02 de agosto
XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 55,1-3. Salmo 145/144,8-9.15-16. 17-18. R/ Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome. 2ª: Rm 8,35.37-39. Evº: Mt 14,13-21. II Semana do Saltério.

“DAI-LHES VÓS DE COMER”

O episódio da multiplicação dos pães e dos peixes remete, nas interpretações habituais, para o contexto eucarístico. Predominam as leituras sacramentais, quase sempre a partir da dádiva do ‘pão da vida’ (cf. João 6), alimento espiritual que nutre a nossa vida cristã. É válida também uma leitura em chave eclesial. O Mestre recorda aos discípulos (de ontem e de hoje) que hão de ser eles a dar de comer aos famintos: «Dai-lhes vós de comer». Aqui podemos acrescentar, além da fome material, todo o tipo de fomes que habitam o ser humano, também a fome de Deus, a necessidade de apoio espiritual, em carência de afeto, o desejo de amor, entre outras.

Jesus Cristo realiza a profecia de Isaías (cf. primeira leitura), ao alimentar a multidão com cinco pães e dois peixes (a soma é igual a sete, número que aponta a totalidade). Nas mãos de Jesus Cristo, o pouco converte-se em muito, um contributo tão pequeno adquire fecundidade surpreendente. Hoje, pode fecundar os nossos pequenos gestos e dar-lhes grande eficácia.

Os contextos eucarístico e eclesial são complementares: o culto não se pode separar da vida, a fé expressa-se na caridade.

Como podes permitir que Deus multiplique os (pequenos) gestos de cada dia? Podem ser pequenas iniciativas, concretas, modestas, parciais. Bastam ‘cinco pães e dois peixes’!

O que está aqui em causa, para além de saber o que tens e quanto tens, é ser capaz de ‘multiplicar’ essa quantidade, muita ou pouca. Surge a questão: como é que fazes as contas, na hora de partilhar?

Rezar o Salmo 144 (145) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

09 de agosto
XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: 1 Rs 19,9a.11-13a. Salmo 85/84,9ab-10.11-12.13-14. R/ Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação. 2ª: Rm 9,1-5. Evº: Mt 14, 22-33. III Semana do Saltério

“TENDE CONFIANÇA”

Jesus Cristo despede a multidão saciada, manda os discípulos seguir para a outra margem e sobe sozinho ao monte para rezar.

A ausência do Mestre, no meio do mar, deixa os discípulos mergulhados na obscuridade da noite. O evangelista destaca as condições adversas: «o barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário».

A situação física é imagem da situação interior vivida pelos discípulos: medo e dúvida.

O verbo açoitar, utilizado para descrever o embate das ondas contra o barco, expressa a ideia de sofrimento diante das adversidades da vida pessoal ou comunitária. Eis que a presença de Jesus Cristo permite recuperar a estabilidade perdida. As suas palavras «Tende confiança. Sou Eu. não temais», assemelham-se às proferidas aquando da transfiguração e na manhã de Páscoa. Jesus Cristo é Senhor e Salvador. Entretanto, o apóstolo Pedro assume uma importância especial. Como noutras ocasiões, torna-se porta-voz do grupo. Hoje, serve de modelo para o cristão: vacila entre a fé e a dúvida. É a experiência pessoal do discípulo «quando a crença e a descrença se abraçam» (Tomáš Halík e Anselm Grün).

Pedro é também o nosso porta-voz, nos impulsos e nas fragilidades. «Jesus está sempre ao nosso lado, talvez escondido, mas sempre presente e pronto para nos segurar. […] Todos nós estamos neste barco, e aqui sentimo-nos seguros, não obstante os nossos limites e as nossas debilidades. Estamos seguros sobretudo quando sabemos ajoelhar-nos e adorar Jesus, o único Senhor da nossa vida» (Papa Francisco).

Rezar o Salmo 84 (85) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

16 de agosto
XX DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 56,1.6-7a. Salmo 67/66,2-3.5.6.8 R/ Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.2ª: Rm 11,13-15.29-32. Evº: Mt 15,21-28. IV Sem. Saltério.

“É GRANDE A TUA FÉ”

Jesus Cristo e a cananeia dialogam sobre pão e migalhas que são destinados aos filhos e aos cachorrinhos. Num primeiro momento, surpreende a indiferença e dureza, a roçar o ofensivo, com que Jesus se dirige à mulher. Ainda mais surpreendente é a insistência dela.

O atrevimento da mulher está apoiado na incapacidade e angústia perante a enfermidade da filha, e na esperança suscitada pelo conhecimento das curas realizadas por Jesus Cristo. A sua atitude mostra que é possível «ter fé em tempos de incerteza» (Timothy Radcliffe). Atreve-se a confiar no poder daquele «Senhor, Filho de David». O arrojo dela contrasta com a passividade inicial dele.

Aquela mãe, por um lado, reconhece que a salvação de Deus é para o povo eleito; por outro, espera que o amor divino, tão abundante, não fique entrincheirado dentro das fronteiras de um único povo. Deus não pode colocar limites ao seu amor! Há de haver pelo menos umas «migalhas» desse amor que cheguem a todas as pessoas, sejam ou não «ovelhas perdidas da casa de Israel».

A insistência provoca a admiração e a compaixão de Jesus Cristo. Os discípulos, incomodados, pedem a intervenção do Mestre por causa da gritaria da mulher. Contudo, o pedido é atendido, não pela potência dos gritos, mas pela qualidade da sua fé: «‘Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas’. E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.»

Este fragmento do evangelho é um exemplo perfeito para ensinar a aproximarmo-nos de Jesus Cristo com simplicidade e insistência, com esperança e fé. Leia o artigo das pp.32-33.

Rezar o Salmo 66 (67) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

23 de agosto
XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 22,19-23. Salmo 138/137,1-2a.2bc-3.6.8bc. R/ Senhor, a vossa misericórdia é eterna: não abandoneis a obra das vossas mãos. 2ª: Rm 11,33-36. Evº: Mt 16,13-20. I Semana Saltério.

“O FILHO DE DEUS VIVO”

O diálogo, na região de Cesareia de Filipe, é uma espécie de marco entre a segunda e a terceira parte do evangelho segundo Mateus.

Pouco a pouco, vai sendo revelada a identidade messiânica de Jesus, com palavras e obras que provocam diferentes reações: uns começam a compreender cada vez melhor a mensagem e missão; outros preferem recusar que haja em Jesus Cristo características próprias do «Messias, o Filho de Deus vivo».

Este episódio é resumo das diferentes reações: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»; «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

De novo, tal como na tempestade no mar (cf. XIX domingo), Pedro assume-se como porta-voz do grupo, modelo para o discípulo missionário. Desta feita, mais confiante e aberto à sabedoria divina: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»

A fé em Jesus Cristo, mais do que conhecimentos, chega através do diálogo direto, pessoal e íntimo, como foi proclamado pelos últimos Papas, e também recordado na Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a catequese: «Não se pode reduzir à transmissão de conteúdos doutrinais, […] tem de fazer-se de modo vivenciado, inserida no encontro com Jesus Cristo. Todo o encontro de catequese tem de ser encontro com Ele.»

Um dos grandes males dos que nos afirmamos cristãos é a falta de experiência de Deus e de Jesus Cristo. Sabemos coisas, conhecemos palavras e gestos relatados nos evangelhos… mas será que já fizemos a experiência pessoal do encontro com Jesus Cristo?

Rezar o Salmo 137 (138) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

30 de agosto
XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Jr 20,7-9. Salmo 63/62,2.3-4.5-6.8-9. R/ A minha alma tem sede de Vós, meu Deus. 2ª: Rm 12,1-2. Evº: Mt 16,21-27. II Semana Saltério.

“PERDER A SUA VIDA”

O Mestre ensina e adverte os discípulos sobre o caminho a seguir, mas eles não entendem que é o caminho da cruz.

Se Jesus Cristo é o Messias (que há de restaurar o reino esperado), como é possível dizer que tem de «sofrer muito» e até «ser morto»? Estas previsões não se enquadram na lógica humana dos discípulos.

Eis Pedro a reagir em nome de todos. Desta vez, numa atitude bem pior do que a outra, no meio da tempestade: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!». Grande tentação esta, de o discípulo querer ser o mestre!

O caminho de Jesus Cristo é diferente: assume a esperança do seu povo, mas não procura uma concretização imediata e fugaz, antes uma duradoira e fecunda que passa por tomar a cruz e «perder a sua vida».

Esta é a proposta que Jesus Cristo faz aos discípulos de ontem e de hoje: não se apegar em demasia aos bens materiais, mas abrir totalmente o coração aos bens eternos.

No final, nada poderá deter a força dessa esperança: «O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai.»

Aprender a perder para ganhar, pode ser o slogan deste episódio aplicado ao sentido da nossa existência. Quantas vezes preferimos o ganhar ao perder! «Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?»

A lógica de ter e possuir mais opõe-se à proposta cristã da doação e do amor. Saberemos desprezar outras aspirações pessoais, para desejar apenas e só seguir Jesus Cristo, como Ele nos propõe, até à cruz?

Rezar o Salmo 62 (63) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

06 de setembro
XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ez 33,7-9. Salmo 95/94,1-2.6-7.8-9. R/ Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações. 2ª: Rm 13,8-10. Evº: Mt 18,15-20. III Semana do Saltério.

“PEDIREM QUALQUER COISA”

O caminho para Jerusalém é uma etapa importante no evangelho segundo Mateus (como o é em Marcos e Lucas). É durante esse caminho que surge o “discurso sobre a vida comunitária” ou “discurso eclesiológico”, o mais breve dos cinco compilados pelo evangelista.

A principal preocupação é dotar a comunidade de recursos que a mantenham em estado de permanente conversão e de acolhimento a todos. Neste sentido, a correção fraterna surge como um meio eficaz na ajuda aos mais ‘distraídos’ para que não se desviem do estilo cristão que tem de orientar a vida comunitária dos discípulos de Jesus Cristo.

Um outro ensinamento importante, também presente neste fragmento, centra-se no valor da oração comunitária: «Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.»

A principal razão que confere uma dinâmica especial à oração comunitária é o próprio Jesus Cristo: faz-se presente na comunidade reunida.

A oração de petição rezada em comunidade tem mais força porque, quando estamos reunidos em nome de Jesus Cristo, Ele está sempre no meio de nós. Isto acontece, sobretudo, na eucaristia. Por isso se ensina que a assembleia eucarística incarna uma das formas de presença de Jesus Cristo.

A oração comum (na eucaristia) e a correção fraterna continuam a ser recursos essenciais, na vida de qualquer comunidade cristã, paroquial ou outra.

Rezar o Salmo 94 (95) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

13 de setembro
XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Sir 27,33–28,9. Salmo 103/102,1-2.3-4.9-10.11-12. R/ O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. 2ª: Rm 14,7-9. Evº: Mt 18, 21-35. IV Semana do Saltério.

“QUANTAS VEZES...?”

A última parte do «discurso sobre a vida comunitária» destaca o perdão como outro recurso essencial nas relações pessoais. É uma catequese sobre limites e gratuitidade.

Pedro, outra vez porta-voz dos discípulos, introduz o tema com uma pergunta: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar- -lhe? Até sete vezes?». A resposta vai além das «sete vezes». O perdão tem de ser ilimitado, sem restrições, dado em todos os momentos, em qualquer circunstância: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete». Não é uma fórmula matemática, como se tivesse o limite de 490 vezes! «Setenta vezes sete» é igual a sempre.

A ilustrar o perdão ilimitado, Jesus Cristo propõe uma parábola que ensina a não ser vingativos e a agir com generosidade: a generosidade do rei que perdoa uma grande dívida; o egoísmo insensato do servo que não quis perdoar uma pequena dívida do seu companheiro.

A proposta sugere um perdão educativo que ajude a corrigir a maneira de viver.

Segundo o espírito evangélico, perdoar supõe abdicar da vingança e da humilhação do outro. Quem perdoa assim experimenta no coração a misericórdia divina e uma alegria especial, a alegria do perdão. O cristão há de evidenciar sempre a grandeza do ser humano, pois, mesmo quando há faltas e ofensas, também há capacidade de correção e de conversão. Este ensinamento é para ser aplicado também nas instituições comunitárias, como a família, a paróquia, a comunidade religiosa, os grupos e movimentos eclesiais.

Rezar o Salmo 102 (103) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

20 de setembro
XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Is 55,6-9. Salmo 145/144,2-3.8-9.17-18. R/ O Senhor está perto de quantos O invocam. 2ª: Fl 1,20c-24.27a. Evº: Mt 20,1-16a. I Semana do Saltério.

“IDE VÓS TAMBÉM"

Nas parábolas contadas por Jesus Cristo, é típico o recurso a contrastes que provocam o suspense e a atenção dos ouvintes. É aí, nesses contrastes, que reside o conteúdo mais profundo da mensagem, como no caso desta parábola.

O texto põe em destaque três elementos: a vinha, o proprietário e os trabalhadores. Na Bíblia, a vinha foi sempre entendida como o povo de Deus: primeiro, o povo de Israel; depois, com Jesus Cristo, passa a ser a Igreja, novo povo de Deus.

O proprietário, que é Deus, quer que todos façam parte do seu povo, quer que todos trabalhem na sua vinha. Por isso, em várias horas do dia, sai à praça pública a contratar trabalhadores. Hoje, os trabalhadores somos todos nós!

Deus Pai quer todos os filhos reunidos, na sua companhia. O seu desejo de salvação é universal. Na parábola, Jesus Cristo mostra este projeto salvador ao referir que o dono da vinha sai à praça pública, em horas diferentes, desde muito cedo até ao cair da tarde, a contratar trabalhadores: «Ide vós também para a minha vinha.»

Jesus Cristo não pretende criar nova regra na lei laboral, mas ensinar «que, a qualquer hora do dia que Deus nos convide para ‘a sua vinha’, o faz sempre porque nos ama e nos quer mostrar como o seu amor é inteiramente gratuito» (Manuel Madureira Dias). O ser e agir de Deus é misericórdia. E pensa sempre a partir dos ‘últimos’, dos descartados da sociedade. A essência da parábola assenta, de novo, no amor dado a todos, sem medida, sem fazer contas.

No livro Domingo da Bíblia, pp.177-179 tem uma celebração sobre este Evangelho.

Rezar o Salmo 144 (145) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

27 de setembro
XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS: 1ª: Ez 18,25-28. Salmo 25/24,4-5.6-7.8-9. R/ Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia. 2ª: Fl 2,1-11. Evº: Mt 21,28-32. II Semana do Saltério.

“ARREPENDEU-SE”

«Um homem tinha dois filhos»: parece a parábola de Lucas (capítulo 15), na qual também há um filho que, pelo menos em aparência, cumpre a vontade do pai, e outro que não: o mais novo arrepende-se e volta para casa, enquanto o mais velho se recusa a entrar em casa e opõe-se à atitude paterna.

Esta parábola dos dois filhos convidados a trabalhar na vinha possui uma estrutura simples: o convite do pai e a reação dos filhos. A sequência em paralelo serve para centrar a atenção no comportamento dos filhos: o primeiro, inicialmente recusou; «depois, porém, arrependeu-se e foi»; o segundo aceitou o convite, «mas de facto não foi».

Uma pergunta introduz e encerra a parábola: «Que vos parece?»; «Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Ambas são uma interpelação direta aos ouvintes de todos os tempos.

Há quem diga sim, que vai trabalhar na ‘vinha’, mas não se empenha. Há quem diga não, que não quer, mas depois reconsidera e trabalha na ‘vinha’.

Jesus Cristo dá nome a uns e outros: os primeiros são os publicanos e as mulheres de má vida, os marginais da sociedade que se arrependem e abrem o coração ao amor de Deus; os segundos são os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, representantes da lei, que presumem cumpri-la, mas na prática têm o coração fechado ao amor de Deus.

Em rigor, o que está em causa não é a aprovação do estilo de vida, mas a disponibilidade do coração. As palavras não são suficientes: podem ser expressão de hipocrisia. É preciso confirmar as nossas boas palavras com boas ações.

Ver Quem ouvir que entenda, pp.187-188.

Rezar o Salmo 24 (25) conforme a proposta litúrgica deste domingo.