Dame no Kmanek
Finalmente foi possível
começar-se com a formação de catequistas; a um ritmo muito próprio, mas
tentando que no próximo mês de Outubro se inicie o primeiro de 10 anos
de catequese. Até agora eram apenas 3 meses de catequese. A renovação da
catequese é também uma das prioridades do novo bispo de Díli, D. Alberto
Ricardo, de quem falaremos num próximo diário. Diz ele que «o povo
timorense foi baptizado mas não catequizado».
Sábado, 24 de Abril de 2004 - De manhã bem cedo o
frei Filipe foi a Díli. Levou consigo o José da Costa e outro jovem que
queriam aproveitar para dar um passeio e visitar a família em Díli. O
programa estava mais ou menos definido à partida: passar por casa das irmãs Canossianas para falar com a irmã Natália, irmã Franciscana da Divina
Providência, que está de regresso a Portugal, após missão de 9 meses
(embora pense regressar a Timor) e que gostaria de estar connosco este
fim-de-semana. Veio com ela, de Oecussi, a irmã Piedade. O final
da manhã foi ocupado com uma visita ao jovem Feliciano, que está
hospitalizado, após acidente na estrada para Ermera, e com algumas
compras para a Fraternidade.
À noite os escuteiros ficaram junto da Igreja a
montar a tenda (cobertura) para o encontro do dia seguinte.
Domingo,
25 de Abril de 2004 - Os freis Fernando e Filipe foram para Cairui;
acompanhou-os o sr. Pe. Francisco.
Paramos em Samalai para levar para
Cairui os quatro inscritos para o curso de animadores de catequese, mas
eles não estavam prontos pois
pensavam que o curso era de apenas um dia
e tendo participado no Domingo anterior julgavam que a sua formação
estava completa.
Para as 14h estava prevista a recepção ao Pe. Leão, assistente nacional
dos escuteiros, mas ele não apareceu, nem apareceram os pais dos escuteiros,
os principais destinatários deste encontro. Valeu o esforço da noite anterior para
preparar tudo e uma exposição da "última carta de Baden Powell"
feita pela irmã Beatriz. Depois da eucaristia às 17h,
formação de catequistas em Laleia. Também neste dia agradecemos o Dom da
Vida pela irmã Conceição que celebrou o seu aniversário neste dia. Fomos
a Vemasse jantar, a convite das irmãs.
O frei José Luís levou os escuteiros de Cairui a
casa, recorrendo para isso à boa vontade das irmãs Concepcionistas.
Segunda-feira, 26 de Abril de 2004 - O frei José Luís saiu bem cedo com as irmãs
brasileiras. O
freis Fernando e o frei Filipe pensavam ir de mota para a escola mas, chegada a hora, um pneu estava vazio e
não tínhamos a bomba para o encher. Decidimos ir de Bis.
Mal chegamos à paragem, um autocarro passou e o cobrador (são sempre
jovens que fazem a viagem toda de pé com uma perna fora e outra
dentro do autocarro) fez-nos imediatamente sinal que havia lugar e
apontava para uns sacos de arroz estendidos no chão. Sorrimos e
resolvemos esperar pelo seguinte. Uma meia hora depois um autocarro
(seria discoteca ambulante?) tinha exactamente dois lugares.
O frei
Fernando sentou-se bem à frente e teve que ir com as pernas em cima de
uma coluna de música; o frei Filipe foi em direcção ao outro lugar
disponível. O senhor que ocupava o outro banco ia à vontade e não mexeu
a perna um pouquinho sequer, isto é, até sentir 75 quilos a pesar-lhe na
perna. A música era bem ritmada e num volume ensurdecedor. Para isso
contribuíam as 6 colunas de som, de dimensões razoáveis e a tal coluna
gigante onde o frei Fernando colocou os pés. O frei Fernando pensava que
se tratava de alguma peça do motor como tinham os autocarros antigos, em
Portugal. O motorista, um jovem de chapéu na cabeça, seguia fumando uns
cigarros atrás dos outros mas sem tirar os olhos da estrada.
Não faltavam galinhas debaixo dos bancos. Eu estava-me a rir das
que íam logo atrás do banco do frei Fernando e só reparei que as
tinha também por perto quando levei uma bicada num pé. E quem se
riu foi quem estava ao meu lado, abrindo-se espaço para o diálogo.
As biscotas, são autocarros bastante mais
pequenos do que em Portugal e bastante mais estreitos.
De regresso a casa
pudemos ver alguma mobília que tínhamos encomendado e que tinha acabado
de chegar. Agora temos dois quartos
prontos para receber jovens vocacionados e um outro, de casal, pronto
para receber leigos, inclusive um casal de leigos empenhados nas
Comunidades Cristãs animadas pelos Capuchinhos em Portugal e que tenha a
vontade e a disponibilidade para fazer algum tempo de missão junto da
mais recente Fraternidade dos Capuchinhos.
À tarde, pelas 16h00, tivemos um encontro Inter-congregacional
no Centro Missionário Brasileiro. Marcaram presença duas das três irmãs Franciscanas de
Nossa Senhora das Vitórias, as irmãs Concepcionistas, os freis
Capuchinhos e, claro as anfitriãs, as irmãs Beatriz, Helena e Nieta e o
Pe. Francisco Moser que continua em casa das irmãs, à espera de paróquia
na Diocese de Díli, situação que deverá ser regularizada logo depois da
sagração do D. Ricardo, no próximo Domingo.
Terça-feira, 27 de Abril de 2004 - Ainda
antes do nascer do sol, o frei José Luís saiu de bicicleta em direcção a
Laclubar. São muitos quilómetros. Muitos quilómetros sempre a
subir. À tarde os responsáveis pela secção de liturgia do
bairro de Umaklalan não apareceram.
Quarta-feira, 28 de
Abril de 2004 - Dia livre da Fraternidade, o frei Filipe foi a Díli
para visitar o Feliciano mas, quando lá chegou uma Enfermeira disse-lhe
que, apesar dos insistentes avisos dos médicos, a família levou-o para
casa pois não confiava nos tratamentos que lhe estavam a ser ministrados
e lhe iria dar medicamentos timorenses (líquidos esquisitos e
feitiçaria). De regresso a Manatuto, um tio disse-lhe que o
Feliciano ainda não tinha regressado. Ora, se saiu do hospital, quase
sem conseguir andar, com uma infecção urinária grave, mas não regressou
a casa, então terá ficado em casa de
algum familiar, em Díli, sabe-se lá em que condições. De regresso a Laleia e
já a apenas 4 quilómetros avistou o frei José Luís que, embora muito
cansado, estava de regresso duma grande aventura.
Quinta-feira, 29 de
Abril de 2004 - O frei Fernando não foi
a Díli dar aulas porque o Seminário estará todos estes dias a
preparar-se para sagração episcopal do Pe. Ricardo, a quem foi confiada
a diocese de Díli.
Sexta-feira, 30 de
Abril de 2004 - Memória do Beato Bento de Urbino. À tarde o frei Fernando
reuniu com algumas pessoas para preparar a liturgia do próximo domingo.
O frei José Luís, que iria dar a sua primeira aula de Português aos
jovens que já não andam na escola mas que gostariam de aprender
Português, ficou um pouco desiludido pois não apareceu ninguém, apesar
das muitas inscrições que havia tido. Pelos vistos alguém se
lembrou de os mandar limpar a gruta, onde se vai celebrar amanhã
eucaristia, a propósito da abertura do Mês de Maria, à mesma hora que
estava marcada a aula.
Viemos a saber que uma
senhora, antiga professora de Português na escola pré-secundária do suco
de Lifau, que se havia mostrado desiludida por os freis não
tencionarem construir nenhuma escola, pelos vistos andou a dizer aos
escuteiros, principais destinatários das aulas de português, que não
deviam aparecer nas aulas do frei José Luís (dos freis?).
Sábado, 1 de Maio de
2004 - São José Operário. O frei Fernando e o frei
Filipe foram a Baucau assistir à Ordenação Sacerdotal (Ordenação
ba Amo Lulik) do Pe. Avelino António Gutérres, Salesiano de Dom
Bosco, na Catedral de St. António, nesta mesma cidade. O bispo que o
ordenou é também Salesiano, da Papua Nova Guiné. À tarde, em
Laleia, às 17h00, teve
início uma procissão até à gruta, onde se celebrou eucaristia,
abrindo o mês de Maria.
frei Hermano Filipe