Na falta de baloiços para poder
ver o que o rodeia a andar para lá e para cá, o
pequeno Mariano, nosso
vizinho, resolveu pendurar-se no portão de ferro e provocar movimentos
de modo a que este se movesse.
Mais do que eventuais estragos
na estrutura metálica, o pequenito podia cair e magoar-se. Para evitar
um eventual acidente, falei para ele pedindo-lhe que descesse para o
chão, mas como o Mariano está na idade das birras, não desceu
prontamente e tive-o de o ameaçar com um jacto de água.
Acabou por descer mas não
demorou muito para ter nova tentação de se pendurar novamente no portão.
Voltei-o a ameaçar, mas desta vez apertando mais o manípulo preso no
extremo da mangueira. O Mariano foi atingido.
Embora não tivesse ficado
encharcado, tremeu e não demorou mais de três segundos para dar-me a
resposta: levou a mãozita ao meio das pernas e fez um curto mas eficaz
xixi, bem na minha direcção.
Em uníssono, e outra coisa não
seria de esperar, as irmãs do Mariano, outros vizinho, eu e frei
Filipe, desatámo-nos a rir. O que menos riu foi o próprio Mariano, que
ficou atónito a olhar para todos.
Ainda hei-de construir um
pequeno parque infantil e baptizar um baloiço com o nome de “Mariano”.
Também por estas é que o Reino
dos Céus são deles.
frei José Luís Caetano