mateus 13,31-32).

O Mestre apresenta o reino de Deus à multidão, através de parábolas; depois, «em particular, tudo explicava aos seus discípulos». A escuta precisa de ser acompanhada pela capacidade de entender e pela disponibilidade em deixar germinar e crescer no coração o reino de Deus.

O recurso pedagógico das parábolas sugere uma linguagem narrativa, sapiencial, humana, decalcada do real. Uma imagem cheia de força e de potencialidade remete para uma realidade mais profunda.

«Uma imagem fascinante faz com que se sinta a mensagem como algo familiar, próximo, possível, relacionado com a própria vida. Uma imagem apropriada pode levar a saborear a mensagem que se quer transmitir, desperta um desejo e motiva a vontade na direção do Evangelho» (Papa Francisco, Evangelii Gaudium 157).

O aspeto mais importante das parábolas deste domingo é a capacidade das sementes em crescer por si mesmas, conforme os desígnios do tempo querido por Deus.

Deus suscita e faz crescer. E eu cuido da planta com confiança. Santo Inácio dizia: «Faz as coisas como se tudo dependesse de ti e confia no resultado como se tudo dependesse de Deus.»

Rezar o Salmo 92 (91) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

20 de junho
XII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jb 38,1.8-11. Salmo 107/106,23-24.25- -26.28-29.30-31. R/: Dai graças ao Senhor, porque é eterna a sua misericórdia. 2ª: 2 Cor 5,14-17. Evº: Mc 4, 35-41. IV Semana do Saltério.

“AINDA NÃO TENDES FÉ?”

Em poucas linhas, a conclusão serena daquele dia (versículos 35 e 36) contrasta com o pânico imprevisto causado por uma tempestade em pleno mar (versículo 37).

Às vezes experimentamos o desânimo, o medo, até pode surgir o desespero... Há situações em que nos parece que Jesus Cristo vai a dormir ou que fomos abandonados por Deus, e reagimos: «Não Te importas que pereçamos?»

Surpreende o facto de, ainda nesta altura, os discípulos não conhecerem a identidade do Mestre: «Ainda não tendes fé?» Este ‘ainda’ é talvez a recordação de que a relação com Jesus Cristo é sempre inacabada: o Senhor é sempre mais do que aquilo que já conhecemos dele.

Eis alguns ensinamentos sobre Jesus Cristo: liberta do mal e da morte (simbolizados pela tormenta no mar); tem sempre plena confiança no Pai; desafia-nos a sair dos nossos comodismos, para ir «à outra margem»; convida-nos a superar o medo para fortalecer a nossa fé. O medo só pode ser vencido com a fé (e não com as superstições ou com uma religiosidade vazia de sentido).

O momento pandémico, que continuamos a atravessar, evoca o acontecimento singular protagonizado pelo papa Francisco em 27 de março de 2020, e em que ele disse: «A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades.»

Juntos, todos (irmãos) no mesmo barco, façamos da oração e do serviço silencioso «as nossas armas vencedoras».

Rezar o Salmo 107 (106) conforme proposta litúrgica deste domingo.

 

27 de junho
XIII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sb 1,13-15: 2,23-24. Salmo 30/29,2 e 4.5-6.11-12a e 13b R/: Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes. 2ª: 2 Cor 8,7.9.13-15. Evº: Mc 5,21-43. I Semana do Saltério.

“A TUA FÉ TE SALVOU”

Marcos cruza duas situações limite e desesperadas: Jairo, preocupado com a filha «que está a morrer»; e «certa mulher» vítima de um fluxo de sangue há doze anos, que a tornava impura e marginalizada pela religião. Os dois personagens têm características comuns: não se resignam perante a adversidade e atrevem-se a ir ao encontro de Jesus Cristo, apenas por terem ouvido falar dele.

Ao contrário do que estipula a Lei, a mulher impura ousou aproximar-se de Jesus em público: «veio por entre a multidão e tocou-lhe por detrás no manto». O seu desejo foi mais forte do que as leis e tradições judaicas; sobretudo, com a sua ousadia ela demonstrou uma especial confiança.

O encontro é sublime: «Quem Me tocou?» A mulher fica frente a frente com quem reconheceu e aceitou o seu toque e a curou. A pergunta de Jesus faz com que ela saia do anonimato e passe do gesto à palavra: a ousadia é ratificada pela fé: «Minha filha, a tua fé te salvou.»

Aquela mulher obtém a cura e salvação porque foi capaz de transgredir os preceitos da Lei que, supostamente, seriam os que a poderiam salvar. Afinal, a salvação não veio da Lei, mas da sua fé: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes.» Veja comentário ao texto na Bíblica nº 389, p.27.

Conclusão: «Quem permanecer na fé, tem nas mãos a chave do enigma e reconforta-se em quem retira do caos, olhando outro horizonte e ancorando noutra margem. A fé abre outros mundos e possibilita outras leituras, longe dos prantos e na certeza de ser escolhido. […] A fé é dom inscrito nos corações de quem se abandona ao outro lado» (José da Silva Lima).

Rezar o Salmo 30 (29) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

04 de julho
XIV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ez 2,2-5. Salmo 123/122,1-2a.2bcd. 3-4. R/: Os nossos olhos estão postos no Senhor, até que Se compadeça de nós. 2ª: 2 Cor 12,7-10. Evº: Mc 6,1-6. II Semana do Saltério.

“COMEÇOU A ENSINAR”

O fragmento escolhido para este décimo quarto domingo (Ano B) serve de conclusão à secção do evangelho segundo Marcos que põe em destaque as palavras e obras de Jesus e as diversas respostas de pessoas e grupos. O evangelista preocupa-se em esclarecer todas as dúvidas sobre a identidade de Jesus. Neste caso, somos conduzidos a Nazaré, terra onde Ele cresceu e viveu até ao início da chamada vida pública.

O início é otimista: «começou a ensinar» e todos «estavam admirados». Mas logo «ficaram perplexos», por Ele ser «o carpinteiro, filho de Maria» (exclusivo de Marcos), um que tinha crescido com eles. Num ápice, passam do assombro ao desprezo, do acolhimento à recusa. Jesus Cristo atribui a si mesmo o título de «profeta», ligando as-sim a sua missão com a dos antigos profetas de Israel, que anunciavam a palavra de Deus ao povo. Muitos desses profetas foram incompreendidos e perseguidos. Agora, sucede o mesmo com Ele.

Ensinar está no princípio e no final do texto: «começou a ensinar […]. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando». É uma parte importante da missão. Há de enviar os discípulos confiando-lhes a mesma tarefa. É encargo «que nos comete a todos como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos. É a pregação informal que se pode realizar durante uma conversa [...]. Ser discípulo [missionário] significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isto sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na praça, no trabalho, num caminho» (A Alegria do Evangelho, 127).

Rezar o Salmo 123 (122) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

11 de julho
XV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Am 7,12-15. Salmo 85/84,9ab-10.11-12.13-14. R/: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação. 2ª: Ef 1,3-14. Evº: Mc 6 7-13. III Semana do Saltério.

“COMEÇOU A ENVIÁ-LOS”

A passagem do evangelho proposta para o décimo quinto domingo (Ano B) destaca o chamamento e o envio dos doze apóstolos: «Jesus chamou… e começou a enviá-los.» São enviados dois a dois e instruídos sobre o despojamento pessoal e a possível hostilidade. O enviado «não se leva a si mesmo, mas a Outro: é como uma mulher grávida» (Ermes Ronchi). O enviado não se caracteriza tanto pelas suas palavras inspiradas, mas por viver «como o Senhor» (Didaché 11, 8).

O enviado é chamado por pura graça, não pelos seus méritos ou pela sua fama de santidade. O chamamento é sempre o primeiro passo de um olhar que se fixa no outro. Olhar que surpreende e desafia a viver uma missão.

Ser chamado para discípulo missionário de Jesus Cristo diz respeito a cada e um e a todos os cristãos e desencadeia um processo de transformação que abarca o ser inteiro.

No ato em que somos chamados, também somos enviados a proclamar que Deus intervém na história humana e em cada uma das nossas histórias pessoais. É uma intervenção que nos enche de esperança e nos leva à radicalidade de um amor entregue cada dia para os outros perceberem que também são amados.

«O Senhor chama-nos a Si, chama-nos a estar com Ele, a reunir-nos em seu nome, a estarmos uns com os outros para sermos o seu Corpo, o Corpo de Cristo no mundo que é a Igreja; […] e, depois, envia- -nos: ‘Ide!’. É assim que acaba a missa: ‘Ide em paz!’. Ou seja, levai esta paz, a paz do encontro com Jesus Cristo, para que vos acompanhe sempre» (D. Manuel Clemente). De que é que estás ainda à espera?

Rezar o Salmo 85 (84) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

18 de julho
XVI DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jr 23,1-6. Salmo 23/22,1-3a.3b-4.5.6. R/: O Senhor é meu pastor: nada me faltará. 2ª: Ef 2, 13-18. Evº: Mc 6,30-34. VI Semana do Saltério.

“COMPADECEU-SE”

A presença da multidão altera os planos de Jesus. Previu ir com os discípulos (regressados da missão) até um lugar isolado para descansarem. Mas o narrador diz que «Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente».

Os discípulos deixam de ser o foco principal da atenção do Mestre. Até parece que desaparecem de cena; ou talvez estejam também incluídos na multidão.

Jesus sente compaixão pelas pessoas que o procuram, como o Deus do Antigo Testamento sente misericórdia pelo seu povo, identificando-se com o pastor do rebanho (Salmo 23; Isaías 40, 11; Jeremias 31,10). Por isso, a multidão é comparada com «ovelhas sem pastor» (Números 27, 17; 1 Reis 22,17; 2 Crónicas 18,16).

A compaixão com os discípulos (convidando-os a descansar) e com a multidão (ensinando-lhes muitas coisas) é o fio condutor deste e de todos os dias da vida do Mestre. É o fundamento da sua ação pastoral.

Jesus ensina aos discípulos «como olhar para as pessoas, ainda antes do que tem para dizer--lhes, ensina-lhes um olhar comovido e terno. As palavras virão por si. Isto aplica-se a cada um de nós. Quando reencontras a compaixão, quando aprendes a comover-te de novo, o mundo é enxertado pelo último homem, quer dizer que há esperança para o mundo» (Ermes Ronchi).

A compaixão desperta e faz emergir a esperança como um milagre. As pessoas que convivem ou se cruzam connosco – familiares, amigos, companheiros de jornada, vizinhos – veem em nós a mesma compaixão de Jesus Cristo?

Rezar o Salmo 23 (22) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

25 de julho
XVII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: 2 Rs 4,42-44. Salmo 145/144,10-11.15- -16.17-18. R/: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome. 2ª: Ef 4,1-6. Evº: Jo 6,1-15. I Sem. Saltério.

“TOMOU OS PÃES”

Neste e nos próximos domingos é interrompida a leitura (contínua) do evangelho segundo Marcos e lê-se o capítulo sexto do evangelho segundo João, para uma catequese sobre a eucaristia, pão da vida, que começa com o sinal da multiplicação dos pães e dos peixes.

A narração do texto supõe uma experiência eucarística: os primeiros destinatários deste relato já celebram habitualmente a fração do pão, páscoa semanal dos cristãos, desde o momento em que Jesus Cristo viveu a Última Ceia com os seus discípulos.

Os verbos que o evangelista utiliza descrevem ações de Jesus em paralelo com os gestos que, mais tarde, Ele fará na Última Ceia: «Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os.»

«Estes três verbos também podem fazer da minha vida, da nossa vida um evangelho, um sacramento: acolher, dar graças, repartir. Nós não somos os proprietários, os donos das coisas. […] Nunca seremos felizes, se não aprendermos a a-colher e a bendizer: os irmãos, o pão, Deus, a vi-da, a beleza; e, depois, a partilhar. Acolhimento, bênção e partilha – e sentiremos dentro de nós três fontes de felicidade» (Ermes Ronchi).

A eucaristia, como pão da vida, é o grande alimento da nossa vida interior, que nos leva a ser alimento para os outros. Aliás, não se trata só de saciar a fome corporal, mas, e sobretudo, a fome de Deus. O registo da fé, da relação com Deus é que nos há de mover a participar na missa dominical. E, da mesa eucarística, há de surgir a caridade fraterna, fonte de esperança e salvação. Como celebro e vivo a eucaristia?

Rezar o Salmo 145 (144) conforme a proposta litúrgica deste domingo.