Conforme o
previsto, aterrei em Timor na terça-feira, dia 7! A viagem
terminou quando os irmãos e amigos me acolheram no aeroporto
de Dili com provas evidentes de amizade fraterna. Apesar de
muito ensonado, em Singapura nem consegui “pregar olho”,
conduziram-me a Tibar e, depois de breves momentos,
empreendemos viagem para Laleia onde chegamos já depois das
20,00 horas locais. Uma coisa fiquei a saber: “os mosquitos
mostraram que gostam mesmo muito do meu sangue”! Deram-me
umas quantas ferradelas antes de ter chegado ao meu destino.
“Foram uns beijos estranhos”. Só espero que as consequências
não sejam dolorosas.
Chegar e entrar em acção!
Estando na
semana santa, era impossível ficar a olhar para “ontem ou
para amanhã”. O fr. Fernando tinha já o esquema montado.
Quarta-feira confessar todo o dia nas diferentes comunidades
(deu para perceber porque é que as pessoas gostam de se
confessar ao “padre surdo!…”, já que eles falar falavam e eu
absolver absolvia - Deus conhece todas as linguagens). Pude
constatar que para fazer umas longas horas de experiência de
confessionário não é necessário estar em Barcelos, Gondomar
ou Fátima…
Na Quinta-feira
fomos todos (2 frades e 2 aspirantes) à celebração da Missa
Crismal na Catedral de Baucau. Que bom é sentir-se acolhido
pelos sacerdotes e pelo próprio D. Basílio que, numa prova
de estima e amizade, nos chamou para a sua mesa no almoço
servido no final da celebração.

UMA EXPERIÊNCIA DIFÍCIL
As celebrações
do Tríduo Santo foram marcantes e difíceis. Porque não tive
alternativa lá fui colocando à prova a força do divino
Espírito Santo e a capacidade de interpretação do senhor
Osório (Samalai).
Alguns realces:
a) VIA
SACRA PÚBLICA. Sendo já tradicional, mais uma vez foi uma
prova de vitalidade desta comunidade de Laleia. Partindo da
Igreja paroquial, percorrendo os mais diversos caminhos da
povoação, descendo à zona mais baixa e subindo por meio de
campos e caminhos agrestes chegamos ao cimo do monte mais
alto onde se ergue uma Cruz de ferro.
Foram quase
três horas a calcorrear as ruas que este povo percorre na
sua vida diária. Em ambiente recatado e contenção, com uma
participação maciça dos fiéis, rezando e cantando, fomos
acompanhando a Cruz de madeira, levada por membros
previamente escolhidos dos diversos bairros, grupos ou
associações da terra. O Sol estava abrasador! Mesmo assim,
nem os mais velhos, nem os mais novos, nem as crianças – e
tantas eram – ficaram pelo caminho. Todos quiseram subir ao
“alto da montanha” onde se meditou a última estação desta
Via Sacra. As palavras finais e a bênção dada pelo Pároco
foram o toque de dispersar que todos esperavam para
regressarem contentes a suas casas.

b) A
grande afluência de pessoas às celebrações de cada dia.
Sobretudo em Laleia – um pouco menos nas outras duas
comunidades – houve uma enorme presença de fiéis a todas as
celebrações. Foi marcante o número de pessoas que, na
Sexta-feira, ajoelhando diante da cruz, devotamente a
beijaram. Foram precisas muitas dezenas de minutos para que
todos pudessem fazê-lo!
c) O
esmero que as zeladoras colocaram na preparação dos altares,
do trono, do círio Pascal, etc. é digno de registo; A
participação do Grupo Coral, preparada convenientemente pelo
Fr. Fernando – com cânticos em tétum e português; a
assiduidade e competência dos nossos acólitos que pode
ombrear, sem receio, com os das nossas comunidades mais
vivas; a alegria e boa disposição que em todos se notava,
são elementos chamativos de todo um trabalho que desde há 5
anos se vem fazendo em Laleia. Valeu a pena ter estado aqui
para testemunhar como se viveram estes dias!
“Jezús Kristu
moris hi’as ona. Aleluia!”
Boas Festas!
Frei António Pojeira Dias