"O Paquistão perdeu uma personalidade vibrante e dinâmica. A sua morte é uma grande perda para a causa do diálogo inter-religioso. O seu compromisso para promover o diálogo e a tolerância será sempre lembrado. Daremos o melhor de nós para continuar esse compromisso", diz líder islâmico paquistanês.

"Fra Francis Nadeem era a espinha dorsal da missão de diálogo inter-religioso no Paquistão: depois de sua morte, sentimo-nos órfãos, mas esperamos e rezamos para que seu legado inspire muitos cristãos e muçulmanos nessa missão".

É o que afirma à Agência Fides Mufti Syed Ashiq Hussain, estudioso muçulmano e amigo do padre Francis Nadeem OFMCap, provincial capuchinho no Paquistão e secretário executivo da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, falecido num hospital em Lahore em 3 de julho, após um ataque cardíaco.

Mais de 2000 pessoas estiveram presentes na Missa do funeral celebrada na manhã deste 4 de julho, na Catedral do Sagrado Coração em Lahore. A celebração foi presidida por Dom Sebastian Francis Shaw, arcebispo de Lahore, enquanto o arcebispo Joseph Arshad, da Diocese de Islamabad-Rawalpindi, o bispo Indrias Rehmat, da Diocese de Faisalabad, e numerosos sacerdotes concelebraram. Presentes também líderes de outras denominações cristãs e de outras religiões, que vieram dar o último adeus ao padre Nadeem.

“Trabalhando com ele nos últimos 17 anos - conta Hussain - ele sempre foi muito humilde, dedicado à sua missão. Ele nunca perseguiu a fama, levou em frente a sua missão no silêncio, que era espalhar amor, paz e harmonia entre pessoas de várias religiões. Ele entregou-se totalmente para trazer a fraternidade e a unidade entre cristãos e muçulmanos, sensibilizou as escolas públicas e islâmicas com uma mensagem de unidade, acolhimento e tolerância. Por duas vezes foi homenageado pelo presidente do Paquistão pela sua boa obra de fortalecer a paz e a harmonia".

Allama Muhammad Ahsan Siddiqui, outro líder islâmico, presidente da Comissão Inter-religiosa para a Paz e Harmonia (ICPH), em uma mensagem enviada à Fides, diz: “Ele era um homem comprometido e zeloso, um grande homem e um ótimo padre. Ele era um verdadeiro embaixador da paz e um verdadeiro patriota. O Paquistão perdeu uma personalidade vibrante e dinâmica. A sua morte é uma grande perda para a causa do diálogo inter-religioso. Seu compromisso para promover o diálogo e a tolerância será sempre lembrado. Daremos o melhor de nós para continuar esse compromisso".

O pastor Shahid Meraj, da "Igreja do Paquistão", parte da Comunhão Anglicana, definiu o padre Francis Nadeem como "uma ponte de unidade entre cristãos e pessoas de outras religiões".

Pascal Robert, OFM, recorda-se dele como "sempre cheio de ideias, atividades e projetos a serem implementados. Era um líder perspicaz" e cita "um livro seu importante sobre a contribuição das minorias religiosas para o desenvolvimento e progresso do país".

O dominicano P. Nadeem Joseph OP o aprecia "como um frade que, inspirado por Francisco de Assis, seguiu os passos de Jesus Cristo, tornando-se embaixador da paz e atualizando em sua vida a oração de São Francisco que diz: Senhor, fazei de mim um instrumento de tua paz, onde houver ódio, que leve o amor".

Nascido em 27 de outubro de 1955, ingressou na Ordem dos Frades Capuchinhos Menores aos 19 anos. Após profissão solene em 1984 e estudos de teologia, foi ordenado sacerdote. Antes de ser eleito Custódio, ocupou o cargo de vice-provincial por dois mandatos consecutivos (de 2002 a 2008).

"Ele era um ponto de referência para nós. Trabalhava para sua comunidade dos frades capuchinhos e dos cristãos, mas sua alma era voltada também para os não cristãos, para construir e fortalecer um espírito de diálogo inter-religioso", observa padre Morris Jalal OFM Cap, seu confrade e antigo companheiro de estudos.

Padre Jalal recorda que "ele deu um bom exemplo em todas as suas obras e responsabilidades que lhe foram atribuídas, quer nas paróquias, como líder da comunidade capuchinha no Paquistão, quer como na importante missão do diálogo inter-religioso. Levaremos no coração o seu empenho e sua brandura, especialmente em tempos de perseguição ".

“À exemplo de Francisco de Assis, ele deu a vida pelo diálogo inter-religioso: sua visão era promover e fortalecer a paz e a harmonia no Paquistão. Como homem de paz e de diálogo, inspirou inúmeras pessoas que hoje trabalham ativamente pela mesma causa no Paquistão, para construir uma sociedade que ama a paz", acrescenta por sua vez padre Qaisar Feroz OFM Cap, secretário da Comissão para as Comunicações Sociais.

E completa:  "Este é o legado que ele nos deixa: era um homem de Deus, bem focado em sua missão evangélica, que sempre perseverou em seu ministério de diálogo inter-religioso e do ecumenismo, criando ótimas relações pessoais com pessoas de outras religiões”.