Este fim de semana, vários jovens da Paróquia de Laleia, fizeram uma “Caminhada/Peregrinação” até Waimori, local de grande importância histórica para Timor-Leste, mas que infelizmente muitos jovens hoje não conhecem.

Foram cerca de 80 jovens da Paróquia de Laleia que, no dia 27 de Junho, partiram de Laleia, Samalai e Cairui, para visitar o local onde já no tempo final da resistência contra a ocupação Indonésia esteve instalado o Quartel General das FALINTIL. A importância deste local para o Povo de Laleia consiste no facto de que muitos, senão mesmo quase todos os habitantes de Laleia daquele tempo, foram a esse lugar durante uma semana para receber formação cívica, sendo que vários estiveram ali integrados também enquanto militares. Tal atividade tornou-se importantíssima como preparação para o futuro referendo, que veio a dar a Independência a Timor-Leste.

Mas, para além do interesse histórico que o local oferecia, havia um interesse maior… a caminhada espiritual, que pretendia ser um sinal da caminhada em Igreja e em Comunidade ao longo da nossa vida.

Na verdade, a caminhada de cerca de 20 Kms, percorrendo a ribeira e a floresta, bem como as subidas e descidas de alguns pequenos montes, serviram de ajuda para compreender que a nossa vida é feita de momentos belos, mas por vezes também difíceis.

Ao longo da caminhada foi fácil notar quem estava habituado a percorrer longos percursos e quem raramente faz 2 ou 3 quilómetros. Os que tinham maior ‘pedalada’ iam na frente com passo mais acelerado e com forte vontade de rapidamente chegar ao destino. Já os que raramente saem da área de suas casas, caminhavam lentamente e facilmente se distraiam com tudo o que os rodeava.

Comparando com a CAMINHADA DA FÉ, o mesmo se poderá dizer de quem está habituado a rezar e a viver na presença de Deus. A caminhada se torna muito mais fácil e a vontade de chegar à meta é muito mais forte, enquanto que, para aqueles que raramente dedicam algum tempo a fazer crescer a sua fé, não só se torna mais difícil a sua caminhada, como tudo o que os rodeia, por ser algo novo, se torna motivo de distração. Além disso, a pergunta mais frequente que assola a sua mente é o típico “ainda falta muito?”. A vontade de que o esforço e o sacrifício acabe toma conta da sua mente, não dando tanto valor ao que os espera, mas centrando-se mais nos obstáculos que os circundam no momento. Para esses, a caminhada se tornará cada vez mais difícil…

Tal leva-nos também a comparar a vida dos ‘santos’ e dos ‘pecadores’ no seio da Igreja, bem como a caminhada e missão de cada um. Na verdade, os ‘santos’ são aqueles que, apesar de caminharem com maior ligeireza, são chamados a olhar para trás e a saber esperar por aqueles que têm mais dificuldades. Não podem pensar apenas neles mesmos, mas compadecendo-se dos mais fracos, procuram animá-los e dar-lhes o exemplo, sem cair na tentação de julgar ou condenar o irmão que se encontra em dificuldade. Por outro lado, os mais ‘pecadores’ são aqueles que apesar das suas fraquezas, procuram olhar em diante, fixando-se no exemplo de quem vai mais à frente, deixando-se animar por eles, acelerando assim o seu passo para ir ao seu encontro.

No entanto, apesar de a Igreja ser SANTA, também é PECADORA nos seus membros. E, como tal, ao longo da caminhada vão surgindo alguns conflitos, discussões, criticas, incompreensões, invejas,… sendo necessários que estas ‘quedas’ sejam curadas com o Perdão e a Compaixão. De facto, é necessário que caminhemos juntos, sem deixar que as diferenças nos separem, mas antes, pelo contrário, nos ajudem a compreender que precisamos todos uns dos outros.

E, se eventualmente nos enganarmos no caminho, mesmo que sejamos nós o guia, devemos estar prontos a escutar a voz de quem possa conhecer melhor aquela parte do caminho, a fim de rapidamente se poder retomar o caminho certo. Por outro lado, não devemos ter medo de acompanhar os irmãos pelo caminho mais longo, não devendo nunca abandoná-los, mesmo que conheçamos algum atalho. Deveremos caminhar sempre juntos…

É também de salientar que se por acaso, algum irmão se venha a encontrar em sérias dificuldades, este jamais deve ser abandonado, mas sim ser alvo de um cuidado especial, de alguém que se dedique a ele com amor e compreensão maiores, a fim de que também esse irmão possa chegar ao final da sua caminhada.

E se a caminhada já por si é extraordinária, o mais maravilhoso acontece no final… quando todos, chegando ao seu destino, se alegram uns com os outros por todos terem conseguido chegar até ao fim. Cansados, sim… mas felizes… com uma experiência extraordinária que ficará para sempre não só nas suas memórias, mas principalmente nos seus corações.

 

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