África volta a estar representada no Conselho de Cardeais. Esta é a novidade que emerge das decisões tomadas pelo Papa relativas ao grupo de cardeais que o assiste no governo da Igreja e no trabalho sobre a nova Constituição Apostólica destinada a substituir a Pastor bonus.

O novo rosto do Conselho, que agora tem 7 elementos, é o do arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo), cardeal Fridolin Ambongo Besungu, que traz de volta um purpurado africano ao grupo após a presença do cardeal Laurent Monsengwo Pasinya que deixou o cargo no final de 2018, junto com os cardeais Pell e Errazuriz Ossa.

Foram confirmados os outros seis membros: os cardeais, Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e coordenador do grupo, o secretário de Estado, Pietro Parolin, Seán Patrick O'Malley, capuchinho, arcebispo de Boston (Estados Unidos), Oswald Gracias, arcebispo de Mumbai (Índia), Reinhard Marx, arcebispo de Munique (Alemanha) e Giuseppe Bertello, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.

O bispo Marco Mellino é o novo secretário do Conselho de Cardeais, no lugar de dom Marcello Semeraro nomeado pelo Papa prefeito da Congregação das Causas dos Santos.

 

Quem é Fridolin Ambongo Besungu?

Dom Ambongo nasceu em 24 de janeiro de 1960 em Boto, na diocese de Molegbe, província de North Ubangi, na região noroeste de seu país, a República Democrática do Congo.

Após estudar Filosofia no Seminário Bwamanda e Teologia no Instituto Santo Eugene de Mazenod em Kinshasa, ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFM). Ele fez seus primeiros votos em 1981 e seus votos perpétuos em 1987.

Em 14 de agosto de 1988, foi ordenado sacerdote. O bispo Ambongo iniciou então seus estudos de doutorado em Teologia Moral na Academia Afonsiana de Roma. Ele ensinou teologia moral na Universidade Católica do Congo, depois nas Escolas Católicas do Congo e no Seminário Santos Pedro e Paulo de Lisala.

Em 2004, foi nomeado bispo de Bokungu-Ikela, província do Equador, e foi consagrado bispo em 6 de março de 2005. Uma experiência pastoral que não foi nada fácil para ele. Uma diocese sem litoral, ele nos dirá um dia. Ele também foi chamado de "o bispo em uma motocicleta", dadas as difíceis condições de transporte que o obrigaram a usar veículos de duas rodas para suas visitas pastorais.

Antes de se tornar bispo, foi presidente da Conferencia dos Capuchinhos da África Ocidental (CONCAO), à qual os Capuchinhos de Cabo Verde fazem parte e Presidente Nacional da Assembleia dos Superiores Maiores (Asuma) do seu país, para além de ser superior dos Capuchinhos congoleses.

Em 2008, o papa Bento XVI o nomeou administrador apostólico de Kole, uma diocese localizada no centro do país. Ao mesmo tempo, ele é presidente da Comissão Episcopal 'Justiça e Paz' e da Comissão Episcopal de Recursos Naturais. Em 6 de março de 2016, o Papa Francisco o nomeou administrador apostólico de Mbandaka-Bikoro, antes de nomeá-lo, em 12 de novembro de 2016, arcebispo da mesma arquidiocese.

Em junho de 2017, ele foi eleito por seus irmãos bispos, vice-presidente da Conferência Episcopal Nacional do Congo, CENCO. Em 6 de fevereiro de 2018, foi nomeado arcebispo coadjutor da arquidiocese de Kinshasa.

Foi criado cardeal em 2019, tornando-se o segundo cardeal capuchinho a fazer parte do atual colégio cardinalício, depois do arcebispo de Boston, Sean Patrick O'Malley.