Sete novos aspirantes
Conforme estava programado, realizou-se
no passado sábado, dois de Maio, a entrada formal no
Aspirantado de 7 jovens que já estavam connosco, em tudo
integrados no ritmo fraterno há mais de dois meses. Para
“perpetua rei memoria” aqui se mencionam os seus nomes
próprios: Agostinho, Domingos, Fidélio, Filomeno, Jesuíno,
Martinho e Nicolau.

No momento da Hora Intermédia, na
Capela da Fraternidade, depois da oração dos Salmos, na
presença de todos os irmãos em missão nesta terra de Timor,
estando connosco também o Fr. Damião, Mestre de noviços da
Província Indonésia que vai acolher os nossos futuros
noviços, com o calor dos 12 Postulantes de Tibar, e tendo
como observadores três jovens que vamos acompanhando nos
últimos meses, o Fr. Fernando começou por ler a mensagem do
Papa para o dia das vocações. O Cântico, Salvé
Francisco Pai Santo foi cantado com entusiasmo quase
como ressonância de tudo o que se tinha escutado. Passando,
depois ao cerimonial propriamente dito, feita a chamada de
cada um dos sete pelo responsável de formação, todos se
deslocaram para um lugar mais destacado onde fizeram o seu
compromisso. Como sinais e símbolos marcantes para
esta caminhada no Aspirantado, cada um deles recebeu a
Bíblia Sagrada e a Cruz de S. Damião. A entrega
esteve a cargo dos frades presentes, Fr. Manuel Rito, Fr.
José Luís, Fr. Fernando, Fr. Pojeira e Fr. Damião. Não
faltaram os aplausos, nem os cânticos franciscanos, nem o
calor humano. Resta esperar que os frutos apareçam! E que
Deus seja louvado.
Preparado por uma “equipa de
especialistas da nossa praça” – os Aspirantes têm-se
revelado exímios na arte culinária – saboreamos uns manjares
ao estilo desta terra. Estes jovens, até na arte da doçaria
se têm mostrado “profissionais”. E o louvor deve dirigir-se
também a quem os preparou: o Fr. Mário.
E, ao bom estilo dos tempos antigos,
depois do almoço, realizou-se o jogo de futebol entre a
selecção dos nossos jovens e uma equipa de universitários,
estagiários em Laleia, no campo oficial cá da terra.
Terminou com a vitória das “nossas cores”. Temos futuro, na
peugada das “antigas tradições”. O árbitro foi o Fr. Damião
que se comunicava facilmente com todos na língua indonésia
conhecida por todos os intervenientes. Convém chamar a
atenção para o facto de ainda haver manuais escolares em uso
que estão escritos em indonésio.
Terminado o jogo e partilhado um bom
lanche, a vida retomou o ritmo normal. Os Postulantes, com o
Fr. José Luís e o Fr. Rito a chefiarem a comitiva,
regressaram a Tibar deixando entre nós o fr. Damião que quis
conhecer um pouco melhor esta realidade de Laleia.
Quero, para terminar, realçar alguns
pormenores:
1. Os
sete novos aspirantes! “São esperança de futuro risonho”!
2. A
presença de 3 jovens inquietos com o caminho a escolher para
a sua vida, da zona de Baucau!... “A fonte continua a
jorrar”!
3. Os
cânticos franciscanos e de convívio na hora do café!... “As
boas tradições retomam-se e inculturam-se”.
4. A
presença amiga, interessada e fraterna do Fr. Damião,
procurando entrar em contacto e conhecer a realidade que lhe
vai ser entregue. “Mostrem por obras o amor que mutuamente
se devem….”
5. O
ambiente de grande alegria e simplicidade reinante! “Como é
bom, como é belo viver como irmãos…!”
Dia do Bom Pastor na
fraternidade de LALEIA
Na senda dos costumes que se foram
implantando em Portugal, também nesta Fraternidade se deu o
devido relevo à festa do Bom Pastor. Apesar de, no dizer do
Fr. Fernando, não haver tradição, os Aspirantes foram
sensibilizados para a figura do Bom Pastor que “ganha
visibilidade” na pessoa do responsável da Comunidade
Paroquial e da Fraternidade.
Durante toda a semana foram trabalhando
na ideia e sua concretização. No Domingo, ao chegarmos para
o almoço, encontramos nas paredes, imagens e frases alusivas
a Jesus o Bom Pastor a aos pastores que fazem ouvir a Sua
voz. Decoraram as cadeiras dos freis com o famoso “tais”,
“empurraram-nos” para a testeira da mesa, impuseram um
“tais” ao fr. Fernando e outro ao fr. Damião a quem
cumularam de atenções.

Na hora de dar voz à criatividade do
grupo, foi aliciante escutar música de cariz franciscano,
canções timorenses e portuguesas, o Desde que sou
Capuchinho e um poema que disseram ser obra de todos e
que, depois de muito bem recitado pelo Lamberto, fizeram
questão de entregar ao Fr. Fernando depois de assinado por
todos eles.
Revelaram-se talentos, ganharam
confiança nas suas potencialidades, demonstraram o apreço
que nutrem pelo seu responsável de formação e descobriram
que, com um mínimo de esforço e empenho, conseguem
influenciar o ambiente duma forma atraente.
Certamente, esta festa não esgotou as
suas potencialidades. A seu tempo novas formas poderão
aparecer!
Parabéns ao fr. Fernando que soube,
conseguiu e vai continuar a dosear o seu tempo para
“semear”, “regar” e marcar o ritmo na formação destes
jovens.
O Fr. DAMIÃO – da
INDONÉSIA
COMO JÁ FICOU IMPLÍCITO, o fr. Damião
veio para se encontrar, “in loco”, com os seus futuros
noviços e com as suas famílias. Tendo vindo de Tibar, no dia
2, com os irmãos e Postulantes que quiseram estar no início
do Aspirantado destes 7 jovens, preferiu ficar connosco um
pouco mais de tempo.
Esteve presente em todos os momentos da
vida fraterna, desde a oração às refeições. Quis ver como
era a nossa pastoral. Assumiu a presidência da Eucaristia em
CAIRUI onde, em Indonésio, transmitiu a sua “leitura” da
Palavra de Deus que se tinha proclamado. E isto deixou-o
feliz!
Regressou a Tíbar, com o fr. Fernando
que na Segunda-feira, dia 4, se deslocou a Dili para fazer
as compras semanais, como habitualmente.
Pela amostragem, parece que a escolha
desta Província Indonésia para acolher os nossos noviços
terá sido positiva. Assim os factos o confirmem brevemente.
Já agora, será mera curiosidade
referi-lo, a Província Capuchinha do fr. Damião “só” tem 140
frades!...
Frei António Pojeira,
Missionário em Laleia
(Timor-Leste)