05 de abril

DOMINGO DE RAMOS

LEITURAS: 1ª: Is 50,4-7. Salmo 22/21,8-9.17-18a.19- -20.23-24 R/ Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes? 2ª: Fl 2,6-11. Evº: Mt 26,14–27,66. I Semana do Saltério.

“PARA SE CUMPRIREM AS ESCRITURAS”

O Domingo de Ramos assinala a entrada na Semana Santa. Elemento significativo é a comemoração da chegada de Jesus a Jerusalém (no evangelho da bênção dos ramos). Depois, a celebração mergulha no caminho da doação total da sua vida (no evangelho da narração da Paixão). Uma entrega que não vai acabar na humilhação, mas na exaltação. A meta é a ressurreição!

O protagonista do relato da Paixão é Jesus Cristo: não só do ponto de vista narrativo, mas, sobretudo, ao nível da configuração semântica do texto: percebeu o que ia acontecer e aceitou-o com liberdade, fez-se obediente até à morte. Toda a sua vida manifesta a sua obediência filial ao Pai. Agora, no ato supremo da entrega na cruz, comprova-se essa livre e confiante obediência.

As circunstâncias da Paixão sucedem-se «para se cumprirem as Escrituras», segundo o itinerário esboçado desde o início pelo evangelista Mateus.

«Não só as Escrituras antigas tinham predito aquilo que Jesus havia de realizar, mas Ele próprio quis ser fiel àquela Palavra para tornar evidente a única história da salvação, que n’Ele encontra a sua realização» (Papa Francisco).

O caminho de obediência filial protagonizado por Jesus Cristo contrasta com a desobediência de outras personagens daquele tempo, do nosso e de todos os tempos. Em latim, obedecer («abaudire») quer dizer «dar ouvidos», «ouvir com atenção»; desobedecer é «fechar os ouvidos», «não prestar atenção». O discípulo, como o Mestre, abre o ‘ouvido’ do coração para escutar e se deixar conduzir pela palavra de Deus.

Rezar o Salmo 21(22) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

12 de abril

DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 10,34a.37-43. Salmo 118/117,1-2.16ab-17.22-23 R/ Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. 2ª: Cl 3,1-4. Evº: Jo 20,1-9.

“NÃO TINHAM ENTENDIDO A ESCRITURA”

A Vigília Pascal segue o texto segundo Mateus, em continuidade com a proclamação feita no Domingo de Ramos. A «missa do dia» continua o evangelho segundo João, conforme a celebração da Paixão na Sexta-feira Santa.

A escuridão da noite vai dar lugar à luz da fé. O evangelista não pretende apresentar uma cronologia da experiência pascal, mas uma reflexão sobre a fé na ressurreição.

É demasiado fácil recitar o “Credo”; mas, para o professar com fé é preciso ter o coração cheio da vida nova do ressuscitado.

A conclusão do evangelho tem uma indicação preciosa dada pelo evangelista João, em sintonia com o plano de Mateus: «ainda não tinham entendido a Escritura.»

Hoje, continua a não ser fácil proclamar com convicção o mistério central da fé cristã. Para ultrapassar o «ainda não tinham entendido a Escritura», é preciso dispor-se a percorrer, sem pressas, um caminho interior (à imagem dos discípulos de Emaús), deixando-nos instruir pelas palavras e gestos de Jesus Cristo.

«Durante esta semana, far-nos-á bem pegar no Livro do Evangelho e ler os capítulos que falam sobre a Ressurreição de Jesus. Far-nos-á muito bem! Pegai no Livro, procurai os capítulos e lede-os» (Papa Francisco).

A Ressurreição tudo envolve com uma luz intensa, a começar pelas mulheres, as primeiras discípulas, passando por Pedro, João e todos os outros, por Paulo e pelas primeiras comunidades cristãs, de geração em geração, até ao nosso tempo, até ao fim dos tempos.

Rezar o Salmo 117 (118) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

19 de abril

II DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 2,42-47. Salmo 118/117,2-4.13-15.22-24. R/ Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. 2ª: 1 Pe 1,3-9. Evº: Jo 20,19-31. II Semana do Saltério.

“FELIZES OS QUE ACREDITAM”

O Segundo Domingo de Páscoa é o Domingo da Divina Misericórdia. É também o domingo que nos guia entre a dúvida e a alegria da fé.

O relato segundo João, comum aos três ciclos litúrgicos, é tecido com diversos traços tão ricos quanto belos.

Uma nova bem-aventurança: «Felizes os que acreditam sem terem visto.» O Papa Francisco chama-lhe a bem-aventurança da fé: «São bem-aventurados aqueles que, através da Palavra de Deus, proclamada na Igreja e testemunhada pelos cristãos, acreditam que Jesus Cristo é o amor de Deus encarnado, a Misericórdia encarnada. E isto é válido para cada um de nós.»

A conclusão surge como uma censura à atitude de Tomé, que tinha reclamado ver para acreditar. Daqui resultou o adágio popular de quem reclama algo mais «visível» do que o testemunho dos outros: “Ver para crer, como São Tomé.”

O evangelista refere que Tomé é também chamado «Dídimo», ou seja, «Gémeo». Em cada um de nós habita um ‘Tomé’. Nós somos seus irmãos gémeos! Bom seria que o fôssemos em tudo e não apenas na exigência do «ver para crer». Na verdade, é a Tomé, alegadamente apanhado em flagrante incredulidade, que devemos a confissão de fé mais profunda, uma das mais belas orações contemplativas de todos os evangelhos: «Meu Senhor e meu Deus»!

O que se afigurava negativo, hoje pode despertar uma nova oportunidade para a fé. Afirmou S. Gregório Magno: «A incredulidade de Tomé é mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditam».

Rezar o Salmo 117 (118) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

26 de abril

III DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 2,14.22-33. Salmo 118/117,2-4.13- -15.22-24. R/ Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida. 2ª: 1 Pe 1,17-21. Evº: Lc 24,13-35. III Sem. do Saltério.

“ARDIA CÁ DENTRO O NOSSO CORAÇÃO”

O episódio de Emaús, exclusivo de Lucas (capítulo 24), situa-se entre a experiência feita por Maria Madalena e a outra Maria, ao raiar do primeiro dia da semana (versículos 1 a 12) e a experiência vivida pelos discípulos (versículos 36 a 53), quan-do os de Emaús terminavam de contar o que lhes tinha acontecido, na tarde desse dia.

Estes discípulos fazem parte dos que não acreditaram nas mulheres (cf. 24,9-11: «não acreditaram nelas»). Agora, passam da fuga pela aparente certeza do fracasso ao regresso pela certeza da ressurreição.

A narração desenvolve-se através de uma tensão progressiva, na qual o ponto de partida lhes oculta uma realidade já conhecida desde o início do texto pelo ouvinte/leitor: Jesus Cristo é o seu companheiro de viagem. Ao pôr-se «com eles a caminho», Jesus fá-los passar da incompreensão ao entendimento das Escrituras, da dúvida à fé, da tristeza à alegria, da frieza ao ardor do coração, da fuga ao compromisso missionário.

«Cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformador com o Senhor, com o Senhor ressuscitado, que está sempre connosco. Há sempre uma Palavra de Deus que nos orienta depois das nossas debandadas; e apesar dos nossos cansaços e desilusões, há sempre um Pão repartido que nos faz continuar o caminho» (Francisco).

Eis o que pode ser o nosso caminho: o Ressuscitado, na eucaristia, vem atear no coração o fogo da fé e da esperança e partilhar o pão da vida eterna.

Rezar o Salmo 15 (16) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

03 de maio

IV DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 2,14a.36-41. Salmo 23/23,1-3a.3b-4.5.6. R/ O Senhor é meu pastor: nada me faltará. 2ª: 1 Pe 2,20b-25. Evº: Jo 10,1-10. IV Sem. do Saltério.

“AS MINHAS OVELHAS TENHAM VIDA”

O Quarto Domingo de Páscoa é sempre Dia Mundial de Oração pelas Vocações. É o domingo do Bom/Belo Pastor, do décimo capítulo do evangelho segundo João, nos três ciclos litúrgico.

A imagem do pastor e das ovelhas é recorrente em toda a Sagrada Escritura. Era uma realidade presente e conhecida, naquele tempo e naquela cultura. Hoje, nos nossos ambientes, permanecerá válida?

Apesar de se ter perdido a sua beleza, a imagem não será difícil de entender: como um pastor conhece e deseja o melhor para as suas ovelhas, assim o Bom Pastor cuida de nós, seus discípulos missionários.

A frase merece ser repetida, como refrão: «Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância.»

A Páscoa é a vitória da vida, a vida nova do Ressuscitado, vida abundante que nos enche de paz e de alegria. Eis o objetivo deste capítulo joanino: Jesus Cristo vem para dar a vida e para nos dar a vida.

A dádiva é plena. Assim o exprime o reforço da palavra «abundância». Hoje, como ontem, há muitos cansados e oprimidos, quer pela dureza das circunstâncias da vida, quer pela rigidez das normas religiosas. É preciso recuperar a «abundância» prometida por Jesus Cristo!

O Ressuscitado não quer uma relação alicerçada no medo; quer uma relação pessoal dinamizada pelo amor abundante, que dá pleno sentido à vida. Não se trata de procurar o mínimo da existência, ou o necessário para (sobre)viver, mas desejar uma vida plena, vida em abundância.

Rezar o Salmo 22 (23) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

10 de maio

V DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 6,1-7. Salmo: 33/32,1-2.4-5.18-19. R/ Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. 2ª: 1 Pe 2,4-9. Evº: Jo 14,1-12. I Semana do Saltério.

“O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”

O fragmento do evangelho pertence aos discursos da despedida, compilados pelo evangelista São João, no contexto da Última Ceia.

O seu ensino é apresentado à maneira de um testamento espiritual, que pode resumir-se nesta expressão-chave: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida.»

Jesus Cristo é o caminho. A palavra remete para movimento, peregrinação: é o «caminho» que conduz à «casa» do Pai, como se deduz do diálogo com Tomé. Certamente, Jesus Cristo não me isenta de dúvidas e interrogações; mas, unido a Ele, tenho a meta, a «morada» na «casa» do Pai. Além disso, este caminho tem um duplo sentido: Em Jesus Cristo, Deus vem ao nosso encontro para que cada um vá ao encontro com Deus.

Jesus Cristo é a verdade. A afirmação contraria o engano e a mentira. Aponta para a fé e a confiança. O Mestre não nos dá uma doutrina ou código de conduta para alcançarmos a salvação; convida-nos a não termos um coração perturbado, mas acreditarmos n’Ele, que é a verdade.

A fé é fruto de um encontro pessoal com Aquele «que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (cf. A Alegria do Evangelho, 7).

Jesus Cristo é a vida. O conceito depara-se com a barreira da esterilidade e da morte. O Mestre oferece uma vida sem limites. Uma oferta que não é apenas futura, mas já começa nesta existência terrena.

A herança que nos é dada é a sua vida unida ao Pai como, «caminho» para encontrarmos a «verdade» e nele vivermos para sempre.

Rezar o Salmo 32 (33) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

17 de maio

VI DOMINGO DE PÁSCOA

LEITURAS: 1ª: At 8,5-8.14-17. Salmo: 66/65,1-3a.4- -5.6-7a.16 e 20. R/ A terra inteira aclame o Senhor. 2ª: 1 Pe 3,15-18. Evº: Jo 14,15-21. II Semana do Saltério.

“EU VIVO E VÓS VIVEREIS”

O Sexto Domingo de Páscoa deste Ano A, já nos faz sentir a proximidade da Ascensão e do Pentecostes, cume da experiência pascal.

Os discípulos estão à mesa e escutam as palavras de despedida do Mestre. Ele quer infundir-lhes confiança e coragem, promete-lhes uma presença permanente.

O trecho apresenta o primeiro dos cinco anúncios da vinda do Espírito Santo, no plano global do evangelho segundo João.

A ausência física de Jesus Cristo não é afastamento. Ele promete aos seus discípulos que não ficarão órfãos. Voltará a estar presente, ainda que invisível, até ao fim dos tempos: «Eu vivo e vós vivereis». Desta feita, para «ver» são precisos os olhos da fé.

Jesus Cristo não ficou preso na morte: ressuscitou e agora vive para sempre. Na eucaristia é onde melhor se manifesta, pela visão da fé, a sua presença viva: na comunidade reunida, na palavra proclamada, no pão e no vinho, alimentos que nos deixou para o caminho.

A nossa vida une-se à de Jesus Cristo através do Espírito Santo, dom prometido para estar connosco, para habitar sempre em nós. O Espírito Santo, dom «que procede do Pai e do Filho», é o «Senhor que [nos] dá a vida», como professamos no Credo.

Através do Espírito Santo, «a própria vida de Deus é participada pelo ser humano. Mediante os sacramentos da Igreja […], aquela vida é incessantemente comunicada aos filhos de Deus» (João Paulo II, O Evangelho da vida, 51).

Este é o objetivo da missão de Jesus Cristo: dar-nos a vida no Espírito Santo, para sermos confiantes e alegres.

Rezar o Salmo 65 (66) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

24 de maio

VII DOMINGO DE PÁSCOA / ASCENSÃO

LEITURAS: 1ª: At 1,1-11. Salmo: 47/46,2-3.6-7.8-9. R/ Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor. 2ª: 1 Pe 3,15-18. Evº: Jo 14,15-21. III Semana do Saltério.

“EU ESTOU SEMPRE CONVOSCO”

A Ascensão, celebrada entre nós ao domingo – o dia exato é a quinta-feira anterior, o quadragésimo após a ressurreição – sublinha a ligação com a Páscoa, pois o «Dia do Senhor» é, por excelência, o dia da celebração pascal.

Mateus descreve a última manifestação de Jesus Cristo, não em Jerusalém, mas na Galileia, tal como tinha sido anunciado às mulheres. O local geográfico do início da missão do Mestre torna-se também o ponto de partida da missão dos discípulos. A sua presença vai continuada: «Eu estou sempre convosco». Tinha prometido estar presente quando dois ou três se reunissem em seu nome (cf. Mateus 18,20); agora, o evangelista recorda a promessa com a inclusão significativa dos termos «sempre» e «até ao fim».

No início do evangelho, ao aparecer em sonhos a José, o anjo diz-lhe que o menino vai chamar-se «‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’» (Mateus 1,23). Aqui, já no final, temos a garantia de que Jesus Cristo é sempre «Deus connosco», mesmo que fisicamente ausente.

A sua presença é sem barreiras. O tempo e o espaço não são um impedimento para Jesus ser «Deus connosco». Ele não está nos anais da história como um defunto que é recordado pelos seus feitos. Está vivo, está connosco.

A vida (cristã) é envolvida pela luz do Ressuscitado. Por isso, em tempos de crise pessoal ou comunitária, quando surgir a tentação de enveredar por fáceis lamentações catastróficas, o cristão jamais deve perder a confiança; antes, deve avivar a esperança que sempre o sustenta «até ao fim dos tempos».

Rezar o Salmo 46 (47) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

 

31 de maio

DOMINGO DE PENTECOSTES

LEITURAS: 1ª: At 2,1-11. Salmo: 104/103, 1abc.24ac.29bc-30.31.34. R/ Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra. 2ª: 1 Cor 12,3b-7.12-13. Evº: Jo 20,19-23.

“RECEBEI O ESPÍRITO SANTO”

O Pentecostes é a plenitude da celebração pascal. Nele, completam-se os cinquenta dias de festa e de alegria inaugurados com a ressurreição de Jesus Cristo.

O evangelho segundo João situa o dom do Espírito Santo no próprio dia (domingo) de Páscoa, na aparição de Jesus aos discípulos depois de se ter manifestado a Maria Madalena, nas proximidades do sepulcro vazio.

No Cenáculo, Jesus Cristo volta a soprar sobre os discípulos, como Deus tinha insuflado o alento de vida na simbologia do (primeiro) ato criador. É uma nova criação!

«Recebei o Espírito Santo»: estas palavras continuam a ser proclamadas no presente.

Hoje, recebemos de novo o Espírito Santo, o mesmo recebido no Batismo, na Confirmação, em todos os sacramentos, e em tantas outras ocasiões.

Os primeiros discípulos, inundados pelo Espírito Santo, venceram o medo, partiram corajosos a proclamar a alegria do Evangelho.

Isaac de Nínive lembrou que «quando o Espírito estabelece a sua morada no ser humano, este já não pode deixar de orar, o Espírito não cessa de orar nele. Adormecido ou desperto, a oração não se afasta do seu coração. Quando bebe, come, dorme ou trabalha, o perfume da oração exala da sua alma».

Hoje, continua a desafiar-nos a prosseguir a aventura inaugurada por Jesus Cristo. Envia-nos pelo mundo para anunciar e testemunhar o amor de Deus que renova todas as coisas. A missão confiada aos discípulos, a mesma que nos é confiada, precisa da dinâmica do Espírito Santo.

Rezar o Salmo 103 (104) conforme a proposta litúrgica deste domingo.

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