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Galinhas
com focagem demasiado lenta…
Conduzir nas estradas de Timor é
um autêntico jogo de pista da Playstation. A diferença, e
não é pouca, é que se joga com a realidade, que tem nome:
crianças, jovens e adultos que têm o infeliz hábito de se
sentarem na estrada, e animais, como patos, galinhas, porcos,
cabras, ovelhas e cães e, às vezes, búfalos e cavalos que
vagueiam pelas estradas. Até já vi uma família inteira de veados
e outra de macacos.
Ali, os animais andam sempre à
solta e, em caso de atropelamento, geralmente, o motorista é
sempre considerado o culpado e o desfecho é o pagamento de pelo
menos duas vezes mais o valor real do animal acidentado. Isso
com sorte, porque, muitas vezes, o desgraçado do motorista tem
que pagar também a “descendência” do dito cujo, no caso de ser
fêmea. Se a vítima for uma galinha, há ainda que contabilizar os
ovos que iria pôr durante a sua vida.
A somar a esse extenso rol de
animais que constituem um perigo para quem circula nas estradas
timorenses, há outros: pedrinhas, pedras e pedregulhos,
desabamentos de terras, lamas e lameiros, plantas e árvores;
buraquinhos, buracos, buracões e crateras.
De toda a bicharada que me
aparece, há uma espécie que me deixa particularmente nervoso,
são as galinhas. O nosso Criador dotou-as com umas lentes
formidáveis para detectar o alimento microscópico entre as ervas
e a terra húmida, mas quando se trata de focar à distância, são
umas autênticas desastradas. Andam em ziguezague e, muitas
vezes, saem do meio das ervas e atravessam a estrada mesmo à
frente do jipe tornando o embate inevitável.
Frei
José Luís Caetano |