No passado dia 04 de Outubro, Solenidade de São Francisco de Assis, na Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Gondomar, celebramos a Festa do nosso Seráfico Pai São Francisco em comunidade. A juntar a esta festa tivemos a alegria da Profissão Perpétua do nosso Frei Francisco Neto. A celebração foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Fernando Alberto Pedrosa Cabecinhas, com a presença do Vigário Geral da Ordem, Frei José Angel, e dezassete sacerdotes a concelebrar, com presença dos padres do Instituto dos Filhos da Caridade na qual o Frei Francisco Neto fez o postulantado. A celebração foi muito bem preparada pelos grupos da comunidade com reflexo bem nítido na cerimónia. Juntamente estiveram presentes os familiares do Frei Francisco e o seu pároco, Pe. Manuel Crespo.

No final houve um almoço de confraternização entre os familiares do Frei Francisco e os Freis das Fraternidades, respeitando as normas da DGS.  Que o Senhor o continue a iluminar no seu caminho de discernimento vocacional a exemplo de São Francisco de Assis. De seguida, publicamos o testemunho vocacional que o próprio nos enviou a nosso pedido:

«Que estranha forma de vida tem este meu coração…” Assim cantam os versos de um conhecido fado de Amália Rodrigues e assim podemos começar a falar de um tema que parece ser doutra natureza: a consagração religiosa. É certo que, para muitos, a vocação religiosa parece um fado, um arbitrário ditame do destino… mas será mesmo assim? Como pode nascer em alguém o desejo de se consagrar a Deus?

No passado dia 04 de Outubro de 2020, dia da Solenidade do nosso Pai Seráfico São Francisco de Assis professei perpetuamente os votos de obediência, sem nada de próprio e em castidade na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Quem sou eu? Sou um jovem natural da paróquia de Duas Igrejas, concelho de Penafiel da Diocese do Porto. Tenho 26 anos de idade. Fiz os meus estudos primários na Escola Básica Eiró n.º 1, da freguesia natal, os estudos do ensino básico na Escola Básica D. António Ferreira Gomes, em Milhundos - Penafiel e os estudos secundários na Escola Secundária de Penafiel e concluídos na Escola Secundária Augusto Cabrita, no Barreiro. Iniciei o curso de Mestrado Integrado em Teologia na Universidade Católica Portuguesa em Lisboa (em 2013) e conclui na Universidade Católica Portuguesa no Porto (em 2020).

Agora retomarei as perguntas iniciais desta minha reflexão. Antes de mais, a vocação nasce de uma vontade de seguir Jesus Cristo e estar com Ele, vontade que é frágil e forte como a semente de uma árvore de grande porte. A vocação tem a sua origem num encontro que chama a amar. E de muitos modos se faz sentir a voz e a presença d’Aquele “que o meu coração ama”. Assim foi comigo. Os momentos importantes para o início do meu percurso vocacional foram o dia da minha Primeira Comunhão e a participação ativa como acólito na minha comunidade paroquial. O serviço do acolitar fez-me estar sempre muito perto do altar, da mesa em que Ele se dá a cada um de nós em Corpo e Sangue. Assim sendo, o desejo e a interrogação de porque não também eu? Nasceu assim a minha vontade de iniciar o meu percurso vocacional.

O primeiro passo foi manifestar esta minha intenção pessoal à minha família, da qual tive, tenho e terei sempre um apoio incondicional e imprescindível de entrar no seminário. Depois manifestei ao meu pároco, que ainda é o atual. Ele orientou-me para o Instituto Religioso dos Filhos da Caridade, da qual ele é membro, com o carisma da evangelização dos pobres no mundo do operariado. Estive neste Instituto de vida religiosa quatro anos, na qual conclui os estudos secundários e iniciei os estudos em teologia. Face às circunstâncias com momentos de alto e baixo como em qualquer outra vocação sai do Instituto. Foi o momento mais difícil e duro na minha caminhada vocacional, mas nunca perdi a meta e daquilo que queria para mim. Em 15 de Agosto de 2015 entrei nos Franciscanos Capuchinhos, na Fraternidade de Gondomar, com ajuda muito amiga do meu formador do postulantado do Instituto Religioso dos Filhos da Caridade e da compreensão em me acolher por parte do Ministro Provincial dos Capuchinhos. Em Setembro de 2015 entrei no noviciado, na Fraternidade de Barcelos. Em 25 de Setembro de 2016 professei os meus Primeiros Votos Religiosos, os Votos Temporários e mudo para a Fraternidade do Amial para concluir os estudos teológicos. Na Fraternidade do Amial estive três anos (de 2016 a 2019) e regresso para a Fraternidade de Gondomar, para iniciar o Ano Pastoral Fraterno, na colaboração fraterna com o Frei Júlio Ramos na paróquia de São João da Foz do Sousa e na formação no postulantado. Ao concluir o Ano Pastoral Fraterno fui admitido ao Ministério de Leitor e à Profissão Perpétua.

Portanto, a originalidade da vocação religiosa consiste em que – ao ouvir “vem e segue-me” – a pessoa se percebe chamada a “imitar”, numa comunidade de discípulos e apóstolos, a forma de vida de Jesus pobre, casto e obediente ao amor do Pai. Com o voto de pobreza, o consagrado deseja imitar Jesus, para quem a única riqueza é o amor do Pai, não possuindo nada de próprio e dependendo da comunidade no uso dos bens. Com o voto de castidade, o consagrado oferece-se a Deus a capacidade de amar. Com o voto de obediência, o consagrado assume um ato de confiança em Deus (através da Igreja) pelo qual deixa nas Suas mãos a condução do seu próprio destino pessoal. O que tem valor é cada um possa responder a Deus, a partir da vocação comum à santidade!»