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Junto aos
rios de Babilónia
nos sentámos outra vez a
chorar.
Os salgueiros secaram
as cítaras calaram-se,
e, também agora,
os cativos dizem: basta!
e os pobres perguntam:
quando?
Chegámos ao deserto do
passado,
pisando as areias do
presente,
para derrubar as torres
que a Babel do petróleo nos
impôs,
e as estátuas
da liberdade que não pedimos.
Subimos as margens do
Eufrates,
acorrentados pela ambição
dos que nos levavam cativos,
enquanto o megafone da
Aliança
procurava nas montanhas de
Noé
a Arca dos sobreviventes.
Voltámos aos campos da inveja
e arrogância,
onde Caím continua a matar
irmãos,
para enterrar os fantasmas da
memória
e recolher as lágrimas
das mães que não libertámos.
Entrámos na cidade das lendas
para resgatar os sonhos
mortos dos velhos
e contar as crianças
uma nova História
de Mil e Uma Noites.
Levámos connosco
o silêncio e a paciência
dum povo e milhares de anos.
Da saudade fizemos canto
para regressar à nova páscoa
com o resto das sementes
e os salmos da libertação.
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