Diz São Boaventura que,
certo dia, Francisco, passeando a cavalo, encontrou um leproso.
Horrorizado mas, ao mesmo tempo, lembrando-se do seu propósito em
levar
uma vida de
perfeição e impelido por Deus, salta do cavalo e corre a
abraçar
e beijar o pobrezinho que apenas esperava uma esmola.
E o que antes era
amargo, converteu-se
em doçura de alma e corpo,
lembraria Francisco, mais tarde, no
Testamento,
aludindo à sua própria conversão.
Francisco viu naquela pobre
criatura um irmão de Jesus, uma imagem do pobre e humilde Filho de Deus
e a partir de então começou a frequentar as leprosarias da região,
lavando os corpos em decomposição e tratando as chagas purulentas dos
leprosos.
Não queria que lhes faltasse nada e dizia: «em caso de manifesta
necessidade dos leprosos, possam os irmãos pedir esmola para eles.»
Dizia ainda aos seus companheiros:
«[Os
irmãos] devem alegrar-se quando se encontram entre a gente vulgar e
desprezível, entre os pobres e fracos, os doentes e os leprosos e os
mendigos dos caminhos.»
Francisco faz a
experiência da Encarnação e Redenção do Senhor, que vive e sofre em cada
um destes pequeninos.
Para Francisco, o encontro com o leproso é o encontro com todos
os pobres, doentes e marginalizados, de hoje, a quem Jesus continua a
lavar os pés.
Frei Hermano Filipe
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siglas utilizadas:
Escritos de São
Francisco:
1 R – 1ª Regra (Regra não bulada)
T – Testamento
Biografias:
1 C – Tomás de Celano, Vida
Primeira
LM – São Boaventura, Legenda
Maior