Quarta-feira, 2 de Junho de 2004 - Depois de celebrarem a
eucaristia em Fraternidade, os freis foram a Díli, entre outras coisas,
para actualizarem esta página web. Ao final da tarde, de regresso a
Laleia, havia água, pelo que puderam experimentar uma nova solução para
a elevação da mesma para o depósito e consequente armazenamento. Foram 8
meses sempre com baldes atrás; muitos quilómetros percorridos para a
conseguirmos para as nossas necessidades mais básicas, tais como tomar
banho, cozinhar ou lavar a roupa. Durante meses, foram as irmãs
Concepcionistas, que têm poço e, as irmãs Brasileiras que nos valeram.
À noite, alguns homens mataram uma jiboia a pouco mais de 100
metros da casa das irmãs Brasileiras. Alertados pelos berros de um
cabrito, os homens, de catana na mão, depressa a apanharam com a boca
na botija. Conclusão: comeram o cabrito e a cobra que tinha uns
generosos 3 metros de comprimento e uma largura impressionante.
Sexta-feira, 4 de Junho de 2004 - Por volta das 18h houve mais um
ensaio dos cânticos e dinâmicas para a celebração do Domingo seguinte.
Sábado, 5 de Junho de 2004 - Às 10h, o
frei Fernando, foi a Cairui celebrar uma missa de intenção.
À tarde, chegaram dois jovens de Díli, o Diogo e o Atanásio, a tempo de
participarem na eucaristia das 17h, animada pela irmã Helena e pelas
crianças de Laleia. Depois da eucaristia, reunimo-nos para
rezarmos a Oração de Vésperas onde, como habitualmente, se fez a
partilha da Palavra:
Credo Timorense
Frei Hermano Filipe
Laleia, 05.06.2004
Creio em um só Deus,
Pai dos timorenses e
de todos os povos em
unidade,
a quem oferece a guarda
de seu reino criado
as várzeas, montanhas e
ribeiras;
e a quem pede
para um novo Timor
o amor de filho
e as prontas mãos de
agricultor!
Mamã terna e atenta
às nossa lágrimas e
dificuldades
conforto e guia
em caminho percorrido
por Jesus Cristo,
seu filho e Senhor
em quem eu creio
e deposito o meu futuro
Ele que existia antes
de todos os tempos e
pela acção do Espírito
Santo
nasceu duma menina
simples e delicada
atenta à voz de Deus
e que para sempre
haveria de ser Nossa
Senhora,
Mãe e protectora.
Ele que se fez
homem-criança,
a quem prometeu
um reino sem fim
de Liberdade e Justiça,
de Amor e de Paz
fechado à calúnia e à
indiferença
aberto à amizade e aos
simples;
trabalhador,
que com suas mãos e vontade
construiu a mesa do
banquete
do encontro, da amizade
e com sua Palavra e Vida
o madeiro onde
sob mãos invejosas
foi crucificado;
Homem de Deus,
e que, por isso,
não fica junto à porta do
templo
mas entra e silencia o
coração
para ouvir a Palavra do Pai
e estar com Ele em Oração
para com Ele vencer a morte
e entrar na nossa casa
não para criticar
mas apontar caminhos e
abençoar
não para julgar
mas abraçar e perdoar
para ouvir os problemas
dos pobres, sem zinco nem
arroz,
das viúvas, em luto e com
saudade,
dos órfãos, sem pais nem
esperança
ou simplesmente abraçar-nos
e,
solidário, chorar!
Creio que o Espírito
Santo,
Senhor da Vida e da
Verdade,
actua em mim
quando ao meu irmão
dou a mão e um pouco de pão
abrigo e bom conselho
quando, grato, percebo
que tudo o que de bom eu
faço, é Deus que o faz por mim
pois só Ele é Santo
e por mim, novo Profeta,
fala
quando tétum e
galole dão lugar
a nova linguagem
onde ninguém é estrangeiro!
Creio na Igreja
que todos os Domingos se
reúne
em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo, Deus
único,
e em cada dia,
cansada de armas e palavras
violentas,
desta Família dá testemunho
construindo a paz,
aceitando a diversidade,
tudo perdoando
e a todos amando!
Domingo, 6 de Junho de 2004 - Desta vez, a preparação da formação
de catequistas, coube à irmã Helena. Na eucaristia não participaram mais
de 30 pessoas. No final foi-nos explicado que as pessoas não vieram por
causa da festa da noite anterior ter durado até de manhã. A
festa, onde o álcool é rei, foi em memória do homem por cuja
intenção o frei Fernando havia celebrado no dia anterior. Felizmente,
alguns timorenses já vão dizendo que isto não tem a ver com cultura
timorense, mas com tradições pouco ou nada evangélicas. Como se explica
que as pessoas dêem diariamente aos filhos apenas arroz e, quando alguém
morre, uma semana depois, um mês depois, seis meses depois e um ano
depois, já podem gastar centenas de dólares em comida e bebida! Seja
como for, fica a lição: missas de intenção ao Sábado, nunca mais.
Segunda-feira, 7 de Junho de 2004 -
De manhã, estava o frei Filipe a dar aulas e o frei Fernando no mercado
de Manatuto a fazer as compras para a casa quando um motorista do sr.
bispo, D. Basílio, veio ter à escola com um jipe da diocese para o trocar pela
carretta que nos havia sido
emprestada pelo vendedor do jipe e que agora a pede de volta. Este jipe,
apesar de velhinho, permitir-nos-á ir a Cairui e Samalai
sem termos que estar constantemente a usar o jipe das irmãs Brasileiras.
Entretanto, pode ser que o nosso, que está na alfândega desde Janeiro,
chegue.
À tarde tivemos um encontro de Consagrados em Vemasse. Trata-se de um
encontro com periodicidade mensal mas que não se tinha feito no mês de
Maio. Como preparação para uma melhor vivência da Solenidade do
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, as irmãs escolheram o tema
"Fraternidade e a Eucaristia".
Depois partilharam um lanche que preparam com todo o esmero. O próximo
encontro será em Laleis, em finais de Junho.
Quarta-feira, 9 de Junho de 2004 - O frei Luís foi a Díli,
tendo-o acompanhado a irmã Conceição, de Vemasse. No regresso
aproveitou também a boleia a irmã Helena.
Quinta-feira, 10 de Junho de 2004 -
O frei Fernando, bem cedo, saiu de mota em direcção a Díli para
dar uma aula no Seminário. Regressou a Laleia a tempo de almoçar e
preparar uma importante reunião que, à hora marcada, começou com apenas
algumas
das muitas pessoas que se esperavam. Entretanto chegou um dos Liurais
e outros responsáveis civis. Nesta reunião decidiram-se, por exemplo,
avançar com obras de remodelação dos três centros de culto: Laleia,
Samalai e Cairui. O custo destas obras deverá ser suportado
pela própria comunidade cristã, mediante a oferta de, pelo menos, um
saco de nelio (arroz), por família e por ano, e por campanhas
destinadas a grupos específicos. A saber: a campanha do "menos um
cigarro por dia", destinada aos adultos e a do "menos um rebuçado por
semana", destinado às crianças. Sobretudo em Laleia, onde as
obras são mais urgentes e serão, certamente, mais dispendiosas, cada
bairro, em cada semana rotativamente, deverá "fornecer" alguns
voluntários.
Entretanto o frei Filipe teve reunião com a equipa de Liturgia do bairro
de Umaklalan, onde ensaiaram um novo cântico, em Tétum
(Dame no Kmanek ba Timor) escrito pelo frei Filipe a partir da
Oração da Paz, atribuída a São Francisco.
Sábado, 12 de Junho de 2004 - Às 16h45, antecedendo a celebração
da Eucaristia, alguns Associados do Apostolado da Oração
(poucos) rezaram a Novena ao Sagrado Coração de Jesus. Um conjunto de
Orações, em Português, mas das quais percebi pouco. E se eu não percebi,
quem só fala Galole!...
Domingo, 13 de Junho de 2004 -
O horário das eucaristias foi alterado de modo a permitir, a quem
quisesse (e tivesse transporte), participar nas celebrações da Festa
de
Santo António, Padroeiro de Manatuto.
O frei Fernando foi a Manatuto e depois,
acompanhado pelo frei Filipe, foi para Cairui onde celebrou a
eucaristia com um número bastante reduzido de fiéis.
À tarde deu formação aos catequistas, em Laleia, depois de celebrar eucaristia.
Segunda-feira, 14 de Junho de 2004 - A seguir ao almoço, que às
segundas-feiras nunca é antes das 14h, por causa das aulas em
Manatuto, o Frei Fernando foi a Vemasse dar aula de música. O
frei José Luís foi a Baucau com a irmã Beatriz e com a irmã Nieta
e o frei Filipe ficou em Laleia a preparar a liturgia com a equipa do
bairro Ralan.
Terça-feira, 15 de Junho de 2004 - Desta vez, os alunos do frei
José Luís, deram-lhe folga. Continuou a trabalhar no portão que
está a fazer para a garagem (só falta o jipe). O frei Fernando e o frei
Filipe foram a Cairui; o frei Fernando para celebrar o Sacramento
da Reconciliação a 14 crianças que na próxima sexta-feira irão fazer a
sua Primeira Comunhão e o frei Filipe para preparar a liturgia mas, em
época de colheitas, está-se mesmo a ver...
frei Hermano Filipe