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Deixai vir a nós as criancinhas!

ligado .

criancinhas_jardim2Iniciámos as actividades no Jardim de Infância no dia 1 de Dezembro. Estávamos ansiosas pois não sabíamos como as crianças iam reagir e preocupava-nos a dificuldade de comunicação. Já começávamos a arranhar algumas palavras em Tétum, e a compreender o que nos é dito mas a maioria deles fala galolen, o dialecto local, e ficamos de cabeça em banda, pois não percebemos nada. O que vale é que temos connosco o sr. Antão, que colabora na pastoral da pessoa com deficiência, para nos ajudar também aqui.

Recebemos 23 crianças lindas com idades entre os quatro e os cinco anos. Como era de esperar, precisaram do seu tempo, de algum colo e mimo para fazer face ao desafio de ficar longe da mãe e do pai, além da adaptação ao novo espaço e às “irmãs”, com a pele muito mais branca do que todas as pessoas que conhecem. Foi um grande desafio para nós também mas pouco a pouco lá nos fomos aproximando e hoje já podemos abraça-los e falar com eles à vontade, sem começarem a chorar. Agora quando passam por nós na rua sorriem abertamente, chamam por nós e aproximam-se.

É um trabalho de partilha, de entrega, de criatividade, pois os recursos são poucos mas nada que a imaginação e a alegria e boa disposição não resolvam. São emoções novas, onde a comunicação vai crescendo dia-a-dia, nós a aprender tétum e eles português. Já aprenderam as partes do corpo humano em português, algumas cores e os números até 20. Gostam muito de folhear os livros… é das actividades que mais gostam. Cantamos todos os dias e rezamos sempre no início e no final do jardim. Dizem em alta voz: “Ha´u hadomi Jesus”, ou seja, eu gosto de Jesus.

Na altura do Natal fomos cantar uma música de Natal à fraternidade dos frades capuchinhos. Cantaram e tocaram com umas caricas dentro das garrafas de polpa de tomate. Ou melhor… nós é que cantamos pois eles quando viram os freis ficaram com tanta vergonha que cantaram muito, muito baixinho… eh eh eh.

Tem sido uma bênção sermos acolhidas por eles todos os dias e ver a vontade deles de aprender e de crescer... são sem dúvida uma estrela luminosa no nosso céu de todos os dias! Olhem para as carinhas deles… digam lá que não são as crianças mais fofinhas e lindas do mundo?!

 

Viver em Laleia!

“O verdadeiro caminho da oração é a vida. Uma oração contínua é uma vida inteiramente votada ao serviço de Deus…Esta é a única maneira de rezar sempre…a oração é contínua quando é contínuo o amor. “ (cit. La preguiera, E. Ancilli, in testemunhas da esperança, F. X. Nguyen Van Thuan, pp. 133)

O dia-a-dia em Laleia avança com cada vez mais actividades e mais pessoas com quem o partilhar. Já temos luz, quase 24 horas o que faz com que tenhamos água também. As actividades pastorais sucedem-se e fazem-nos aproximar cada vez mais das pessoas de Laleia, principalmente das crianças e jovens. Desde a preparação da Liturgia de cada domingo com os volumes da catequese, o ensaio com as crianças para a Eucaristia, a colaboração na catequese de Samalai, entre muitas outras.

Tudo decorre normalmente com as especificidades próprias do local e das pessoas. Já sabemos que marcamos ensaio às 3h e ele só começa por volta das 17h, pois as crianças vão chegando a pouco e pouco e uns vão chamando outros até estarmos todos, e podermos começar.

E foi assim que ensaiamos para a celebração do Natal com os adolescentes da catequese. O tema deste ano do auto-de natal é a fé, partindo do programa paroquial da Paróquia de Laleia que bebe da proclamação do ano da fé em 2012 pelo Papa Bento XVI. Lá tivemos de substituir a Maria, pois ficou doente, e a pouco a pouco, tudo ficou pronto para viver o natal. Como diz o frei Filipe, Laleia é a nossa Belém... e a nossa Belém vestiu-se de esperança e pintou-se de branco para receber Deus-menino!

Integramos o Conselho Pastoral e o Conselho Económico da Paróquia, de forma a uma melhor integração no meio, ajudando, no que nos é possível a implementar as linhas orientadoras do ano pastoral. Os freis capuchinhos têm a sensibilidade de integrar todos nas decisões e de manter a clareza em relação a todos os assuntos da paróquia e os paroquianos sentem-se realmente parte, como membros da linda Igreja de Laleia, que somos todos nós.

No final de Dezembro teve lugar mais um desafio, a formação de jovens casais, que se preparam para o casamento, juntamente com o catequista centro. A Filomena e o Herman têm o seu casamento já no dia 7 de Janeiro e é bom ver a sua cara de felicidade.

Colaboramos, todos os domingos, na “Pastoral do Doente”, levando a comunhão aos idosos e doentes, umas vezes com o catequista, outras com os freis, aos vários bairros de Laleia. É reconfortante sentir como a nossa presença enche aqueles corações por vezes tão sedentos da presença de alguém, e o reconhecimento da fortaleza de Cristo nas suas vidas sofridas e humildes. Quando vemos a sua fé e a forma como se preparam para receber a comunhão, pensamos muitas vezes se os “doentes” não seremos nós e eles as pessoas mais espiritualmente sadias que conhecemos!

Os frades capuchinhos, com o objectivo de educar para a importância da Palavra de Deus, da sua leitura e reflexão, têm um programa de itinerância da Bíblia. Ela fica semanalmente na casa de uma família, e vai circulando, bairro a bairro, por toda a Laleia. Então, todas as quintas feiras, após a adoração do Santíssimo Sacramento na Igreja, vamos, juntamente com os freis, fazer a lectio divina e visitar a família que acolheu a bíblia nessa semana. Partilhamos vivências, os laços que o Evangelho vai criando e compartilhamos orações e comentários, desde os “Katuas“ (idosos) aos mais jovens.

No fim-de-semana, de 17 e 18 de Dezembro fizemos um mini-retiro. Fomos recebidas generosamente pelas Irmãs Vitorianas, em Aubaka. Foi retemperador e reconfortante aprofundarmos a nossa caminhada, retomar o fôlego e as forças para seguir esta viagem, para seguir a nossa “missão”.

 

Fazer nascer!

«E o dia chegou festivo e jubiloso. Homens e mulheres da região, coração em festa, prepararam como puderam, círios e archotes para iluminarem aquela noite que viu aparecer no céu, rutilante, a Estrela que havia de iluminar todas as noites e todos os tempos 1C 85,2.

Na véspera do Natal, preparamos os doces de Natal e ultimamos pormenores do auto de natal. Desde o arroz doce, as rabanadas, a letria, o leite-creme, o pudim de pão, a Celina não se poupou a esforços para que o nosso natal fosse mesmo docinho! E foi mesmo! Os ingredientes, assim como as receitas, vieram pelo correio desde Portugal e sentimos o amor de todos vocês que nunca se esquecem de nós! Obrigada!

Antes da ceia, rezamos juntos na capela e viemos em procissão com o menino Jesus, cantando e anunciando o seu nascimento, até à mesa do jantar natalício. Sentimo-nos mesmo família e entre sorrisos preparamos o nosso coração para viver a celebração de Natal.

O frei Fernando iniciou a consoada com a leitura da mensagem do Ministro Geral, que apelava a gestos de solidariedade e missão com tantos irmãos que passam dificuldades. Depois da oração, partilhamos o bacalhau cozido com couves e os docinhos de Natal.

E chegou o momento esperado: Jesus vinha mesmo ter connosco e nascer em Laleia! Foi o primeiro natal sob o luar, à luz dos archotes e da Luz nova que veio para iluminar cada um de nós. As luzes multiplicavam-se nas mãos das meninas que dançavam, branqueando e alegrando a celebração. O Zeca, de apenas três semanas, foi o menino Jesus de Laleia, e portou-se à altura. O Frei Fernando, que presidiu à celebração levantou-o nos braços e todos nós sentimos o nosso Deus que se faz tão pequenino para que nós o possamos acolher e amar.

A família, tão longe, esteve tão perto e foi mais um Natal que partilhamos no bater do coração e na partilha de palavras doces. Os amigos também fizeram chegar cá o seu abraço e foi também com eles que Deus se fez próximo. Deus quebrou todas as fronteiras e todos estiveram cá connosco.

Após a celebração, os frades prepararam um pequeno convívio para todos aqueles que trabalharam e prepararam a celebração de Natal. E pudemos abraçarmo-nos e desejar um “Ksolok Natal!”

Nos dias seguintes, vivemos as festas de natal da catequese da paróquia de Laleia e das duas estações missionárias de Samalai e Kairui. Entre danças, canções e sorrisos as crianças espalharam a alegria do natal por toda a semana!

Partilhamos contigo, para que possas rezar connosco, a nossa oração após o jantar na véspera de natal:

É natal
Se, como Francisco de Assis,
Dás honras à simplicidade e à pobreza,
E aprendes de Jesus a humildade.
Se fazes de Laleia, a nova Belém

E da tua vida o “sim” de Maria.

 

É natal
Se, como Francisco de Assis,
Deixas que o “menino de Belém”
Encha de doçura os teus lábios e o teu coração,

E és tu a manjedoura onde Ele pode nascer e reinar.

 

É natal
Se te atreves, como Francisco de Assis,
A anunciar o nascimento do “Rei pobre”
Caminhando com os teus irmãos mais pequeninos,

E a sentir o trago doce de os chamar: meu irmão!

 

É Natal
Para ti meu irmão,
Que, como Francisco de Assis,
Cantas a cada dia: “Glória a Deus nas alturas
E paz nas terras aos homens

Por Ele amados”!

 

O primeiro… o último… o único instante!

“Cada palavra, cada gesto, cada telefonema, cada decisão, devem ser a coisa mais bela da nossa vida. Demos a todos o nosso amor, o nosso sorriso, sem perder um sorriso. Que cada instante da nossa vida seja o primeiro instante… o último instante… o único instante” (“Testemunhas da Esperança”, F. X. Nguyen Van Thuan, pp. 69)

E rapidamente chegou um novo ano! Foi na Celebração da Eucaristia que fizemos a nossa acção de graças pelo ano que passou, por tantas bênçãos que recebemos. Foi no ano de 2011 que vivemos intensamente a preparação para a missão, que pudemos beber da vocação missionária dos freis capuchinhos que nos ajudaram nesta caminhada, que mudamos muitas coisas em nós para que Deus pudesse cumprir em nós a Sua palavra e enviar-nos para Timor-Leste. Foi com um sorriso nos lábios que recordamos o ano que estava a terminar e as pessoas que nos ajudaram e que estão também agora connosco a abraçar o novo ano que começa. E pudemos agradecer a Deus porque fez nascer em nós a nossa vocação missionária e nos enviou para cá. É bom poder nascer de novo em Laleia!

Feliz ano novo!

 

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