29 de novembro
I DOMINGO DO ADVENTO

LEITURAS: 1ª: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7. Salmo 80/79, 2ac e 3b.15-16.18-19. R/ Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos. 2ª: 1 Cor 1,3-9. Evº: Mc 13,33-37. I Semana do Saltério.

“VIGIAI”

O capítulo 13 de Marcos, o Evangelista deste ano, é chamado «discurso escatológico». Mistura anúncios feitos por Jesus Cristo com experiências já vividas pelos primeiros cristãos. O autor utiliza temas apocalípticos, para apontar o cumprimento da história, o fim dos tempos.
É um texto apropriado para os primeiros dias do Advento que, de acordo com a tradição litúrgica, não estão ainda centrados no nascimento histórico de Jesus, mas colocam em primeiro plano o mistério do tempo vivido pelos cristãos sob o signo da espera do Senhor que «vem ao nosso encontro, para que O recebamos na fé e na caridade e dêmos testemunho da gloriosa esperança do seu reino» (Prefácio do Advento I/A).
Jesus Cristo exorta à vigilância. Estar vigilante não é limitar-se a estar acordado. Os Padres da Igreja falam da vigilância do coração como a chave de todo o trabalho espiritual. Simão o Novo Teólogo descreve-a como custódia, apaziguamento, atenção, exame dos pensamentos. A vigilância opõe-se ao «deixar andar» e à indiferença. Nós não gostamos de esperar. Muito me-nos quando não sabemos o que vai acontecer, o que está para vir. Preferimos viver o imediato com segurança, certos de que as coisas se vão passar como imaginamos.
O evangelho contraria as nossas aspirações. Desinstala e provoca. Convida a deixar as nossas certezas e rotinas, para acolher uma novidade: a vinda, a chegada do «dono da casa». Aproveitemos para saborear este tempo que nos conduz ao Natal como pedagogia da espera e do desejo!

Rezar o Salmo 79 (80) conforme a proposta litúrgica deste domingo.
Oração: ABC do Espírito Santo, DB, p.14-16.

 

06 de dezembro
II DOMINGO DO ADVENTO

LEITURAS: 1ª: Is 40,1-5.9-11. Salmo 85/84,9ab-10.11-12.13-14. R/ Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação. 2ª: 2 Pe 3,8-14. Evº: Mc 1,1-8. II Semana do Saltério.

“BATIZAR-VOS-Á NO ESPÍRITO SANTO”

A referência a João Batista, nos primeiros versículos do evangelho segundo Marcos, assinala mudança na História da Salvação: o tempo dos profetas foi cumprido em João e dá lugar à era messiânica, a plenitude dos tempos.
O batismo na água, feito pelo Batista, é um ato de esperança e de expectativa pela chegada do batismo no Espírito Santo realizado pelo Messias. O Batista «é o mensageiro que antecede o Esperado, a voz à frente da Palavra, o servo diante do Senhor, o que batiza com água, precedendo o que batizará com o Espírito Santo» (Luciano Manicardi).
A leitura espiritual deste texto coloca-o em sintonia com os primórdios da fé cristã: é pelo batismo no Espírito Santo que somos introduzidos na fé, na graça de Cristo, na Igreja, na vida eterna (respostas previstas no Ritual do Batismo das Crianças). Aos poucos, o neófito experiencia a força e respira o sopro do Espírito Santo, como dizem alguns Padres da Igreja. Serafim de Sarov, monge ortodoxo do século XIX, afirmou: «A finalidade da vida cristã consiste em adquirir o Espírito Santo.»
O episódio do evangelho lembra a chegada de alguém que vem ao nosso encontro. O «dono da casa» do passado domingo é agora apresentado como «O que batiza no Espírito Santo». Ele é «mais forte» do que as nossas listas de coisas a fazer ou as preocupações que dominam o ritmo do nosso dia-a-dia. Ele batizar-nos-á no Espírito Santo e as nossas vidas nunca mais serão as mesmas! Somente a «água» do Espírito Santo pode inverter a seca espiritual do nosso tempo.

Rezar o Salmo 84 (85) conforme a proposta litúrgica deste domingo.
Oração: ABC do Espírito Santo, DB, p.16-19.

 

13 de dezembro
III DOMINGO DO ADVENTO

LEITURAS: 1ª: Is 61,1-2a.10-11. Salmo Lc 1,46-48.49- -50.53-54. R/ Exulto de alegria no Senhor. 2ª: 1 Ts 5, 16-24. Evº: Jo 1,6-8.19-28. III Semana do Saltério.

“EXULTO DE ALEGRIA”

Este é o domingo da exultação e da alegria: Gaudete. A designação mantém-se desde quando se equiparava com a Quaresma. Até ao fim do primeiro milénio, o Advento era marcado pelo jejum e pela penitência, mas com uma «folga» no terceiro domingo. Por isso, a cor litúrgica de hoje pode ser o rosa.
As palavras da 1ª e 2ª leitura e o poema do Magnificat, hoje rezado como salmo, fazem da alegria e do júbilo as maiores características deste dia. O Advento chama-nos a despertar da rotina, a renunciar à mediocridade, a abandonar a tristeza, o desalento e a desesperança, e assumir a alegria.
Alegramo-nos, porque o Senhor está perto, vem ao nosso encontro, nunca deixa de se tornar presente na nossa vida pessoal e comunitária!
E essa proximidade permite que o nosso peregrinar se torne história de salvação, caminho cuja meta é o encontro definitivo com Jesus Cristo para participarmos juntos, com Ele, na alegria eterna do Pai.
Advento é tempo de espera, mas na alegria. Se não mostramos ao mundo a verdadeira alegria por ter encontrado Jesus Cristo e experimentado o amor gratuito de Deus que nos perdoa e salva, não poderemos anunciar a Boa Notícia, o Evangelho da Alegria.
A minha vida e o meu testemunho nunca serão credíveis sem alegria.
Foi essa a grande esperança proclamada pelo profeta. Hoje, também eu espero o Senhor da Alegria.

Rezar o ‘Magnificat’ conforme a proposta litúrgica no salmo deste domingo.
Oração: ABC do Espírito Santo, DB, p.20-21.

 

20 de dezembro
IV DOMINGO DO ADVENTO

LEITURAS: 1ª: 2 Sm 7,1-5.8b-12.14a.16. Salmo 89/88,2-3.4-5.27 e 29. R/ Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. 2ª: Rm 16,25-27. Evº: Lc 1,26-38. III Semana do Saltério.

“SEGUNDO A TUA PALAVRA”

Deus quer estabelecer a sua morada entre nós. A verdadeira casa de Deus é cada ser humano. A «terra» onde há de germinar o Salvador é o coração de cada homem e de cada mulher. O «mistério escondido durante séculos» é agora revelado em Jesus Cristo: fazer da humanidade templo de Deus, morada da sua presença e misericórdia.
Jesus faz isso, em primeiro lugar, através da incarnação no seio de Maria. Esta não Lhe oferece qualquer palácio luxuoso, mas entrega o seu humilde ser como porta da humanidade para que Deus venha e habite entre nós. Para Deus estar connosco, foi preciso que primeiro estivesse com ela. Estas afirmações dizem que o plano salvífico de Deus se realizou em Maria para que, por meio dela, se realizasse em todos os seres humanos.
A morada de Deus são os que aceitam a sua aliança e vivem na fidelidade, os que dizem sim ao seu projeto salvador, aceitam ser seus colaboradores. Deus vem ao nosso encontro e aguarda a nossa disponibilidade.
Nisso, Maria é o nosso modelo mais perfeito: Faça-se em mim segundo a tua palavra. Dela aprendemos a reconhecer a voz de Deus, que também nos quer entregar uma missão; a-prendemos a responder com um «sim» generoso, para que, no cumprimento da nossa missão, também possamos ser instrumentos de salvação em favor dos nossos irmãos.
Estou preparado/a para receber o Filho de Deus na minha vida?

Rezar o Salmo 88 (89) conforme a proposta litúrgica deste domingo.
Oração: ABC do Espírito Santo, DB, p.22.

 

27 de dezembro
SAGRADA FAMÍLIA

LEITURAS: 1ª: Sir 3,3-7.14-17a. Salmo 128/127,1-2.3.4-5. R/ Felizes o que esperam o Senhor, e seguem os seus caminhos. 2ª: Cl 3,12-21. Evº: Lc 2,22-40. I Semana do Saltério.

“AO ALCANCE DE TODOS”

Esta Festa enquadra-se no contexto da incarnação de Deus na nossa história, na nossa carne e na nossa vida concreta, pois a família constitui a base da nossa experiência vital. O foco deste domingo há de ser a continuação do Natal, o encontro com Deus que vem ao nosso encontro. Hoje, somos nós os «pastores» que se dirigem «a toda a pressa» ao encontro do Menino Jesus aconchegado pelo carinho de Maria e de José.
O texto evangélico evoca, entre outros, a figura do velho Simeão, um «homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel». Com o Menino nos braços, entoa o terceiro cântico dos «relatos da infância» segundo Lucas, que passou a integrar a Oração de Completas da Liturgia das Horas, à noite, antes de adormecer.
Recebido no seio de Maria, Jesus Cristo é a-gora acolhido nos braços de Simeão. Além de ser uma graça para eles próprios, o Menino é dom de Deus «ao alcance de todos».
Deste episódio, podemos destacar quatro pontos: 1Jesus Cristo é o Salvador em quem se cumprem as promessas divinas; 2Simeão esperou com confiança este acontecimento, e, agora, pode «ir em paz» (morrer); 3este «agora», colocado logo no início, enfatiza o presente do tempo da salvação; 4a salvação trazida pelo Messias é universal, está «ao alcance de todos os povos».
A referência ao Espírito Santo, neste exclusivo de Lucas, é significativa: Maria concebera e tinha dado à luz um filho por obra do Espírito Santo; Ele habita e guia Simeão (e Ana) na espera confiante dos tempos messiânicos; através d’Ele, Deus conduz a história à plenitude.

Rezar o Salmo 104 (105) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

3 de janeiro
EPIFANIA

LEITURAS: 1ª: Is 60,1-6. Salmo 72/71,2.7-8.10-11.12- -13. R/ Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra. 2ª: Ef 3,2-3a.5-6. Evº: Mt 2,1-12. II Semana Saltério.

“ONDE ESTÁ O REI DOS JUDEUS?”

A evocação dos Magos, num exclusivo do evangelho segundo São Mateus, é uma história sobre a procura e o encontro de Deus pelo Homem. Como os Magos ao encontro «do rei dos judeus que acaba de nascer», a nossa vida é uma constante procura de sentido, seja nas coisas banais do dia-a-dia, seja no mais profundo da existência.
Habitar a pergunta é uma bela maneira de celebrar o Natal como Epifania: Como é que se reconhece a passagem de Deus pela nossa história? De que modo podemos reconhecer a epifania quotidiana da presença de Deus connosco?
Os Magos são imagem dos «buscadores» dos tempos modernos. Tomaš Halík sugere que, nos nossos dias, a principal linha de separação é entre «buscadores» e «acomodados». E estas atitudes existem tanto nos «crentes» como nos «descrentes». Anselm Grün descreve-os como «farejadores»: os que andam à procura «são os que farejam algo, que pressentem alguma coisa do mistério de Deus que os rodeia. Quem procura está no caminho de Deus».
A pergunta faz-nos bem, pois pode ser uma oportunidade para nos deixarmos conduzir até à presença do mistério.
Os Magos deixaram a «zona de conforto» e puseram-se a caminho. Um sinal cósmico, a estrela, fez despertar os seus corações, a ponto de empreenderem um caminho que transformou profundamente as suas vidas.
Hoje, a pergunta pelo «rei dos judeus» convida a procurá-lo na relação com os outros. E não faltam sinais que nos interpelam a ir ao encontro do nosso próximo.
Leia o artigo das páginas 9 a 13.

Rezar o Salmo 71 (72) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

10 de janeiro
BATISMO DE JESUS

LEITURAS: 1ª: Is 42,1-4.6-7. Salmo 29/28,1a.2.3ac-4.3b.9b-10. R/ O Senhor abençoará o seu povo na paz. 2ª: At 10,34-38. Evº: Mc 1,7-11. I Sem. do Saltério.

“TU ÉS O MEU FILHO MUITO AMADO”

Hoje, Marcos abre o seu Evangelho com o título ou breve prólogo que apresenta o tema central de todo o livro: «Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.» O seu objetivo é revelar a identidade de Jesus de Nazaré; o leitor recebe aqui a chave do mistério que só vai ser aberto no Calvário. Fiel a este projeto, o evangelista descreve as três cenas seguintes: pregação de João Batista, batismo de Jesus, tentações no deserto. O eixo deste tríptico são as palavras pronunciadas no batismo: «Tu és o meu Filho muito amado.» Através do batismo, é revelada a identidade (messiânica) de Jesus de Nazaré.
Com esta teofania, o leitor recebe a indicação que lhe permite explorar todo o percurso da vida de Jesus Cristo, até à morte na Cruz (e ressurreição): o Messias-crucificado; o crucificado é Filho de Deus; o Ressuscitado é o crucificado, o Messias, o Filho de Deus.
No final, depois de expirar suspenso na cruz como um malfeitor, será um pagão (o centurião romano) a confirmar a identidade descoberta no batismo: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» (Marcos 15,39).
Henri Nouwen contou um dia que a sua vida espiritual deu uma reviravolta quando, ao meditar sobre este episódio do batismo de Jesus, percebeu que a voz vinda dos céus se dirigia também a ele: «Tu és o meu filho muito amado.»
Filho/a amado/a de Deus é a nossa identidade mais profunda. Como filhos de Deus, guiados pelo Espírito Santo, também recebemos uma identidade e uma missão: ser e viver como discípulos missionários de Jesus Cristo. Os próximos domingos vão revelar esta identidade e missão. Estou preparado?

Rezar o Salmo 28 (29) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

17 de janeiro
II DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: 1 Sm 3,3b-10.19. Salmo 40/39, 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11. R/ Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade. 2ª: 1 Cor 6,13c-15a.17-20. Evº: Jo 1,35-42. II Sem. do Saltério.

“SEGUIRAM JESUS”

O segundo domingo deste Ano litúrgico B destaca aspetos centrais da vocação, ponto de partida do itinerário espiritual do crente: o chamamento e a capa-cidade de escuta/resposta; o auxílio de um intermediário; o aprofundamento da experiência pessoal.
A transmissão da fé às pessoas sofreu uma grande transformação. Antes era quase automática: de pais para filhos, de geração em geração, de forma natural, familiar e social. Hoje, embora contando também com a mediação de pessoas e acontecimentos, não deixa de ser uma oportunidade para a fé.
No relato evangélico, os primeiros discípulos encontram Jesus Cristo graças a João Batista: «Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus.» Há um primeiro anúncio («Eis o Cordeiro de Deus»), segue-se um desejo de encontro, percebido e assumido por Jesus («Que procurais?»), uma pergunta aparentemente banal que revela aquele desejo («Onde moras?») e o convite explícito final («Vinde ver»). A fé nasce de um encontro.
O desejo que brota do coração do discípulo, talvez mediado por pessoas ou acontecimentos, encontra resposta no Mestre. Os discípulos missionários são gerados e alimentados pelo encontro pessoal com Jesus Cristo.
O seguimento de Cristo acontece a partir de um encontro pessoal e alimenta-se de uma relação quotidiana e permanente com Ele.
Dêmos graças a Deus por todas as pessoas que nos ajudaram 1a «ver» em Jesus o «Cordeiro de Deus», 2a «descobrir» n’Ele o «Mestre», 3a confessá-lo com «Messias», 4a seguir os seus passos e, finalmente, 5a viver ao seu estilo de vida.

Rezar o Salmo 39 (40) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

24 de janeiro
III DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jn 3,1-5.10. Salmo 25/24, 4bc-5ab.6- -7bc.8-9. R/ Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos. 2ª: 1 Cor 7,29-31. Evº: Mc 1,14-20. III Sem. do Saltério.

“VINDE COMIGO”

O ardor que palpitava em Jesus Cristo, nalguns provocou crítica e recusa, noutros, uma grande atração. Os primeiros discípulos são dos que se sentiram fascinados por Ele e, ao escutarem o seu chamamento, «deixaram logo» a situação em que se encontravam «e seguiram Jesus».
Depois de apresentar o seu plano pastoral, a Boa Nova, Jesus Cristo procura os primeiros colaboradores para levar a cabo a missão.
A iniciativa parte de Jesus Cristo: «Vinde comigo.» Ele não escolhe pessoas especialmente dotadas, mas homens do povo, nos quais se percebe a disposição para o seguir. São pescadores, mas a habilidade neste ofício vai ajudá-los a descobrir um novo sentido e objetivo na vida: serem «pescadores de homens».
O que começou junto ao mar da Galileia, repetiu-se ao longo da história, volta a acontecer nos nossos dias. Através de Cristo, Deus continua a chamar. Ele pousa o seu olhar em cada um de nós; o chamado aceita que a novidade de Deus entre na sua vida. A paixão pelo Evangelho, que animou toda a vida de Jesus Cristo, continua a impulsionar a vida de homens e mulheres que deixam as anteriores ocupações para se tornarem seus discípulos missionários.
Tudo começa por um «olhar». Seguir Jesus Cristo é um dom. Depois, é também uma tarefa. A quem acolhe o convite exige-se uma atitude de conversão: abandonar caminhos anteriores para seguir o do Mestre; deixar os caminhos de vaidade, poder e autossuficiência; e, com humildade e esperança, tomar a rota proposta por Ele.

Rezar o Salmo 24 (25) conforme a proposta litúrgica deste domingo

Hoje é o Domingo da Palavra de Deus.
Ver pp. 39 e 44-45; e a Revista nº 386, pp.32-34.

 

31 de janeiro
IV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Dt 18,15-20. Salmo 95/94,1-2.6-7.8-9. R/ : Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações. 2ª: 1 Cor 7, 32-35. Evº: Mc 1,21-28. IV Semana do Saltério.

“TODOS SE MARAVILHAVAM”

O evangelista Marcos, depois de apresentar o chamamento dos primeiros quatro «pescadores de homens», mostra como Jesus Cristo começa a exercer o seu ministério, sempre acompanhado pelos discípulos. Agora, a narrativa detém-se na descrição de um dia na vida de Jesus Cristo.
O episódio decorre ao sábado, na sinagoga de Cafarnaum. O protagonista é Jesus Cristo que ensina «com autoridade» e provoca a admiração dos presentes: «todos se maravilhavam com a sua doutrina». O exorcismo aparece precisamente como demonstração da autoridade daquele que vem para libertar de tudo o que oprime e destrói a dignidade humana.
A ordem produz efeito imediato, sublinhando a eficácia e a força performativa da palavra, e, sobretudo, a força e a eficácia de quem a pronuncia: Jesus Cristo. Ele é a autoridade da «nova doutrina», é a boa notícia.
Ao saborear o texto, também nós, como naquele dia, podemos ficar maravilhados porque o acolhemos como palavras autorizadas e vivas, palavras que tocam a vida. Como seria o mundo, se todos os cristãos fossem capazes de maravilhar os seus irmãos com autoridade?!
Talvez seja urgente que os «aspirantes» a discípulos missionários se treinem na arte do maravilhamento, do deslumbramento, do assombro, do espanto. Seguir o Mestre é deixar-se surpreender, deter-se «num longo e inocente olhar» (Adorno) diante da sua novidade – essa que nos faz recomeçar, como se fosse a primeira vez que nos sentimos chamados a segui-Lo.

Rezar o Salmo 94 (95) conforme a proposta litúrgica deste domingo.