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Chegam hoje a Timor-Leste

ligado .

lcm_20111001Chamam-se Joana, Celina e Antonieta. Uma é psicóloga, tem 30 anos, deixa o emprego, a família e a terra natal, Barcelos; Outra é professora reformada, tem 56 anos, deixa as duas filhas, a colaboração na Fundação João XXIII e a paróquia de Lourinhã, onde o padre Batalha sempre tem contado com ela; a outra, de 45 anos, deixa Cabeceiras de Basto, os irmãos e sobrinhos.

Prepararam-se durante um ano, com o apoio da FEC (Fundação de Evangelização e Culturas) e dos LCM (Leigos Capuchinhos em Missão), em cursos de formação, retiros espirituais, jornadas de voluntariado e diversas experiências pastorais. Laleia, na diocese de Baucau, é o destino destas missionárias leigas que vão actuar especialmente nos campos da educação, assistência social, apoio materno-infantil e pastoral paroquial. Gesto profético e bem eloquente, de 3 “voluntárias”, para assinalar o Ano Europeu do Voluntariado.

 

DUAS MISSÕES NA CIDADE

«É dando que se recebe», costumamos rezar com São Francisco de Assis. «É dando a fé que ela se fortalece», diz-nos o Papa Bento XVI na Mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano, a 23 de Outubro.

Bento XVI, partindo da palavra do Primeiro Missionário – Jesus – Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20,21), dirige-se a «todos aqueles que encontraram o Senhor ressuscitado e sentiram a necessidade de o anunciar aos outros». A missão é fruto de um convite de Deus e de uma atitude livre de fé: não é apenas a resposta humana à iniciativa de uma organização de solidariedade. O missionário vai em nome de Deus e da Igreja, é preparado e enviado por uma entidade eclesial, é recebido e integrado na comunidade cristã local. O voluntário vai em nome de uma entidade laica, é integrado numa sociedade civil e segue um plano de orientação social e humanitária. O missionário é voluntário de Deus, o voluntário é missionário da sociedade. O missionário é enviado, como cristão, a ajudar a construir a cidade dos homens; o voluntário é enviado, como cidadão, a ajudar a construir a cidade de Deus, que é a mesma dos homens.

 

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

Este ano, o Dia Mundial das Missões, através da Mensagem do Papa, quer despertar a consciência, não apenas dos voluntários da missão, mas também dos que, voluntários como eles, se sentem igualmente missionários: os cristãos em geral; pois «todos os povos são destinatários do anúncio do Evangelho», essa missão é universal e «envolve todos, tudo e sempre» e «numa visão de conjunto da humanidade, essa missão ainda está no começo». Ninguém fica excluído. O maior ou menor empenhamento não depende de quem chama ou propõe, mas da capacidade de compromisso de quem responde. A fé cristã ajuda-nos a identificar e interpretar os sinais do mundo que precisam da nossa presença missionária. Credenciado pela Igreja, o cristão “parte” para partilhar com os outros a sua fé e a sua vida e, numa linha evangélica, ser sinal de paz, libertação, justiça e verdade.

 

CATORZE MIL QUILÓMETROS

A Joana, a Celina e a Antonieta vão percorrê-los, em 23 horas de avião. Mas para ser voluntário da missão não é preciso ir tão longe. O factor físico e geográfico não conta, ou melhor, não é o essencial. Como diz o Papa: «Muitos âmbitos, inclusive em sociedades tradicionalmente cristãs, hoje são refractários a abrirem-se à palavra da fé.» A estes se dirige em primeiro lugar, hoje a mensagem da nossa missão. Alguém tem de ir, também, aonde mais ninguém vai. Mas o mais difícil é “ir” onde já estamos: “dar” a alguém o que já tem, “falar” do que já sabe, “reevangelizar” quem é já “cristão”. A sociedade, hoje, transformou-se, cresceu, tem novas referências de valores e modelos. A Igreja deve acompanhar na teologia, na pastoral e na liturgia. Aqui, neste novo modelo de homem e sociedade, deve começar a missão do voluntário crente.

As três novas missionárias partem no dia 29 de Setembro para Timor-Leste; elas, porém, já foram missionárias antes, nas suas paróquias: como catequistas, professoras e membros de movimentos cristãos, na família e na escola. Chegou o momento de partilharem essa missão com outros jovens e crianças, em catequeses, movimentos e escolas de outras paróquias e aldeias, em diferentes países, ambientes e culturas.

Aquele que disse: «Ide pelo mundo inteiro…», disse também: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mc 16,15; Mt 28,20b).

Elas acreditam e confiam n’Ele. Por isso partem.

 

Leigos Capuchinhos em Missão