02 de fevereiro

APRESENTAÇÃO DO SENHOR

LEITURAS: 1ª: Ml 3,1-4. Salmo 24/23,7.8.9.10. R/ O Senhor do Universo é o Rei da glória.. 2ª: Hbr 2,14-18. Evº: Lc 2,22-40. IV Semana do Saltério.

“LUZ PARA SE REVELEAR ÀS NAÇÕES”

A Apresentação de Jesus (no Templo) — também conhecida como a festa da Candelária ou da Luz — é das mais antigas do cristianismo. Este ano o dois de fevereiro, quarenta dias após o Natal, coincide com o Quarto Domingo do Tempo Comum.

A celebração transporta-nos para o reconhecimento da identidade de Jesus Cristo. O Menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus, o redentor esperado por uma grande parte do povo de Israel. É Jesus, «luz para se revelar às nações», que vem da parte de Deus para nos restituir a esperança.

Há também uma clara relação com a Páscoa, na aclamação a Cristo, «luz para se revelar às nações», como que antecipando a aclamação que abre a Vigília Pascal com a procissão do círio.

É ainda a festa dos encontros. Maria e José vão ao Templo para oferecer a Deus o seu primeiro filho (primogénito). Encontram Simeão que, iluminado pelo Espírito Santo, reconhece no Menino a Luz do mundo, o Salvador. Ana, também guiada pelo Espírito, une o seu louvor ao de Simeão. E o Espírito Santo prepara o coração de Maria para o assombro do mistério pascal.

As «pequenas luzes», embora possam iluminar por breves instantes, «não são capazes de desvendar a estrada» (Francisco, Lumen Fidei 3).

Jesus Cristo apresenta-se como a única luz capaz de dar sentido à existência humana. Ele, o Primogénito do Pai, é a concretização da promessa, que se torna visível a todos os povos. Ele, o primogénito de Maria, vem renovar nos seres humanos a consciência da proximidade de Deus. É a luz que vem revelar às nações o amor de Deus.

Rezar o Salmo 24 (23) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

09 de fevereiro

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 58,7-10. Salmo 112/111, 4-5.6-7.8a e 9. R/ Para o homem reto nascerá uma luz no meio das trevas. 2ª: 1 Cor 2,1-5. Evº: Mt 5,13-16. I Sem. do Saltério.

“VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO”

Mateus dá muita importância às palavras de Jesus Cristo. A estrutura do seu evangelho assenta em cinco «discursos» («sermões»): o da Montanha é o primeiro e o mais importante.

Estamos no discurso do Sermão da Montanha. Este ano, devido à celebração da Apresentação de Jesus no domingo passado, “perdemos” as bem-aventuranças, um dos textos mais sublimes.

Sal e luz são duas imagens. A união das duas com as bem-aventuranças faz-se através da afirmação «vós sois». Estes «vós» são os discípulos, os que vivem as bem-aventuranças para serem sal e luz. Ser luz do mundo explica-se com a cidade iluminada no alto do monte para orientar os caminhantes, a lâmpada colocada num lugar visível para iluminar todos os espaços da casa.

Os discípulos que vivem segundo as bem-aventuranças (simples, desprendidos, generosos, pacíficos, justos, misericordiosos), além de assumirem a sua condição, tornam-se uma provocação positiva para os outros. Assumem-se como verdadeiros discípulos missionários do Evangelho. Com as suas palavras e o seu comportamento dão sabor à própria vida, iluminando também a vida dos outros.

O Sermão da Montanha põe um acento claro no testemunho, na vida prática. É a simplicidade do amor vivido que se torna sal e luz no coração e na vida dos irmãos. As minhas ações mostram que desejo ser e sou realmente sal e luz para os outros?

Mas, atenção: o objetivo não é que o discípulo seja “brilhante”; o objetivo é que o brilho das suas boas obras faça com que os outros «glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

Rezar o Salmo 112 (111) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

16 de fevereiro

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sir 15,16-21. Salmo 119/118,1-2.4-5.17- -18.33-34. R/ Ditoso o que anda na lei do Senhor. 2ª: 1 Cor 2,6-10 Evº: Mt 5,17-37. II Semana do Saltério.

“NÃO VIM REVOGAR, MAS COMPLETAR”

Deus revela-se a um povo e dá-lhe a conhecer a vontade salvífica para toda a humanidade. Essa vontade revelada pode ser condensada em duas palavras: Lei e Profetas. Mateus assume o percurso da revelação bíblica do Antigo Testamento para mostrar aos leitores vindos do judaísmo a plenitude realizada em Jesus Cristo, que cumpriu as promessas anunciadas pelos profetas.

Há uma continuidade progressiva entre o Antigo e o Novo Testamento: este completa aquele, Jesus Cristo completa a Lei e os Profetas. A expressão «não vim revogar, mas completar» é, portanto, uma chave essencial na interpretação cristã dos mandamentos. Não se trata de aperfeiçoar, como se estivesse errado; completar, aqui, assume o significado de plenitude, isto é, manifestar o sentido pleno e autêntico do que já estava dito na Lei e nos Profetas.

Na mesma linha está a exortação aos discípulos para «superar» os escribas e os fariseus. O discípulo é chamado a viver o sentido autêntico da «justiça», a ir mais além da letra para envolver a justiça na caridade.

Três vezes é apontada a caridade em relação ao próximo: «Eu, porém, digo-vos.» A beleza das bem-aventuranças mantém-se nesta continuidade do Sermão da Montanha.

A justiça cristã, mais do que «não matar», «não cometer adultério», «não faltar ao juramento», mergulha a lei nas águas do amor. O centro está no coração, como um ‘laboratório’ onde se forjam as palavras e os gestos. O que prefiro: a letra da lei ou a misericórdia do coração?

Rezar o Salmo 119 (118) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

23 de fevereiro

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Lv 19,1-2.17-18. Salmo 103/102,1-2.3-4.8.10.12-13 R/ O Senhor é clemente e cheio de compaixão. 2ª: 1 Cor 3,16-23. Evº: Mt 5,38-48. III Semana do Saltério

“SEDE PERFEITOS, COMO O VOSSO PAI”

A relação fraterna é uma tónica dos ensinamentos de Jesus Cristo. Desta vez, a meta é radical: não oferecer resistência aos que nos maltratam, perdoar a quem nos ofende, amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem.

O sermão programático exposto no capítulo quinto do evangelho segundo Mateus atinge aqui o seu cume propondo a santidade em amor total: uma atitude de perdão, de amor a todos, também aos que não são dignos desse amor.

O Mestre apresenta um estilo de vida marcado pela paz, pelo perdão, pelo serviço, pelo amor. Viver assim implica assumir decisões concretas, diárias, nas (complicadas) circunstâncias da vida. Não é fácil! Mas a sinceridade do amor sabe encontrar o caminho certo para cada situação difícil: o diálogo, o silêncio, um gesto de generosidade, uma palavra amiga…

Os violentos e os delinquentes têm de ser denunciados e condenados. Não é amor autêntico agir como se não existissem abusos e injustiças. O desafio está em saber gerir as situações de juízo e condenação. O amor evita o juízo e a condenação como vingança mais ou menos maquilhada de justiça.

A pergunta é inevitável: Porquê? Qual é o fundamento de tão grande desafio que contraria toda a lógica? O mistério do amor incondicional de Deus leva Jesus Cristo a propor uma exigência máxima de acolhimento, perdão, misericórdia, amor (a todos, até os inimigos). A conclusão deixa clara a fonte e a meta: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

Rezar o Salmo 103 (103) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

08 de março

II DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Gn 12,1-4a. Salmo 33/32,4-5.18-19.20.

22.   R/ Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. 2ª: 2 Tm 1,8b-10. Evº: Mt 17,1-9. II Semana do Saltério.

“ESCUTAI-O”

O convite a escutar o «Filho muito amado» é revelado pela voz que se ouve a partir da nuvem, segundo a passagem evangélica da transfiguração do Senhor.

O monte, na perspetiva bíblica, simboliza o «lugar» da proximidade e/ou do encontro com Deus.

Naquele dia e naquele «alto monte», a luz da vida e da imortalidade refletiram-se no rosto de Jesus diante de três apóstolos-testemunhas: Pedro, Tiago e João. Contudo, apesar dessa experiência, os três apóstolos continuaram a ter dias sombrios e monótonos, tal como nos acontece a todos no quotidiano da vida.

Elias e Moisés são ‘testemunhas’ que representam a Lei e os Profetas: o Filho veio dar-

-lhes cumprimento. Eles prefiguram também o Messias, no sofrimento e na fidelidade à missão.

«Esta Transfiguração é semelhante à da Sagrada Escritura, que se transcende a si mesma, quando alimenta a vida dos crentes» (Papa Francisco).

«Escutai-O»: a Palavra é alimento necessário que antecede a mesa eucarística. É preciso sentar-se à sua mesa com disposição atenta e serena para escutar o que Deus tem para nos dizer cada domingo (cada dia).

Hoje, é urgente deixarmo-nos levar por Jesus Cristo ao «alto monte» da Palavra e do Pão, para que sejam transfigurados os nossos desejos.

A oração Coleta deste domingo pede a força do «alimento interior», que é a palavra de Deus, como caminho de purificação do «nosso olhar espiritual», tendo em vista a alegria de um dia participarmos na «visão» da glória divina, ou seja, a nossa própria transfiguração.

Rezar o Salmo 33 (32) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

15 de março

III DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Ex 17,3-7. Salmo 95/94,1-2.6-7.8-9. R/ Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações. 2ª: Rm 5,1-2.5-8. Evº: Jo 4,5-42. III Semana do Saltério.

“O DOM DE DEUS”

Neste e nos dois próximos domingos, faz-se uma pausa no evangelho segundo Mateus para serem proclamados textos do evangelho segundo João. Serão três momentos caracterizados pelos sinais da água, da luz e da vida, que, na tradição antiga, faziam parte do itinerário da Iniciação Cristã.

O primeiro deles acontece junto ao poço de Sicar. «Jesus, cansado da caminhada, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água.»

No diálogo entre Jesus e a mulher, o evangelista resume a mensagem cristã: o horizonte vital da Samaritana esgotava-se na água daquele poço, aonde vinha habitualmente; Jesus dá-lhe a conhecer uma outra fonte e uma outra água.

A fonte donde brota «água viva» não é uma lei ou doutrina religiosa, que se promulga ou revoga; é «o dom de Deus» que somos convidados a escutar, com quem podemos estabelecer um diálogo essencial para a vida.

Hoje, «o dom de Deus» é continuamente oferecido nos Sacramentos, em especial na Eucaristia, na qual temos a possibilidade de beber da fonte de onde jorra o mistério pascal de Jesus Cristo, centro da nossa fé.

«Sagrada Escritura e Sacramentos são inseparáveis entre si. Quando os Sacramentos são introduzidos e iluminados pela Palavra, manifestam-se mais claramente como a meta dum caminho onde o próprio Cristo abre a mente e o coração ao reconhecimento da sua ação salvífica» (Papa Francisco).

Jesus Cristo é o rosto de Deus entre nós, a Palavra de Deus que desce ao coração, através do qual nos tornamos verdadeiros «adoradores que o Pai deseja», graças à ação do Espírito Santo.

Rezar o Salmo 95 (94) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

22 de março

IV DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: 1 Sm 16,1b.6-7.10-13a. Salmo 23/22,1-3a.3b-4.5.6. R/ O Senhor é meu pastor: nada me faltará. 2ª: Ef 5,8-14. Evº: Jo 9,1-41. IV Semana do Saltério.

“A LUZ DO MUNDO”

No evangelho segundo João, o verbo «ver» possui um sentido teológico: está relacionado com a atitude de «acreditar». É o caso do fragmento evangélico proposto para este domingo, em que nos é apresentado o segundo sinal do itinerário da Iniciação Cristã: a luz.

Jesus Cristo cura «um cego de nascença» com «um pouco de lodo» feito com saliva e terra. Como não lembrar o ato criador, descrito no livro do Génesis?! Primeiro, Deus fez existir a luz. Uns dias depois, modelou o homem com barro da terra, insuflou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivo.

Agora, Jesus Cristo renova o ato criador: primeiro, apresenta-se como «a luz do mundo» e, depois, cospe na terra com saliva, faz um pouco de lodo e unge os olhos do cego.

Os olhos lavados permitem ver a luz. No Batismo, a água purifica do pecado e faz nascer para uma vida nova, a vida dos «filhos de Deus» ou «filhos da luz», como lembra hoje a Carta aos Efésios. Na verdade, Jesus Cristo não só ilumina os olhos, mas também, e principalmente, o coração do cego. Com os seus próprios olhos, este pode acolher agora no coração Aquele que é «a luz do mundo». Como um recém-batizado ao professar a fé, «o homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: “Eu creio, Senhor”.»

A narração mostra que o processo de ver/ /acreditar pede uma interiorização, uma dinâmica apoiada no alimento da «palavra que sai da boca de Deus». «Precisamos de entrar em confidência assídua com a Sagrada Escritura; caso contrário, o coração fica frio e os olhos permanecem fechados, atingidos, como somos, por inumeráveis formas de cegueira» (Papa Francisco).

Rezar o Salmo 23 (22) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

29 de março

V DOMINGO DA QUARESMA

LEITURAS: 1ª: Ez 37,12-14. Salmo 130/129,1-2.3-4ab.4c-6.7-8. R/ No Senhor está a misericórdia e abundante redenção. 2ª: Rm 8,8-11. Evº: Jo 11,1-45. I Semana do Saltério.

“A RESSURREIÇÃO E A VIDA”

Na reta final do caminho quaresmal, o evangelho ilumina a consciência dos catecúmenos, os adultos que se prepararam para celebrar os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia; dispõe os batizados a participarem plenamente na celebração da Páscoa semanal (domingo) e remete para a renovação anual das promessas batismais na Vigília Pascal.

«Betânia» é a casa da graça, nome revelador do que vai acontecer. Aí, a morte e a «ressurreição» de Lázaro prefiguram profeticamente a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Aquela morte e ressurreição também remetem para a graça batismal: no batismo, mergulhamos na morte para o pecado e, com Jesus Cristo, entramos na vida para Deus.

O episódio, mais do que destacar a situação de Lázaro, tem por finalidade conduzir o leitor/ /ouvinte ao núcleo do diálogo com Marta: a fé na ressurreição e na vida.

«É profundo o vínculo entre a Sagrada Escritura e a fé dos crentes. Sabendo que a fé vem da escuta, e a escuta centra-se na Palavra de Cristo, daí se vê a urgência e a importância que os crentes devem dar à escuta da Palavra do Senhor» (Papa Francisco).

Esta segunda parte da Quaresma (terceiro, quarto e quinto domingos) confirma que, mais do que uma lista de «penitências», importa alimentar-se da «palavra que sai da boca de Deus», sejam quais forem os sofrimentos ou as provações – a última das quais, é a morte. Nós, batizados em Jesus Cristo, sustentados pela Palavra, transportamos connosco a garantia de que o nosso ser não tem como meta a morte eterna, mas a vida eterna.

Rezar o Salmo 130 (129) conforme a proposta litúrgica deste domingo.