«O Ministro Geral, visto o parecer favorável dos Ministro Provinciais e Conselhos das Províncias de Portugal e Pontianak, Indonésia, após ter escutado os Superiores Maiores da Conferência Ibérica dos Capuchinhos (CIC) e da Conferência Capuchinha dos Ministros Provinciais da Ásia-Pacífico (PACC), observado o que, segundo o direito, se deve observar (cf. Const. 119, 1.3; OG 8/25), obtido o consentimento do seu Conselho na reunião de 21 de novembro de 2019, DECRETA a passagem de responsabilidade da Presença dos Frades Menores Capuchinhos em Timor-Leste, até então dependente da Província de Portugal, à Província de Pontianak, Indonésia.»

Com estas palavras, parte do decreto do Ministro Geral, Fr. Roberto Genuin, foi proclamada, no fim da tarde do dia 9 de Fevereiro, em Laleia, berço da presença capuchinha em Timor-Leste, a passagem da responsabilidade para outra circunscrição da Ordem, da Província de Portugal para a de Pontianak, Indonésia. Após a leitura do Evangelho, na celebração da Eucaristia com todos os irmãos, presidida pelo Fr. Victorius Dwiardy, Conselheiro Geral para a PACC, o Decreto do Ministro Geral (Prot. N. 00051/20) foi lido em inglês, pelo Ministro Provincial de Pontianak, Fr. Hermanus Mayong, e em português, pelo Ministro Provincial de Portugal, Fr. Fernando Alberto. Na homilia, que se seguiu, o Fr. Victorius aproveitou para iluminar com a Palavra de Deus, proclamada neste domingo, o caminho feito até este ato histórico, ao longo de 16 anos de presença capuchinha iniciada pela Província de Portugal, caminho que há de continuar, agora sob a responsabilidade da Província de Pontianak: ser sal da terra e luz do mundo, vivendo e irradiando o carismo capuchinho nestas terras do Sol Nascente.

A passagem da responsabilidade para outra Província não significa que a Província Portuguesa se retira desta missão que iniciou em 2003. Pelo contrário, tem consciência de dever responder, dentro das suas possibilidades, aos imensos apelos a que os portugueses e a língua portuguesa continuem a marcar presença junto deste povo afetiva e efetivamente ligado a Portugal. Assim, deve manter-se viva a disponibilidade dos irmãos portugueses para partirem em missão até “este outro lado do mundo”, bem como a cooperação dos grupos missionários ligados às comunidades cristãs confiadas ao cuidado pastoral dos Capuchinhos.

No Decreto do Ministro Geral pode ler-se uma breve síntese do percurso histórico da presença capuchinha em Timor-Leste e dos passos dados para a passagem de responsabilidade a outra Província da Ordem:

A presença missionária capuchinha em Timor-Leste foi iniciada pela Província de Portugal no ano de 2003, na povoação de Laleia, Distrito de Manatuto, Diocese de Baucau.

Desde o início, a par do intenso trabalho de presença e evangelização, os primeiros missionários logo assumiram o encargo prioritário da implantação da Ordem Capuchinha naquele país. Com estruturas físicas e recursos humanos muito escassos, foram recebendo jovens que manifestavam o desejo de ser frades capuchinhos.

Em 2006, para dar resposta ao itinerário formativo dos candidatos, cria-se uma nova fraternidade, numa casa alugada, em Dili, tranferida no início do ano de 2009 para o convento entretanto construído em Tibar, Liquiçá, Diocese de Maliana.

Para além do empenho na implantação da Ordem, há ainda responsabilidades pastorais em Laleia (Paróquia) e em Tibar, e alguns projetos sociais implementados sobretudo em Laleia.

Desde cedo, a Província Portuguesa sentiu que dificilmente podia levar avante sozinha a presença iniciada em Timor-Leste. Por isso, não tardou a solicitar a preciosa colaboração de outras circunscrições, a começar pela da Província da Baia-Sergipe, continuando depois com a da Província de Pontianak, a da Província da Austrália e a da Custódia de Sibolga.

O XVIII Capítulo da Província Portuguesa, realizado de 24 a 28 do mês de Abril de 2017, determinou que O Conselho Provincial solicite ao Ministro Geral que se iniciem as ações necessárias à passagem jurídica da respon­sabilidade em Timor-Leste para outra Circunscrição da Ordem” (Proposta 11, alínea c). Dando seguimento a esta determinação, o Ministro provincial de Portugal, em carta de 7 de Junho de 2017, solicitava ao Ministro geral que tal processo se iniciasse. Em resposta, o Ministro geral contactou a Província de Pontianak, a qual aceitou assumir a responsabilidade da presença da Ordem em Timor-Leste.