Tudo indicava que era mais uma visita
mensal como as outras: à chegada, a concentração das crianças cheias de
curiosidade, mistério e com esperança que no mínimo, os missionários
lhes coloquem nas mãos um rebuçado ou um biscoito; A pequena Alice e a
prima, razão da nossa visita, encantadas com a nossa chegada; a
vizinhança de alerta e não com menos curiosidade do que as crianças;
carícias, brincadeiras, sorrisos e, claro, alguns disparos de fotos com
a digital, para delírio das crianças ao verem as suas expressões em zoom
no LCD.

Os últimos momentos são marcados com a
entrega de alguns alimentos que se destinam à Alice, mas claro, muito
provavelmente, partilhados pelas outras duas crianças da casa. A irmã
Nieta, missionária brasileira, dá o tradicional beijinho nas crianças e
eu aceno com largos sorrisos.
Ao contornar a rua empoeirada que contorna
a casa da tia da Alice, mandam-me parar, o que faço, enquanto sou
informado por uma vizinha com a Alice ao colo, que ela chora porque eu
não lhe dei um beijinho de despedida. Imediatamente saí do carro e
cumpri o ritual como deve ser, dando um valente beijo na testa,
esquecendo a sujidade bem demarcada pelas abundantes lágrimas que a
Alice acabara entretanto de derramar.
Ela tinha razão, toda a razão, porque a
mãe, que lhe deveria dar os beijos mais ternurentos deste mundo, faleceu
quando a Alice deu o primeiro grito de contacto com a vida.
Obrigado princesa Alice por essa lição.
Nunca te esquecerei!
frei José Luís Caetano