Escola de música procura evitar que jovens se alistem na guerra na República Centro-Africana. A escola foi fundada pelo Padre Franciscano Benedykt Paczka, músico e um dos catorze Capuchinhos Polacos a trabalhar no país.

Os Missionários Franciscanos Capuchinhos Polacos abriram a primeira escola de música na Repúblico Centro-Africana, na esperança de conseguir evitar que as crianças sejam arrastadas para a guerra pelos grupos paramilitares.

Cerca de 100 alunos estudam todas as tardes com músicos profissionais da Polónia e da França na African Music School, na cidade de Bouar.

Marcin Choinski, diretor da Fundação Akeda em Cracóvia, Polónia, que patrocina a escola e trabalha com os Capuchinhos, afirma que os alunos aprendem teoria da música e frequentam aulas de viola, saxofone, trompete, piano e bateria. Há alunos de diferentes religiões e cerca de 40% dos alunos são do sexo feminino.

“Obviamente não podemos ajudar todas as crianças deste país com apenas uma escola, mas podemos mostrar àqueles que apenas conhecem a guerra e a pobreza que há coisas melhores”. E acrescentou: “Apesar de não podermos oferecer alojamento, a nova cozinha está a fornecer refeições quentes a alunos que, de outro modo, passariam fome. Alguns dizem que, por si só, isso é o melhor presente de Natal que lhes poderíamos oferecer”.

Em entrevista ao Catholic News Service, no dia 18 de dezembro, Choinski disse que o Padre Paczka se apercebeu que muitas crianças locais tinham o dom da música, mas não tinham a oportunidade de desenvolver os seus talentos. Então, em 2013, ele começou a oferecer lições de música no seu convento, depois de comprar instrumentos nos Camarões.

"A guerra estava ao rubro e, quando mais de 300 crianças apareceram, ele imediatamente viu nisso uma oportunidade", disse Choinski, cuja fundação ajuda vítimas da guerra e de desastres naturais.

Um conflito de oito anos entre milícias rivais forçou ao deslocamento de 1 milhão de pessoas e forçou outras 400.000 a fugir do país. Os capuchinhos de Cracóvia têm cinco missões no país e compraram um terreno para a escola em 2015.

A construção do edifício em Bouar continua. Choinski disse que os laços que o padre Paczka estabeleceu com os diretores das escolas estatais locais ajudaram a garantir que o local possa permanecer seguro contra assaltos e intimidações por parte de grupos externos.

"Os soldados estão aqui posicionados sob os auspícios das Nações Unidas, por isso é relativamente seguro e ainda não sofremos nenhum ataque sério", explicou Choinski.

E acrescentou que vários alunos demonstraram capacidades extraordinárias e que esperava conseguir arrecadar fundos para enviá-los para academias na Europa assim que a escola fosse concluída.

A diocese de Bouar, dirigida pelo bispo Polaco Miroslaw Gucwa, apoiou a escola, mas o dinheiro para a construção, instrumentos, comida e manutenção teve de ser angariado através de doações, disse ele.

"Ao espalhar instrumentos em vez de armas, esperamos conseguir mostrar às crianças daqui e de lugares distantes que outros caminhos de vida são possíveis", disse Choinski.

O Padre Jerzy Steliga, presidente da Capuchin Mission Foundation, com sede em Cracóvia, disse que iniciativas como esta escola são "muito necessárias" para ajudar os jovens apanhados na guerra civil.

“A música é uma parte fundamental da cultura Africana, permitindo que as crianças descubram os seus gostos e interesses, mas também que se desenvolvam como pessoas através de uma atitude positiva criativa,” disse o Padre Steliga. "Talvez esta seja realmente a semente para algo maior, ajudando os mais pobres do mundo a descobrir os seus verdadeiros talentos e capacidades."

 

Jonathan Luxmoore, Catholic News Service, in UCAnews, Trad. E Adapt. Hermano Filipe, OFMCap.