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Diário de Missão

Irmã Beatriz de regresso ao Brasil

Dame no Kmanek

Sábado, 23 de Outubro de 2004 - O Frei José Luís, o frei Clemente e o jovem Ricardo partiram cedo com as irmãs brasileiras rumo a Dili. Mas Dili era apenas a primeira parte da viagem. Daí apanhariam o barco para a ilha de Ataúro. Mais do que um simples passeio, contava-se recolher mais algum material para um trabalho que a irmã Beatriz está a elaborar acerca da cultura timorense. À hora prevista, 8h30, já estava toda a comitiva reunida no cais de Dili, pronta para apanhar o barco. O barco partia às nove, mas foi aconselhado que chegassem mais cedo para estudar a hipótese de levar o jipe no barco. Às nove horas, já eram muitas as pessoas que se encontravam no cais à espera de um barco que teimava em não se fazer mostrar. Com efeito, ninguém sabia do barco. Os funcionários do cais apenas sabiam que o barco provinha do Oékusi e que saiu um pouco atrasado, os mesmos funcionários que pediram 200 dólares (!!!) pelo transporte do jipe. Valeu a experiência e feitio da irmã Beatriz que, após um breve diálogo com eles, conseguiu reduzir o preço para 60 dólares! De facto, um “pouco” atrasado foi uma maneira simpática (e porque não, timorense) de retratar um atraso de DUAS horas. O barco só atracou às 10.40h e partiu rumo a Ataúro às 11h. Enfim, pequenos contratempos para um dia que prometia ser, no mínimo, diferente.

Barco moderno que faz a ligação à ilha de Ataúro

Chegados a Ataúro, o grupo foi informado que o barco partiria às 17h, pelo que deveriam estar no cais às 16h devido ao jipe. O grupo decidiu almoçar numa praia ali perto e depois seguir para a aldeia mais próxima, contactar a população a fim de recolher algum material. Assim, seguiram para o lado ocidental da ilha, onde encontraram uma igreja de Nossa Senhora de Fátima! Com direito a estátua e tudo! Ainda por ali ficaram algum tempo até que, a sugestão da população, decidiu-se voltar noutro dia, pois o tempo não daria para quase nada. Assim, voltaram para a praia. A tripulação ainda tentava desesperadamente retirar do barco, um cilindro enorme de pavimentar estradas. O grupo na praia, que  tomava banhos e observava o que parecia ser um encontro anual de estrelas do mar, tinha como música de fundo o altifalante do barco a dar instruções, provavelmente aos pobres coitados que tentavam tirar o cilindro. E ali ficaram até que alguém se apercebeu que afinal o altifalante não estava a dar instruções nenhumas. Estava sim a chamar “as madres e os frades de Laleia” para embarcar, pois o barco estava prestes a partir! Num ápice, puseram tudo dentro do jipe e, a alta velocidade, foram ao encontro do barco. A célere viagem, no entanto, não terminou sem deixar marcas. Devido à velocidade do jipe, o jovem Ricardo (que ia na zona de carga) acabou por cortar o pé nas conchas gigantes que se tinham recolhido na praia. Porque partiu o barco duas horas antes do tempo é algo que até hoje não tem explicação!

Meia hora depois da partida dos outros, também o frei Fernando inicia a viagem, de bicicleta, para Kairui, onde celebra uma Missa requiem para dar sepultura às ossadas de cinco pessoas mortas há anos atrás pelas tropas indonésias, quando trabalhavam no campo. No fim da missa, após o mata-bicho na sala lateral da capela, o celebrante parou na casa onde estavam reunidos os familiares, orientando uma pequena celebração de bênção dos ossos que conseguiram encontrar e ali estavam expostos. O enterro destas ossadas seria feita só no dia seguinte, encarregando-se disso a própria família. De acordo com a cultura de Timor, a maneira de reconhecer ossadas como a de familiares nossos é no mínimo peculiar. Faz-se um pequeno golpe no dedo e deixa-se cair umas gotas de sangue em cima do osso. Se o osso “absorver” o sangue, então trata-se inquestionavelmente de um antepassado nosso!

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004 - Durante o tempo da invasão, as tropas indonésias deslocaram populações. Uma foi colocada perto de Laleia. Para isso, chegaram mesmo a construir uma capela. A verdade é que com o tempo, a população, que nunca se conformou com esta recolocação, foi lentamente voltando às suas casas. De tal modo que, no dia da Independência, toda a população já tinha regressado a suas casas. É apenas mais um exemplo da admirável determinação deste povo. Conclusão, a capela estava abandonada no meio de uma zona deserta. Assim, foi decidido que se iria demolir a capela. Desta maneira evitava-se também que um lugar onde antes se chegou a celebrar a eucaristia estivesse a ser agora usado como curral de cabritos. Foram obtidas todas as licenças (orais) do Dispo de Baucau, do Pároco de Manatuto e do grupo de catequistas que fazem parte do Concelho Pastoral. Todos os aspirantes foram mobilizados para a demolição da Capela da Praia, a fim de aproveitar materiais em obras junto da residência e na igreja de Laleia. Seguiram também para o local, o Frei José Luís, o Frei Clemente e o jovem Ricardo. A demolição ocorreu a ritmo bastante compassado. A meio da manhã, já se tinham retirado a maioria das chapas de zinco das paredes. No entanto, foram interrompidos por alguém que achou que não deveriam estar ali. Um habitante das redondezas, mais zeloso, achou por bem chamar a polícia e interromper as obras, exigindo que se falasse primeiro com as autoridades (já informadas) sobre tudo aquilo. A polícia corroborava com a exigência, dizendo que aquilo podia ser considerado vandalismo. Resultado, tudo parou, tudo ficou. A comitiva demolidora regressou ao convento aguardando novidades do processo. Como já era esperado, aquela interrupção era escusada, pois todas as partes a quem de direito, tinham sido informadas e estavam de acordo. Simplesmente, alguns habitantes das redondezas não estavam a par. Dois dias depois, a demolição foi concluída. No entanto, carregar todo o material para casa revelou-se uma tarefa tão ou mais delicada que a própria demolição. O material era tanto e tão pesado que dobrou completamente as barras de aço do jipe e chegou-se a temer pela integridade do mesmo!

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2004 - Há, em Timor, ainda um longo caminho a percorrer no que respeita à sensibilização das pessoas em matérias de saúde. A falta de sangue é um claro exemplo disso e da escassez de recursos com que os hospitais têm que trabalhar. Por isso, na companhia de uma irmã de Vemasse, a Irmã Cristina e uma aspirante, o Frei Clemente, o Frei José Luís, o jovem Ricardo e três corajosos (ainda que petrificados) aspirantes foram ao hospital de Baucau cumprir o seu dever humanitário, dando sangue. Todos os aspirantes, sem excepção, quando foram abordados pela primeira vez, recusaram sequer a ideia de verem uma agulha, quanto mais dar sangue. Mas o altruísmo e o serviço ao próximo acabaram por falar mais alto. Assim, o Diogo, o Jemédio e o Cirilo arriscaram. Foi uma manhã (alegremente) tensa, com os aspirantes sentados à espera da sua vez, tal condenados à espera de sentença. Mas o Frei Clemente e o jovem Ricardo fizeram questão de animar as hostes e acabaram por criar um bom ambiente, onde todos brincavam e encorajavam os companheiros. O jovem Ricardo acabou por não poder dar sangue, pois ainda estava a antibiótico por causa de uma grande infecção no pé. O dia terminou em grande gargalhada com a projecção das filmagens destes heróis dando sangue. Ficou desde logo combinado que seria uma iniciativa a repetir (com novos “voluntários”), de preferência com alguns habitantes de Laleia mais corajosos.

Sábado, 30 de Outubro de 2004 - Hoje começou a catequese em Laleia, Samalai e Kairui. Após um mês de formação aos catequistas, era altura de pôr a render dons e conhecimentos. Neste sábado, seria uma sessão de abertura destinada a sensibilizar crianças, pais e catequistas ao compromisso. Como a catequese é dada em simultâneo em três locais diferentes, foi necessário distribuir reforços. Assim, em Laleia ficou a maioria dos aspirantes e os catequistas locais. A coordenação geral ficaria a cargo das irmãs brasileiras. Em Samalai, para ajudar os catequistas foram dois aspirantes. A coordenar ficou o Frei Fernando. Também em Kairui ficaram colocados dois aspirantes com os catequistas sob a coordenação do jovem Ricardo. Ainda que em Kairui e Samalai não tivesse havido uma grande adesão, contabilizando tudo, estavam mais de cem crianças a dar, pela primeira vez, os primeiros passos nesta aventura de descobrir Jesus, que é a catequese. No dia seguinte, durante a Eucaristia, crianças, pais e catequistas assumiriam o compromisso da catequese perante toda a comunidade.

Domingo, 31 de Outubro de 2004 - Um dia triste para a quase-paróquia de Laleia. A irmã Beatriz regressa ao Brasil após um período de mais de quatro anos em Laleia. Não se deixou passar a oportunidade de celebrar uma missa de despedida, na qual toda a população quis marcar presença. Começando em Samalai, depois Kairui e finalmente em Laleia, não faltou quem quisesse exprimir a sua gratidão por tudo o que esta extraordinária irmã fez por este povo que a acolheu tão calorosamente. A Irmã Beatriz, ainda que a muito custo pessoal (por motivos de saúde), fez questão de deixar uma mensagem em cada uma das localidades. Foram momentos muito emotivos, lindos, em que se sentia no ar um misto de dor e gratidão por ambas as partes. À noite, a comunidade de Laleia convidou os Frades e o jovem Ricardo ao jantar de despedida da madre Beatriz. Muitos discursos, muitas lágrimas, muitas prendas e uma certeza: vale a pena deixar tudo e partir, por amor a Cristo, para onde precisam de nós. Vale a pena ser semente, ainda que, por vezes, à beira do caminho, em sítios pedregosos ou entre espinhos. Vale a pena procurar essa terra fértil dentro do coração dos homens e deixar que o Espírito dê fruto. Ora cem, ora sessenta, ora trinta…

Irmã Beatriz, missionária em Timor desde o ano 2000, regressou ao Brasil, deixando muitas saudades entre as gentes de Laleia.

Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004 - Os aspirantes partiram este fim de semana do convento, de modo a poderem passar o feriado de "Todos os Santos" com as famílias. Por isto, o convento ficou quase vazio. Após as missas dominicais habituais, as irmãs brasileiras convidaram a fraternidade para um almoço de despedida da irmã Beatriz. À tarde, houve tempo ainda para uma última visita, a última da Irmã Beatriz, à praia de Laleia. Depois do episódio do Frei José Luís com o crocodilo, não foi possível disfarçar um certo nervosismo enquanto se tomava banho. O Frei José Luís, por seu lado, teve que ficar no convento. Há já alguns dias que se tem ressentido de uma otite persistente, de tal modo que quase não ouve de um lado. Felizmente, a médica da embaixada, propôs-se a passar por Laleia para fazer uma consulta ao domicílio.

Terça-feira, 2 de Novembro de 2004 – Por causa do dia dos Fieis defuntos, a missa em Laleia ficou agendada para as 16h, no cemitério. Laleia compareceu em peso. Muitas flores, muitas velas e muita água benta. O frei Clemente e jovem Ricardo, que ainda não tinham assistido às cerimónias e tradições deste dia, aproveitaram para voltar para casa mais tarde, a pé, com a população. Ao final do dia, não podia faltar a tradicional "catupa" à mesa do convento, oferecida pela população. À noite, antes do terço, a Irmã Beatriz veio ao convento despedir-se. No dia seguinte sai cedo para Díli e, dali, para o Brasil.

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004 - O frei Clemente teve hoje a sua primeira sessão de formação de Língua Portuguesa com os aspirantes. Avizinha-se muito trabalho e muita paciência, visto que alguns aspirantes estão bastante avançados mas outros têm ainda muitas dificuldades. À tarde, reuniram-se os catequistas de Laleia, Cairui e Samalai na igreja de Laleia. Sob a orientação do Frei Fernando, estudou-se o programa de catequese e o plano da próxima sessão. Numa segunda parte, os catequistas organizaram-se por grupos para uma programação mais pormenorizada e distribuição de tarefas. A orientar os catequistas de Samalai esteve o frei Fernando e os de Cairui estiveram com o jovem Ricardo. Continua-se a verificar uma fraca adesão dos catequistas de Samalai e, particularmente, de Cairui.

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004 - O frei José Luís e o jovem Ricardo começaram às 7h a sua já habitual viagem a Dili. Desta vez, porém, ficariam em Dili essa noite e só voltariam no dia seguinte. Assim, acompanhariam a irmã Beatriz ao aeroporto. O sr. Domingos, sendo responsável pelas obras da sacristia da igreja de Laleia, foi também para comprar alguns materiais. O Frei Fernando também foi a Dili, mas de moto porque precisava de regressar no mesmo dia. Nessa tarde, depois da adoração, o Frei Fernando reuniu-se com os catequistas do bairro para discutir o programa pastoral.

Sábado, 6 de Novembro de 2004 - Começa hoje a catequese, com um novo programa, em Laleia, Samalai e Cairui. Os aspirantes estavam visivelmente ansiosos e motivados. A manhã foi ocupada com os últimos preparativos e revisões para a mesma. Ao final da tarde, teria lugar o primeiro encontro com todos os pré-aspirantes. No entanto, a vontade era tanta que, ao almoço já se encontravam lá. À tarde, o frei Fernando e o jovem Ricardo seguiram, respectivamente, para Samalai e para Cairui com os aspirantes destacados para estas catequeses. Ao contrário dos grupos de Samalai e Cairui, os catequistas de Laleia tiveram as mãos cheias. Perto de cem crianças reuniram-se para este primeiro dia. Terminada a catequese, houve ainda tempo para ensaiar com os aspirantes e candidatos, os cânticos da eucaristia de Domingo.

Frei Fernando animando o primeiro encontro de catequese, em Kairui

Domingo, 7 de Novembro de 2004 - A eucaristia foi animada pelos aspirantes e os reforços temporários, os candidatos. Na acção de graças foi lida, em jeito de oração, a primeira tradução do jovem Ricardo, do cântico "Confiarei". Depois do almoço, os candidatos despediram-se e o Frei José Luís desafiou os aspirantes para uma ida à praia. No convento apenas ficaram o Frei Fernando, o jovem Ricardo e dois aspirantes. Às 19h, hora das vésperas, ainda não tinham chegado. O frei Fernando recebeu um telefonema do Frei José Luís, pouco tempo depois, a explicar que o jipe tinha ficado atolado na foz da ribeira. O frei Clemente veio a pé, de noite, com dois aspirantes até casa para buscar reforços. As irmãs brasileiras emprestaram o seu jipe. Chegados novamente à foz, decidiu-se que só tirariam o jipe no dia seguinte.

Segunda-feira, 8  de Novembro de 2004 - O frei Fernando, a pedido do Frei José Luís, pediu, no final da missa, ajuda aos fiéis para retirar o jipe da foz. Meia hora após a missa, eram mais de 25 pessoas no jipe das irmãs a caminho da foz para desatolar o jipe. Um pormenor curioso foi o facto de alguns terem mesmo levado lanças e catanas!… Começaram hoje as obras na igreja. O objectivo é criar um pequeno sótão na parte da sacristia de modo a aproveitar melhor o espaço. Assim, será possível arrumar a (enorme) quantidade de coisas que reduzem em muito o espaço da sacristia. Na sequência das obras à volta da casa, contratou-se uma escavadora de Dili para cavar as fundações do futuro reservatório de água. A máquina, que teve alguns problemas logo a sair do camião, não chegou a trabalhar meia hora. Um tubo do sistema pneumático rompeu-se e pôs fim aos trabalhos de escavação. O operador da máquina assegurou que no dia seguinte o problema estaria resolvido, pelo que deixaria a máquina em Laleia.

Terça-feira, 9 de Novembro de 2004 - O frei Fernando, o jovem Ricardo e os aspirantes catequistas de Cairui e Samalai seguiram para Cairui para uma reunião de catequistas, com vista a preparar a próxima catequese. O frei José Luís aproveitou e seguiu com os restantes aspirantes para a montanha buscar canas de bambu. O jipe, no regresso, vinha quase no limite, com cerca de 15 canas com mais 3 metros cada, três catequistas de Samalai, dois frades, um jovem leigo e 9 aspirantes! A escavadora da Ensul trabalhou hoje apenas como poiso de recreio das crianças…

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004 - O frei José Luís e o jovem Ricardo seguem para Dili. Com eles foram também os responsáveis pela descasca do arroz em Laleia. Graças às contribuições de benfeitores das nossas Comunidades Cristãs, em Portugal, será possível comprar uma nova máquina de arroz. Por isto, a maior parte da manhã foi passada a procurar máquinas para se escolher uma. Aproveitaram ainda para se despedirem, no aeroporto de Dili, da irmã Maria da Luz, que iria a Portugal por uns dias. Por Laleia, o operador trouxe a peça que faltava à máquina escavadora. Após uma breve instalação, a máquina finalmente voltou a funcionar!... Por 10 minutos… depois avariou outra vez.

Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004 - A partir desta semana, a preparação da Liturgia será alternadamente da responsabilidade dos bairros e dos grupos. Por isto, hoje o frei Fernando e o jovem Ricardo, depois da adoração, vão ensaiar com a população os cânticos da eucaristia.

Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004 - O dia em Laleia começou literalmente agitado! Pelas 6.30h da manhã, a terra tremeu. Devido a um terramoto numa ilha indonésio, bastante forte por sinal, algumas zonas em Timor foram sujeitas a algumas réplicas, mas inofensivas. Foi, no entanto, o suficiente para pôr alguns habitantes em alvoroço. Começaram a bater em panelas e chapas para, segundo os seus costumes, “afugentarem” o terramoto. O frei Fernando foi a Cairui com os dois aspirantes responsáveis pela oração a fim de celebrar a eucaristia. Aproveita-se também uma hora para ir, pouco a pouco, retirando as pedras da igreja velha de Cairui. Ajuda precisa-se! Ainda à tarde em Laleia, finalmente chegaram os primeiros indícios de chuva. O jovem Ricardo aproveitou para tomar banho à chuva e jogar à bola com as crianças. Não foi muito feliz, pois nem 5 minutos depois, já tinha caído aparatosamente numa enorme poça de lama. Valeu-lhe as calhas do telhado da igreja onde pôde, dentro do possível, limpar-se um pouco.

Domingo, 14 de Novembro de 2004 - Como já tinha sido anunciado antes, a Eucaristia passará agora ter um único coro com gentes de todos os bairros e grupos. Deste modo, evita-se separações bairristas e permite ao bairro ou grupo que prepara a liturgia que se foque na Liturgia propriamente dita e não nos cânticos, como vinha a ser hábito. Hoje, foi a primeira prestação deste novo coro. Orientados pelos aspirantes e pelo jovem Ricardo, este coro teve uma estreia algo nervosa. O Frei Fernando trocou as suas celebrações com as do Padre Domingos. Por isto, o coro estreou-se a cantar para o Pároco de Manatuto. Mas tudo correu lindamente, dando a antever que, com algum tempo e ensaio, as celebrações ficarão mais animadas e preenchidas. De tarde, todo o convento foi à praia. Excepção feita ao guardião, que ficou (como lhe é esperado a “guardar” a casa) a fazer traduções do missal. Com as gentes da casa, forma também as irmãs brasileiras. Juntos foram às praias de Baucau, a uma praia fantástica com uma água que mereceu todos os elogios que o Frei Clemente (constantemente) lhe teceu. O jovem Ricardo aproveitou a brisa marítima e, pedindo ajuda ao Rafael, o aspirante barbeiro oficial do convento, cortou o cabelo. Ainda à noite, o mesmo cortou a barba toda, sendo motivo de risota e divertimento do serão do convento.

Ricardo Hans,

Leigo Missionário

 

 
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