No
ano internacional do planeta
terra, convidamo-los a optar
por uma atitude constante de amor à Terra onde vivemos e donde
nos
alimentamos. Somos responsáveis por ela, e sabe
mos
que somos nós que a estragamos. Também sabemos que a poluição da Terra,
e da natureza em geral, é responsável por inúmeras doenças, alterações
climáticas e consequentes catástrofes ecológicas. Que mais esperamos? O
início de um novo ano e o Tempo da Quaresma poderão ser um bom marco
para tomarmos a decisão de mudar de comportamento.
O povo da Bíblia
considerava a terra como o primeiro e o maior dom de Deus, pois era
sobretudo da terra, com os seus campos e rebanhos, que tirava o sustento
e a vida. O Deus Providente servia-se dela para o alimentar e conservar,
continuando a obra da sua Criação.
Outros povos
consideravam-na como a mãe que nos alimenta. A Mãe-Terra era,
mesmo, objecto de culto nas civilizações antigas. Na sociedade moderna e
laica, o homem perdeu esta visão de fé a respeito da Terra, deixando de
a relacionar com o Criador. E assim, esvaziou-a do seu valor
fundamental, julgando-se com direito a escravizá-la e explorá-la, em vez
de a dominar e respeitar (Gn 1,28). É lamentável.
Esta falta de
respeito da geração moderna pela Terra, despoletou nela uma violenta
reacção contra os seus habitantes, provocando toda a sorte de
calamidades conhecidas. Porque “a Natureza nunca perdoa”, diz-se. E a
Terra, criada como um paraíso de Deus para os seres humanos (Gn
1-2), tornou-se frequentemente um vale de lágrimas. Que fazer, para
torná-la mais habitável? Os políticos, os movimentos e partidos
ecológicos têm programas para enfrentar tão graves problemas. E não
vemos muitos cristãos na primeira linha. Também é lamentável.
Na hora de enfrentar
os problemas da humanidade em relação à Terra, não podemos esquecer-nos
de Francisco de Assis Patrono dos Ecologistas, no seu Cântico das
Criaturas. No “Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor” do Mundo, ele
descobriu “a nossa Irmã e Mãe Terra” e soube cantá-la, com ternura e
gratidão, porque ela “nos sustenta e governa e produz frutos diversos e
coloridas flores e ervas”. E até vivemos em sua casa.
Frei Herculano
Alves,
in Revista BÍBLICA,
nº 314