01 de agosto

XVIII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ex 16,2-4.12-15. Salmo Sal 78/77,3 e 4bc.23-24,25 e 54. R/ O Senhor deu-lhes o pão do céu. 2ª: Ef 4,17.20-24. Evº: Jo 6,24-35. II Sem. do Saltério.

“EU SOU O PÃO DA VIDA”

Continua o discurso sobre o pão da vida, ao longo de todo o capítulo sexto do evangelho segundo João, introduzido pelo diálogo entre o Mestre e a multidão que tinha presenciado o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Jesus Cristo corrige a multidão em três aspetos: não o procurem apenas por causa do alimento material; obtenham o alimento «que dura até à vida eterna», percorrendo o caminho da fé; não esperem dele uma repetição do antigo maná oferecido no deserto, mas acolham o verdadeiro pão que «dá a vida ao mundo». É neste contexto que Jesus proclama: «Eu sou o pão da vida.»

De um modo pedagógico, o Mestre conduz-nos do bloqueio afetivo em razão do interesse material para o horizonte do alimento verdadeiro que nos pode salvar. Há uma ordem mais elevada do que as preocupações diárias da alimentação, do vestuário ou até do próprio desenvolvimento pessoal. O nosso verdadeiro horizonte há de ser a vida eterna. Satisfazer as necessidades materiais é um passo louvável e necessário, mas não sacia a nossa fome e sede existenciais.

A realidade mostra que, se o nosso objetivo for apenas tentar satisfazer as necessidades temporais, a frustração de nunca nos saciarmos plenamente acaba por aumentar a nossa inquietação. Jesus Cristo lembra que só a plenitude dos bens espirituais nos pode satisfazer.

Há um pão que é para todos: «Tomai, todos, e comei.» Jesus Cristo é o «pão da vida», que alimenta toda a nossa vida e sacia também «aquela parte de céu que está em nós, a parte de eternidade que foi deposta em nós» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 77 (78) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

08 de agosto

XIX DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: 1 Rs 19,4-8. Salmo 34/33,2-3.4-5.6-7. 8-9. R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom. 2ª: Ef 4, 30–5,2. Evº: Jo 6,41-51. III Semana do Saltério.

“QUEM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE”

Aos que já escutaram várias vezes o discurso do capítulo sexto do evangelho segundo João, pode parecer que ele repete os mesmos temas. De facto, há uma clarificação do conteúdo transmitido, com matizes que o fazem avançar de forma progressiva.

O texto deste Décimo Nono Domingo (Ano B) pode ser resumido em três tópicos: 1) todos serão instruídos por Deus, conforme apontavam os profetas; 2) Jesus Cristo é o pão vivo descido dos céus: «quem comer deste pão viverá eternamente»; 3) esse pão é a sua carne, que Ele entrega para dar vida ao mundo.

Pode ser que estejamos habituados a pensar a vida eterna como algo que só chegará depois da nossa morte. Jesus Cristo, porém, não fala apenas do futuro, mas também do presente, ao dizer: «Quem acredita, [já] tem a vida eterna.»

Dizer “vida eterna” ou eternidade, no evangelho segundo João, equivale a vida divina. Aqueles que se unem a Jesus Cristo, ao alimentarem-se dele, começam já hoje, aqui e agora, a possuir essa vida eterna, a sua vida divina.

É na Eucaristia que nos alimentamos de Jesus Cristo, pão da vida eterna. Por isso, «a Eucaristia, presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual, é o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, 9).

Se, para as comunidades judaicas, a Lei era a vida, para as comunidades cristãs esse dinamismo vital é assumido pela Eucaristia.

Rezar o Salmo 33 (34) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

15 de agosto

XX DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Pr 9,1-6. Salmo 34/33,2-3.10-11.12-13.14-15. R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom. 2ª: Ef 5,15-20. Evº: Jo 6,51-58. IV Semana do Saltério.

AOS FAMINTOS ENCHEU DE BENS”

A visita de Maria a Isabel é o terceiro episódio das narrativas da infância de Jesus, segundo Lucas; pressupõe e completa os dois anúncios anteriores, a Zacarias e a Maria (ver 1,5-24a.57-66).

Maria é «bendita», porque é «bendito» o fruto do seu ventre. Esta é a mensagem de Lucas: Maria é agraciada e louvada por ser a mãe do Senhor, a jovem mulher que confia em Deus.

Em seguida, o evangelista relata a reação de Maria perante o louvor e a alegria de Isabel, estando implícita no seu canto a ação extraordinária de Deus.

Segundo os exegetas, o Magnificat é um texto composto por conteúdos retirados do Antigo Testamento, especialmente do cântico de Ana, mãe de Samuel (ver 1 Samuel 2,1-10). Expressa o poder, a fidelidade e o amor de Deus pelos mais humildades, pobres e famintos.

Maria surge como exemplo dessa predileção divina pelos simples, desse amor de Deus pelos mais necessitados: «aos famintos encheu de bens.»

A Festa de hoje, celebrada na fé, diz-nos que o destino do ser humano não é a morte, mas a vida. Maria, ao preceder-nos na glória, testemunha que a totalidade da pessoa (corpo e alma) está destinada à plenitude da vida, e sublinha a dignidade e o futuro que esperamos.

A Assunção de Maria lembra-nos os maiores horizontes a que todos podemos aspirar. Ela, mulher humilde e pobre, foi acolhida para sempre na vida em Deus. O Corpo de Cristo, que comungamos como alimento de vida eterna (ver domingo passado), diz-nos: a Eucaristia coloca-nos no caminho da nossa própria Assunção!

Rezar o Salmo 44 (45) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

22 de agosto

XXI DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Js 24,1-2a.15-17.18b. Salmo 34/33,2- -3.16-17.18-19.20-21.22-23. R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom. 2ª: Ef 5,21-32. Evº: Jo 6,60-69. I Semana do Saltério.

“PARA QUEM IREMOS, SENHOR?”

Este é o último dos cinco domingos dedicados ao sexto capítulo do evangelho segundo João, conhecido como o “discurso do pão da vida”. Chega a hora de os ouvintes tomarem partido a favor ou contra Jesus Cristo.

O apóstolo Pedro é o porta-voz da opção dos Doze: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus.»

Este conhecimento («acreditamos e sabemos») não nasceu de uma reflexão intelectual, mas da experiência íntima e pessoal adquirida e confirmada na vida com o Mestre. Ao dizer «sabemos», Pedro declara que tinha experimentado e saboreado o encontro com Jesus Cristo, que lhe permitiu proclamar: «Tu és o Santo de Deus.» «Saboreai e vede», diz-nos o Refrão do Salmo.

«Muitos» dos discípulos já se tinham afastado de Jesus. Por isso, a pergunta/resposta de Pedro é reação à do Mestre: «Também vós quereis ir embora?» Hoje como naquele tempo, urge fazer uma escolha, um sério discernimento.

Qual é a minha resposta? Também sou chamado a responder. «Jesus não ordena aquilo que deves fazer, não impõe aquilo que deves ser, mas leva-te a olhares para dentro de ti, a interrogares-te: afinal, o que é que eu desejo de verdade? O que é que me faz bem?» (Ermes Ronchi).

A Missa é um encontro íntimo e uma experiência pessoal e comunitária com Jesus Cristo, ressuscitado e vivo. Assim como os alimentos materiais se tornam carne e sangue do nosso corpo, assim a Eucaristia nutre de Jesus Cristo a nossa vida espiritual, enche-nos de esperança e alegria.

Rezar o Salmo 33 (34) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

29 de agosto

XXII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Dt 4,1-2.6-8. Salmo 15/14,2-3a.3cd-4ab5. R/ Quem habitará, Senhor, no vosso santuário? 2ª: Tg 1,17-18.21b-22.27. Evº: Mc 7,1-8.14-15.21-23. II Semana do Saltério.

“ESCUTAI-ME E PROCURAI COMPREENDER”

Neste Vigésimo Segundo Domingo do Ano B voltamos ao evangelho de Marcos, que no sétimo capítulo, nos apresenta uma clara oposição entre a maneira de pensar e de agir dos discípulos de Jesus Cristo e a de «um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém».

O Mestre convida ao discernimento entre o que é essencial e o que é acessório: «Escutai-Me e procurai compreender.»

Jesus Cristo mostra-nos que não podemos converter em principal o que, na realidade, é secundário, como acontecia com as práticas e rituais criados pela tradição judaica. Ao mesmo tempo, recorda-nos que é preciso valorizar mais o ser da pessoa do que o simples cumprimento das normas.

A atitude dos fariseus condensa o modo de viver daqueles e daquelas que, ao longo da história, caem na tentação de honrar Deus com os lábios mas tendo o coração longe dele, como alertou o profeta Isaías. Trata-se de um culto vazio e de uma doutrina de meros preceitos humanos.

Observando a nossa sociedade, vemos que a denúncia de Jesus Cristo continua plenamente atual. A tentação farisaica de manter uma imagem exterior, que não corresponde à realidade interior, é uma tendência e um dos riscos mais presentes no mundo de hoje. «O verdadeiro problema é purificar a nascente. Evangelizar as nossas zonas de dureza, os nossos egoísmos e medos, trabalhando a nossa vida interior e depois olhando para nós com o olhar de Jesus […]. O grande perigo é viver uma religião feita de práticas exteriores» (Ermes Ronchi).

Rezar o Salmo 14 (15) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

05 de setembro

XXIII DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 35,4-7a. Salmo 146/145,7.8-9a.9bc- -10. R/ Ó minha alma, louva o Senhor. 2ª: Tg 2,1-5. Evº: Mc 7,31-37. III Semana do Saltério.

“TUDO O QUE FAZ É ADMIRÁVEL”

A presença do Reino de Deus revela-se em Jesus Cristo, neste caso através do seu agir e falar. É uma corrente de amor que se estabelece entre Ele e «um surdo que mal podia falar»!

A simplicidade dos gestos — «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua» — é associada a uma única palavra: «‘Efatá’, que quer dizer ‘Abre-te’».

Este «surdo que mal podia falar» representa a dor e a esperança de toda a humanidade; é o símbolo da nossa indigência. Jesus Cristo abre os nossos ouvidos para podermos escutar e acolher a verdade que Ele nos comunica.

Neste trecho do evangelho, a multidão assume um papel singular: leva o surdo até Jesus Cristo e pede que Ele lhe imponha as mãos; mas, após a cura, não guarda a recomendação para que todos fiquem calados. Como é possível guardar uma tão bela e boa notícia?!

Não podemos esquecer ou silenciar as maravilhas que Deus realizou e realiza através de Jesus Cristo em favor de toda a humanidade.

«Todos apregoam intensamente que tudo é admirável. […] Os homens, estupefactos ou assombrados, admiram as maravilhas que acontecem diante deles. Surge um homem novo que ouve apaixonadamente a Palavra e fala das maravilhas que encontra e que nele se realizam» (José da Silva Lima).

O veredicto final é digno de registo: «Tudo o que faz é admirável».

Esta multidão é modelo da Igreja, na medida em que, cheia de assombro, apregoa intensamente a Palavra de Deus.

Rezar o Salmo 145 (146) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

12 de setembro

XXIV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 50,5-9a. Salmo 115/114,1-2.3-4.5-6.8-9. R/ Andarei na presença do Senhor, sobre a terra dos vivos. 2ª: Tg 2,14-18. Evº: Mc 8,27-35. IV Semana do Saltério.

“E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?”

Através de uma sondagem, o evangelista procura clarificar o essencial da missão de Jesus Cristo, a sua identidade. Depois de perguntar a opinião das pessoas, o Mestre volta-se para os discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Pedro toma a iniciativa e parece responder com convicção: Jesus Cristo é o Messias, isto é, o ungido, o consagrado de Deus. A resposta está correta. Contudo, o desenrolar da conversa mostra uma contradição entre a proposta de Jesus Cristo e a expectativa de Pedro (e, muito provavelmente, também dos outros discípulos).

A confissão de Pedro é um ponto de chegada que se transforma em ponto de partida. De que Messias estava a falar? Pensava demasiado num Messias com projetos humanos. Ainda não tinha entendido que o Messias à maneira de Deus tinha de passar pela cruz. Reconhecer o Messias é estar disposto a aceita o seu mesmo caminho!

A pergunta feita aos discípulos aplica-se a cada um de nós: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Não servem respostas académicas ou conceituais. É preciso uma resposta que brote do encontro e da experiência. Fechemos os livros e catecismos e abramos o coração e a vida pessoal.

«A confissão autêntica de Jesus acontece existencialmente. A identidade daquele que é confessado atrai e compromete a identidade do que o confessa: é na sua vida que o cristão confessa Cristo. Ou seja: ao mesmo tempo que dizemos ser cristãos, é importante ter consciência de que também nos devemos tornar cristãos» (Luciano Manicardi).

Rezar o Salmo 114 (115) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

19 de setembro

XXV DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sb 2,12.17-20. Salmo 54/53,3-4.5.6 e 8. R/ O Senhor sustenta a minha vida. 2ª: Tg 3,16 – 4,3. Evº: Mc 9,30-37. I Semana do Saltério.

“… É A MIM QUE RECEBE”

O episódio final do trecho do evangelho segundo Marcos, próprio deste domingo, pode ser tomado como um ícone eloquente dos ensinamentos de Jesus Cristo: a criança é a imagem viva da humildade e da simplicidade, que hão de caracterizar a vida dos discípulos; é símbolo dos débeis e indefesos, dos pobres e doentes, dos que sofrem e estão sós, dos marginalizados e dos que que vivem nas periferias. Por isso, tem que ser a preocupação central do cristão e da comunidade, pois em cada criança se encontra o próprio Jesus Cristo: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe.»

As palavras do Mestre põem fim à discussão entre os discípulos, «sobre qual deles era o maior». Ele não só o diz, como o exemplifica ao colocar no meio deles uma criança e abraçá-la em sinal de amor.

«A quem ambiciona os primeiros lugares com base na sua própria ‘grandeza’, Jesus contrapõe o pequeno e último por excelência: a criança. Acolhê-la ‘em meu nome’ significa entrar numa relação sacramental em que se acolhe o próprio Jesus como servo, e se acolhe Deus que o enviou. Assim, Deus vem assumir o último lugar e contesta a pretensão de primazia dos discípulos» (Luciano Manicardi).

Dá-se, portanto, uma inversão de valores na qual radica precisamente o paradoxo de que, quanto mais o ser humano é consciente da importância do serviço aos outros, mais ele próprio se torna digno e livre. Esta é a novidade de Jesus Cristo! Ao contrário do mundo que busca o poder, o Mestre acredita no serviço.

Rezar o Salmo 53 (54) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

26 de setembro

XXVI DOMINGO COMUM

LEITURAS: 1ª: Nm 11,25-29. Salmo 19/18,8.10.12-13. 14. R/ Os preceitos do Senhor alegram o coração. 2ª: Tg 5,1-6. Evº: Mc 9,38-43.45.47-48. II Sem. do Saltério.

“QUEM NÃO É CONTRA NÓS É POR NÓS”

Um dos Doze, João, espera que o Mestre concorde com ele por ter proibido alguém de agir em nome de Jesus Cristo, sem pertencer ao grupo dos seus discípulos.

«Não anda connosco», disse. E com isto, poderia incluir os que não partilham as nossas ideias religiosas ou quaisquer outras.

No trecho evangélico deste domingo, João, presunçoso por ser discípulo de Jesus, queria decidir quem podia fazer parte do seu grupo; mais grave ainda, quem podia agir em seu nome. A resposta do Mestre é contundente: «Quem não é contra nós é por nós.»

A grandeza da fé não está em separar de nós os que «não andam connosco», nem em supormo-nos superiores por qualquer privilégio.

Os verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo devem viver uma atitude de acolhimento e gratidão, sem cair na pretensão de condicionar a ação do Espírito Santo.

Todos os que estão sempre dispostos a estender a mão para despertar a vida e a esperança, os que amam e se dedicam a fazer emergir a comunhão – são dos nossos.

A missão dos discípulos, a nossa missão, supõe uma abertura à imensa realidade na qual Deus continua a escrever a história da salvação. Nessa história, os pequenos, os simples, os pobres, os necessitados, os frágeis, os marginalizados, todos os que estão nas mais diversas periferias, têm prioridade aos olhos de Deus. A eles, por isso, precisamos de dedicar o melhor tempo e o maior esforço pessoal e comunitário.

Rezar o Salmo 18 (19) conforme a proposta litúrgica deste domingo.