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A pergunta de Nicodemos e os "rabis da noite"

 

 

A pergunta de Nicodemos e

os "rabis da noite"

 

 

 

Começo por pedir licença àqueles jovens que não são “rabis da noite”, que me deixem falar assim para poder expressar melhor esta realidade, mesmo sem querer

generalizá-la…

Os Jovens assumiram a noção da transitoriedade do seu tempo e Encontro de Jovensprocuram vivê-lo intensamente. Para isso, reclamam espaços onde eles possam viver como querem. Quando os jovens estão juntos, preferem, naturalmente os seus espaços, um determinado local. Mas não fazem de tais espaços arquipélagos, ou aglomerações de elites: procuram a convivência, a amizade e a festa. E isto, apesar de não ser conseguido, é bom.

A amizade pode não ir além daquele momento; mas, enquanto estão ali reunidos, são amigos e partilham a amizade. Repartem entre eles tudo o que cada um tem dentro como específico de si mesmo.

Uma ideia feita dos jovens, uma espécie de estereótipo, pode ser a de que eles só se juntam para se divertirem, e que, para isso, precisam de um espaço que, pelo menos simbolicamente, seja seu – ou seja, que lhes possibilite a convivência e a festa.

Devemos salientar que o espaço dos jovens é mais seu, quando é de noite. Isto é uma realidade fácil de ver sobretudo em locais onde há um índice muito elevado de jovens.

Uma vez ou outra, em que fiz do tempo da noite o meu tempo, facilmente constatei o grande número de jovens que se entretinham até “altas horas”, muitos, já intoxicados pelo fumo do tabaco dos bares em miniatura, (cheios até ao balcão), ou ainda pelo álcool ardilosamente disfarçado em nomes esquisitos como podemos ver ao pegar numa lista das bebidas para escolher aquela que também nos enganará. Outros, porém, vão queimando o seu tempo com “deleites amorosos”, ao som de música exótica, por vezes sepulcral, que apenas provoca sensação nos que estão numa situação semelhante.

Uma realidade: “por toda a parte, a noite está coberta com o manto da juventude”. Diz J. Ortiz: “Para a actual geração jovem, a noite converteu-se no seu símbolo por excelência: é o tempo sem tempo, sem horários nem relógio, é o espaço sem ordens ou exigências externas, é o lugar da ambiguidade e da sedução das emoções e da fragilidade, dos sonhos e das frustrações, a ausência da identidade, das fugas possíveis e da vulnerabilidade. Das desordens dos distúrbios, da amizade, do amor, do nada que é tudo, ou do tudo que não significa nada ou muito pouco.»

Grande parte da sociologia da juventude tem passado pela sociologia do lazer. Pode mesmo dizer-se que quem não quiser falar de lazer deve calar-se, se quiser falar sobre a juventude.

É no domínio do lazer que as culturas juvenis adquirem maior visibilidade e expressão. Para os jovens, os tempos livres ocupam, logo a seguir aos amigos e conhecidos, uma posição intermédia entre os valores a que concedem maior relevância (família e trabalho) e aqueles a que atribuem menor importância (religião e política).

Neste percurso feito pelos jovens na procura de felicidade, ganhando a noite, verifica-se uma realidade: são muitos os que passam da euforia do fim-de-semana à frustração de Segunda-feira. Também como Nicodemos, muitos jovens de hoje têm que aproximar-se de Jesus para lhe perguntar como nascer de novo (do alto).Como nascer do Espírito para ser mais espiritual?

É urgente entrar de novo no “ventre da humanidade”, na nossa própria essência íntima, para neste Natal, pela “assistência de Deus”, podermos nascer de novo com Jesus Cristo.

É preciso iluminar as trevas da noite jovem, para sentir o “sabor da criação” desde o seu ponto original, pois só assim poderemos nascer do alto descobrindo que Deus, ao fazer-se menino, vem trazer o “Alto” à terra, para que os da terra nasçam do alto.

SÓ OU EM GRUPO

1. Ler o texto seguinte:

Entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos, um chefe dos judeus. Veio ter com Jesus de noite e disse-lhe: “Rabi, nós sabemos que Tu vieste da parte de Deus, como Mestre, porque ninguém pode realizar os sinais portentosos que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.” Em resposta, Jesus declarou-lhe: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus.”

Perguntou-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?”

Jesus respondeu-lhe: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. Aquilo que nasce da carne é carne, e aquilo que nasce do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te ter dito: ‘Vós tendes de nascer do Alto.’ O vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito.” (João 43,1-8)

2. Que reflexões fazem os jovens uns com os outros e com Jesus?

3. Qual o contributo e os esforços pessoais e colectivos que elas te propõem, para criar esta mentalidade vocacional jovem?

4. Quais as noites da juventude?

5. De que se admiram os homens e as mulheres de hoje?

frei Dino Costa

 

 
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