28 de novembro
I DOMINGO do advento

(incluímos este domingo de novembro para por ter todos os domingos do Advento num só ficheiro)

LEITURAS: 1ª: Jr 33,14-16. Salmo: 25/24,4bc-5ab.8-9.10.14. R/ Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. 2ª: 1 Ts 3,12–4,2. Evº: Lc 21,25-28.34-36. I Sem. do Saltério.

“VIGIAI E ORAI EM TODO O TEMPO”

O primeiro dia do ano cristão, Primeiro Domingo de Advento (Ano C), exorta: «Vigiai e orai em todo o tempo». Alguns dos grandes mestres espirituais do Oriente empenharam-se em descobrir o seu sentido mais profundo. Lembremos, por exemplo, a inquietação do célebre ‘peregrino russo’: «como podemos orar sem cessar, se precisamos de ter outras ocupações para assegurarmos a nossa sobrevivência?».

A vigilância é a atitude que nos faz viver abertos ao mundo, aos outros, a Deus. A sonolência, pelo contrário, é a expressão do desinteresse pelo que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta. Vigiar é assumir que não se quer viver em piloto automático, aquele sistema que dispensa a necessidade de um pensamento consciente sobre as nossas ações.

Vigiar é tornar profundo cada momento. «Significa não cair na desorientação, não se extraviar, ou seja, não perder o norte […]. A vigilância é luta contra a habituação e o seu efeito anestésico. […] Esperar o Senhor velando e orando significa fazê-lo reinar sobre o nosso hoje e conhecer, portanto, a sua vinda, já, aqui e agora» (Luciano Manicardi).

O Advento não se circunscreve à evocação do passado. São Carlos Borromeu lembrou que «se não oferecermos resistência», Jesus Cristo está disposto «a vir de novo, em qualquer hora e momento, para habitar espiritualmente em nossas almas com abundantes graças». Os melhores bens que podemos pedir neste Advento são, portanto, a vigilância do coração e a conexão com Deus «em todo o tempo».

Rezar o Salmo 24 (25) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

05 de dezembro
II DOMINGO do advento

LEITURAS: 1ª: Br 5,1-9. Salmo: 126/127,1-2ab.2cd-3.4- -5.6. R/ Grandes maravilhas fez por nós o Senhor: por isso exultamos de alegria. 2ª: Fl 1,4-6.8-11. Evº: Lc 3,1-6. II Semana do Saltério.

“FOI DIRIGIDA A PALAVRA DE DEUS”

O Segundo Domingo de Advento (Ano C) faz uma apresentação solene de João Batista, situando com detalhe o seu lugar e momento concreto na história: «no décimo quinto ano»… Parece que o evangelista Lucas quer mostrar o caráter real de tudo o que se dispôs a narrar. E sublinhar o contraste entre alguns personagens (o imperador Tibério, o governador Pôncio Pilatos, os tetrarcas Herodes, Filipe e Lisânias, os pontífices Anás e Caifás) e a simplicidade extrema do verdadeiro instrumento de Deus: «Foi dirigida a palavra de Deus a João».

Hoje como ontem, não é fácil compreender a figura deste precursor. Mais ainda num tempo em que predomina o ruído, a multiplicidade de mensagens, a azáfama do tempo, as multitarefas quotidianas, a volatilidade das redes sociais. Contudo, João Batista pode ser um bom companheiro para, neste Advento, voltar a descobrir o verdadeiro sentido da vida.

O tempo de Advento celebra três vindas do Salvador: veio, vem e virá. Detemo-nos na «segunda vinda», a que «tem lugar todos os dias, com frequência e em muitas ocasiões, em cada coração que ama, acompanhado de novas graças e dons, segundo a capacidade de cada um» (Beato João Van Ruysbroeck).

Nesta constante «segunda vinda», também nos é dirigida a palavra de Deus. Vem à nossa procura por todos os vales e colinas, por todos os despenhadeiros da vida.

Em modo de oração, acolho a pergunta: Como procuro acolher a Palavra de Deus no meu dia a dia e como me deixo configurar por ela?

Rezar o Salmo 125 (126) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

12 de dezembro
III DOMINGO do advento

LEITURAS: 1ª: Sf 3,14-18a. Salmo: Is 12,2-3.4bcd.5-6. R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel. 2ª: Fl 4,4-7. Evº: Lc 3,10-18. III Sem. do Saltério.

“MESTRE, QUE DEVEMOS FAZER?”

O trecho do evangelho para o Terceiro Domingo de Advento (Ano C) não tem paralelo com outros textos evangélicos. Trata-se de um ensinamento ético, apoiado numa estrutura de pergunta e resposta, em diálogo com João Batista. Há diversidade de interlocutores, mas a pergunta é sempre a mesma: «Mestre, que devemos fazer?».

Nas personagens que interrogam o Batista (multidões, publicanos, soldados) podemos ver espelhadas as atuais diversificadas situações da vida. Não existe uma resposta única válida para todos. E, mais do que «coisas a fazer», o apelo direciona para a liberdade da condição pessoal, tendo como horizonte, não o próprio, mas o outro.

As respostas sugerem uma ética marcada pela justa aquisição e bom uso dos bens.

Não é uma mensagem inovadora, mas resume bem as indicações propostas pelos profetas e pelas leis divinas, segundo a tradição recolhida pelo Antigo Testamento.
Eis o itinerário para todos os que aceitam um processo de conversão para acolher o Salvador nos seus corações!

A exigência contida nas respostas é, na realidade, uma boa notícia: os que vivem segundo esses ensinamentos estão preparados para receber o Messias que vem renovar o coração, renovar o mundo. Esta boa nova é fonte de paz interior e de serena alegria. Permite começar, desde já, a saborear a presença divina.

Em sintonia com a pergunta e respostas da cena evangélica, em pleno Advento, questiono-me sobre o que é que preciso de fazer para me preparar e para deixar germinar em mim o Salvador?

Rezar o texto de Isaías 12 conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

19 de dezembro
IV DOMINGO do advento

LEITURAS: 1ª: Mq 5,1-4a. Salmo: 80/79,2ac e 3b.15-16. 18-19. R/ Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos. 2ª: Heb 10,5-10. Evº: Lc 1,39-45. IV Semana do Saltério.

“BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE”

A atitude humana mais madura, para a fé cristã, não é o entusiasmo ingénuo ou o ceticismo dececionado, mas aquilo que preenche o clima do Advento: a esperança segura e firme da fidelidade de Deus que, diante do nosso desejo de felicidade e vida, nos oferece o seu Filho, Jesus Cristo. Deus disse «sim» à esperança humana. O seu «sim» é o Emanuel, o Deus-connosco.

A imagem do abraço entre Maria, a jovem que concebeu pela ação do Espírito Santo, e Isabel, a anciã estéril que ficou grávida, é uma das mais profundas da tradição cristã.

Isabel representa o Antigo Testamento. Está prestes a dar à luz João Batista, o último dos antigos profetas. Ela representa também a humanidade que, diante de Maria, exclama a sua admiração pela proximidade de Deus («Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?») e proclama aquela excelsa maternidade («Bendito é o fruto do teu ventre»).

As palavras de Isabel remetem para a bênção primordial da fecundidade: Maria, como nova Eva, gera e dá à luz a vida.

O exemplo de Isabel faz perceber que «cada primeira palavra entre os homens deveria ter o ‘primado da bênção’. Dizer a alguém: ‘Abençoo-te!’ significa ver nele o bem, acima de tudo o bem e a luz, significa lançar um olhar de assombro e encanto às pessoas, sem rivalidade, sem inveja; porque, se não aprender a abençoar a vida e quem tenho a meu lado, nunca poderei ser feliz. […] E assim também para mim, para ti, será pronunciada a palavra: bendito és tu, porque trazes ao mundo o Senhor, bendito como Maria» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 79 (80) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

26 de dezembro
SAGRADA DA FAMÍLIA

LEITURAS: 1ª: Sir 3,3-7.14-17a. Salmo: 128/129,1-2.3.4-5. R/ Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos. 2ª: Cl 3,12-21 Evº: Lc 2, 41-52. I Semana do Saltério.

“JESUS IA CRESCENDO...”

O centro do Natal, como de toda a fé cristã, é a pessoa de Jesus Cristo, Filho de Deus, nosso irmão e Salvador. O domingo entre as solenidades do Natal e Santa Maria, Mãe de Deus conduz a nossa atenção para a festa da Sagrada Família (Ano C): Jesus, Maria e José.

Jesus Cristo viveu numa família, no meio de um povo, numa sociedade concreta, com cultura própria, valores, língua, e as demais peripécias que envolvem a condição humana. Como qualquer humano, a sua vida é abertura ao crescimento e ao amadurecimento em todos as dimensões: «Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça».

Nos evangelhos, sobre a família (biológica) de Jesus Cristo, apenas se sabe da sua existência, alguns nomes e pouco mais, como o que nos relata o evangelho segundo Lucas. É o único que apresenta um episódio da vida familiar que encerra a infância de Jesus Cristo e é prelúdio da sua vida adulta, da sua missão.

Aquela família de Nazaré vive um caminho de procura e compreensão da identidade e missão, um caminho que apenas será plenamente revelado no final da jornada terrena de Jesus Cristo.

Esta busca é um modelo para todas as famílias: o mistério da vida requer paciência, capacidade de aceitação, escuta e respeito. A família, como as demais instituições, realiza a sua função quando não se torna um obstáculo, antes se coloca ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa, quando contribui para a descoberta da própria identidade e missão.

Rezar o Salmo 127 (128) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

02 de janeiro
EPIFANIA DO SENHOR

LEITURAS: 1ª: Is 60,1-6. Salmo: 72/71,2.7-8.10-11.12-13. R/ Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra. 2ª: Ef 3,2-3a.5-6. Evº: Mt 2,1-12.

“VIEMOS ADORÁ-LO”

O nascimento de uma criança ilumina o mundo com uma luz intensa, reconhecida nos olhos daqueles que, já desde a conceção, lhe desejam o bem e colocam nela uma esperança. É uma luz singular, irrepetível, leve e intensa como uma estrela entre as muitas que povoam os céus. Outros a viram e vieram ao seu encontro para o adorar.

Ao chegarem a Belém, junto do Menino, «uns Magos vindos do Oriente» especificam o propósito, que os levou tão longe: «Viemos adorá-l’O». Duas atitudes que caracterizam o discípulo missionário de Jesus Cristo: ir ao encontro, adorar.

A tradição cristã vê neste episódio, não só o cumprimento das promessas messiânicas (nasce em Belém, conforme as profecias), mas também a abertura à universalidade da salvação. Nos Magos estão representadas todas as raças e nações da terra, convocadas a contemplar e a adorar o Menino Deus.

Bernardo de Claraval, aos Magos, pergunta: «Que fazeis? Adorais um bebé de peito, num casebre vulgar, envolto nuns pobres panos? Pode este menino ser Deus? […] Como é possível que homens sábios tenham enlouquecido ao ponto de adorar um bebé pequeno, insignificante não só por causa da sua idade mas também pela sua pobreza? Sim, enlouqueceram para se converterem em sábios. […] Prostraram-se, pois, perante este pobre Menino, prestaram-Lhe homenagem como a um rei, adorando-O como a Deus. Aquele que exteriormente os guiou através de uma estrela derramou a sua luz no mais íntimo dos seus corações».

A estrela (de Jesus Cristo) e o coração (dos Magos) fundem-se em harmoniosa sintonia.

Rezar o Salmo 71 (72) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

09 de janeiro
BATISMO DE JESUS

LEITURAS: 1ª: Is 42,1-4.6-7. Salmo: 29/28,1a.2.3ac- -4.3b.9b-10. R/ O Senhor abençoará o seu povo na paz. 2ª: At 10,34-38. Evº: Lc 3,15-16.21-22.

“TU ÉS O MEU FILHO MUITO AMADO”

A festa do Batismo de Jesus Cristo faz a transição entre a época de Natal e o designado Tempo Comum. Damos um ‘salto’ da infância para a idade adulta. É o acontecimento que assinala a passagem da vida familiar em Nazaré para a missão ao serviço da Boa Nova do Reino de Deus.

Jesus é revelado como Filho amado do Pai e repleto do Espírito Santo, é o rosto visível da comunhão divina. Ele é o Filho de Deus.

O relato de Lucas (Ano C) dá pouco relevo ao facto específico do batismo; apenas o refere: «Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado».

A primeira parte do relato é dominada pela voz do Precursor: anuncia a passagem de um batismo com água para o batismo com o fogo do Espírito Santo. O novo batismo é fogo que purifica e Espírito Santo que vivifica. O centro do relato não é o acontecimento. Um dos destaques vai antes para os sinais: o céu aberto, a descida do Espírito, a voz do Pai.

Segundo a tradição bíblica, estes sinais estão relacionados com o Messias. Trata-se de uma descrição que exprime algo muito mais íntimo do que visível. O visível é ‘sinal’ de uma realidade profunda e vital. O importante não é o que acontece à volta; o centro é vivido no interior do próprio Jesus de Nazaré: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

Hoje, «Deus ama-me como amou Jesus de Nazaré, com a mesma intensidade, com a mesma totalidade […]. E um dia, quando chegar à presença de Deus, Ele olhará para mim, […] dir-me-á [...]: Tu és meu filho, e filho muito amado. Entra no abraço de teu Pai!» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 28 (29) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

16 de janeiro
II DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 62,1-5. Salmo: 96/95,1-2a.2b-3.7-8a.9-10ac. R/ Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor. 2ª: 1 Cor 12,4-11. Evº: Jo 2,1-11. II Sem. Saltério.

“MANIFESTOU A SUA GLÓRIA”

A ‘epifania’ continua no Segundo Domingo (Ano C), no relato das Bodas de Caná. É a carta de apresentação de Jesus Cristo, segundo a perspetiva do evangelista João.

A Igreja celebrava a Epifania com três acontecimentos: a manifestação aos Magos (e, neles, a todos os povos); a manifestação ao povo judeu, no Batismo; a manifestação aos discípulos, nas Bodas de Caná. Esta perspetiva tripartida foi, entretanto, estendida ao longo de três domingos, mas apenas no presente Ano Litúrgico (C). Por isso, antes de iniciar a leitura contínua do evangelho segundo Lucas, próprio deste ciclo litúrgico, somos convidados a saborear este exclusivo dos escritos joaninos.

Este é o primeiro dos sete ‘sinais’ que constituem o fio condutor da primeira parte deste evangelho. Eis as características: manifestam a glória de Jesus Cristo, mas só a quem os vê com os olhos da fé; confirmam a fé dos discípulos (noutros casos, também mostram a recusa daqueles que se opõem ao Mestre); revelam, de modo progressivo, a identidade messiânica e divina de Jesus. Na última frase está a interpretação de todo o relato: «Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele».

A glória de quem transforma a água das purificações rituais em vinho da alegria festiva. Para os cristãos, a purificação não vem dos rituais exteriores. A purificação vem através do amor de Deus acolhido com alegria no coração.

«A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» (Bento XVI).

Rezar o Salmo 95 (96) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

23 de janeiro
III DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ne 8,2-4a.5-6.8-10. Salmo: 19/18B,8.9.10.15. R/ As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida. 2ª: 1 Cor 12,12-30. Evº: Lc 1,1-4; 4,14-21. III Sem. Salt.

“COM A FORÇA DO ESPÍRITO”

O evangelho não é uma narração cronológica dos factos ou da vida de Jesus. Não é uma espécie de biografia autorizada. É fruto da experiência de vida e de fé daqueles que «foram testemunhas oculares e ministros da palavra», como nos diz Lucas.

O evangelho tem a clara intencionalidade de nos ajudar a acreditar em Jesus, a conhecer o Deus em quem pomos a nossa confiança. É o Deus que faz cumprir em Jesus Cristo as palavras da Escritura; porque em Jesus há uma novidade de vida, uma Boa Nova.

Uma Boa Nova que nos ajuda a viver de outra maneira, purificados no coração e no olhar, humildes e simples.

Uma Boa Nova que nos abre os olhos à verdade do amor que dignifica a vida humana, que nos torna capazes de viver na liberdade dos filhos amados de Deus.

Uma Boa Nova que nos impele a estender a mão a todos, especialmente aos mais necessitados.

Uma Boa Nova que nos abre à salvação oferecida por este Deus presente em cada instante da nossa história.

O evangelho segundo Lucas é uma catequese sobre a fé escrita para o Teófilo, isto é, para aquele que quer viver como amigo de Deus. Lucas mostra- -nos a importância de conhecer os factos, os detalhes da história, para podermos descobrir como o «hoje» da nossa vida também está marcado pela presença do Espírito de Deus. Como podemos alcançar este objetivo? O texto do evangelho dá-nos a resposta: «Jesus voltou à Galileia, com a força do Espirito Santo». Esta é a chave!

Só o Espírito nos pode capacitar para cumprir a nossa missão.

Rezar o Salmo 18 B (19) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

30 de janeiro
IV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jr 1,4-5.17-19. Salmo: 71/70,1-2. 3-4a. 5-6ab.15ab e 17. R/ A minha boca proclamará a vossa salvação. 2ª: 1 Cor 12,31–13,13. Evº: Lc 4,21-30. IV Semana do Saltério.

“TODOS FICARAM FURIOSOS”

Um desenlace estranho: «Todos ficaram furiosos na sinagoga. [...] Expulsaram Jesus da cidade». Tudo isto, depois de um início épico: «Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca».

De um momento para o outro, tudo se altera. Há um ‘todos’ que passam de admiradas testemunhas para furiosos que querem aniquilar Jesus Cristo.

É verdade que a oposição vai crescendo à medida que o Mestre vai progredindo no ensino e no testemunho de vida. O evangelista Lucas, porém, coloca a rejeição logo na primeira ação pública de Jesus Cristo; ainda por cima, na própria terra.

Para Lucas, Jesus Cristo é o enviado de Deus, cheio do Espírito Santo, para anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a proclamar um tempo cheio das bênçãos de Deus. O Deus de Jesus é Amor, um amor total, incondicional.

Este é o grande diferendo entre Jesus e os seus conterrâneos: «Deus quer a fé, eles querem os milagres, os sinais; Deus quer salvar todos, e eles desejam um Messias para a própria vantagem» (Papa Francisco). Aqui é que nós começamos a patinar! Acontece-nos o mesmo que aos habitantes de Nazaré. Preferimos um Deus que ama apenas os bons, que premeia os que fazem o que lhe agrada e castiga os rebeldes.

Deus não nos ama porque fazemos isto (que lhe agrada) ou deixamos de fazer aquilo (que lhe desagrada). Deus ama porque é Amor. É a sua essência; não pode ser senão amor.

O que é que mais te custa aceitar na Boa Nova de Jesus Cristo?

Rezar o Salmo 70 (71) conforme a proposta litúrgica deste domingo.