07 de fevereiro
V DOMINGO DO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jb 7,1-4.6-7. Salmo 147/146,1-2.3-4.5-6. R/ Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados. 2ª: 1 Cor 9,16-19.22-23. Evº: Mc 1,29-39. I Semana do Saltério.

“FOI PARA ISSO QUE EU VIM”

Em poucas palavras, o fragmento do evangelho proposto para o quinto domingo deste Ano B descreve a ação e a vida de Jesus Cristo: estar com pessoas, restituir a saúde, fortalecer-se na oração, anunciar o Reino de Deus. Tudo se pode resumir em quatro verbos: estar, curar, rezar, anunciar.

O evangelista explica-nos a missão que torna presente o Reino de Deus através da libertação total da pessoa. O poder de Deus, que liberta da escravidão do mal, revela-se na ação de Jesus Cristo.

A identidade do Messias, que se vai revelando aos poucos, dá-se a conhecer na sua atividade curativa. Os (primeiros) discípulos aprendem com o Mestre a devolver a dignidade às pessoas, a lutar contra o mal, a despontar a «revolução da ternura» (EG 88), a ser «pescadores de homens» em todos os lugares.

A missão de Jesus Cristo, como a dos discípulos, é para todos: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim.» Eis, pois, o que também hoje nos compete realizar como discípulos missionários! Somos capazes de estar próximos das pessoas, de lhes estender a mão, de ir a outros lugares, às periferias como lhes chama o Papa Francisco, dizer uma palavra de esperança aos que têm o coração destroçado?

«A cada cristão e cada comunidade cabe discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar este chamamento: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20).

Rezar o Salmo 146 (147) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

14 de fevereiro
VI DOMINGO DO COMUM

LEITURAS: 1ª: Lv 13,1-2.44-46. Salmo 32/33,1- 2.5.7.11. R/ Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação. 2ª: 1 Cor 10,31–11,1. Evº: Mc 1,40-45. II Semana do Saltério.

“VINHAM TER COM ELE DE TODA A PARTE”

A primeira reação de Jesus Cristo é a compaixão. O evangelista Marcos relata apenas a cura de um leproso. Isto mostra o significado paradigmático deste relato.

O leproso representa todos os que vivem marginalizados, nas periferias da sociedade. Estava impedido de se misturar, de habitar com os seus, de tocar, de integrar a sociedade.

O leproso não tem nome, não tem rosto. Estava vivo, mas era praticamente considerado um morto, castigado por Deus. Não é essa a atitude de Jesus Cristo. Aproxima-se dele, estende-lhe a mão, toca-lhe. Cura-o.

O contacto físico, em especial com os doentes, como acontece em muitos outros episódios, é um sinal da proximidade de Jesus Cristo, não só ao nível físico, mas uma proximidade que envolve a totalidade do ser humano.

A cura, dar a possibilidade de entrar no círculo dos ‘sãos’, demonstra que ninguém é marginalizado por Deus, mas sempre amado, seja qual for a sua circunstância ou situação vital.

À medida que a narração do evangelho de Marcos avança, vai-se ampliando o círculo da missão: Cafarnaum (1,21), Galileia (1,39), gente «de toda a parte» (1,45).

A missão não se circunscreve a um lugar ou a um povo determinados.

Os quatro primeiros discípulos, sempre presentes, vão aprendendo com o Mestre a missão de anunciar o Reino de Deus. Há de ser assim connosco, atuais aprendizes de discípulos missionários de Jesus Cristo. O que significa, hoje, dar continuidade à missão do Mestre?

Rezar o Salmo 31 (32) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

21 de fevereiro
I DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Gn 9,8-15. Salmo 25/24, 4bc-5ab.6-7bc. 8-9. R/ Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade, para os que são fiéis à vossa aliança. 2ª: 1 Pe 3,18-22. Evº: Mc 1,12-15. I Semana do Saltério.

“ARREPENDEI-VOS E ACREDITAI”

O evangelista Marcos não descreve as três clássicas tentações de Jesus; apenas se limita a dizer que «Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás». Na sequência, propõe um breve sumário sobre o essencial da sua missão: «começou a pregar o Evangelho, dizendo: ‘Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho’.»

A primeira declaração lembra que o tempo, o ‘kairós’ de Deus, atingiu a plenitude. Está inaugurado o tempo novo, o da presença definitiva de Deus entre a humanidade, dando assim cumprimento à aliança estabelecida com o povo bíblico. Se o tempo atingiu a plenitude, então quer dizer que «está próximo o reino de Deus».

Há também um duplo imperativo.

O primeiro imperativo – a proximidade do reino de Deus – exige, aos que nele querem participar, uma mudança de vida, a conversão: «Arrependei-vos.» Supõe afastar-se de qualquer estilo de vida que seja contrário à aliança com Deus, que se oponha ao caminho da salvação. O processo de conversão não é uma ameaça. A possibilidade de alcançar a salvação é um estímulo positivo para mover os corações em direção a Deus.

O segundo imperativo – «Acreditai no Evangelho» – é fruto da conversão. Não se trata apenas de uma sintonia racional, mas de uma adesão plena à Boa Nova, uma escolha que envolve a totalidade do ser humano, uma disponibilidade para mergulhar na «alegria do Evangelho».

A conversão («arrependei-vos») concretiza- -se num exercício de libertação que conduza a uma adesão maior («acreditai») a Jesus Cristo.

Rezar o Salmo 24 (25) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

28 de fevereiro
II DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18. Salmo 116/115,10 e 15.16-17.18-19. R/ Andarei na presença do Senhor sobre a terra dos vivos. 2ª: Rm 8,31b-34. Evº: Mc 9,2-10. II Semana do Saltério.

“ESCUTAI-O”

A narração da Transfiguração é a revelação da futura glória cristológica a três discípulos: Pedro, Tiago e João. Os mesmos que acompanham Jesus Cristo noutros momentos importantes em que se manifesta a sua divindade ou o seu sofrimento. Neste contexto quaresmal, a Transfiguração pode despertar esperança, pois indica a meta: o mistério pascal.

A revelação naquele «alto monte» é acompanhada pela incompreensão dos discípulos: Pedro «não sabia o que dizia»; os discípulos «perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos». De facto, estão tão desorientados diante da Transfiguração (ressurreição) de Jesus, como vão estar depois, no Jardim das Oliveiras, diante do seu sofrimento (morte). Esta é uma constante no Evangelho segundo Marcos: Eles não entendem os ensinamentos do Mestre nem a natureza da sua missão.

Como naquele tempo, precisamos de experiências positivas da proximidade de Deus, mesmo que também não sejamos capazes de as perceber na totalidade. Nesta Quaresma podemos procurá-las com mais insistência. E é provável que na nossa busca continue a ressoar o convite: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O.»

Escutar Jesus Cristo é fazer uma séria revisão de vida à luz do Evangelho. «A experiência de escutar Jesus até ao fundo pode ser dolorosa, mas é apaixonante. Não é o que nós tínhamos imaginado a partir dos nossos esquemas e tópicos. O seu mistério escapa-nos. Quase sem darmos conta, vai-nos arrancando de seguranças que nos são muito queridas, para nos atrair para uma vida mais autêntica» (José Antonio Pagola).

Rezar o Salmo 115 (116) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

07 de março
III DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Ex 20,1-17. Salmo 19/18,8.9.10.11. R/ Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna. 2ª: 1 Cor 1,22-25. Evº: Jo 2,13-25. III Semana do Saltério.

“ACREDITARAM NO SEU NOME”

Jesus Cristo faz a habitual peregrinação ao templo de Jerusalém por ocasião da festa da Páscoa (judaica). O comércio e o ruído, próprios da situação, provocam nele um gesto profético, levando-o a expulsar os cambistas, os vendedores de animais destinados aos sacrifícios e os próprios animais.

Os judeus pedem-lhe provas da autoridade que diz ter para proceder desse modo; a resposta deixa-os ainda mais confundidos: «Destruí este templo e em três dias o levantarei.» Entenderam- -na em sentido literal!

A atitude de Jesus Cristo propõe uma conversão na nossa relação com Deus, que não implique um “comércio” ou permuta de bens materiais, como era o sacrifício de animais, mas corresponda a um vínculo de amor e de confiança.

Há sempre o perigo de converter a fé num negócio: um modo de dar que fica dependente de um determinado receber, falseando assim a relação de amizade que Deus, em e por Jesus Cristo, quer estabelecer connosco. Entretanto, após todas estas contrariedades, o evangelista relata que muitos, «ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome».

Na nossa experiência de fé também há ‘milagres’, ou momentos em que nos damos conta da ação de Deus que provoca a nossa transformação interior. O encontro pessoal com Jesus Cristo abre sempre uma nova perspetiva na nossa vida e na nossa fé.

A fé não é processo encerrado ou etapa da vida. A fé é um processo em desenvolvimento, em crescimento; evolui e amadurece, precisa de ‘purificações’ para se expurgar do que resvala para as atitudes de ‘comércio’ com Deus.

Rezar o Salmo 18 (19) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

14 de março
IV DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: 2 Cr 36,14-16.19-23. Salmo 137/136, 1-2.3.4-5.6. R/ Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua. 2ª: Ef 2,4-10. Evº: Jo 3,14-21. IV Semana do Saltério.

“QUEM ACREDITA N’ELE NÃO É CONDENADO”

No capítulo terceiro do evangelho segundo João, Nicodemos, dirigente judaico, apresenta-se a Jesus Cristo para conhecer melhor a sua mensagem. O tema do capítulo é o amor de Deus que culmina com a comunicação da vida eterna. Neste processo, há os que acolhem e os que recusam a luz do amor, isto é, a fé em Jesus Cristo. Nessa escolha joga-se a nossa existência, perspetiva-se a meta: «Quem acredita n’Ele não é condenado.»

Deus ama o mundo, sempre, até ao fim. E dá-nos provas do seu amor. A maior é a oferta do seu próprio Filho. Mesmo que a nossa vida se afaste, ainda que tudo pareça longe desse amor, Deus ama o mundo, ama cada pessoa.

A cruz é o sinal máximo do amor, lá onde as trevas e o ódio pareciam sair vencedores. Todavia, é no meio dessa escuridão que se manifesta mais claramente o amor luminoso de Deus. Apesar de todas as tentativas em apagar essa luz do amor divino, ela jamais se apaga, permanecerá até ao fim.

A salvação é dom, ação gratuita de Deus rico em misericórdia que sempre se dispõe a consolar os seus filhos. Contudo, o dom divino é relação, envolve-nos ativamente, numa resposta livre e responsável. Propõe-nos que, dóceis à ação do Espírito Santo, nos disponhamos a nascer de novo ou nascer do alto. Acreditar em Jesus Cristo é acender pequenas ou grandes luzes no meio da escuridão e das trevas. Pequenas e grandes luzes que são os nossos gestos de amor, desde o mais simples ao mais extraordinário: um copo de água, um sorriso, a mão estendida, a vida doada por inteiro ao serviço dos outros. Essa é a nossa resposta!

Rezar o Salmo 136 (137) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

21 de março
V DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Jr 31,31-34. Salmo 51/50,3-4.12-13.14-15. R/ Dai-me, Senhor, um coração puro. 2ª: Heb 5,7-9. Evº: Jo 12,20-33. I Semana do Saltério.

“ATRAIREI TODOS A MIM”

Queres ver Jesus? Este é, certamente, um desejo que toca o coração de todos os cristãos, de cada um de nós. Curiosamente, a resposta a este desejo é dada através de imagens: se me queres ver, diz Jesus, contempla o grão de trigo, deixa que o teu coração mergulhe no dinamismo da cruz.

Poucos dias antes de morrer na cruz, Jesus Cristo clarifica onde se encontra a plenitude da vida. E uma aparente contradição, um habitual paradoxo revela-nos algo essencial: a vida entregue, «desprezada» por amor, é fonte de plenitude e de vida eterna.

Com as palavras e a vida do Mestre aprendemos que dar e receber estão interligados. O ser humano recebe a vida (divina) na medida em que se dispõe a dar a vida (humana) aos outros. A vida de uma mãe que se consome por causa do seu filho, a vida de uma pessoa que se gasta na visita aos doentes ou mais abandonados, a vida de um voluntário que se entrega ao serviço dos outros, a vida de quem se dá sem reservas… são as vidas que transportam em si o fruto da plenitude para a eternidade.

Assim se entende que a Nova e Eterna Aliança entre Deus e a Humanidade seja consumada na cruz. A cruz é apresentada como fonte de vida. Do alto da cruz, há de chegar a salvação, todos serão atraídos por esse dom salvador: «Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim.»

A atração só acontece pela vida luminosa, a que faz com que a escuridão da pobreza, da solidão, da injustiça, do racismo, da exclusão social, da violência, do egoísmo, dê lugar à luz da solidariedade, da liberdade, da igualdade, da justiça, do amor, da paz.

Rezar o Salmo 50 (51) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

28 de março
DOMINGO DE RAMOS

LEITURAS: 1ª: Is 50,4-7. Salmo 22/21,8-9.17-18a.19-20.23-24. R/ Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes? 2ª: Fl 2,6-11. Evº: Mc 14,1– 5,47. II Sem. Saltério.

“TOMAI: ISTO É O MEU CORPO”

O domingo de Ramos prevê a proclamação de dois evangelhos que, durante a celebração litúrgica, evocam dois momentos decisivos: o primeiro é proclamado no rito da bênção dos ramos, seguida de procissão para o interior do templo; o segundo está no habitual lugar depois das outras leituras bíblicas. O primeiro – ao descrever a sua entrada triunfal em Jerusalém – anuncia profeticamente o triunfo da ressurreição de Jesus Cristo; o segundo – com o relato da prisão, acusação, condenação, crucifixão, morte e sepultura – descreve o drama da Paixão. O Messias, acolhido como Rei pelo povo em Jerusalém, é o Servo sofredor a caminho do Calvário. O povo começa a gritar «Hossana» e termina a gritar «Crucifica-O».

As vivências relatadas nestes dias permitem perceber que o ato de amor é a coisa mais bela que há no mundo. Aqui, é um ato de amor levado ao extremo. Não é um ato isolado, mas o culminar de toda a vida oferecida aos outros. Jesus Cristo poderia dizer: «Eu sou assim: dou a minha vida por inteiro.» Por isso, a expressão proferida naquela Última Ceia é um perfeito resumo do seu viver: «Tomai: isto é o meu Corpo.»

Assim se alimenta a nossa fé, esperança e caridade de discípulos missionários. «Os discípulos são convidados a ‘comer’. Para alimentar a nossa adesão a Jesus Cristo necessitamos de nos reunir para escutar as suas palavras e introduzi-las no nosso coração; necessitamos de nos aproximar para comungar com Ele identificando-nos com o seu estilo de viver. Nenhuma outra experiência nos pode oferecer alimento mais sólido» (José Antonio Pagola).

Rezar o Salmo 21 (22) conforme a proposta litúrgica deste domingo.