ORAÇÃO PELA PAZ
::
Texto atribuído a S.
Francisco
Senhor, fazei de mim
um
instrumento da vossa Paz.
Onde
houver ódio, que eu leve o Amor.
Onde
houver ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde
houver discórdia, que eu leve a União.
Onde
houver dúvida, que eu leve a Fé.
Onde
houver erro, que eu leve a Verdade.
Onde
houver desespero, que eu leve a Esperança.
Onde
houver tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde
houver trevas, que eu leve a Luz.
Ó Divino
Mestre,
fazei que
eu procure mais
consolar,
que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que
ser amado.
Pois é
dando que se recebe,
é
perdoando que e é perdoado,
e é
morrendo que se ressuscita
para a
Vida eterna.
::
Minha glosa com métrica e rima
Senhor,
eu quero ser um instrumento
da
vossa paz que o mundo não
conhece.
Por
obras, por palavra e
pensamento,
seja a
paz o meu
canto e minha prece.
1.
Se o ódio for
minando a comunhão
à sombra
da bandeira do terror
erguendo
baluartes e fronteiras,
que eu saiba difundir o teu
amor.
2.
Se a ferida em carne viva reacender
a
ofensa, na lareira da memória,
que eu
leve o teu
perdão
aos inimigos
na cruz,
como proposta de vitória.
3.
Se o
verme da discórdia corroer
a paz
entre famílias e nações,
que
eu faça, no respeito
das diferenças,
de novo a
união
dos corações.
4.
Se a dúvida toldar o azul do espírito,
qual nuvem
traiçoeira de verão,
que
a
minha
fé
consiga dissipá-la
e
o sol
brilhe de novo em meu irmão.
5.
Se o erro,
com ardis bem simulados,
levar a
inteligência de vencida,
que eu mostre,
sem temor, tua
verdade
por essa
inteligência apetecida.
6.
Se as vagas do mais negro
desespero
se
erguerem numa vida
amargurada,
que eu possa dominá-las com a
esperança
qual nau
pelo farol reconquistada.
7.
Se o lobo esfomeado da
tristeza
rondar a
paz serena do rebanho,
que eu
corra a afugentá-lo, reacendendo
o fogo da
alegria
que não tenho.
8.
Se as trevas do pecado, a dor e a guerra
negarem o
sinal da tua cruz,
que eu
grite, bem ao cimo dos escombros,
a Vida que a tua morte deu à
luz.
Ó
MESTRE,
se eu
pedir que me consoles,
ensina-me,
primeiro, a consolar;
se um dia
te pedir que me compreendas,
ensina-me,
primeiro, a compreender;
se acaso
for pedir-te que me
ames,
concede
que eu, primeiro, saiba amar.
LIBERTO
de mim
mesmo, reconheça:
que é
dando-me
que eu estou a receber;
que sendo compassivo e
perdoando
é
que eu também
por ti sou perdoado;
e só perdendo,
enfim, a minha
vida,
é que
eu eternamente
a
vou ganhar.
Frei Lopes Morgado