Esta frase, atribuída a
São Francisco de Assis, deixa antever perfeitamente a sua atitude
perante a vida. O passado, para ele, contava pouco, porque, além de
o recordar como tempo perdido, estava fora do âmbito da
criatividade.
O que realmente lhe
interessava era o presente, que nos modela e define; dito de outra
maneira, viver o presente é definitivo, porquanto é no tem
po
presente que encaixam as nossas opções para conseguirmos ser o que
sonhamos. Daí o facto de estarmos sempre a começar, a decidir a rota
do nosso caminho, o destino do nosso futuro.
Francisco entendeu a
sua vida como uma resposta agradecida ao chamamento criador do
Senhor. E a esse chamamento, sempre novo e renovador, que se escuta
no presente, só na actualidade se lhe pode dar resposta. Por isso,
procurou, dia a dia, a melhor forma de ser fiel a esse projecto que
se manifestava como a vontade actualizada de Deus sobre a forma e o
destino da sua vida.
O presente era para ele
esse momento da graça em que podia esquecer o seu velho passado e
modelar livremente o seu futuro de acordo com a novidade que o
seguimento de Jesus lhe inspirava.
Por isso, não estranha
que os seus contemporâneos tenham visto em Francisco esse homem novo
que incarnava a frescura do Evangelho e despertava a necessidade de
começar a viver o quotidiano de uma forma nova. Uma novidade que se
caracterizava pelo abandono e pastoreio dos próprios desejos para
caminhar com entusiasmo
ao encontro
de Deus e
dos outros.
Mas, de Francisco,
podia dizer-se que não só era o homem novo como também o homem do
futuro, dado que nele se reflectia o ideal cristão, o que todos
queriam e desejavam ser.
A novidade que
Francisco apresenta ao homem do seu tempo, embora valorize o
presente como fundamental, é que essa nova forma de viver também tem
futuro, pelo que é a chave do entendimento entre os homens.
O novo modo de ter uma
experiência de Deus e, por conseguinte, do ser humano -com a sua
carga de dignidade e respeito - o mesmo que à natureza, da qual
formamos parte, constitui a garantia de que não estávamos condenados
a viver só o presente mas que temos vocação de futuro onde possamos
projectar nossos sonhos e vê-los, um dia, plenamente realizados.
Francisco, como homem
novo que tem futuro, convida-nos a começar todos os dias a nossa
tarefa de viver o nosso projecto evangélico. Porque esperamos?
Frei
Júlio Mico