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de sicar a jericó
As
Montanhas da Vida Consagrada
A minha querida amiga Joana Chittister fez uma
conferência linda
sobre as oito montanhas da vida consagrada.
Com a sua ajuda vamos olhar para essas cumeeiras
nevadas
e dar à perna para as escalarmos.
As montanhas são os
lugares onde, pessoal e comunitariamente, nos contagiamos da presença
divina; de lá deveremos fazer ouvir a nossa voz profética.

O
Sinai, o monte da espiritualidade
(Ex 19-20)
No Sinai, Javé
entregou a Lei a partir da qual Israel foi descobrindo a sua mais
verdadeira identidade. No Sinai ressoa o chamamento de Deus e a sua
bondade, para os saborearmos. Foi essa a montanha que nos seduziu, nos
cativou e nos promete vida; convida-nos a manter os olhos presos aos
sinais que Deus nos envia a cada passo. A Tenda do Encontro, a festa, a
história de Jesus, a celebração do seu mistério, a vivência da sua
palavra, são fonte e manancial, chão e íman sem os quais morreremos de
sede.
Gelboé, a montanha da renovação
(1 Sm 31; 2 Sm 2)
Ali morreu Saul com
seu filho Jónatas, deixando o campo aberto para David e para o despontar
de tempos novos. Gelboé impele-nos a escalar sem tibiezas a montanha da
renovação, a acolher os brotos e rebentos que vão surgindo no presente,
a refrescar a nossa capacidade de dizermos “sim” à novidade e ao futuro.
Uma vida, para ser capaz de interpelar o mundo, tem de ser vivida “com
harpas e cítaras”, como David.
Calvário, o monte da solidariedade
(Jo 19,20ss)
A vida consagrada
sempre reivindicou a sua origem aos pés da Cruz, entre os mais
esquecidos da sociedade ou nas zonas mais deprimidas do Globo. O
Calvário continua a desafiar-nos: temos de escalar de novo a montanha da
justiça, da misericórdia e da solidariedade com os pobres e os
crucificados deste mundo.
Moriá, o monte do sacrifício
(Gn 22,1-18)
Aí foi chamado Abraão
para sacrificar Isaac, seu único filho e seu tesouro, sua felicidade e
seu futuro. Escalar hoje esta montanha equivale a deixar velhas glórias
e muitas obras de prestígio, imolar expectativas duma “Família”
numerosa, a fim de vivermos na mais pura fidelidade e na mais absoluta
confiança.
Carmelo, o monte da opção
(1 Rs 18,20-46)
Elias desafiou o povo
a escolher entre o Deus verdadeiro e os falsos deuses. O monte Carmelo
impele-nos a escolher de novo entre o ordinário e o carismaticamente
extraordinário; a optar por uma autêntica vida no Espírito e não só
pelas boas obras e práticas de piedade; pelas necessidades do presente e
não apenas por aquilo que realizámos no passado; por enfrentar
decididamente as novas questões de hoje, em vez de nos limitarmos a
“fazer o bem” à nossa volta.
Tabor,
o monte da profecia comunitária
(Mt
17,1-9)
Foi no Tabor que
Jesus se manifestou com Moisés e Elias. De ali vem o apelo a sermos
pessoas e comunidades proféticas. Há muitas pessoas que têm voz
profética, individualmente; menos são as comunidades que se pronunciam
coralmente de maneira intrépida, sem se preocuparem com a aprovação dos
poderes deste mundo ou dos poderes eclesiásticos, mas unicamente com a
aprovação dos pobres que estão à espera de que falemos em seu nome, com
limpidez, com audácia, aqui e agora.
Garizim, o monte da espiritualidade feminina
(Jo 4,4-42)
Perto dali falou
Jesus com a Samaritana. Trepar a esse monte significa responder ao
desafio que o género feminino lança a uma espiritualidade patriarcal na
sua origem, a uma sociedade jerarquizada nas suas estruturas, a um mundo
tão unisexual na sua visão que parece funcionar apenas com um olho e um
ouvido, ou com metade do seu coração e do seu cérebro. Quando os homens
e as mulheres subirem juntos esse monte, será um tempo de verdade mais
completa e mais plena.
O
monte das Bem-aventuranças
(Mt 5,1-12)
Os Consagrados
deixaram de estar no “centro” da educação, da saúde, da missão ad
gentes; mas ninguém os dispensa de serem um “pulmão espiritual” que
procura oferecer às pessoas o que elas buscam e precisam: razões de ser
e de viver, dimensão eterna, alimento e água para converterem as suas
existências em projectos de santidade, num mundo fragmentado,
consumista, cheio de promessas enganosas.
Por que motivo não
tomamos a sério a “espiritualidade partilhada”, a “missão partilhada”, a
“comunidade partilhada”, a “vida partilhada”? Porque razão não acolhemos
os buscadores de Deus e, a partir dos carismas vivos das nossas
Famílias religiosas, os lançamos para o serviço da humanidade? Não será
porque, vivendo nós deficientemente as Bem-aventuranças, não temos força
nem autoridade para suscitar pessoas impregnadas de misericórdia,
sedentas de paz e de justiça, dispostas a levar o fermento do Reino a
toda a parte?
Abílio Pina Ribeiro,
in Revista BÍBLICA, nº 314
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Minha senhora – disse o homem à velhinha, que se arrastava
penosamente para o cimo da montanha –, desista.
Não vê que não tem forças para lá chegar?
– Não se
preocupe, meu bom senhor – respondeu a idosa; o meu coração
já está lá. Agora é só levar até lá também o corpo.
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“Se não deixares de caminhar, chegarás ao
lugar para onde te encaminhas”
(ditado chinês).
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Para um dia de
Retiro:
1.
Ler o texto bíblico relativo a cada monte.
2.
Ler o texto explicativo deste artigo.
3.
Reflectir: “Que interpelações nos faz cada uma das montanhas
referidas pelo autor neste artigo?”
4.
Partilhar, em grupo ou em comunidade, a reflexão pessoal.
5.
Passar a alguma proposta ou compromisso pessoal ou comunitário
concreto, sugerido pela reflexão e a partilha.
6.
Concluir com um tempo de oração, talvez uma Hora Intermédia ou
Vésperas. |
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