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Viver da Vida... ou sobreviver

 

 

Viver da Vida… ou sobreviver

 

 

Se nos sentarmos na memória do tempo a contemplar a

vida, como se viveu e como se vive, na mira de quem quer desenhar outros futuros, verificamos esta realidade: a vida

é a Vida. Ela é fonte de viver. Impõe-se de forma categórica numa novidade de eterno infinito. Torna-se visível em todo o universo e encarna particularmente na humanidade.

 


 

O ser humano ainda não percebeu isto: que tem de ser a vida a conduzir-nos e não nós a conduzirmos a vida.

 

Na cozinha de uma família amiga, li esta frase: “Não faças planos para a vida para que a vida não te estrague os planos…” Pode ser um chavão, mas também nos pode inquietar para que os nossos planos se aproximem da vida e do amor com que ela nos convida a viver. Talvez precisemos de sair dos nossos esquemas de vida, para acolher a espontaneidade do viver divino.

 

 

Na escola da vida

 

Viver implica andar na escola da vida e não tanto na escola dos outros ou da nossa energia. Para não nos precipitarmos como tantos jovens de hoje.

 

Quando somos jovens, facilmente superamos a falta da “sabedoria de viver” pela força que nos permite empurrar a própria vida. E, pensando que ninguém nos pára, também aí nos cansamos. Então percebe-mos que a vida não é para viver apenas na juventude, mas ao longo de vários anos e em cada dia que passa... estendendo-se pela longevidade.

 

Querer viver nesta harmonia progressiva leva-nos a uma atitude de contemplação do universo, sentindo-nos uma criatura entre tantas a olhar à sua volta e a perceber a fraternidade universal como tarefa a realizar em cada momento da existência. E assim, nesta pausa de assombro cósmico e humano, comungar a alma do universo e sentir-se divino, possuído de uma bondade divina que faz a diferença.

 

Esta bondade desperta-nos para o nosso valor e para o valor do outro, e move-nos a uma construção contínua de mais humanidade alicerçada no amor, na justiça, na paz, na verdade, na juventude e na alegria.

 

 

Viver da Vida construindo a bondade

 

É preciso acreditar nisto: se vivermos para construir a bondade com que fomos criados, não teremos tempo para a maldade e veremos o universo com o olhar bondoso de Deus. Então…

 

A vida não será medida pela mediocridade, mas pela grandeza da própria vida.

A frase “Ano novo – Vida nova” não terá sentido, porque viveremos numa eterna juventude marcada pelo “homem novo” do Evangelho, sem maquilhagem, mas com a profundidade do ser.

A vida será valorizada pelo que é, e não pelo domínio e manipulação que algumas pessoas exercem sobre ela.

As operações de cosmética abortiva não terão sentido, porque todos seremos responsáveis diante da vida; os governos promoverão a paz e o bem familiar, a sua estabilidade económica e social; o trabalho não roubará tempo à convivência familiar; as famílias de adopção e acolhimento serão ambiente de ternura e de amor para as crianças a quem a vida não sorriu; o marido será responsabilizado nas opções que tomar perante da vida com a sua esposa e não fará filhos no ventre de outras.

As mulheres que “mandam na sua barriga” serão comandadas pela vida e, por isso, livres para acolher, com ternura de mães, a vida que geraram como fruto do amor com outro ser humano.

Ao colo da “mãe terra”, a vida não será selvagem, as relações humanas serão alicerçadas à “imagem e semelhança de Deus”, num respeito pela natureza em que o sol chamará irmão ao homem e o homem chamará irmão ao sol, à água, à lua e ao fogo...

O homem não será “lobo de outro homem”.

A pergunta “Em que mundo vivemos?” já não terá sentido, porque este mundo será o palco das relações humanas, “casa comum” onde todos vão ter direitos e deveres iguais.    

Os profetas falarão de amor e semearão gestos de bondade e de perdão, porque o amor jamais acabará. 

Os jovens, mais do que mero futuro, serão um presente com futuro, o presente em realização, um presente de continuidade cheio de esperança, de profissionalismo; serão marcados pela essência da vida, sabendo sentir o que vêm, não vivendo por ver viver os outros e proclamando, com voz de tenor, as razões da sua esperança e do seu viver.   

A humanidade crescerá em festa e alegria, colhendo da Vida a seiva do seu viver.

 

Mas… outros dir-me-ão:

     – Dino, acorda do sonho…”

 

Pois é!... Eu sei. Já são duas e tal da manhã, mas eu digo: És profeta da desgraça e continuas como Caim a matar o teu irmão. Tens um coração cheio de maldade, e não acreditas nos que são bons por criação do Deus de bondade. És dos que sobrevivem. Dos que não vivem da Vida.

 

Até quando…?!

Frei Dino Costa

 

 

 

 

 

Textos Bíblicos

 

«Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim que, sendo do Maligno, assassinou o seu irmão. E porque o assassinou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do irmão eram boas. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.» (1 Jo 3,11-14)

 

«Tende todos o mesmo pensar e os mesmos sentimentos, o amor de irmãos, a misericórdia e a humildade.

Não pagueis o mal com o mal, nem a injúria com a injúria; pelo contrário, respondei com palavras de bênção, pois a isto fostes chamados: a herdar uma bênção.

Pois

«quem quer ter amor à vida

e ver dias felizes,

refreie a sua língua do mal

e os seus lábios de palavras enganosas;

aparte-se do mal e pratique o bem,

busque a paz e corra atrás dela.

    Porque

os olhos do Senhor fixam-se nos justos

e os ouvidos do Senhor estão atentos às suas súplicas;

mas o seu rosto volta-se contra os que fazem o mal.» (1 Pe 3,8-12)

 

Reflexão

 

Qual a semelhança que existe entre a nossa vida e o projecto do Evangelho?

 “Sobreviver para viver” ou “viver sobrevivendo”… será vida?

Passar da vida selvagem ao amor fraterno, também depende de ti, jovem, a viver este momento projectado no amanhã. Que pensas fazer? Será que precisas de dar uma volta à tua vida?

 

 

 

 
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