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Diário de Missão

Frei Hermano Filipe termina missão em Timor

Dame no Kmanek

Estes últimos três dias foram, para mim, muito especiais e, ao mesmo tempo, difíceis. Timor Loro Sa'e (o país do sol nascente)Foram dias de despedida pois o final da minha missão estava anunciado desde o início: apenas um ano e depois o regresso aos estudos, em Portugal.

Deixar uma Fraternidade não é fácil. É deixar os Irmãos com quem partilhamos, sempre unidos, momentos bons e menos bons a nível pastoral; é deixar um povo que ainda agora começamos a compreender; é deixar um espaço físico que nos habituamos a ver; mas é também deixar que Deus nos conduza por caminhos novos pois é Ele quem nos pede esse desprendimento, essa itinerância, que São Francisco de Assis bem entendeu. Se algum dia poderei regressar,... só Deus sabe. De'it Maromak hatene!

Sábado, 7 de Agosto de 2004 - De manhã o frei Fernando foi para Baucau, onde celebrou eucaristia para as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e o frei José Luís foi buscar canas e outros materiais de que precisa para o jardim do Irmão Sol.

A seguir ao almoço, chegaram ao convento o Diogo e o Atanásio, que já participaram na eucaristia das 17h, animada pelas crianças da escola de Beboro. De seguida o frei Fernando teve uma reunião com os catequistas, o frei José Luís participou na festa do sr. Luís, em representação da nossa Fraternidade e o frei Filipe fez o jantar para o frei Fernando e os Candidatos ao Aspirantado.

Depois do jantar apareceram vários jovens como, aliás aconteceu ao longo dos últimos dias, acompanhados pela Dª Estefânia. Todos eles são do trans, um lugar que fica depois da ribeira, a cerca de um quilómetro da Igreja. Embora lá vivam muitas famílias, não têm água canalizada ou electricidade como os outros bairros de Laleia. Seria caso para dizer, não são suco ou bairro mas são gente! No final quiseram oferecer um tais ao frei Filipe, num gesto de amizade.

Domingo, 8 de Agosto de 2004 - Como habitualmente, o frei Fernando celebrou missa em Laleia, Kairui e Samalai. Acompanhou-o o frei Filipe, o Diogo e o Atanásio.Frei Filipe canta com as crianças em Galole Para o frei Filipe tratava-se da despedida pois iria regressar a Portugal no dia seguinte, segunda-feira, pelo que fez questão de agradecer a forma como o povo acolheu os freis, não em tétum mas em galole, o dialecto local. O frei José Luís ficou em casa a preparar o almoço para o qual convidou as irmãs brasileiras.

A seguir ao almoço apareceram as irmãs Concepcionistas para se despedirem do frei Filipe e pedirem para este trazer alguma correspondência para Portugal, pois os correios de lá são como nós sabemos! Ao final da tarde, os catequistas e mais alguns leigos quiseram fazer-lhe uma surpresa, preparando-lhe uma pequena festa. Apareceu, um pouco mais tarde, a equipa de liturgia do bairro de Umarentau, acompanhada do chefe de Aldeia e do José da Costa. Apareceu também o grupo de adolescentes e jovens do Trans, sempre fiel. A oração do terço, em Fraternidade, foi o coroar de um dia de trabalho e oração.

Segunda-feira, 9 de Agosto de 2004 - Já com a mala pronta, celebramos a eucaristia com o povo às 6h30. DEquipa de Liturgia do Umarentauepois foi a despedida das irmãs Helena e Nieta e de alguns jovens que fizeram questão  de aparecer no momento da partida. Ainda antes da partida e do pequeno-almoço, o frei Filipe foi arrumar o hábito religioso na mala e, depois de um ano de muito cuidado e a uma hora de deixar Laleia, foi picado por um escorpião. Lá diz o povo, "nem é tarde nem é cedo". Felizmente a paralisia do braço durou poucas horas e à entrada para o avião o inchaço, provocado pela picada, já quase tinha desaparecido. A passagem por Manatuto fez-me perceber que, naquele dia, ao contrário do que era habitual quando íamos dar aulas, não iria regressar a Laleia e não mais poderia brincar com as crianças, cantar com elas e falar galole, contemplar Deus na simplicidade do sorriso de cada uma delas.

O frei Fernando Alberto, Guardião da Fraternidade de Laleia, continuará a escrever este diário. Por mim despeço-me de vós, queridos leitores, e de todos os timorenses, a quem trago no meu coração e para quem imploro a protecção maternal de Nossa Senhora do Rosário de Laleia.

Quem sabe, um dia!...

De'it Maromak hatene!

frei Hermano Filipe

 

 
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