Como nas demais nações muçulmanas da Península Arábica, a presença de comunidades cristãs no Bahrein é relativamente recente e vinculada à presença de diplomatas, empresas e trabalhadores estrangeiros, que chegaram ao país a partir de 1930.
Originalmente eram principalmente imigrantes de países do Oriente Médio, mas após o boom do petróleo, milhares de cristãos chegaram ali provenientes de diferentes nações asiáticas. Ainda hoje, a grande maioria dos cristãos no país (equivalente a cerca de 15% da população, 70% da qual é muçulmana) é composta por cidadãos estrangeiros que ali residem por motivos de trabalho. Eles são provenientes principalmente do Iraque, Turquia, Síria, Líbano, Egito, Palestina e Jordânia, mas também do Sri Lanka, Índia, Filipinas e países ocidentais.
É digno de nota que o Bahrein é um dos poucos países do Golfo a ter uma população cristã local: são cerca de mil fiéis, a maioria católicos de origem árabe, que chegaram ao Bahrein entre 1930 e 1950 e receberam a cidadania do Bahrein. Os católicos hoje são cerca de 161.000. No país, também há pequenas comunidades judaicas e hindus.
Embora o Islão seja a religião oficial e a Sharia, a lei islâmica, esteja em vigor, as comunidades cristãs e de outras religiões desfrutam de liberdade de culto, ao contrário do que ocorre na vizinha Arábia Saudita. À semelhança de Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos, de facto, há já algum tempo a casa reinante dos Al-Khalifa fez-se promotora de uma política religiosa tolerante e aberta ao diálogo inter-religioso, como confirmado, entre outras coisas, pelo facto de o Reino acolher vários locais de culto não-muçulmanos, incluindo duas paróquias.
A primeira igreja católica erguida nos tempos modernos na região do Golfo está localizada no Bahrein: trata-se da Igreja do Sagrado Coração construída em 1939 na capital Manama, em terras cedidas pelo Emir. Data de 10 de dezembro de 2021, por outro lado, a consagração da Catedral de Nossa Senhora da Arábia, a maior igreja católica da Península Arábica, construída no município de Awali num terreno de 9 mil metros quadrados doado em 2013 pelo rei Hamad bin Isa al Khalifa. Um projeto iniciado em 2014 e fortemente desejado pelo então Vigário Apostólico da Arábia do Norte, Dom Camillo Ballin, falecido em 2020.
A consagração foi presidida pelo cardeal Luis António Tagle que, no mesmo dia, havia encontrado o soberano, oportunidade que aproveitou para lhe entregar uma carta do Papa Francisco. A abertura do rei do Bahrein ao diálogo com outras religiões também é confirmada pelas boas relações existentes com a Santa Sé com a qual o Bahrein mantém relações diplomáticas desde 2000.
Nos últimos anos, progressos significativos foram feitos nessas relações, em particular a partir de 2014, quando o rei Hamad, em visita ao Vaticano, apresentou ao Papa Francisco um modelo da Catedral de Nossa Senhora da Arábia e também enviou um convite ao Pontífice para visitar o Reino. A visita foi seguida pela do príncipe herdeiro Salman, em 2020, e pela visita em 25 de novembro de 2021 do Sheikh Khalid bin Ahmed bin Mohammed al-Khalifa, Conselheiro do Rei para Assuntos Diplomáticos, que entregou ao Papa a carta oficial de convite para visitar o país.
Naquela ocasião, por meio do seu enviado, o rei Hamad também expressou ao Pontífice a sua adesão ao Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum assinado pelo Papa Francisco em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, por ocasião da sua visita aos Emirados Árabes Unidos, juntamente com o Sheikh Ahmed al Tayyeb, Grande Imam de al Azhar.
Neste mesmo espírito insere-se o "Fórum para o Diálogo do Oriente e do Ocidente para a Coexistência Humana" no qual, além do Papa, o próprio Sheikh al-Tayyeb foi convidado a participar, juntamente com outros líderes religiosos de alto nível.
Os católicos que residem no Bahrein estão sob a jurisdição do recém-criado Vicariato Apostólico da Arábia do Norte desde 2011 (anteriormente parte do Vicariato da Arábia de 1889 a 1953, depois Prefeitura Apostólica e depois Vicariato do Kuwait). Desde a morte do bispo Dom Camillo Ballin, M.C.C.I. em 2020 a sede está vacante e atualmente é confiada a um administrador apostólico na pessoa de Dom Paul Hinder, capuchinho, até abril de 2022 Vigário Apostólico da Arábia do Sul. Os dois Vicariatos são membros da Conferência dos Bispos Latinos para a Região Árabe (CELRA). Atualmente, cerca de 20 sacerdotes servem no Vicariato da Arábia do Norte, muitos deles capuchinhos, assistidos por religiosos e religiosas de outras congregações. O trabalho da Igreja local limita-se às atividades pastorais e a algumas iniciativas caritativas realizadas por grupos e associações paroquiais.
Segundo dados de 2020, o Bahrein tem uma superfície de 678 km² e uma população de cerca 1.472.000 habitantes. Os católicos são cerca de 161 mil, ou seja, 10,93 por cada 100 habitantes. Há 1 Circunscrição Eclesiástica e duas paróquias.
O rebanho católico é pastoreado e acompanhado por um bispo, 13 sacerdotes diocesanos, 7 sacerdotes religiosos, 1 religioso não sacerdote, 7 religiosas professas e 89 catequistas. Atualmente há 1 seminarista maior.
A Igreja é responsável por 2 escolas primárias, que atendem 987 estudantes, e uma escola média inferior e secundária, que atendem 328 estudantes.