O Movimento Nacional de Dinamização Bíblica promoveu, de 28 a 31 de agosto, mais uma Semana Bíblica Nacional, a 44ª , em Fátima.
A pandemia foi, e ainda está a ser, uma dura provação para todos. Roubou-nos muitas vidas, semeou muita tristeza e luto e obrigou-nos a interromper a corrente das nossas Semanas Bíblicas Nacionais que começamos a retomar.
Em 2021, não sem riscos, lançamos a primeira Semana Bíblica Nacional depois da pandemia, com o tema: O EVANGELHO DA VIDA.
Este ano continuamos, e porque estamos em Sínodo, a caminhar juntos e a preparar a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, marcada para outubro de 2023, o tema escolhido para esta semana foi “DA BÍBLIA À IGREJA SINODAL”.
A Semana, como de costume, começou no dia 28 de agosto, pelas 18,00, com umas palavras de saudação franciscana do frei António Martins, Ministro Provincial dos Franciscanos Capuchinhos, seguindo-se a apresentação da semana pelo frei Manuel Arantes, secretário-geral do Movimento Bíblico. Ainda nessa tarde, o D. frei Joaquim Ferreira Lopes, Capuchinho, apresentou o tema: “A Vocação sinodal do Povo de Deus” começando por afirmar que “a Sinodalidade deve ser encarada como algo que pertence à essência, algo que define o ser e o existir da Comunidade dos crentes como um todo”. Seguiu-se o powerpoint do frei Manuel Rito Dias, sempre muito criativo e do agrado de todos, terminando essa tarde de reflexão, com uma oração final.
O dia 29 foi todo sobre o Antigo Testamento, com o tema de fundo: O Povo de Deus em caminho sinodal. De manhã frei Herculano Alves, ofmcap, ajudou a Assembleia a compreender que para estudar qualquer tema, é importante conhecer antes as raízes, e foi o que fez falando das “Raízes da Sinodalidade na Bíblia “.
Depois, às 15,00, foi a vez do D. António Couto nos falar da Sinodalidade no livro do Êxodo e na travessia do deserto. Começou por nos apresentar, a partir do episódio da Transfiguração, o Êxodo de Jesus: “Jesus entrou no nosso caminho; ensinou-nos o caminho para Deus; fez-se Êxodo para o Pai.” E terminou a sua conferência dizendo: “Nós vivemos em sínodo permanente, sempre unidos uns com os outros e com Deus.
Às 17,30 foi a vez do frei João Lourenço, OFM, falar-nos da “Sinodalidade nas Assembleias Judaicas: Qahal, Sinagoga e Concílio de Jamnia.” Afirmou que as Assembleias Judaicas eram sinodais e a Igreja e as Assembleias cristãs devem primar pela Sinodalidade, porque são as continuadoras das Assembleias judaicas cristianizadas.
O dia 30, terça-feira, foi centrado no Novo Testamento e na Igreja: O doutor José Carlos Carvalho, desenvolveu o tema: “A Sinodalidade de Jesus de Nazaré com os apóstolos e a multidão”. Começou por afirmar que Jesus faz um sínodo com os discípulos / apóstolos e outro com as multidões e com uma linguagem interessante definiu Jesus como o protagonista; os discípulos como deuteronistas e as multidões como tritonistas. Mas também disse que há sínodos bons e sínodos abomináveis; sínodos dos amigos de Deus e sínodos dos rejeitadores de Deus, idólatras, ateus, etc.
Às 13,00, foi a vez do D. Francisco Senra, arcebispo de Évora, nos falar da “Koinonia” e do Concílio ou Sínodo de Jerusalem”. Focou a sua conferência em Jesus, O Cordeiro que veio para refazer tudo. O tempo pascal é o tempo para refazer a humanidade. A grande linguagem a partir da Páscoa vai ser a da “Koinonia” porque todos percebem esta linguagem, e essa deve ser a linguagem da Igreja sinodal.
A última conferência deste dia foi do doutor João Duque a quem se entregou o tema: “Os ministérios da Igreja sinodal e a relação entre eles”. Não se quis meter no problema canónico dos ministérios ordenados e não ordenados, mas tentou ajudar-nos a perceber para onde deve caminhar a Igreja sinodal: Começou por dizer que o grande ministério da Igreja é Evangelizar e o ministério tem de ser, em primeiro lugar, um serviço à comunhão. Para liderar uma comunidade e criar comunhão, o líder não precisa de ser sacerdote. A própria Eucaristia é celebrada por toda a Assembleia. O sacerdote que preside faz parte dessa Assembleia. E muitas mais coisas disse para nos ajudar a refletir.
O grande tema do dia 31 foi: “A SINODALIDADE NO MUNDO” e mais concretamente “as fraturas da humanidade e os desafios colocados à Sinodalidade“ (Fratelli Tutti,10-50). Este tema foi brilhantemente desenvolvido pela dra. Margariada Cordo. Depois de uma breve introdução, lançou várias provocações: Nestes tempos o homem está a destruir-se a si mesmo; morre antes de morrer, a ditadura da Juventude; o vazio de sentido; o homem ocidental é verdadeiramente o homem desumano; nunca foi tão difícil ser livre. Precisamos de uma Igreja sinodal que priorize a pastoral da autenticidade.
E para terminar a semana, a doutora Imã Helena Oliveira, Provincial da Congregação do Amor de Deus, ensinou-nos a escrever uma carta a Maria, mãe da Igreja sinodal porque receberemos no mesmo dia a sua reposta.
Esta foi a 44ª Semana Bíblica Nacional. Muitas mais coisas aconteceram e boas. Tudo será escrito mais tarde na Revista Bíblica série científica em novembro de 2022.